Edifícios de Madrid

Com este post, iniciamos uma série dedicada aos edifícios mais representativos de Madrid. Hoje, veremos dois deles. Ainda que ambos foram construídos no séc. XX, apresentam estilos completamente distintos.

Situado na esquina entre as calles de Alcalá e Gran Via, o Metrópolis é seguramente um dos edifícios mais fotografados da capital espanhola.

Para sua construção, foi realizado um concurso internacional, cujos vencedores foram os arquitetos franceses Jules e Raymond Février, embora a obra fosse concluída pelo espanhol Luis Estéve.

Iniciado em 1907 e inaugurado em 1911, sua arquitetura foi inspirada nos modelos franceses, tão em voga na época, e foi realizado para a companhia de seguros La Unión y El Fênix.

As plantas superiores foram construídas no estilo neorenascentista, e estão adornadas com colunas coríntias e estátuas alegóricas representando o comércio, agricultura, indústria e metalurgia, criadas pelos escultores Saint Marceaux e L.Lambert.

A torre circular está composta por uma cúpula com incrustações douradas. Originalmente, suportava o símbolo da empresa, uma estátua de bronze que representava a ave Fênix, sobre a qual havia uma figura humana com o braço alado simbolizando a Ganimedes.

A princípios dos anos 70, a companhia vendeu o edifício ao seu proprietário atual, a também empresa de seguros Metrópolis. A antiga estátua foi levada ao moderno edifício da empresa Fênix, situado no Paseo de la Castellana, e substituída pela atual, que representa a Vitória Alada, escultura de Federico Coullaut. Abaixo, vemos o edifício da empresa no Paseo de la Castellana e sua inconfundível estátua.

Desde que a companhia Metrópolis tornou-se proprietária do imóvel, o edifício sofreu várias restaurações, necessárias num local propício à contaminação ambiental e às pombas….Foram realizadas 5 reformas, além da instalação de uma iluminação noturna, com fama de ser das melhores da cidade.

Na foto que segue, podemos admirar a porta de entrada do edifício, belamente decorada.

A tradição da existência de portas urbanas em Madrid vem da época em que a cidade estava rodeada por muralhas, como a Puerta del Sol, por ex. Com o desenvolvimento urbanístico, em vez de locais de acesso, as portas se tornaram elementos comemorativos ou alegóricos. Em época contemporânea e fiel a esta tradição, Madrid incluiu em sua paisagem urbana a Porta de Europa. As duas torres que a conformam são conhecidas como Torres KIO, em homenagem à empresa promotora da obra, Kuwait Investments Office.

Situadas ao norte do Paseo de la Castellana, na conhecida Plaza de Castilla, ambas torres se elevam com uma inclinação de 15 graus com relaçao à vertical. São consideradas a segunda torres gêmeas mais altas de Espanha, com 114m de altura e 26 andares, sendo superadas apenas pelas torres de Santa Cruz, localizadas em Tenerife. Foram projetadas em 1989 e inauguradas simultaneamente em 1996, e foram os primeiros arranha-céus inclinados que se construíram no mundo.

Seu arquiteto, o americano Philip Johnson, foi o primeiro em receber o Prêmio Pritzker em 1979, considerado o Nobel da arquitetura. Discípulo do influente arquiteto Mies Van Der Rohe, ele e seu sócio, John Burgee, decidiram realizar um projeto que rompesse com o conceito de Desenho Lineal. Em uma de suas visitas às torres em 1996, afirmou: “Há que acabar com o ângulo reto, se não queremos morrer de aborrecimento…”. O projeto foi baseado num desenho do russo Alexander Rodchenko.

O segredo de sua construção baseia-se em que a maior parte de seu peso descansa sobre um eixo central composto de concreto armado e aço, enquanto a parte inclinada é muito mais leve. Para compensar a pressão de sua inclinação, um sistema de cabos une a parte alta do edifício com um contrapeso subterâneo situado no lado oposto.

As torre foram compradas pela Caja Madrid, uma instituição financeira, e pela Realia, uma empresa mobiliária, que instalaram em cada uma das torres seus logotipos. A torre da esquerda se conhece como Porta de Europa I, e a da direita, como Porta de Europa II. Para evitar confusões, a primeira dispõe de um heliporto pintado de azul, enquanto a segunda, de um heliporto vermelho.

A fisionomia da Plaza Castilla transformou-se em 2009, com a construção do Obelisco da Caja Madrid, em comemoração ao seu terceiro centenário. Este foi o primeiro projeto do internacionalmente reconhecido arquiteto valenciano Santiago Calatrava.

Completando a paisagem da praça, vemos a um monumento em homenagem ao político assassinado José Calvo Sotelo, feito de concreto armado. Inaugurado em 1960 pelo General Franco, se converteu num dos símbolos do regime franquista.