Catedral de Santiago de Compostela

A Catedral de Santiago é um dos locais sagrados do cristianismo. Situada no centro histórico da cidade de Santiago de Compostela, declarada Patrimônio da Humanidade em 1985, pertencente à Província de La Coruña, uma das que compõem a Comunidade de Galícia. Acolhe, segundo a tradição, o sepulcro do apóstolo Santiago Maior, padroeiro de Espanha, convertendo o local num dos principais centros de peregrinação da cristandade, através do caminho de Santiago.

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Conta a tradição que foi ele quem difundiu o cristianismo na Península Ibérica.
No ano 44, foi decapitado em Jerusalém e seus restos foram levados à Galícia num barco de pedra. Devido à perseguição dos romanos aos cristãos, a tumba foi abandonada no séc. III. Descoberta no ano 814 pelo ermitão Pelayo, depois de observar luzes estranhas no céu. O bispo Teodomiro reconheceu o episódio como milagroso, que o comunicou ao rei Alfonso II de Astúrias, que manda construir uma capela no local.
Este pequeno templo foi substituído por uma igreja construída em 829 e posteriormente por outra pré-românica, erguida em 899, no reinado de Alfonso III, convertendo-se gradualmente num local de peregrinação.Em 997, esta primitiva igreja foi incendiada pelo comandante do exército do Califato de Córdoba, Almanzor, que, no entanto, respeitou o sepulcro do apóstolo.
Finalmente,em 1075, sob o impulso dado pelo bispo Diego Paez e durante o reinado de Alfonso VI de Castilla-León, inicia-se a construção da catedral Românica, seguindo o modelo da Igreja de San Sermín de Toulouse, provavelmente o mais imponente edifício românico francês. Em 1112, a catedral estava praticamente acabada. Sua última etapa construtiva ocorreu em 1168, quando o mestre Mateus é encarregado de realizar a cripta e o conhecido Pórtico da Glória. Em 1211, a catedral é finalmente consagrada. Posteriormenta,  foi ampliada nos séc. XVI e XVIII. O caminho de Santiago foi determinante para que os reinos hispanos medievais participassem dos movimentos culturais da época. Um privilégio concedido em 1122 pelo papa Calixto II declarou que sería Ano Santo ou Jubilar em Compostela quando o dia 25 de Julho, dia de Santiago, caísse num domingo.

O templo possui planta basilical de cruz latina, com 3 naves, trifório ou tribuna e transepto, estrutura que corresponde aos chamados templos de peregrinação.

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A grandiosidade da construção torna inviável uma descrição, mesmo superficial, de toda sua estrutura, por isso comentaremos apenas alguns de seus aspectos.
A fachada do Obradoiro, que dá para a praça homônima foi erguida em época barroca(1740), e seu nome se refere ao antigo grêmio de canteros que funcionava no local durante a construção da catedral. No meio do corpo central aparece Santiago.
Na torre da direita está Maria Salomé, sua mãe e, na esquerda, Zebedeo, seu pai.
Num nível inferior, aparecem dois de seus discípulos, Atanásio e Teodoro, vestidos de peregrino.

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A denominada Torre das Campanas situa-se à direita. Construída no séc. XII, sofreu várias modificações, até que em 1667, se edifica o corpo no estilo barroco.
A torre da esquerda, chamada de Carraca, foi projetada em 1738, imitando a das Campanas, aportando uma unificação estilística a toda a fachada.
A torre do Relógio se considera tradicionalmente que foi levantada no séc. XIV.
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Na fachada da praça de Quintana, existem duas portas. A Porta Real, barroca de 1666, permitia o acesso dos reis de Espanha ao interior do templo. A Porta Santa ou do Perdão está aberta somente nos anos santos. Na parte inferior, a ambos lados da porta, foram colocadas 24 figuras de profetas e apóstolos, originários do antigo coro, feito de pedra pelo mestre Mateus.
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A fachada norte ou da Azabachería também é de fábrica barroca.

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De especial interesse, a fachada das Pratarias é a única de estilo românico que se conserva. Contém os relevos originais, e foi construída a partir de 1103 pelo mestre Esteban. No tímpano da porta da esquerda, aparece Cristo tentado pelos demônios e, no da direita, cenas da Paixão e da Adoraçao dos Reis Magos.

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Obra primordial da escultura românica, o Pórtico da Glória foi realizada pelo mestre Mateus, entre 1168 e 1188. Constitue-se de 3 arcos, um para cada nave da igreja.
Infelizmente, quando estive na catedral o pórtico estava sendo restaurado, impedindo de contemplar-lo em toda sua magnificência. Recomendo, pois, sua visualização numa das inúmeras páginas web dedicadas ao pórtico, um dos grades logros artísticos de toda a história da arte. O arco central está dividido por uma coluna, também chamada de Parteluz. Nela, aparece a figura de Santiago peregrino e, em sua parte inferior, olhando para o Altar Maior, a figura do próprio mestre Mateus, e uma inscrição: Architectus.
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O claustro da catedral foi realizado no séc. XVI, segundo os planos de Juan de Álava e Juan Gil de Hontañon, em estilo gótico-renascentista. Desde o claustro,  acedemos à sala capitular e ao Arquivo-Biblioteca, que continha o famoso Códex Calixtinus, roubado em 2011. Este manuscrito do séc.XII é uma espécie de guia para os peregrinos que percorrem o caminho de Santiago. O livro foi roubado de uma câmara blindada, onde se encontrava as obras mais valiosas da catedral. Seu sistema de segurança era rigoroso. Porém, a chave da caixa forte era vigiada de uma forma mais relaxada…

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O famoso Botafumeiro é outro dos grandes atrativos da catedral compostelana. Trata-de um grande incensário, que mede 1,60m e pesa 62kg, o maior do mundo.
Criado em 1851, segundo a tradição, sua utilização iniciou-se no séc XII, para perfumar o interior do templo e eliminar o mau cheiro deixado pelos peregrinos.
Pode alcançar uma velocidade de 68km durante sua trajetória,descrevendo um arco de 65m e uma altura máxima de 21m.
Finalizando, a catedral possui dois órgãos, fabricados no séc. XVIII.
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Estive em Santiago num ano compostelano, e a quantidade de turistas e peregrinos era tamanha, que apenas para entrar na catedral, demorei quase 2 horas. Sequer pude ver a cripta com os restos do apóstolo, cuja fila implicaría uma espera de igual duraçao…Também nao pude ver o Pórtico da Glória em sua refinada composiçao, nem o famoso botafumeiro, que nao sei por qual motivo, nao participou do culto que presenciei. Espero, porém, que este post tenha contribuído para uma idéia geral da Catedral de Compostela, que como os peregrinos, exige uma paciente e, seguramente, múltiplas visitas para sua completa apreciaçao.

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