Patrimônios da Humanidade de Sevilha

Além do Real Alcázar, Sevilha possui dois outros monumentos catalogados em conjunto como Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1987. O primeiro deles é a Catedral de Santa Maria , eleito um dos 12 tesouros de Espanha.

O templo sevilhano é considerado a catedral gótica de maior superfície de todo o mundo. Segundo a tradição, foi construída a partir de 1403, embora não exista documentos dos trabalhos construtivos até 1433. A edificação se realizou no mesmo local da antiga mesquita maior da cidade, construída no séc. XII.

DSC00229Depois da conquista da cidade pelos reinos cristãos no séc. XIII, a mesquita foi consagrada como templo católico, sendo desta forma utilizada durante mais de 150 anos. Devido ao mau estado da mesquita, e sua quase ruína depois de ser afetada por um terremoto em 1356, decidiu-se pela construção de uma nova catedral, que sería inaugurada em 1506.

Sevilha22Sevilha19Um dos seus elementos mais conhecidos é a Torre Campanário, conhecida como “La Giralda”, cuja altura se eleva a mais de 100m. Grande parte da estrutura corresponde ao minarete da antiga mesquita do séc. XII, e foi construída à imagem e semelhança da mesquita de Marrakech (Marrocos).

Sevilha25A parte superior foi levantada no séc. XVI em estilo renascentista para acolher os sinos, cujo encarregado foi o arquiteto Hernán Ruiz, que também foi o responsável pela estátua que coroa a torre, instalada em 1568. Durante séculos, foi a torre mais alta do país.

Sevilha26Do alto da torre vemos os sinos e uma bela vista geral do templo.

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No exterior, existem inúmeras portas de acesso, dada suas grandes dimensões. Uma delas é a Porta das Campanillas, assim denominada porque quando foi levantada, era deste local onde se tocavam as campanas para chamar aos trabalhadores. As esculturas que a adornam são renascentistas, bem como o relevo do tímpano que representa a entrada de Cristo em Jerusalém.

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A Porta dos Palos é também chamada de Porta da Adoração dos Reis Magos, devido ao relevo do tímpano, executado em 1520.

DSC00293O interior está formado por 5 naves, cujas dimensões são de 116m comp x 76m de largura. No cruceiro, a cúpula eleva-se a 40m de altura. Neste espaço retangular, situava-se a antiga mesquita.

DSC00324A nave central está constituída pelo Coro e a Capela Maior. O coro está franqueado por dois órgãos gêmeos, construídos em 1901. O móvel que serve de suporte, porém, é de 1724. Ambos instrumentos se interpretam simultaneamente a partir de um mesmo teclado. O conjunto formado possui 4  teclados manuais, um de pedal e cerca de 7000 tubos.

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A Capela Maior, por sua vez, alberga o Retábulo Maior, considerado o maior da cristiandade. Foi realizado pelo escultor flamenco Pedro Dancart em 1482.

DSC00308Abaixo, vemos algumas imagens das muitas capelas que existem no interior da catedral.

DSC00329DSC00327A luz penetra no interior através de belas vidreiras historiadas.

DSC00301A Catedral de Sevilha guarda também sepulcros de personagen ilustres, como o do rei Fernando III, conquistador da cidade. Porém, mais famosa ainda é a tumba de outro conquistador, cuja autenticidade de seus restos foi motivo de uma acirrada polêmica. Nos referimos à tumba de Cristóvão Colombo.

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Na verdade, existem várias “tumbas de Cristóvao Colombo”, em conseqüência das mudanças dos seus locais de sepultamento. Sua história se remonta ao ano de 1506, quando falece o navegador genovês em Valladolid. Na cidade, é enterrado por primeira vez e três anos depois foi desenterrado e levado à Cartuja de Sevilha, nela permanecendo entre 1509/1537. No entanto, o ilustre defunto manifestou em vida o desejo de ser sepultado em terras americanas, e seus restos foram levados à catedral de Santo Domingo, República Dominicana, onde se manteve até 1795. Com a perda da posse da ilha para os franceses, o corpo é levado desta vez à catedral de Havana, em Cuba. Em 1898, Espanha perde o domínio do país e seus restos realizam sua última viagem à Catedral de Sevilha. Na República Dominicano se acredita que ali estão os verdadeiros restos de Colombo, graças à descoberta de um ataúde com a inscrição “Varón ilustre y distinguido, Don Cristóbal Colón…”. Segundo uma interpretação, houve um equívoco durante o traslado do corpo em 1795, e os restos levados à Espanha seriam os do seu filho. Para acabar de vez com a controvérsia, foram realizados exames de DNA em 2003, que certificaram a identidade dos restos da Catedral de Sevilha como o de Cristóvão Colombo.  Para custodiar seu corpo, foi edificado um monumento em que se representam os quatro reinos espanhóis (Castela, Leão, Aragão e Navarra) que sustentam o féretro.

DSC00313O outro monumento distinguido pela Unesco é o Arquivo Geral das Índias, criado em 1785 pelo rei Carlos III, com o objetivo de centralizar em um único lugar, a enorme documentação existente referente à administração das colônias espanholas, até então dispersas. Convém ressaltar que, depois da descoberta do novo mundo, Sevilha converteu-se no porto exclusivo do comércio com o continente americano.

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Os documentos nele conservados ocupam mais de 9km lineais de estantes, sendo considerado o maior arquivo documental existente no mundo da atividade espanhola na América. Muitos destes documentos possuem um valor incalculável, como o diário de Cristóvão Colombo, e outros assinados por Fernando de Magalhães, Francisco Pizarro e Hernán Cortés, entre outros. O edifício sede foi construído no séc. XVI (1572), durante o reinado de Felipe II, dentro da estética renascentista, para abrigar a Lonja dos Mercadeiros.

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