Catedral de Valencia

A Catedral Basílica de Valencia, chamada popularmente “La Seu” pelos valencianos, está dedicada por desejo expresso do rei Jaime I à Ascensao de Santa Maria. Foi consagrada em 1238 pelo primeiro arçobispo da cidade, depois da reconquista. A catedral foi construída sobre a mesquita da época islâmica, que se havia levantada em cima da antiga catedral visigótica. Esta, por sua vez, foi edificada sobre um templo romano dedicado a Júpiter ou a Diana.

Sua estrutura principal foi alçada entre os séc. XIII/XV, razão pela qual o estilo predominante é o gótico. Porém, sua construção prolongou-se durante vários séculos, gerando uma variedade estilística, englobando o românico, renascentista, barroco e neoclássico.

A catedral, que construiu-se na medida em que se derrubava a mesquita, contava no final do séc. XIII com a girola, com suas 8 capelas, e com a porta românica da Almoina.

O templo gótico está formado por 3 naves com cruceiro, coberto com cimbórrio, girola e abside poligonal.

Entre 1300/1350, o transepto ou cruceiro foi concluído, com a construção da denominada Porta dos Apóstolos. Possui este nome devido às estátuas dos 12 apóstolos que a decoram. De estilo gótico francês, em 1960 foi restaurada e as esculturas originais, em péssimo estado, foram levadas ao museu da catedral, e substituídas por cópias. Consta de 3 arquivoltas ojivais decoradas com anjos, santos e profetas, originalmente todas policromadas. Sobre as colunas, apóiam-se as estátuas dos apóstolos. O rosetón que vemos na parte superior possui 6 pontas, representando a estrela de David ou Salomão, algo difícil de explicar em se tratando da entrada de um templo católico. No tímpano, vemos a imagem de Santa Maria segurando o menino Jesus, e rodeada por 8 anjos músicos.

Os séculos renascentistas influíram sobretudo na decoração pictórica e escultórica da igreja.

Na etapa barroca, destaque para a porta principal da catedral, chamada  Porta dos Ferros, cujo nome se deve á estrutura deste metal que a rodeia. Sua construção iniciou-se em 1703, com o projeto do alemão Konrad Rudolf e terminada por seus discípulos em 1713. Representa um exemplo da aplicação do barroco italiano, ao estilo de Bernini, com uma planta ondulante e em movimento. Com sua elaboração, pretendia-se criar uma ilusão ótica de uma maior sensação de espaço em um local relativamente pequeno.

A antiga Sala Capitular (1356/1369), hoje Capela do Santo Cálice e a Torre Campanário de Micalet (1381/1425) foram construídas separadas do resto do conjunto, mas no séc. XV foram finalmente unidos com a ampliação das naves.

A Capela do Santo Cálice é de estilo gótico florido, coroada por uma bela bôveda. O retábulo talhado em alabastro (séc. XV), abriga o Santo Cálice, um presente que o rei Alfonso magnânimo ofereceu à catedral em 1436. O objeto de veneração data do séc. I. No retábulo, se exibem cenas do Antigo e Novo Testamento.

A Torre Campanário de Micalet ou Miguelete é o monumento mais característico de toda a cidade. Seu nome originou-se do sino consagrado em 1418, dia de celebração de São Miguel. De estilo gótico valenciano, está composto de 4 partes, sendo que apenas a parte superior encontra-se decorada.

No final do séc. XVIII, um novo projeto de renovação do edifício foi realizado, cuja intenção era dotar-lo de um aspecto neoclássico homogêneo, desprezando-se o estilo gótico que o caracterizava, e na época considerado obra dos bárbaros. A remodelação afetou tanto aos elementos construtivos quanto ornamentais. Em 1972, empreendeu-se a retirada de quase todos elementos neoclássicos da catedral, para que se recuperasse o aspecto gótico original.

Em 1931, a catedral foi declarada Monumento Histórico-Artístico e durante a Guerra Civil foi incendiada, perdendo parte de seus tesouros.

O coro, situado em sua parte central, foi desmontado em 1940 e transportado no fundo do altar maior. Os órgãos, quase destruídos, não foram reabilitados.

A nave central e as laterais foram levantadas entre os séc. XIII/XIV e sua ampliação com a construção da chamada Arcada Nova permitiu a união da torre com a sala capitular, como dito acima. Esta arcada é uma galeria ou tribuna de vários estilos: renascentista em sua parte inferior, estilo toscano na central e jônico na superior. Estava destinada à contemplação de espetáculos públicos. Sua construção iniciou-se em 1566 e em uma das restaurações efetuadas no séc. XX foi suprimido seu telhado, adquirindo um aspecto similar ao de um teatro romano.

O cimbório foi construído entre os séc. XIV/XV e está composto por um prisma octogonal, formado por dois níveis superpostos e com 8 vidreiras. Nas esquinas, estão representados os 4 evangelistas. Estilo gótico francês.

Abaixo, vemos a girola e uma de suas capelas.

O Retábulo Maior compõem-se de elementos renascentistas e barrocos, e parece um grande armário, fechado por portas pintadas a óleo entre 1506/1510, constituindo 12 tablas.

Nas imagens seguintes, vemos as naves da catedral.

 

 

 

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