Museu Nacional de Escultura – Valladolid

O Museu Nacional de Escultura foi fundado a mediados do séc. XIX, resultado da desamortizaçao dos conventos espanhóis, impulsionada pelo ministro Mendizábal, que nacionalizou seus tesouros artísticos. Estes foram secularizados, entregues à tutela do estado e oferecidos ao público, sob a forma de centros culturais e museus. Um dos pioneiros foi este museu de Valladolid,  inaugurado em 1842 com o nome de Museu Provincial de Belas Artes e instalado num edifício renascentista, o Colégio de Santa Cruz.

Desde o início, definiu-se o conteúdo principal da coleção do museu à escultura religiosa em madeira policromada, desde a Idade Média ao séc. XIX. Nesta primeira fase, predominaram os artistas ativos no Reino de Castilla, entre 1500 e 1650, como Alonso Berruguete, Juan de Juni, Gregório Fernández, acompanhados de outros artistas contemporâneos, como Felipe Vigarny.

A cidade de Valladolid conquistou um importante papel na Idade Moderna, como residência intermitente da monarquia, representando um foco de novidades culturais e de atração para artistas e escritores, desde a época dos Reis Católicos até o começo do séc. XVII, quando chegou a ser capital do reino.

No séc. XX, se produz uma crescente ampliação de seu acervo, com obras provenientes de Aragón, Murcia e dos mestres andaluzes, como Pedro de Mena e Alonso Cano, conformando um conjunto mais amplo da escultura espanhola.

Se o núcleo principal da coleção permanente é representada pelas peças escultóricas, a presença da pintura  na exposição também possui um papel significativo, pois está concebida a partir da relação entre ambas artes, na medida em que a cor e as formas pictóricas se tornam fundamentais na ornamentação das obras escultóricas.

Em 1933, o museu foi elevado à categoria de Museu Nacional, e sua coleção foi levada a outro edifício histórico, nele permanecendo até os dias de hoje: o Colégio de San Gregório. Essa mudança significava  recuperar um dos grandes monumentos da cidade, um dos exemplos mais notáveis da arquitetura espanhola do séc. XV, em que trabalharam em sua execução mestres como Juan Guas, Simon de Colônia e Diego de Siloé, em diferentes etapas de sua construção.

Podemos dizer que o próprio edifício representa a “primeira obra de arte” da coleção. Seu patrocinador foi o dominicano Alonso de Burgos, bispo da diocese de Palencia e confessor dos Reis Católicos, que também mandou levantar uma capela em 1484, destinada a acolher seu sepulcro. Atualmente, este espaço representa um papel singular e privilegiado entre as dependências do museu, pois conserva quase intacta sua atmosfera original. A capela, construída por Juan Guas, estava decorada com o sepulcro de Alonso de Burgos, obra de Felipe Vigarny, e um retábulo de 1489, ambos desaparecidos durante a Guerra da Independência.

O Museu Nacional de Escultura é considerado o mais importante da península, e um dos mais destacados de todo o continente, em seu âmbito temático.

O Colégio de San Gregório edificou-se entre 1488/1496, ao redor de um pátio composto por dois níveis, unidos por uma espetacular e ornamentada escada de acesso ao piso superior. De estilo hispano-flamenco, foi construído por Juan Guas, e apresenta elementos decorativos característicos do gótico tardio, como os símbolos que enaltecem os Reis Católicos.

Abaixo, uma foto da escada que une os dois níveis.

A fachada do edifício é um verdadeiro retábulo em pedra, incluindo elementos figurativos complexos, relacionados ao papel da educação e seus benefícios. Trata-de de uma excelente amostra do estilo Gótico-Isabelino, em que se começa a introduzir características do renascimento. Está presidida pelo escudo dos Reis Católicos e observamos a presença da flor de lis, emblema de Alonso de Burgos.

Tanto o pátio quanto a fachada se tornaram célebres por sua ornamentação, elegantes proporções e por apresentar uma ostensiva simbologia de poder, que devido à sua complexidade, faz com que a explicaçao dos elementos e motivos que a compõem ofereça grande dificuldade.

O Colégio de San Gregório  tinha por finalidade proporcionar classes de teologia para frades dominicanos e adquiriu uma notável autoridade doutrinal , desempenhando um papel decisivo no aspecto espiritual e político da Espanha, em época renascentista e barroca.  Na época de sua construção, estimulava-se a construção de colégios que atuavam de maneira paralela e complementar às universidades. Sua função teológica concluiu no séc. XIX.

No próximo post, veremos algumas das obras mais representativas deste imperdível museu.

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