Zaragoza Mudéjar

A Arte Mudéjar é uma manifestaçao genuína, fruto do contato entre muçulmanos, cristãos e judeus nos reinos hispanos. A herança islâmica se funde intimamente com a arquitetura ocidental como lição de convivência e aprendizagem mútuo.

O termo mudéjar procede da palavra árabe mudayyan e significa “aqueles a quem foram permitidos permanecer “, em referência à população muçulmana que, após a reconquista crista, continuaram a viver na península, mediante o pagamento de impostos. A arte mudéjar caracteriza-se pelo emprego de materiais econômicos, como tijolo, gesso, madeira e cerâmica.

Em Aragón , este estilo desenvolve-se entre os séc. XII e XVII, apresentando características diferenciadas em relação a outros territórios onde a arte se fez presente, como Andaluzia e Castilla. Para enriquecê-la, a ornamentação adquire uma importância fundamental, com composições geométricas, vegetais estilizados e a utilização da cerâmica vidriada. Abaixo, vemos um exemplo da arquitetura mudéjar aragonesa, em Teruel.

Depois da reconquista, muitas mesquitas islâmicas foram reutilizadas como alcázares ou catedrais, feito que influenciou na construção de novos edifícios. Muros de tijolo e gesso, arcos de ferradura, tetos de madeira decorados, solos de azulejos se combinam com os estilos da arquitetura ocidental, como o Românico, Gótico, Renascentista e barroco.

A Comunidade de Aragón preserva mais de uma centena de templos mudéjares, devido a numerosa população muçulmana que viveu em suas cidades durante a época medieval.

A decoração mural exterior é muito mais complexa e ornamentada que o mudéjar de outras partes de Espanha, e o uso da cerâmica um de seus principais elementos, principalmente nas tonalidades verde e branca. No plano arquitetônico, o mudéjar aragonês recebeu forte influência do estilo cistercense. Devido ao rico e peculiar legado de sua manifestação em Aragón, a Unesco reconheceu a Arte Mudéjar da comunidade como Patrimônio da Humanidade em 1986.

Na cidade de Zaragoza, perduram vários e valiosos exemplos de arte mudéjar, como 4 igrejas que conservam partes de sua construção o caráter original do estilo. No geral, apresentam apenas uma nave e cabeceira poligonal, além da decoração mural a base de motivos geométricos. Porém, se algo torna o mudéjar aragonês tão popularmente reconhecido é a sua magnífica coleção de torres-campanários. Estas espetaculares estruturas derivam de antigos minaretes, aos quais se construíram um corpo a mais para a instalação dos sinos. Se caracterizam pelo formato quadrado ou octogonal, esta influenciada pela arte italiana renascentista.

Iniciamos agora um itinerário pelos principais templos mudéjares de Zaragoza. O Palácio da Aljaferia, cuja origem se remonta ao séc. IX, foi tratado num post à parte, por sua importância histórica e arquitetônica.

A Catedral de San Salvador ou La Seo também foi foco de uma matéria publicada. No entanto, destacamos o magnífico muro exterior da capela de San Miguel Arcángel, construído em 1360, bem como seu fabuloso cimbório, ambos em estilo mudéjar.

A Igreja de San Pablo é um dos melhores exemplos de como no séc. XIV, seguindo a influência renascentista italiana, os campanários mudéjares abandonaram a planta quadrada e se convertem em poligonais, freqüentemente octogonais.

O templo foi construído sobre a antiga ermita românica de San Blás e, no interior, destaca o órgão e o retábulo maior, obra de Damián Forment, realizado no séc. XVI. A igreja de San Pablo foi declarada Monumento Nacional em 1931.

Protótipo perfeito do mudéjar aragonès, a Igreja da Magdalena sobressai por seu formoso campanário, levantado no séc. XIV.

A Igreja de San Gil também conserva a torre, igualmente do séc. XIV. Posteriormente, foram realizadas reformas na fachada e no interior, em estilo Barroco (séc. XVII).

Por fim, vemos a Igreja de San Miguel de Los Navarros, também reformada em época barroca, e que conserva sua bela torre mudéjar do séc. XIV.

Na portada, vemos a uma escultura barroca de San Miguel matando o dragao.

Além dos edifícios religiosos, Zaragoza possui outros de caráter civil, como a casa de Deán, construída em 1293 como a residência deste que é considerado a segunda pessoa em importância do cabildo catedralício. O arco, que une a catedral com o edifício, foi reformado no séc. XVI no estilo plateresco-mudéjar.

O edifício dos Correios, erguido em 1926, utilizou as técnicas e características do estilo, dentro de um novo contexto, o neo-mudéjar.

Finalizamos com um dos templos mudéjares de caráter civil mais importantes de Espanha e que, infelizmente, não existe mais. Trata-se da Torre Nova, uma estrutura situada na Praça de San Felipe, considerada a torre inclinada espanhola mais famosa de sua época.

Construída no séc. XVI para albergar o relógio público, foi muito reproduzida em gravados e inclusive em fotos. Durante os chamados Sítios de Zaragoza, em que a cidade heroicamente capitulou ante as tropas de Napoleão, foi utilizada como torre de vigilância, para controlar o movimento das tropas inimigas.

No final do séc. XIX, devido à sua inclinação e estado ruinoso, a prefeitura da cidade resolveu derrubá-la, causando protestos entre os intelectuais e parte da população, cujos esforços em salvar-la foram, no entanto, em vão. Atualmente, uma pintura mural recria a inesquecível torre e, bem em frente, contemplamos uma estátua de um menino, que embora saudoso, admira a torre, como se ainda estivesse ali.

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