Zaragoza Romana

Zaragoza, a capital da Comunidade de Aragón, conta com mais de 2000 anos de história. A população mais antiga documentada data do séc. VII aC e as primeiras notícias de uma comunidade urbana, do séc. III aC, a cidade Ibérica de Salduie. Enclave estratégico habitado pela tribos dos Sedetanos, formava parte de uma zona que atuou como fronteira entre os povos ibéricos, localizados ao norte do rio Ebro, e os celtiberos, localizados ao sul. O povoado Salduie, que parece esteve fortificado, chegou a alcunhar moeda desde o séc. II aC, apesar do crescente influxo romanizador a que estava sendo submetida.

Sobre os restos do povoado Ibérico, no último quarto do séc. I aC, foi fundada a cidade romana de Caesar Augusta, que gozava do privilégio de ostentar o nome completo de seu fundador, o imperador César Augusto. O acontecimento sucedeu dentro do contexto das visitas que o imperador realizou a Hispania com o objetivo de submeter as guerreiras tribos dos cântabros, situados ao norte da península. A cidade surgiu como uma doação de terras aos soldados veteranos pertencentes às legiões romanas. Caesar Augusta tornou-se uma cidade imune, isto é, isenta de pagar impostos. Seu traçado realizou-se segundo as normas do urbanismo então em voga, um Decumanus Maximus, paralelo ao rio Ebro. A muralha, iniciada na época de Augusto, protegia o recinto.

A colônia contou também com uma ponte sobre o rio, que inclusive funcionava como aqueduto e situada no local onde atualmente contemplamos a Ponte de Pedra.

A partir da calçada que uniu Pompelo (Pamplona) com CaesarAugusta, construída pelos próprios legionários depois de sua fundação,a cidade converteu-se num centro de comunicações, enclave estratégico e militar e num núcleo urbano com influências sobre um amplo território. Alcançou seu período de máximo esplendor entre os séc. I e II dC e trouxe consigo muitas das obras que ainda podemos admirar e visitar, num itinerário turístico pela cidade atual.

Iniciamos nosso trajeto pelas Muralhas, construídas a partir  do séc. III dC. O cerco defensivo abarcava o centro histórico da cidade, com um total de 3km de perímetro e aprox. 120 torres. A largura dos muros chegava a 7m e as torres semicirculares chegavam a ter 8m de diâmetro. Correspondente aos 4 pontos cardeais, quatro portas de acesso permitiam a entrada à cidade.

Uma estátua de bronze do imperador fundador, doada a cidade pelo governo italiano nos anos 40 do séc. XX, homenageia a antiga cidade romana.

No séc. I dC, durante o mandato do imperador Tibério, construiu-se um grande Foro, um complexo religioso, administrativo, comercial e político. Tratava-se do centro da vida urbana, com edifícios diversos, além de inúmeras tabernas que satisfaziam as necessidades da população. Suas ruínas localizam-se embaixo da Catedral de la Seo e integram o museu dedicado ao seu estudo e conservação, cujos restos arqueológicos foram encontrados entre 1988-1991.

As estruturas encontradas pertencem à época fundacional da cidade, bem como a uma época posterior, de finais do séc. I aC e princípios do séc. I dC.

O visitante pode contemplar também uma grande cloaca desta época, que foi construída para evacuar a água desta parte da cidade em direção ao rio.

Devido à importância do porto fluvial que possuía a cidade e do tráfico que gerava, o foro zaragozano situava-se nas proximidades do grande rio.

No museu dedicado ao porto, observamos o importante papel desempenhado pelo dinâmico comércio fluvial e sua utilização para o transporte de mercadorias. Sua estratégica localização, entre a cidade de Tortosa, na desembocadira do rio, e de Logroño, lhe permitiu que se destacasse no cenário econômico do vale do rio Ebro.

Acima vemos uma maquete de como teria sido o porto fluvial de Caesar Augusta.

No museu das Termas Públicas, se conserva os restos de uma piscina porticada construída a mediado do séc. I dC, que formava parte do complexo termal. Localizada no eixo urbano integrado pelo foro, teatro e porto fluvial, as termas em época romana eram utilizadas como centro de convívio social, além de local para a prática desportiva e cultural. Contavam com várias dependências, como vestiério, salas de água quente, temperada e fria, academia, etc. Como os demais museus, a qualidade dos sistemas explicativos e didáticos recriam de forma convincente um mundo remoto e uma cultura desaparecida, mas cujos restos nos permite imajinar o alcance de seu esplendor. Descobertas em 1982, se conservam também um conjunto de peças que decoravam o local, como mármore, por ex. A ornamentação da sala se completava com várias estátuas.

Na sociedade romana, o Teatro desempenhava um papel fundamental na transmissão do idioma e da cultura do império. O teatro de Caesar Augusta era um dos mais imponentes de toda a província de Hispania, sendo o edifício mais representativo e espetacular da cidade, pois se erguia na parte mais elevada da mesma, alcançando uma altura de 25m e construído com materiais nobres, pouco usados na época.

A estrutura não correspondia ao típico teatro que aproveitava as irregularidades do terreno para edificar-se, mas no denominado modelo aéreo, em que se apoiava sobre túneis e galerias. Com 105m de diâmetro, tinha capacidade para cerca de 6 mil espectadores. Levantado também na época de Tibério (14/37 dC), foi utilizado até o séc. III, quando enfim entrou em decadência e utilizou-se seus materiais construtivos para construir a muralha que hoje vemos.

O teatro forma uma síntese da história da cidade, pois sobre suas ruínas se levantou o bairro muçulmano, no século XIII se localizou aí o bairro judeu e no séc. XV se edificaram igrejas e palácios.

Os vestígios do teatro afloraram em 1972, durante umas obras de restauração urbana. Depois de 30 anos de excavaçoes, o museu que o alberga foi inaugurado em 2003.

Na Igreja de Santa Engrácia, templo de uma bela portada renascentista, contemplamos em sua cripta sarcófagos de mártires zaragozanos, defensores da nova fé, num período de fortes perseguições. Pertencem ao período romano tardio, executados no séc. IV dC.

Finalizamos o itinerário pelos templos romanos da cidade no Museu Provincial, que em sua seção de arqueologia, expõe notáveis peças da época, como moedas, objetos cotidianos, mosaicos, etc.

 

 

 

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