Catedral de Toledo- Parte 2

A CATEDRAL DE  SANTA MARIA DE TOLEDO é uma das maiores de todo o mundo cristão, dada suas enormes dimensões, de 120X60m e, seguramente, uma das mais ricas, tal a quantidade de obras de arte de que é depositária.
O interior é formado por 5 naves e um duplo deambulatório, espaço que designa a continuação das naves laterais e que contorna o presbitério.

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A parte mais antiga de todo o templo é a cabeceira, que ainda conserva os trifórios originais e que no passado estendiam-se ao longo de toda a nave central. Ainda na época gótica, muitos deles foram substituídos por vidreiras. As mais antigas pertencem ao séc. XIV, embora muitas outras foram construídas até o XVII.

Neste post, veremos os aspectos fundamentais do interior da catedral, que são inúmeros e uma descrição completa resultaria numa publicação deveras exaustiva.
Iniciamos, pois, pela Capela Maior, reformada pelo Cardeal Cisneros, que ampliou o espaço do presbitério e encarregou o maravilhoso retábulo gótico que hoje admiramos. É uma das últimas representações do estilo na Espanha, sendo iniciado em 1497 e finalizado em 1504. Entre os vários artistas que participaram em sua elaboração, destacamos: Enrique Egas (desenho), Juan de Borgonha (policromia), Rodrigo Alemán e Felipe Vigarny (imagens).
Seus temas centrais sao a Virgem com o menino Jesus e sobre ela situa-se o sacrário, uma custódia gótica talhada em madeira.
Em cima, vemos o nascimento de Jesus e na parte superior a Ascenção.
Nas demais cenas, observamos aspectos da vida e da paixão de Cristo.
No altar maior encontramos também o sepulcro do Cardeal Mendoza, considerado o primeiro em estilo renascentista de toda a Castilla. Foi colocado em 1493, sob o desejo expresso do próprio Cardeal e tornou-se um modelo para as demais obras do estilo.

No interior da Porta do Relógio, o Rosetón do séc XIII contém as vidreiras mais antigas da catedral. Por sua vez,  no interior da Porta dos Leões o destaque fica por conta do chamado órgao do Imperador, o mais importante dos muitos que embelezam o templo e que foi construído entre 1543/49.

Situado bem em frente ao presbitério e separado pela nave do cruzeiro, o coro é composto por duas partes, maravilhosamente trabalhadas e adornado com 2 belos órgãos.

O trascorro, onde os fiéis também podem assistir ao culto, impressiona por sua fábrica e realização.

Do mesmo modo, a Sala Capitular, cuja construção terminou em 1504, esbanja beleza e requinte. Realizou-se também por um encargo do Cardeal Cisneros ao arquiteto Enrique Egas. O teto está inteiramente decorado com artesanato mudéjar, de início do séc. XVI. No espaço encontramos os retratos de todos os Arçobispos da cidade. Entre eles e o teto, contemplamos um conjunto de pintura ao fresco considerado um dos melhores de toda a pintura mural espanhola.
As pinturas retratam cenas da Virgem e da paixão de Cristo, e foram feitas por Juan de Borgonha.

A Sacristia conforma um espaço de grandes dimensões, decorada com quadros de artistas renomados, constituindo uma pinacoteca de grande valor. Destaque para as 15 obras de El Greco, entre as quais o maravilhoso quadro do Expólio.
Além disso, encontramos quadros de Goya, Anton Van Dyck, Juan de Borgonha, etc. A bôveda está inteiramente pintada com o tema da imposição da vestimenta a San Ildelfonso, obra do napolitano Lucas Jordán. A sala inclue uma valiosa coleção de tapetes e de indumentária religiosa.

Rodeando o deambulatório, vemos a um conjunto escultórico denominado de Transparente. Realizada pelo escultor barroco Narciso Tomé é, na verdade, mais uma obra arquitetônica que escultórica. Feito de mármore, jaspe e bronze, foi concebido como um grande retábulo e, se no passado foi desprezado, atualmente é considerado como a obra prima do artista  e valorizado internacionalmente.

 O claustro construiu-se sob a iniciativa do Arçobispo Pedro Tenório, que alberga sua sepultura. Iniciado em 1389, foi terminado apenas em 1425 e é decorado em parte por frescos que retratam a vida dos santos.

As capelas concebidas no projeto original de Rodrigo Ximénez de Rada rodeavam a cabeceira da catedral. Algumas delas desapareceram, dando lugar a outras. As principais, das muitas que possue, são:
A Capela Mozárabe encontra-se alojada no interior de uma torre que nunca se levantou. Seu nome original, dado pelo Cardeal Cisneros, era de Capela dos Corpos Christi (1500), e desde sua origem teve como função a conservação do denominado rito hispano-mozárabe. A missa realizada neste culto originou-se com os primeiros cristãos da península era chamado de rito hispanorromano. A unificação dos distintos ritos pelo papa Gregório VII não impediu que a cidade de Toledo conservasse um rito próprio, permanecendo como a única onde o culto era praticado.

A capela de Santiago alberga o sepulcro da família de Álvaro de Luna. Terminada no final do séc. XV, possui um retábulo gótico feito de madeira policromada.

A antiga capela de San Juan Bautista sedia atualmente o tesouro da catedral.
Situado na parte inferior da grande torre, expõe objetos litúrgicos, exemplares antigos da Bíblia, relicários, etc. Porém, seu objeto mais valioso é a denominada Custódia de Enrique de Arfe, construída entre 1517/24, e de fábrica gótica.

A capela funerária de San Ildelfonso é de finais do séc. XIV e de planta octogonal, uma das primeiras no estilo e que alberga sepulturas de bispos.

A influência da música na catedral foi decisiva para a música religiosa espanhola.
Também inspiradora, a arquitetura de Santa Maria de Toledo converteu-se no modelo para as demais construções sacras do país, como as Catedrais de Sevilha, Cádiz e Mallorca, e como previsto, o Império Espanhol levou o modelo mais além, condicionando as que foram construídas no continente americano.

Finalizamos com uma frase do historiador e arqueólogo francês Élie Lambert (1888/1961), que afirmou a respeito da catedral de Toledo:
” A catedral de Toledo é um mundo, já que através dos séculos acumulou uma quantidade de obras de arte tal, que o fabuloso de sua riqueza e o atraente de sua diversidade, produzem imediatamente uma impressão de assombro.”

6 comentários Adicione o seu

  1. EStive lá, é simplesmente fantástico sensacional.

    1. Obrigado Marilúcia pela visita e o comentário, conhecer esta maravilha da arquitetura, arte e história é realmente um privilégio…valeuuuuu

  2. Mércia Agra disse:

    Conheci a deslumbrante Catedral de Toledo agora nas minhas férias em viagem pela Europa. Não dá prá comparar com nada. É de uma beleza indescritível. Maravilha.

  3. miriam Xavier disse:

    Estou admirada com a quantidade de informações, a clareza e as fotos. Trabalho primoroso. Grata por compartilhar seus conhecimentos. Excelente, Parabéns!

  4. jose felisberto rodrigues disse:

    Tive a oportunidade de visitar esta maravilhosa Catedral ( verdadeira obra de arte ).

  5. Pedro Pacheco disse:

    Um espanhol de Belmonte, Cuenca me falou que Pedro Giron , Mestre da Ordem de Calatrava estaria sepultado numa das capelas da Catedral de Toledo, será verdade?

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