Peníscola

Peníscola ou Peñiscola é um município da Comunidade Valenciana situado na costa norte da Província de Castellón. Foi, ao longo de sua história, habitada por inúmeros povos, entre os quais os iberos, fenícios, cartagineses, bizantinos, etc.

A cidade, também colônia grega e romana, foi um importante porto onde se comercializavam produtos manufaturados em troca do apreciado vinho e do azeite de oliva, produzidos pelos povos iberos.

Seu nome é originário do grego, e relaciona-se com sua geografia, uma península rochosa.

Durante 500 anos foi dominada pelos árabes, conhecendo-se poucos detalhes desta época. Em 1233, o rei Jaime I reconquista a cidade e com os denominados Foros de Valencia, outorgados por ele em 1251, são retiradas todas as propriedades e bens dos árabes, que passaram a pertencer aos novos povoadores cristãos.

Entre os anos 1294/1307 foi construído o castelo templário que hoje contemplamos, sobre os restos da antiga fortaleza árabe.

Peníscola ficou conhecida, sobretudo, pelo autoexílio de um dos personagens mais controvertidos do séc. XV, Pedro Martínez de Luna, mais conhecido como Papa Luna. O chamado Cisma do Ocidente marcaria  a história da Igreja Católica com a presença simultânea de dois Papas, um deles o Papa Luna, que foi eleito Papa de Avigñon com o nome de Benedito XIII. Enquanto isso, outro Papa se instalava em Roma.

Desautorizado pela igreja, o Papa Luna assentou sua sede pontifica em Peníscola, convertendo o castelo em seu palácio a partir de 1411, permanecendo no local até sua morte em 1423. Em seguida, assumiu o cargo outro aragonês, Gil Sánchez Muñoz, o segundo Papa de Peníscola, eleito pelos partidários do Papa Luna, que governou de 1424 a 1429. Com sua renúncia ao cargo, o Cisma do Ocidente se deu por finalizado.

Durante a época moderna, durante o reinado de Felipe II, foram construídas as muralhas renascentistas em 1578, consideradas um dos exemplos mais notáveis de fortificação do Mediterâneo. Sua finalidade era combater a pirataria e deter a ameaça turca no séc. XVI.

Durante a ocupação francesa no séc. XIX, a cidade foi objeto de operações militares por seu valor estratégico, e a população foi expulsa da cidadela.

No séc. XX, depois da Guerra Civil, na qual sofreu muitos estragos, uma nova atividade econômica surgiu e se foi popularizando, o turismo, principalmente depois que foi cenário de filmes, como a superprodução “El Cid”, de 1962.

Com o turismo consolidado, vale a pena visitar esta bela cidade mediterânea e seu castelo templário, declarado Monumento Histórico-Artístico em 1931.

Passear pelo cidadela é uma delícia, com vistas ao mar mediterâneo, e com raros exemplos de arquitetura regional.

Abaixo, mais uma foto do castelo.

Para mais informaçoes sobre o Papa Luna, ver o post dedicado aos “Pueblos de Aragón”, publicado em 22/06/2012. Morella, outra cidade da província que merece ser conhecida, foi retratada num post em 20/03/2012.