Monastérios Cistercenses

O Monastério de Santa Maria de Huerta localiza-se na Província de Sória, terra da antiga fronteira entre os reinos de Castilla e Aragón, e nos servirá de exemplo para esta matéria sobre monastérios cistercenses. Sua edificação deve-se ao rei Alfonso VII, que trouxe desde França uma comunidade de monjes da ordem de Císter.
Sua primeira pedra foi colocada em 1179 e muitos dos concílios promovidos pela ordem, foram celebrados nele.
A origem da ordem se remonta quando da fundação de sua abadia principal, em 1098, próximo à cidade de Dijon, França. Desempenhou um papel protagonista na história religiosa dos séc. XII e XIII e deve seu desenvolvimento a Bernardo de Claraval, homem de personalidade e carisma excepcionais, considerado seu mestre espiritual. Apesar de seguir a regra de São Bento, os cistercenses buscaram reformar-la, através dos preceitos originais do evangelho e criticando os excessos das abadias beneditinas, principalmente Cluny. Promovia, desta forma, o ascetismo, o rigor litúrgico e a importância do trabalho manual. Um de seus lemas máximos era: “Ora et labora” ( rezar e trabalhar).

Eram chamados de monjes brancos, em virtude do hábito que usavam, em oposiçao aos beneditinos, denominados monjes negros. Além do mais, a ordem  se propagou nos ambientes rurais, onde pudessem cultivar e realizar atividades agrícolas, tornando-se auto-suficientes.
Localizados geralmente em lugares de rara beleza, os monastérios cistercenses caracterizavam-se por seu isolamento, propício à atividade contemplativa e à meditação.
O estilo das construções inserem-se no final do período Românico e início do Gótico, sendo considerado um estilo de transição, e possuem uma uniformidade em todo o continente.
Na Idade Média, a arquitetura monacal foi uma referência constante à Jerusalém Celestial descrita no Apocalipse de São João, refletindo-se nos templos em busca de uma cidade de Deus ideal.
A construção e distribuição dos diversos recintos que compõem os monastérios cistercenses seguem uma regra geral, assim resumidas:
A igreja era o local mais imortante, a casa de Deus. Sua construção estava sempre orientada no sentido leste-oeste. Possuem uma nave central, e duas laterais de menor amanho e altura, que servem de contraforte. A iluminação proporcionada por suas janelas era monocromática, branca.
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A igreja era utilizada somente pelas comunidades que viviam no monastério, não havendo uma fachada principal por onde pudessem entrar os fiéis.
Os monjes colocavam-se no coro dianteiro da nave central e os chamados conversos, uma pequena comunidade que realizavam trabalhos para a abadia, no coro traseiro.
O claustro estava encostado à igreja, e era considerado como o centro da vida monacal, coexistindo com vários recintos associados a ele. De planta quadrangular, possuía entre 25/35 metros de cada lado.

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Na clausura, se respeitavam  os princípios que regiam o espírito da ordem: silêncio, disciplina, obediência ao Abade, horários rigorosos para orações em grupo, trabalho manual e leitura.
A estética arquitetônica seguia seus preceitos básicos: simplicidade e negação da ostentaçao, uma das principais críticas que Bernardo de Claraval relacionava aos templos beneditinos, geralmente de enormes dimensões e decoração excessiva, repudiando as pinturas, esculturas e adornos. Segundo ele, além de uma despesa inúti, esses excessos distraíam a atenção do monje, afastando-os de seu objetivo último, o encontro com Deus, através da reflexão e da leitura.

Abaixo, observamos o órgao barroco da igreja, e um detalhe da nave central.

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Portanto, tanto a arquitetura quanto sua estética deviam refletir o ascetismo e a pobreza, que constituíam o verdadeiro espírito da ordem.
No piso téreo do claustro, situava-se a sala capitular, local de leitura dos capítulos evangélicoe e de reuniões para debater assuntos pertinentes ao monastério.
O dormitório se localizava no andar superior, com duas escadas que possibilitavam o acesso imediato, tanto ao claustro quanto à igreja.
A regra repudiava a nudez e o isolamento dos monjes, que dormiam em grupo, num grande espaço construído para tal fim.
Na foto a seguir, vemos o dormitório da comunidade de conversos.

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Na ala do claustro contrário à igreja, situavam-se a cozinha e o refeitório, cujo soberbo exemplo do monastério de Huerta nos dá um belo exemplo, com uma escada adossada ao muro, que levava ao púlpito, onde se  realizavam leituras religiosas, enquanto os monjes faziam as refeiçoes.

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Na ala oeste do claustro, localizava-se os armazéns e ressaltamos também a dependência do scriptorium, onde os monjes copiavam os textos sagrados e os códices, em pergaminho.
Exteriormente, os monastérios caracterizavam-se pela ausência de torres, mas com um muro que rodeava todo o seu perímetro.
O final do séc. XIII representou o apogeu da difusão da ordem, quando contava com 700 monastérios, estando presente em todos os países da Europa Ocidental.
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Em 1791, a Revolução Francesa suprimiu a ordem e sua medida foi seguida por muitos países. Apesar do estado de ruína que muitos deles se apresentam hoje em dia, um número representativo permaneceu preservado.
Atualmente, a ordem cistercense segue existindo, e a visita a um de seus templos possibilita disfrutar de suas construções, bem como o aprendizado de uma das instituições fundamentais da história religiosa: os monastérios.
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