Madrigal de Altas Torres

Madrigal de Altas Torres é um município pertencente a Comunidade de Castilla-León, situado ao norte da Província de Ávila. O termo “madrigal” refere-se à expressão “curso de água” e “altas torres” devido a grande quantidade delas que rodeavam o perímetro das muralhas. Graças à importância de seus monumentos, foi declarada em 1963, Conjunto Histórico-Artístico.

Lugar de passado ilustre, é conhecido sobretudo por ser o local de nascimento da rainha Isabel I, “La Católica”, e de ter sido sede da corte.

A cidade possui um dos escassos exemplos de muralhas medievais de estilo românico-mudéjar que se conservam no país. O recinto original alcançava os 2300m de perímetro, dado que a equipara às famosas muralhas de Ávila.

É difícil estabelecer sua origem, ainda que supõe-se que já existia algum tipo de fortificação no séc. X. A finais do séc. XI e princípios do XII, se construiu uma primeira cerca, ampliada na época do rei Sancho III (1158). O perímetro atual começou a levantar-se durante o governo de Alfonso VIII, e se estendeu durante todo o séc. XIII.

Apresentava um grande número de torres de diferentes alturas, em torno a 80, das quais sobreviveram 23. As mais espetaculares são as de Cantalapiedra, de planta pentagonal, e a de Arévalo.

Considerada um dos monumentos de arquitetura militar mais relevantes do país, foi declarada Monumento Nacional em 1931.

O Real Hospital De La Puríssima Concepción foi fundada por D.Maria de Aragón, primeira esposa de Juan II, pai de Isabel La Católica.

Construído para acolher pobres e enfermos desamparados, seu momento de maior esplendor ocorreu nos séc. XVII/XVIII, contando inclusive com serviços de emergência. Foi utilizado com este fim até 1934 e depois de um período de abandono, foi reabilitado como Casa de Cultura da vila e como sede do Museu de Arte Mexicano Vasco de Quiroga, em homenagem a um dos filhos ilustres da cidade, e que foi bispo no México. Além da bela exposição sobre cultura meso-americana, o museu recria o mobiliário que poderia conter a alcova de Isabel La Católica.

A fachada principal apresenta um pórtico composto de colunas de granito de estilo dórico.

O pátio interior, formado por dois níveis de galeria e de planta quadrada, foi finalizado em 1698.

Na escada de acesso ao piso superior, encontramos belas decoraçoes nas paredes e teto.

No séc. XVIII se levantou uma capela adossada ao hospital, cujo interior acolhe o Cristo das Injúrias, de estilo gótico. O conjunto foi declarado em 1983 Monumento Nacional.

O Palácio de Juan I é conhecido por ter sido o local onde nasceu a rainha Isabel em 1451.

Construído entre os séc. XV e XVIII, se acede ao edifício através de um pátio formado por 3 arcadas de estilo renascentista. Em 1527, o rei Carlos V cedeu o palácio à comunidade de freiras agostinianas existentes na vila, que até hoje permanecem no local, e nos acompanha numa agradável e instrutiva visita pelas suas dependências.

Em 1476, a rainha Isabel celebrou as primeiras cortes do Reino de Castilla em madrigal e logo depois deixou sua querida terra natal. Depois de convertido em convento, passou a ser conhecido como o Real Monastério de N.Sra. de Gracia, nome que permanece atualmente.

Os principais templos religiosos da cidade são, além do monastério, a Igreja de San Nicolás de Bari e a Igreja de Santa Maria del Castillo. A primeira situa-se na praça principal, possui planta de cruz latina e foi erguida em vários estilos. Seu início data do séc. XII e foi reformada nos séc. XVI/XVII.

Conserva a pia bastimal na qual foi batizada a rainha Isabel, sendo também o local onde celebrou-se o segundo casamento de Juan II, com Isabel de Portugal. O templo é declarado Monumento Nacional desde 1931, além de possuir a mais alta torre de toda a província.

Já a Igreja de Santa Maria del Castillo é um exemplo de arquitetura românica-mudéjar, construída no séc. XII.

Finalizamos o post com o Arco de Pedra, único resto do antigo Palácio de Justiça do séc. XVI e constituiu provavelmente a fachada central do edifício. Sua perspectiva é claramente inspirada nos modelos renascentistas italianos.

Madrigal de Altas Torres vem sofrendo, desde mediados do séc. XX, uma diminuição populacional, algo comum na comarca onde se localiza e, atualmente, o seu número de habitantes não chega a 2.000. Nos dias festivos, no entanto, a cidade ferve e revive seus momentos de glória. Passear por suas ruas e praças nos permite aprofundar-nos na história de Espanha e conhecer este maravilhoso pueblo castelhano.

 

 

 

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