Zaragoza Moderna e Contemporânea

Capital da província homônima e da Comunidade de Aragón, Zaragoza é a quinta maior cidade espanhola, somente superada por Madrid, Barcelona, Valencia e Sevilha. Com aprox. 700mil hab., concentra mais de 50% do total populacional da comunidade. Situa-se no vale do rio Ebro, numa posição estratégica, a meio caminho entre Madrid e Barcelona. Possui clima mediterâneo continental semidesértico, com verões quentes, invernos rigorosos e escassas chuvas. O denominado “cierzo”, vento que sopra no inverno, faz com que a sensação térmica seja ainda mais baixa.

Da Caesar Augusta romana à muçulmana Saraqusta, Zaragoza foi sempre um núcleo importante de comunicações.

De sua época fundacional, dedicamos um post à Zaragoza romana. Com a queda do império, foi ocupada pelos visigodos no séc. V, cujo auge se deu no séc. VII, com a figura do bispo Bráulio como protagonista.

Em 704 foi dominada pelos árabes e converteu-se num importante centro cultural e econômico. Com a decomposição do Califato de Córdoba, Zaragoza transformou-se num Reino de Taifa em 1018. O período de máximo esplendor ocorreu no séc. XI.

A reconquista crista sucedeu em 1118, através de Alfonso I “El Batallador”, e tornou-se capital do Reino de Aragón. Abaixo, vemos a estátua de Alfonso I, situada no Parque Grande.

Durante o reinado de Fernando “El Católico”, funda-se a universidade e a Lonja dos Mercadeiros. A expulsão dos judeus em 1492 e dos mouros em 1609 provocam uma certa paralizaçao no seu crescimento.

No séc. XIX, Zaragoza converteu-se num símbolo de resistência contra as tropas de Napoleão, na chamada Guerra de Independência. Encerrada dentro de seus muros, a população da cidade resistiu heroicamente ao assédio dos franceses, um inimigo cujo exército era considerado o melhor do mundo na época. Além do numerosa quantidade de mortos na batalha, uma epidemia de tifo assolou a cidade durante a contenda. O episódio ficou conhecido como os “Sítios de Zaragoza”, e muitos monumentos recordam os heróis e heroínas defensores da cidade.

O Monumento aos Sítios de Zaragoza, localizada na praça homônima, foi realizado por Agustín Querol, em comemoração ao seu centenário, sendo inaugurado em 1908 pelo rei Alfonso XIII e coincidindo com a Exposição Internacional Hispano-Francesa. (fotos acima).

A escultura mostra cenas do episódio, bem como vários de seus personagens, como a heroína Agustina de Aragón, defendendo a Porta del Portillo e ao Gen.Palafox, comandante do exército da cidade.

Agustina de Aragón é um dos nomes mais recordados dos sítios, por sua valentia e tomada de iniciativa. Quando tudo parecia perdido, e as tropas francesas após a derrubada de parte da muralha que rodeava a Praça do Portillo, praticamente tinham o caminho livre para invadir a cidade, Agustina, com um canhão ao lado, fez retroceder o exército invasor, e seu nome foi glorificado pelos comandantes do exército como modelo de resistência. Uma estátua na Praça do Portillo lhe rende homenagens, e atrás, vemos a Igreja de N.Sra. do Portillo, onde encontra-se sepultada.

A Porta de Carmen, construída em 1789, era uma das 12 vias de acesso ao interior da cidade. Durante os Sítios, serviu de ponto de apoio da resistência. As marcas de disparo são ainda visíveis em sua estrutura.

O mesmo se pode dizer deste palácio, igualmente afetado durante as batalhas.

Atualmente, Zaragoza é uma cidade moderna, que propicia excelente qualidade de vida aos seus habitantes. Com a inauguração, em 2003, das linhas ferroviárias de alta velocidade (AVE), se pode percorrer os 300km que separam tanto Madrid quanto Barcelona, em apenas 1h15min, desde a moderna Estação Delícias.

Em 2008, no ano do bicentenário dos Sítios de Zaragoza e no centenário da exposição hispano-francesa de 1908, a cidade acolheu a Exposição Internacional, dedicada à água e o desenvolvimento sustentável. Muitas obras de infraestrutura foram realizadas, como a reabilitação das margens do rio Ebro, promovendo uma nova opção de lazer, bem como iniciativas ecológicas de transporte urbano, como o sistema de aluguel de bicicletas, excelente medida numa cidade plana como Zaragoza.

Recentemente foi inaugurada a primeira parte do sistema de Tranvias, cujo objetivo é descongestionar o tráfico de veículos no centro da cidade.

Outra iniciativa exemplar é o projeto “Isso nao é um solar”, um programa de intervençao de espaços urbanos sem utilidade, que foram transformados em novas áreas públicas. Iniciada no centro histórico, logo extendeu-se por toda a cidade. O objetivo é tentar solucionar, a um custo baixo, numerosos edifícios urbanos em situaçao de degradaçao, criando parques, áreas esporivas, iniciativas ecológicas e artística, etc.

Veremos, agora, alguns dos principais monumentos modernos e contemporâneos desta acolhedora cidade.

O Palácio Arçobispal, situado ao lado da catedral de San Salvador, é a casa do bispo da cidade e, recentemente, foi inaugurado em uma de suas dependências o Museu Diocesano.

Construída em 1764, a Praça de Touros de La Misericórdia é uma das mais antigas de Espanha.

Como em outras cidades espanholas, em Zaragoza a tradiçao taurina começa desde cedo.

Inaugurado em 1929, o Parque Grande José Antonio Labordeta, anteriormente denominado Primo de Rivera, foi durante muito tempo a área verde por excelência dos zaragozanos. O atual nome homenageia um cantor e político aragonês, recentemente falecido.

O novo espaço cultural da cidade é o Museu Pablo Serrano, dedicado à obra do escultor aragonês, e também local para exposições temporais.

Situada na Praça do Pilar, a Fonte da Hispanidade foi realizada em 1991, durante as obras de reestruturaçao da praça. Seu desenho representa a América Latina.

Como Veneza, o leao é um dos símbolos da cidade, como estes, que sao os guardioes da Ponte de Pedra. O símbolo pode ser visto no emblema do principal clube de futebol da cidade, o Real Zaragoza.

A Jota Aragonesa é uma das manifestaçoes folclóricas mais representativas da comunidade, dentro do gênero musical. Tal como a conhecemos atualmente, data de finais do séc. XVIII e se expressa através da dança, do canto e da interpretaçao instrumental, principalmente com instrumentos de corda.

Passear por suas ruas nos permite apreciar a imensa variedade arquitetônica de seus edifícios.

A principal festa da cidade se celebra no dia 12 de outubro, em honra à Virgem do Pilar. Porém, a animaçao corre solta durante todo o ano, principalmente na zona da cidade denominada “El Tubo”, localizada no centro histórico, e formada por estreitas ruas com uma enorme quantidade de bares. Aliás, os zaragozanos dizem que a cidade detém o recorde na relaçao bares/habitantes. Nao sei até que ponto a afirmaçao é verdadeira, mas a quantidade de bares realmente impressiona…

Espero que vocês tenham gostado desta série de post de Zaragoza. Quando venham a Espanha, nao deixem de visitá-la, vale muito a pena.

2 comentários Adicione o seu

  1. Angela Tidei disse:

    Excelente! Muito importante para quem deseja visitar este local.

    1. Angela, grato por visitar meu blog. Sou suspeito para falar de Zaragoza, pois vivi na cidade durante 4 anos e não a esqueço jamais. Apesar de não ser uma cidade considerada turística ( a não ser durante as festas da Virgem do Pilar), Zaragoza é uma cidade belíssima, que merece a pena ser conhecida….

      Roberto

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