Bairro das Letras – Madrid

Em Madrid, existem lugares que normalmente passam inadvertidos pelos turistas em geral, desconhecedores de seus inúmeros atrativos. Um deles é o Bairro das Letras, também chamado dos Literatos. Seu nome se deve à intensa atividade literária que se desenvolveu no local ao longo do denominado Século de Ouro Espanhol, como ficou conhecido o período de máximo esplendor da cultura do país, compreendido entre os séculos XVI (renascimento) e XVII (barroco).

No bairro, estabeleceram sua residência alguns dos mais famosos escritores de sua literatura, como Cervantes, Lope de Vega, Quevedo, Góngora, etc. Uma boa forma de conhecê-lo é a partir da Praça de Santa Ana, criada na época em que José Bonaparte, irmão de Napoleão, assumiu o governo do país. Para tanto, mandou derrubar o antigo Convento de Santa Ana em 1810, fundado por San Juan de La Cruz em 1586. Num dos extremos da praça, situa-se o Teatro Espanhol, antigo Teatro ou Coral dos Príncipes, inaugurado em 1583, onde foram representadas muitas obras de Lope de Veja e Calderón de la Barca.

Em 1849, foi transformado no atual teatro, que continua hoje em dia como uma referência cultural no panorama artístico da cidade.

Em frente a ele, uma estátua homenageia o mais influente e popular poeta e dramaturgo espanhol do séc. XX, fuzilado durante a Guerra Civil, Federico Garcia Lorca (1898-1936).

No outro extremo da praça, outra estátua recorda a Calderón de la Barca (1600-1681).

Atrás do monumento, vemos o edifício Simeón, atualmente Hotel da rede Meliá, cujo destaque fica por conta do famoso Café Central, um dos templos do Jazz de Madrid. Em épocas passadas, o edifício, inaugurado em 1923, era ocupado pelo Gran Hotel Reina Victória, também chamado Hotel dos Toureiros, que nele se hospedavam quando vinham à cidade.

Em 2008, o bairro foi declarado Área de Prioridade Residencial, ficando restringido para o tráfico de veículos, salvo para os residentes. A maior parte das construções que conformam o bairro são dos séc. XIX e XX, embora se conservem algumas casas do século de ouro.

Um exemplo é a casa-museu de Lope de Vega (1562-1635), onde o escritor viveu os últimos 25 anos de sua vida. Considerado um dos mais importantes escritores e dramaturgos do século de ouro, foi também um dos mais prolíficos de toda a literatura universal. Foi o expoente máximo do teatro barroco espanhol, inimigo declarado de Góngora e grande rival de Cervantes.

De sua casa saiu o corpo do famoso literato, acompanhado por uma multidão até a Igreja de San Sebastián, onde está sepultado.

Fundada em 1541, foi saqueada em 1936 e praticamente destruída. O templo foi reconstruído entre 1943/1959 e dez anos depois declarado Monumento Nacional, graças ao extraordinário arquivo paroquial que possui, felizmente salvos do bombardeio a que foi submetida.

Dito arquivo contém milhares de dados bibliográficos de muitos personagens ilustres da vida cultural do país. Entre eles, que figuram nos dados relativos ao nacimento, batismo, casamento e defuntos, encontramos Cervantes, Gustavo Bécquer, o arquiteto Ventura Rodrigues, entre muitos outros. Aliás, o citado arquiteto também está enterrado na igreja, juntamente com Juan de Villanueva na denominada, é claro, Capela dos Arquitetos. Abaixo, outras imagens do interior da igreja.

Em algumas das ruas do bairro, podemos ver, ou melhor ler, poemas que recordam os grandes poetas, como vemos abaixo.

No próximo post, seguiremos conhecendo o imperdível Bairro das Letras…

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