Arte Românica (MNAC) – Barcelona

Localizado em Barcelona, o Museu Nacional de Arte de Catalunha, popularmente conhecido como MNAC, foi inaugurado em 1934, e nele contemplamos um panorama global da arte catalana, desde o românico até mediados do séc. XX.

A sede principal situa-se no Palácio Nacional, construído para a Exposição Internacional que celebrou-se na cidade em 1929. O local onde se encontra o palácio é o bairro de Montjuic, o centro museístico por excelência da capital catalana, com uma ampla e variada oferta cultural. Além do MNAC, podemos visitar outros museus de importância, como o dedicado a Juan Miró e o Museu de Arqueologia, entre outros. Abaixo, vemos algumas fotos mais do interior do MNAC.

O grande destaque do MNAC é o seu acervo de Arte Românica, que pela qualidade e quantidade das obras expostas, o torna o melhor do mundo no gênero. A coleção abrange pinturas, esculturas, objetos de metal e de madeira, do período que se extende do séc. XI ao XIII, época de difusão do românico.

A série de Pinturas Murais são únicas no mundo, e a maior parte das obras são exemplos da Arte Românica encontradas na própria Catalunha. Procedem, em grande parte, das Igrejas Românicas situadas nos Pirineus, como aquelas que ainda podemos visitar no chamado Vale de Boí, que por sua importância arquitetônica e artística foram declaradas Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Estas pinturas foram compradas, extraídas de seu local de origem de uma forma que não prejudicassem as pinturas e levadas à Barcelona, com o objetivo de evitar sua venda ao exterior, algo que infelizmente ocorreu muitas vezes com o patrimônio artístico espanhol, sobretudo aqueles relacionados ao período românico.

Este post está dedicado a este maravilhoso conjunto de obras. Antes, porém, uma pequena introdução à pintura românica, já que é necessário diferenciar os vários tipos que engloba, segundo a técnica e seu local de aplicação.

As denominadas pinturas murais em si decoravam os ábsides, naves, colunas e abóbadas das igrejas. Convém realçar que muitos templos românicos estavam completamente pintados no seu interior. Além de sua função estética, o objetivo pedagógico era primordial, numa época em que a grande maioria da população era analfabeta. Desta forma, as imagens serviam para a instrução dos fiéis, em relação aos ensinamentos bíblicos e aos dogmas da fé crista.

Na Espanha se considera, de forma simplificada, duas escolas representativas, a Castelhano-Leonesa e a desenvolvida em Catalunha.

As características formais da pintura mural coincidem com as encontradas nas esculturas, onde predominam a simetria e a justaposição dos elementos, cujos motivos são, em geral, as cenas bíblicas e a figura humana.

A técnica normalmente utilizada era o fresco, e os temas representados eram extraídos do último livro da Bíblia, o Apocalipse. Isso se deve à mentalidade da época, influenciada pelo término do primeiro milênio, ao qual se associava o fim do mundo e o Juízo Final.  As imagens não possuem movimento e são antinaturalistas, com uma desproporção anatômica e realizadas de maneira bidimensional, sem perspectiva.

A escola catalana possui uma forte influência da Arte Bizantina e dos íconos que decoram as Igrejas Ortodoxas.

No MNAC, admiramos alguns exemplos deste tipo de pintuas, qualificadas como uma das melhores do período românico. Considerada uma obra prima do românico europeu, as pinturas que decoravam o abside da Igreja de Sant Climent de Taull, são um dos seus destaques.

Datada de 1123, seu autor é conhecido como o Mestre de Taull, já que as pinturas nesta época não estavam assinadas. Representa a Cristo em majestade (Pantocrátor), rodeado pelos quatro evangelistas e seus símbolos: São Lucas (touro), São Marcos (leão), São João (águia) e São Mateus (anjo). No conjunto são conhecidos como os Tetramorfos. Cristo segura um livro aberto com uma inscrição latina, que significa: “Eu sou a luz do mundo”. Vemos também as letras gregas alfa e ômega, transmitindo a idéia de Deus como a origem e o fim de todas as coisas. A pintura combina a temática do Juízo Final, segundo a concepção de várias visões bíblicas, como o Apocalipse, o Livro de Isaías e Ezequiel.

Também da mesma época e autor, vemos abaixo as pinturas murais do abside da Igreja de Santa Maria de Taull. A cena mostra a Virgem em majestade, representando a Epifania. Outra das carcterísticas que podemos observar é o forte expressionismo das figuras e a grande importância dada ao desenho, além da falta de luz.

Procedente da Igreja de San Pere del Burgal, as pinturas a seguir são uma das mais antigas conservadas, de finais do séc. XI e princípios do XII.

As pinturas podiam também ser realizadas sobre as tablas, colocadas na parte frontal do altar. O MNAC expõe várias delas, e representam um dos conjuntos mais notáveis da pintura catalana.

O Frontal do altar de Durro (anônimo), de mediados do séc. XII, procede da Ermita de Sant Quirce de Durro.

O Frontal do altar dos arcanjos é do segundo quarto do séc. XIII, e seu autor é conhecido como o mestre de San Pau de Carseres.

O Frontal do altar da Igreja de Sant Andreu de Baltarga está datado do ano 1200.

Para realçar sua expressividade, as pinturas podiam ser aplicadas às esculturas. Abaixo, vemos um exemplo, procedente do frontal do altar da Igreja de Santa Maria de Taull (anônimo). Datado do ano 1200, foi repintado em 1579.

Também da mesma igreja, vemos uma foto de uma escultura do Descendimento da cruz, sem policromia. De autor anônimo, foi realizado na segunda metade do séc. XIII.

As esculturas eram utilizadas na decoração dos capitéis que adornavam as colunas. O exemplo da foto de abaixo, mostra Adao e Eva e a cena da serpente e da árvore do bem e do mal.

As pinturas eram usadas também para a iluminação de códices (miniaturas), trabalho executado em monastérios, e que proporcionava uma maior liberdade formal. Um dos mais conhecidos é o Comentário do Apocalipse, atribuído ao Beato de Liébana.

Finalizamos o post com mais algumas imagens, como a do baldaquino de Toses do séc. XIII (anônimo),  e a pintura mural do ábside da Igreja de Santa Maria de Daneu, de finais do séc. XI e princípios do XII.

O Museu Nacional de Arte da Catalunha é um exemplo inigualável da vontade de um povo de reunir, conservar e mostrar aos demais as origens de sua cultura.

Até o próximo post…

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Sagrada Família – Barcelona (Parte 2)

Cada fachada do edifício está dedicada a um aspecto da pessoa e da história de Jesus. Das 3 fachadas que constituirão o edifício, a denominada do Nascimento foi a única construída durante a vida de Gaudi. Representa a faceta mais humana e familiar de Jesus, com uma ampla difusão de elementos populares, tais como animais domésticos, ferramentas, etc.

Está formada por 3 pórticos, dedicados às denominadas virtudes teológicas: caridade, fé e esperança. A fachada culmina com 4 torres campanários, dedicadas a São Matheus, São Judas Tadeu, São Simão e São Bernabeu.

No projeto original de Gaudi, esta fachada devia estar policromada e foi a escolhida por ele para dar uma idéia global de toda a estrutura e decoraçao do templo. Conciente de que não concluiria o projeto em vida, preferiu construir uma fachada completa em toda sua verticalidade, para dar um exemplo de como deveria ser realizado o restante. Na base das colunas, está representada uma tartaruga, símbolo do inalterável no tempo. Em contraste, a ambos lados da fachada se situam camaleões, símbolo da transformação.

O Pórtico da Caridade é o maior dos 3 que compõem a fachada. Dedicada à Jesus, nela se representam cenas de seu nascimento, como a Anunciação, a Adoração dos Reis Magos e dos pastores e a coroação de Maria.

Destaca o grande pilar composto pela árvore genealógica de Jesus. Na base, vemos a serpente mordendo a maça, símbolo do pecado original. O pórtico culmina com a árvore da vida, representando o triunfo da vida e o legado de Jesus. Aqui encontramos o anagrama de Jesus formado pelas letras JHS, Jesus Salvador da Humanidade, e uma cruz com as letras gregas alfa e ômega, representando a Deus como princípio e fim de todas as coisas.

O Pórtico da Esperança está dedicado a São José e o da , à Virgem Maria.

Acima vemos a imagem  do Pórtico da Fé, e na cena, vemos a Jesus, em sua parte inferior, retratado como um carpinteiro. Na foto a seguir, vemos uma imagem de um pelicano, símbolo do amor, e o episódio da morte dos santos Inocentes.

A Fachada da Paixão foi iniciada em 1954, segundo os desenhos deixados por Gaudi. Pretende refletir o sofrimento do calvário de Jesus. Por isso, foi concebida como uma fachada austera e simplificada, sem ornamentação. As torres foram finalizadas em 1976.

Abaixo, vemos a escultura do beijo de Judas e, ao lado, o quadrado mágico, já que somando-se 4 números em qualquer direção, o resultado final será sempre de 33, a idade da morte de Cristo. São possíveis 310 combinaçoes diferentes.

As portas centrais da fachada, feitas de bronze, contém 8500 letras com textos evangélicos relacionados às esculturas.

A Fachada da Glória será a maior e mais monumental de todo o conjunto, já que por ela se entrará à nave central.

Também situado no exterior, o claustro se encontra a 4m do nível do solo e, quando estiver terminado, terá um perímetro de 240m. Foi uma original solução encontrada por Gaudi para isolar o templo do exterior. Na intersecção do claustro com as fachadas, Gaudi projetou portais dedicados à Virgem, como o Portal do Rosário, que vemos abaixo.

O interior está formado por uma planta de cruz latina, com o altar maior situado sobre a cripta e rodeado de 7 capelas. A nave central foi concluída em 2010, possibilitando a sua consagração pelo papa Benedito XVI no mesmo ano.

De uma forma geral, a Sagrada Família representa a Jerusalém Celestial, a Cidade de Deus, para a qual Gaudi se baseou no livro do Apocalipse. Este conceito está na base das Catedrais Góticas, também.

O famoso arquiteto encontra-se enterrado na cripta, que é utilizada atualmente como Igreja Paroquial, até que o templo esteja finalizado.

Certas estimações prevém que a construção poderia concluir-se em 2026, coincidindo com o ano do centenário da morte de Gaudi.

A Sagrada família contém um museu, situado onde se encontrava a antiga oficina de trabalho do arquiteto. Inaugurado em 1961, inclui os planos e desenhos originais.

O grupo de rock britânico Alan Parsons Project dedicou em 1987 um CD conceitual à vida e obra do mestre catalão.

Antes de finalizar o post, gostaria de homenagear os artistas, arquitetos e escultores, que continuam construindo o trabalho iniciado por Gaudi, num trabalho meticuloso e de altíssima qualidade. Sao inúmeros, e a eles devemos que o sonho de Gaudi, e porque nao dizer, o nosso também, se veja concretizado dentro de alguns anos.

Sagrada Família – Barcelona

O Templo Expiatório da Sagrada Família é, sem dúvida nenhuma, um dos símbolos da arquitetura mundial e de seu genial criador, Antoni Gaudi. Considerada sua obra prima, representa o expoente máximo da arquitetura modernista da Catalunha. Segundo dados de 2011, é o monumento mais visitado da Espanha, com 3.2milhoes de pessoas.

Em 2005, as partes realizadas por Gaudi (cripta e Fachada do Nascimento) foram declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco e condecorado como um dos 12 tesouros da Espanha.

Uma descriçao completa desta maravilha seria algo exaustivo, tanto para mim, quanto para o leitor. Por isso, abordarei alguns dos aspectos relativos à sua construção e  história.

A Sagrada Família nasceu do desejo da Associação dos Devotos de São José, fundada em 1866, com intenção de respaldar a cultura crista e propor a Sagrada Família como modelo de vida social. O projeto original foi confiado ao arquiteto Villar, que se retirou da obras um ano depois, devido a discórdias com seus clientes. No ano seguinte, Gaudi, um jovem e desconhecido arquiteto de 31 anos, foi contratado para realizar o prosseguimento das obras.

O templo começou a ser edificado no estilo neogótico, porém quando Gaudi assumiu os trabalhos, transformou-o completamente. No entanto, a arte gótica foi a fonte de sua inspiração, mas purificada de todas as formas supérfluas.

A partir de então, dedicou 43 anos de sua vida a obra, sendo que os últimos 12 anos de maneira exclusiva. A construção não contava com a financiaçao pública, apenas com as doações feitas pelos fiéis.

A presença constante do arquiteto no local da construção se explica não somente pela magnitude do projeto, mas também porque muitos de seus aspectos eram definidos à medida que a construção avançava.

Quando começou a dirigir a obra, apenas a cripta estava começada. Evolucionou, então, do estilo neogótico de seu princípio ao seu estilo particular, naturalista, orgânico e inspirado na natureza. Dizia que não existia melhor estrutura que um tronco de árvore ou um esqueleto humano. De fato, a Sagrada família é o melhor exemplo da descoberta fundamental do artista, de que a combinação de arcos parabólicos e pilares oblíquos podem suportar a enorme carga das grandes abóbadas. Gaudi combinou este princípio de construção com os conhecimentos adquiridos através da observação da natureza.

As colunas foram inclinadas para suportarem melhor às pressões perpendiculares de cada uma. Devido às medidas adotadas em sua confecção, como a sua forma e inclinação, e também na ramificação em várias colunas menores, Gaudi conseguiu uma engenhosa maneira de suportar o peso da abóbada sem a necessidade de contrafortes exteriores. O eucalipto foi seu modelo, no aspecto referente à carga. Realmente, a construção das colunas da nave central lembra uma floresta, feita de pedras.

Outra de suas idéias inovadoras foi o desenho das elevadas torres cônicas. Erguendo-se a partir das portadas, vão estreitando-se, na medida em que ganham altura.

Quando Gaudi faleceu, em 1926, se havia finalizada apenas uma torre. Atualmente, o projeto continua em execução e, quando terminado, constará de 18 torres, sendo 4 em cada uma das 3 portas, totalizando 12 e dedicadas aos Apóstolos. No centro uma torre-cimbório de 170m de altura dedicada a Jesus e 4 outras torres que, rodeando a torre central, prestarão homenagem aos Evangelistas. Finalmente, sobre o ábside, uma última torre dedicada à Virgem Maria.

Gaudi não queria apenas construir um local de reunião para venerar a Deus. Pensava antes num catecismo de pedra, um “livro” monumental que o observador pudesse “ler. Este aspecto se exprime numa tendência permanente para a utilizaçao do simbolismo. Gaudi imajinava a Igreja como o Corpo Místico de Cristo. O centro é o próprio Cristo, representado no interior pelo altar. Porém, Cristo é sobretudo, a cabeça deste corpo, simbolizado pela torre principal. As 12 torres que dominam as fachadas correspondem ao mundo cristão, representado pelos apóstolos.

As torres possuem um perfil parabólico e dispõem de escadas em caracol. Está permitida a visitação a algumas delas, mas para aqueles que tem medo de altura, a tarefa é ingrata. No meio da espiral, foi deixado um espaço para a colocação de um sino cilíndrico.

Na parte superior do templo, temos uma bela vista do rosetón central.

Do projeto original, se conservam apenas alguns planos e um modelo feito de gesso, que resultou em mau estado depois da Guerra Civil Espanhola. O conflito também destruiu boa parte da oficina de trabalho do arquiteto.

Abaixo, vemos mais algumas imagens do interior, de suas vidreiras e do altar maior.

No próximo post, continuaremos com a matéria sobre esta maravilha da arte e arquitetura universal.

Pamplona – Navarra

Situada no norte de Espanha, Pamplona é a capital da Comunidade Foral de Navarra.

A cidade foi fundada em 74 aC pelo general romano Pompeyo, sobre um povoado pré-existente chamado Iruña, nome do idioma euskera pelo qual também é conhecida  atualmente. Logo, a cidade se converteu num dos povoados mais importantes dos territórios dos vascones. Foi ocupada por visigodos e árabes e no séc. IX se tornou capital do Reino de Pamplona e, durante a Idade Média, no Reino de Navarra.

Em 1423, o rei Navarro Carlos III ditou o Privilégio da União, mediante o qual Pamplona, até então formada por 3 burgos independentes (Navarrería, San Saturnino e San Nicolás), se unifica ao redor da prefeitura, acabando com séculos de conflitos. A Casa Consistorial se localiza exatamente na confluência destes antigos burgos. Do seu aspecto original não sobrou nada, e sua parte mais antiga é a fachada reformada no séc. XVIII, numa combinação de elementos barrocos e neoclássico.

Localizado no centro histórico da cidade, de seu balcão iniciam-se, com o lançamento de um foguete (chupinazo), as festas de maior projeção internacional da cidade, o San Fermín.

Celebradas entre os dias 6 e 14 de julho, sua fama é um fenômeno recente, vinculado à difusão dada ao evento pelo escritor Ernest Hemingway, em sua novela “Fiesta”. As festividades homenageiam a San Fermín, padroeiro de Navarra e da diocese de Pamplona. Segundo a tradição, Fermín, filho do senador Firmus, que governou a cidade no séc. III, se converteu ao catolicismo e foi batizado por San Saturnino.

Uma de sua principais atividades é o encierro, com séculos de antiguidade. Consiste numa corrida de touros, realizada em plena rua e num trajeto de 800m, que culmina na Praça de Touros da cidade. Durante o evento são comuns as graves lesões e, inclusive, foram registradas 15 mortes desde 1922, principalmente de turistas embriagados, que pensam que fugir de um touro de 700kg é a mesma coisa que fugir de um cachorro bravo.

Em 1512, Pamplona foi anexada à coroa espanhola, ao ser ocupada pelas tropas do rei Fernando Católico. A parir do séc. XVI, tornou-se um baluarte de defesa contra as invasões francesas. A cidadela, um recinto fortificado de estilo renascentista construída em 1571 pelo rei Felipe II, fazia parte deste sistema defensivo. Situado no centro da cidade, possui planta pentagonal e se converteu atualmente numa das áreas verdes preferentes dos habitantes da cidade.

A Praça do Castelo é o principal ponto de encontro da cidade, e seus edifícios representam uma variada combinação de estilos.

O café Iruña, situado na praça, é um dos locais preferidos para tomar uma cerveja, comer umas tapas e bater papo.

Durante a Idade Média, Pamplona possuía uma esplêndida catedral românica. Em 1317, decidiu-se construir um claustro novo, adossado ao templo românico. Durante sua construção,em 1389, a igreja ruiu e foi necessária sua reconstrução, também no estilo da época, o gótico.

Na Catedral de Santa Maria ainda podemos contemplar o claustro do séc. XIV, um dos mais belos da Europa realizados nesta época.

Das diversas portas de acesso que possui, a denominada Porta Preciosa está belamente esculpida. Construída entre 1350/1360, comunica o claustro com o dormitório dos canônigos. Seu nome se explica porque o clero, quando entravam no dormitório, o realizavam em procissão litúrgica, cantando um salmo de louvor à Virgem que começava com este adjetivo. No tímpano, vemos talhadas cenas da vida da Virgem.

No interior, destacamos o mausoléu dos reis navarros Carlos III e sua esposa Leonor. Foi executado entre 1413/1419 pelo escultor flamenco Johan Lome de Tournay, em alabastro.

No presbitério, vemos a imagem românica de Santa Maria la Real.

O teto está formado por bôvedas de crucería, típicas do estilo gótico.

No exterior, a fachada pertence à época neoclássica, realizada por Ventura Rodríguez no séc. XVIII. A catedral representa o conjunto gótico mais importante da comunidade.

Outro monumento religioso de importância é a Igreja de San Saturnino, localizada próxima à Casa Consistorial. Inicialmente construído no estilo românico (séc. XII), foi reedificada no século seguinte em estilo gótico. Além de ter sido centro religioso do burgo medieval, cumpria também a função de defesa militar, numa época de habituais disputas com os demais burgos. O fato se comprova pelo aspecto da torre, mais parecida a uma fortaleza.

Abaixo, vemos o decorado tímpano da portada principal.

A cidade de Pamplona é atualmente o centro financeiro, comercial e administrativo da comunidade, além de ser sua cidade mais populosa, com cerca de 200mil hab. Possui invejável qualidade de vida, e sua renda per capita é bastante superior á média espanhola e da Uniao Européia.

Pamplona faz parte da segunda etapa do Caminho de Santiago, da rota de peregrinos procedentes de Roncesvalles.

Catedral Nova de Plasencia

A Catedral Nova de Plasencia está dedicada a Asunçao de Nossa Senhora. Conforma, junto com a Catedral Antiga, a silueta arquitetônica mais conhecida da cidade.

De estilo renascentista, no exterior o templo possui duas portadas de interesse. A Portada Norte corresponde à porta principal da catedral.

O desenho e a execução de sua parte inferior pertencem ao mestre Juan de Ávila, que realizou a obra no estilo plateresco, variedade do Renascimento Espanhol. Ávila se encontrou com um espaço gótico de tendência vertical, ao qual era complicado esculpir estruturas ornamentais renascentistas de caráter horizontal. O problema foi solucionado colocando, entre os contrafortes, quatro corpos clássicos com suas correspondentes colunas. A bela decoração que adornam os muros e seu rico conteúdo iconográfico convertem esta estrutura em uma jóia do patrimônio artístico espanhol.

Em sua parte superior, interveniram grandes mestres da época, como Diego de Siloé e Rodrigo Gil de Hontañón. Na parte alta da porta, os canteiros deixaram gravada a data de sua finalização: “Em 1558 se terminou esta portada”.

A portada Sul forma um magistral conjunto com a Torre da Catedral Antiga e a Torre do Melão, que coroa a sala capitular, também da catedral velha. Denominada Porta do Enlosado, possui uma estrutura clássica e a combinação com as demais elementos proporciona um “livro aberto”, um manual de estudos de arquitetura.

O interior do templo está inundado de dourado, cor que na cultura crista está relacionada à Luz Celeste e à divindade.

O Retábulo Maior é barroco e está composto por 3 partes. Nele se fundem arquitetura, escultura e pintura, com o objetivo de atrair o olhar dos fiéis à sua contemplação. A parte escultórica é obra do mestre Gregório Fernández. O conjunto desenvolve temas próprios da Contra-reforma.

Em sua parte inferior, vemos a Paixão de Cristo. Sua parte central está representada pelo momento em que a Virgem, padroeira da catedral, é elevada ao céu em meio de um coro de anjos.

O calvário compõem as imagens da parte superior. Em quanto às pinturas, destacam os quadros de Francisco Rizzi, Anunciação e Adoração dos Pastores.

No presbitério, vemos o sepulcro de Ponce de León, bispo desta diocese no séc. XVI.

Em frente ao sepulcro, situa-se a Porta da Sacristia, realizada por Francisco de Colônia e Juan de Ávila em estilo plateresco.

Nas naves laterais, encontramos dois retábulos de estilo churrigueresco, típicos do barroco espanhol.

O Coro é outro dos tesouros da catedral. Feito de madeira de nogal por Rodrigo Alemán a finais do séc. XV, foi realizado para a Catedral Antiga e adaptado posteriormente ao local que ocupa atualmente.

O maravilhoso órgão está classificado dentro do grupo de instrumentos românticos de princípio do séc. XX. A caixa do órgão, porém, é barroca do séc. XVII e contém figuras de pedra ricas em expressão e movimento. Representam os símbolos da música. À esquerda, vemos a estátua de Jubal, pai dos tocadores de cítara e flauta e, à direita, a estátua de Orfeu com a Lira.

Abaixo, outras fotos da catedral.

Com estas fotos, concluímos a série de post dedicadoa à cidade de Plasencia. Espero que tenham gostado, e nao deixem de conhecê-la, quando venham à Espanha. Vocês, como eu, se surpreenderao…

Catedral Velha de Plasencia

Na mesma época da fundaçao da cidade no séc. XII, surgiu a sede episcopal de Plasencia. A cidade possui duas catedrais dedicadas à Virgem Maria, formando o conjunto arquitetônico e artístico mais importante da cidade. Ambas estão incompletas, sendo que a catedral velha carece de ábside e cruceiro, derrubados para a construção da catedral nova.

A Antiga Catedral de Santa Maria é um belo exemplo de templo de transição dos estilos românico ao gótico. Do primeiro, pertence os capitéis das colunas e do segundo, os arcos, janelas e bôvedas de crucería. Sua construção iniciou-se a princípios do séc. XIII e no século seguinte edificou-se a maior parte do templo, cujas obras foram dirigidas pelos mestres Juan Pérez, Diego Díaz e Juan Francês.

A portada principal é de estilo românico. Na parte superior vemos uma escultura da Anunciação de Nossa Senhora, que também aparece no rosetón.

Suas 3 naves estavam cobertas até o séc. XVIII por uma espessa camada de cal que, ao desaparecer, permitiu que admirássemos  a esbeltez do templo, solene e acolhedor ao mesmo tempo.

No muro que separa as duas catedrais, foi colocado um retábulo de estilo barroco português, representando as cenas da paixão de Jesus Cristo.

Além do Retábulo Maior, outros decoram as naves da igreja.

De planta retangular, o claustro conserva seu aspecto original. Inspirado na arquitetura cistercense, serve de união às duas catedrais. No centro, vemos uma fonte gótica do séc.  XV, com as armas do bispo e cardeal D.Juan de Carvajal.

A partir do claustro, acedemos à Capela de San Pablo, antiga sala capitular, e conhecida popularmente como a Torre do Melão, assim chamada por seu aspecto exterior, culminado com uma bola que parece um melão aberto.

Seu interior é de formato quadrangular com uma cúpula octogonal. A configuração do espaço recorda os cimbórios da Catedral de Zamora, da Colegiata de Toro e da Torre do Galo da Catedral de Salamanca.

Abaixo, uma bela imagem da Virgem colocada dentro da capela.

A Torre possui im claro aspecto românico.

A Catedral Antiga de Plasencia foi declarada Monumento Nacional em 1931. A princípio do séc. XV, decidiu-se levantar uma nova catedral, de tamanho superior que, como comentamos, destruiu parte da cabeceira e do cruceiro. Sobre a Catedral Nova, falaremos no próximo post.

Plasencia – Extremadura (Parte 2)

Desde sua fundaçao, Plasencia foi uma cidade de realengo, isto é, propriedade exclusiva da coroa e a partir de 1189 tornou-se sede episcopal.

Em 1488, passou a ser governada pelos Reis Católicos e Fernando de Aragón nela viveu desde 1515. Em 1446 foram criados os estudos universitários de Plasencia, os primeiros de Extremadura. A biblioteca do Monastério do Escorial foi criada com o acervo de livros pertencente ao Palácio Episcopal de Plasencia, levados ao monastério madrilenho por ordem do rei Felipe II.

A cidade conserva uma grande quantidade de palácios e casas senhoriais, como a Casa das Infantas, construída entre os séc. XVI/XVII.

A Casa del Deán  é uma casa-palácio do séc. XVII e seu destaque é o balcão em estilo neoclássico, coroado pelo escudo do proprietário.

Nas fotos seguintes, vemos outros exemplos de casas senhoriais da cidade.

Outro monumento emblemático é o Aqueduto Medieval, levantado no séc. XVI, em substituição ao anterior, do séc. XII. Com um comprimento de 200m, se conservam 55 arcos.

Plasencia é atravessada por duas rotas jacobeas, o chamado Caminho de Santiago do Levante, que parte de Alicante e finaliza em Plasencia, onde se une com o Caminho de La Plata. Os monumentos religiosos mais importantes são sua 2 catedrais, que serão tratadas em post à parte. A Igreja de San Esteban pertence ao séc. XV, e nela se casou o célebre poeta José Maria Gabriel y Galán.

A Igreja de San Nicolás existe desde o séc. XII e seu aspecto atual é fruto de várias reformas. A principal foi realizada no séc. XV, conferindo o estilo gótico que vemos atualmente.

O antigo Convento dos Dominicanos, do séc. XV, foi convertido em Parador Nacional, e enquanto tomamos um café em suas dependências, admiramos o histórico edifício.

O Convento de San Francisco Ferrer abriga uma excelente coleção de peças sacras, utilizadas pelas confrarias da cidade, principalmente durante as festas da Semana Santa.

O Museu Etnográfico-Textil Pérez Enciso encontra-se situado no antigo hospital de Santa Maria, fundado no ano 1300. Inaugurado em 1989, é o primeiro do gênero na comunidade. Exibindo um variado conjunto de objetos, reflexo de formas de vida tradicionais, como a manufatura da la e trajes típicos.