Portas Monumentais de Madrid – Parte 2

No post de hoje, veremos a Porta de Felipe IV. É uma das portas principais do Parque do Retiro, e é a mais antiga das que se conservam em Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi construída para servir de arco de entrada a Maria Luisa de Orléans, primeira esposa de Carlos II, que chegou por primeira vez à capital em 1680, além de permitir o acesso ao parque. Projetada pelo arquiteto Melchor de Bueras, no princípio estava situada na Praça Canóvas del Castillo, em frente ao Paseo do Prado, já que o parque extendia-se até esta zona da cidade. Neste local permaneceu até o séc. XIX, e durante o reinado de Isabel II (1833/1868), foi desmontada e levada ao lugar onde se encontra o atual Palácio das Comunicações, em frente a Praça de Cibeles.

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Sua atual localização data de 1922, quando na época a prefeitura resolveu levá-la para seu local original, convertendo-se em uma das portas de entrada do Parque do Retiro, tal como havia concebido Melchor de Bueras.

A Porta de Felipe IV possui um comprimento de 25m, e está composta por 3 vaos, dos quais os laterais correspondem a uma ampliação realizada por Luis Bellido, quando a porta foi trasladada novamente ao parque.

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Apesar do nome, a estrutura não tem nada que ver com Felipe IV, a não ser pela rua próxima dedicada ao monarca, mas que foi construída no séc. XIX.

A porta é também conhecida como a de Mariana de Neoburgo, a segunda esposa de Carlos II, ainda que originalmente foi erguida em homenagem à sua primeira esposa. Após o falecimento desta, aproveitou-se o monumento para ser utilizado como entrada triunfal da rainha Mariana, em 1690. Para celebrar a ocasião, foram instalados na porta grupos escultóricos em seu frontal, entre eles a da Deusa Fortuna, atualmente desaparecido, assim como uma lápide alusiva a Mariana de Neoburgo, além da data em que chegou à corte. Daí a confusão existente entre o ano de sua construção, que ocorreu em 1680, e não em 1690, como diz a placa comemorativa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO vão central é o mais importante sob o ponto de vista histórico-artístico, já que constitue a obra barroca original, desenhada por Melchor de Bueras. Em sua parte superior, vemos os escudos de Espanha e de Madrid. Os materiais utilizados para sua construção foram o granito, em quanto à sua estrutura, e o calcáreo, para os adornos.

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Em frente à porta, localiza-se o Casón del Buen Retiro, um dos únicos edifícios sobreviventes do antigo Palácio del Buen Retiro, do qual toma seu nome. Foi construído em 1637, originalmente como um salão de baile da corte de Felipe IV. Desde 1971, é um dos edifícios que integram o Museu do Prado, e durante séculos acolheu a coleção de pintura correspondente ao séc. XIX, assim como o quadro Guernica, de Picasso, exposto desde 1992 no Reina Sofia. As coleções do séc. XIX foram levadas à sede principal do museu, depois da ampliação feita pelo arquiteto Rafael Moneo.

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Portas Monumentais de Madrid

Iniciamos, a partir de hoje, uma série de publicaçoes em que abordaremos as Portas Monumentais de Madrid. Algumas delas tinham um caráter defensivo. Outras, uma finalidade somente ornamental. E existem aquelas cujo objetivo da construção estava relacionado ao controle fiscal e sanitário. Antes, porém, faremos uma breve introdução, falando um pouco sobre as muralhas que rodeavam a cidade.

O primeiro recinto de muralhas que se construiu corresponde ao período da fundação da capital, quando ainda se chamava Mayrit, durante o período árabe.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANuma data indeterminada entre os anos 860/880 dC, o emir cordobês Mohamed I mandou levantar uma atalaia defensiva no local onde atualmente se ergue o Palácio Real. Em seguida, ordenou a construção de uma muralha que protegesse o pequeno povoado que se formava então. Os restos destas primeiras edificações integram o denominado Parque de Mohamed I, uma homenagem ao fundador da cidade. Situam-se ao lado da Catedral de Almudena e possuem um valor mais arqueológico que artístico. Os vestígios conservados possuem 120m de comprimento e foram declarados Monumento Histórico-Artístico em 1954.

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Posteriormente, foram levantadas as chamadas muralhas medievais, da época dos reis cristãos. A segunda muralha foi construída pelo rei Alfonso VII no séc. XII como uma ampliação da antiga muralha árabe. Constava de 4 portas, hoje desaparecidas. Em 1438, levantou-se o denominado Cerco de Arrabal, com objetivo de controlar uma epidemia de peste que assolou Madrid. Possuía 8 portas, uma das quais a famosa Porta do Sol. Durante o reinado de Felipe II, em 1566, ergueu-se uma nova cerca, como controle fiscal e sanitário e finalmente, no governo de Felipe IV, levantou-se em 1625 a última muralha de Madrid, devido ao crescimento demográfico e também por motivos fiscais e de vigilância. Infelizmente, poucos são os restos destas muralhas medievais, desaparecidas em sua totalidade pelo mesmo crescimento que motivou suas construções. Algumas pequenas partes se podem ver, ainda que de forma isolada e descontínua.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA primeira das Portas Monumentais que veremos é a chamada Porta de San Vicente. Ao longo de sua longa história, várias construções precedem a atual. A primeira permaneceu de pé até 1726 e chamava-se Porta do Parque. O então prefeito de Madrid ordenou sua demolição, devido ao péssimo estado em que se encontrava e encarregou ao arquiteto Pedro de Ribera a construção de uma nova. Esta porta estava adornada com uma estátua de San Vicente, originando assim seu nome.

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No entanto, esta porta foi demolida em 1770, e Carlos III ordena ao arquiteto Francesco Sabatini uma substituta, finalizada 5 anos depois. Em 1890, a porta foi desmontada devido à reorganização do tráfico na zona onde se situava e, a partir de então, seu paradeiro é desconhecido. Em 1994, finalmente se inicia a construção atual, uma réplica exata da anterior, possível graças aos projetos existentes de Sabatini e de uma excelente foto, tirada antes de sua remoção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA segunda porta que vamos ver hoje é a denominada Porta Real, igualmente construída por Francesco Sabatini, durante o reinado de Carlos III.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAErguida como a porta principal do Real Jardim Botânico a partir de 1773, perdeu esta função quando se construiu a Porta de Murillo, cujo arquiteto Juan de Villanueva foi também o responsável pelo traçado definitivo do jardim, poucos anos depois.

DSC04595Abaixo, vemos a Porta de Murillo, a entrada principal ao Jardim Botânico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe estilo clássico, a Porta Real se assemelha à Porta de San Vicente, já que o arquiteto é o mesmo. Situa- se em pleno Paseo do Prado, e passa desapercebida por muitos, pois está permanentemente fechada.

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No friso superior, uma inscrição diz:

“Carlos III, pai da pátria, restaurador da Botânica, à saúde e recreio dos cidadãos, ano 1781.”

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Campo do Moro – Madrid

O Campo do Mouro é um dos três jardins que compõem o entorno do Palácio Real (post publicado em 5/10/2012). Os outros dois são os Jardim de Sabatini e os da Praça do Oriente (post publicado em 21/8/2012). Neste belo espaço verde, obtêm-se umas belas vistas da fachada ocidental do Palácio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm pronunciado desnível é o primeiro que se nota quando se visita o parque, provocado por um barranco existente entre o palácio e as ribeiras do Rio Manzanares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Campo de Mouro adquiriu este nome somente no séc. XIX, quando os promotores de sua realização buscaram uma designação relacionada a episódios históricos. No caso, o ataque efetuado pelo caudilho muçulmano Ali Be Yusuf em 1109, com o objetivo de retomar Madrid, então sob domínio cristão. Supostamente, havia ocupado juntamente com suas tropas o local onde atualmente situa-se o jardim.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA idéia de construir-se uma zona recreativa no local é anterior à própria edificação do palácio. As primeiras iniciativas se remontam ao reinado de Felipe II (1527/1598), mas os projetos não foram concretizados. Com a construção do Palácio Real em 1738, foram efetuados numerosos planos de organização do espaço, que não puderam ser realizados ante a escassez de água, as dificuldades técnicas que oferecia o terreno e a falta de recursos econômicos. Tal sucedeu tanto durante os reinados de Felipe V (1683/1746), quanto de Carlos III (1716/1788).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO impulso definitivo para a construçao do jardim ocorreu em 1844, quando Augustín Arguelles Álvarez, o preceptor da rainha Isabel II durante o período que não pôde reinar devido a pequena idade, e Martín de Los Heros, intendente do Real Patrimônio, encarregaram o arquiteto real Narciso Pascual y Colomer (1808/1870), um novo desenho. Para tanto, o arquiteto, também projetista da Praça do Oriente, construiu uma grande avenida, salvando o desnível existente, e realçando as vistas do palácio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO jardim está composto por 70 espécies de árvores, e também por fontes, que constavam no projeto do arquiteto. Uma delas é a denominada Fonte das Conchas, que se localiza no eixo principal do parque. Sua existência se deve a um projeto realizado por Ventura Rodríguez no final do séc. XVIII. A obra foi esculpida por Francisco Gutiérrez Arribas e Manuel Álvarez. Feita de mármore branco, representa personagens mitológicos. Seu nome se deve às conchas que portam os três meninos em sua parte inferior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1898, foi construída uma casa de madeira no estilo tirolês, denominada o pequeno chalé da rainha.

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Já o chalé do Corcho foi construído na segunda metade do séc. XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo jardim se pode avistar inúmeras aves que integram a fauna urbana, muitas delas espécies conhecidas pelos brasileiros.

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O Campo de Mouro foi declarado Monumento Histórico-Artístico em 1931.

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Museu Frederic Marès – Barcelona

Neste último post dedicado ao Bairro Gótico, conheceremos o Museu de Frederic Marès, artista excêntrico e considerado o colecionador catalao mais importante do séc. XX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1944, o artista doou sua vasta coleção à cidade de Barcelona, e dois anos depois inaugurou-se o museu. O seu acervo foi progressivamente sendo ampliado, fruto da paixão colecionista de Marés.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASituado ao lado da catedral, o edifício que sedia o museu é uma das estâncias do Palácio Real. Ao longo de sua larga vida, Marès reuniu uma extensa coleção escultórica hispânica, que compreende desde a antiguidade até o séc. XIX, predominando a talha policromada de motivos religiosos.

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O térreo, o primeiro e o segundo andares do museu estão dedicadas à excepcional mostra de bustos e imagens medievais, com exemplares de todos os estilos artísticos da época: românico, gótico, renascentista e barroco. Os temas dominantes são a Crucuficaçao e a Virgem com o menino Jesus. A maior parte das peças são originárias da própria Catalunha, embora existam outras procedentes de outros lugares da península. A tamanha quantidade das peças pode ser explicada pela filosofia do artista:

“Faço esculturas para comprar esculturas.”

No subsolo, se concentram as esculturas em pedra do museu, principalmente as relacionadas ao período romano, como este belo frontal de um sarcófago cujos relevos representam cenas bíblicas. Descoberto na província de Toledo no séc. XVII, a obra está datada como sendo realizada no séc. IV dC.

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No térreo, estão exibidas as talhas policromadas pertencentes até o séc. XIV, ou seja, incluídas dentro dos estilos românico e gótico. No primeiro andar, estão agrupadas as esculturas que vão do séc. XV ao XIX, com destaque para o renascimento e o barroco. Abaixo, vemos algumas imagens de virgens dos séc. XII, XIII, XIV e XV.

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Na seqüência, vemos dois cristos crucificados, ambos românicos (séc. XII).

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Interessante também é esta cabeça de cristo, proveniente do México (séc. XVI).

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa imagem de abaixo, vemos uma obra que destaca pela expressividade e elegância. Está atribuída a um artista de origem germânica, Alejo de Vahía, que a esculpiu a finais do séc. XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANesta outra, vemos a São Jorge vencendo o dragão, do séc. XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém do séc. XVI, uma imagem da Mãe de Deus da Misericórdia entre São Pedro e São Paulo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma escultura representando a Piedade, com São João e Maria Madalena (séc. XVI).

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa foto a seguir, um relevo procedente do Monastério da Espina (Valladolid), realizada por Manuel Alvarez entre 1570/1577 e pertencente ao Renascimento Espanhol.

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O museu, além das esculturas, conta também com um bom acervo pictórico, como este Prolíptico (retábulo formado por vários compartimentos articulados) que representa a Virgem da Solidão, pintado entre 1520/1525 por um artista anônimo da escola flamenca.

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Nos dois andares superiores, a coleção passa diretamente aos séc. XIX e XX, e se diversifica com todos os tipos de objetos da vida cotidiana. Conhecido como Gabinete do Colecionista, acolhe 17 salas onde estão expostas uma variedade incrível de peças. É como se fosse um outro museu, dentro do próprio museu. Batizada inicialmente por Marès como Museu Sentimental, nele se acumulam milhares de objetos que retratam a vida e os costumes do séc. XIX. Vejamos algumas delas:

Na Sala de Armas, podemos ver cerca de 300 peças entre cascos, armaduras, armas de vários tipos, pertencentes do séc. XVI ao XIX.

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A Sala da Fotografia constitue uma das primeiras coleções públicas de fotografia do séc. XIX em toda a Espanha, transformando a Marès em um precurssor e divulgador do mundo das imagens.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Sala dos Relógios reúne uma grande quantidade destes objetos, principalmente aqueles utilizados no âmbito doméstico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO museu acolhe até uma Sala de Fumantes, em que vemos centenas de objetos relacionados ao tabagismo.

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Outras duas salas estão dedicadas ao mundo masculino, com objetos vinculados ao mundo dos homens, como os bastões, um complemento antigamente indispensável, e também ao mundo feminino, com uma ampla coleção de trajes, frascos de perfumes de época, etc, possibilitando um fidedigno retrato da mulher burguesa do séc. XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA visita ao museu finaliza no denominado Estúdio-Biblioteca, um amplo espaço em que estão expostas obras de Frederic Marès e objetos pessoais.

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A partir do momento em que o museu não pôde ampliar-se por falta de espaço, Marès realizou doações para outras instituições, bem como criou outras, como o museu que também leva seu nome, em Montblanc e o Museu de Arenys del Mar.

Catedral de Barcelona – Segunda Parte

O interior da igreja mede 90m de comprimento por 40 de largura. Está formado por 3 naves de mesma altura, sendo que a central possui o dobro de largura que as duas laterais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA girola, também denominada deambulatório, rodeia o presbitério, formando 9 capelas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJusto encima se encontram os vitrais mais antigos da catedral, que iluminam o ábside (1317/1334). Existem aqueles que foram realizados no séc. XV e os do trifório, de época contemporânea.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANas naves laterais, existem outras 17 capelas. Abaixo, vemos algumas delas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO cimbório foi iniciado em 1422 e finalizado de forma definitiva somente em 1913.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo altar maior, vemos uma imagem da exaltação da cruz, rodeada por 6 anjos, realizada pelo escultor Frederic Marès (cujo excepcional museu será brevemente tema de um post), em 1976. Em sua parte inferior, está a cátedra, ou cadeira do bispo, talhada a mediados do séc. XIV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA cripta de Santa Eulália situa-se bem embaixo do presbitério, e sua construção se deve a Jaime Fabre, no princípio do séc. XIV. O sarcófago da santa encontra-se no centro da cripta, e foi feito em mármore, também no séc. XIV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro dos tesouros da catedral é o excepcional coro, iniciado em 1390.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANele vemos, esculpidos em madeira, o púlpito, a cadeira episcopal e uma maravilhosa silhería, decoradas com brasões correspondentes aos Cavalheiros da Ordem do Tosão de Ouro.

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O trascoro é uma obra renascentista do séc. XVI e está adornado com relevos que representam cenas da vida e do martírio de Santa Eulália.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO órgão, espetacular, é renascentista (1538) e existem somente 4 similares a ele  em toda a Europa. A caixa é original, bem como a maioria dos tubos. A parte técnica é atual. Além de acompanhar os cantos litúrgicos, são celebrados, com freqüência, concertos na catedral, em que o órgão é o protagonista principal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA catedral acolhe numerosas tumbas dos soberanos do Condado de Barcelona e da Coroa de Aragón. Junto à sacristia, sobre um fundo pintado em 1545, estão os sepulcros do Conde Ramón de Berenguer I e sua esposa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, a característica bôveda de crucería, típica do gótico.

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Catedral de Barcelona

Situada em pleno Bairro Gótico, a Catedral de Santa Cruz e Santa Eulália é um dos mais significativos monumentos da arquitetura gótica catalã. Sua construção iniciou-se em 1298, durante o reinado de Jaime II. O templo foi construído sobre os restos de uma basílica paleocristiana, cujos restos se podem ver no subsolo do Museu de História da cidade, e também sobre a anterior catedral românica. A catedral somente foi definitivamente finalizada na época moderna, quando a finais do séc. XIX se levantou a atual fachada. Desde 1929, a Catedral de Barcelona é considerada Monumento Histórico-Artístico Nacional.

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O templo está dedicada à Santa Cruz desde o ano 599, e a partir de 877, também recebeu a advocaçao de Santa Eulália, uma jovem de 13 anos que foi martirizada na época romana (304 dC), e que converteu-se na padroeira da cidade.

Devido à Exposição Universal realizada em 1888 em Barcelona, as obras da catedral foram retomadas depois de 400 anos para a realização da fachada, no mesmo estilo que o resto da igreja. Desta forma, a fachada neogótica está composta por uma portada e duas torres com seus respectivos pináculos, estando decorada com todos os elementos da arquitetura gótica e com uma profusão de imagens de santos e anjos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAProjetada pelo arquiteto Josep Oriol i Mestres, está formada por um grande arco gótico com arquivoltas, presidida por uma escultura de Cristo, e em ambos lados por imagens dos Apóstolos. Além destas, um total de 76 figuras, representando também profetas e reis, adornam a fachada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém da porta principal, que dá para a Praça da Catedral, existem outras 4, de diferentes épocas. A mais antiga é a Porta de San Ivo, cujo nome se deve ao edifício situado em frente, que durante muitos anos foi a sede dos advogados, que tem como padroeiro a San Ivo. Durante 5 séculos foi o acesso principal ao templo. Realizada em mármore e pedra extraída da montanha de Montjuic, foi uma das primeiras portas em utilizar os arcos ojivais, típicos do gótico, na Catalunha (1298). No tímpano, vemos uma imagem de Santa Eulália, pertencente a finais do séc. XIV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA porta situa-se bem embaixo de uma das torres campanários da catedral. Nela, vemos também um relevo, que representa a luta entre um homem e uma fera, que provavelmente procede da antiga catedral românica, já que data do séc. XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, outro detalhe escultórico da Porta de San Ivo.

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Uma das poucas partes da anterior catedral românica é a Porta de Santa Lúcia, que serve de entrada exterior à capela de dita santa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa foto que segue, vemos a decoraçao escultórica em seus capitéis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADuas outras portas permitem o acesso direto ao claustro, a de Santa Eulália e a da Piedade. No tímpano desta última, vemos uma cópia do relevo original, realizado em madeira, e que se conserva no museu catedralício, com a representação da Piedade, rodeada com os símbolos da paixão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos elementos mais curiosos de qualquer catedral gótica são as gárgolas e a de Barcelona possui uma grande quantidade delas. Normalmente representam seres fantásticos, e sua finalidade principal é escorrer a água das chuvas, além de espantar os maus espíritos. As mais antigas situam-se acima da Porta de San Ivo (séc. XIV).

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Segundo uma tradição popular, são bruxas que, durante a procisao do Corpus Christi, cuspiam nos devotos, sendo castigadas a permanecerem petrificadas como figuras monstruosas, com a missao de “cuspir” a água dos telhados da catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos grandes atrativos do templo é que está permitida a subida à terraça. Nela, vemos as torres campanários, as duas agulhas góticas e a parte exterior do cimbório, decorado com uma imagem de Santa Eulália.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA catedral possui duas torres campanários. Com uma altura de 53m, foram levantadas no final do séc. XIII. As torres receberam até nomes, a de Honorata e a de Eulália.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo alto da terraça, contemplamos uma bela vista de Barcelona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO claustro gótico está situado no mesmo local que seu precedente românico. Datado dos séc. XIV/XV, a ele se pode aceder a partir das portas mencionadas acima, bem como por outra situada dentro da catedral, que acredita-se  era uma das portas laterais do antigo templo românico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO claustro está rodeado por capelas em três de seus lados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro, se encontra um jardim, renovado no final do séc. XIX, com árvores e um grupo de 13 cisnes brancos, que recordam a idade do martírio de Santa Eulália.

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Uma fonte de 1448 representa a São Jorge lutando contra o dragão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, daremos continuidade sobre a Catedral de Barcelona, comentando o seu espetacular interior.

Bairro Gótico – Segunda Parte

Finalizamos a visita pela Praça do Rei no Palau de Lloctinent, construído em 1549 como residência dos altos funcionários enviados a Barcelona pelo rei.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1583, o edifício passou a ser a sede dos Arquivos da Coroa de Aragón, e um de seus grandes atrativos é o teto de estilo mudéjar que o decora.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa Praça de Ramón Berenguer, situada atrás da Capela de Santa Ágata e de frente para as muralhas, vemos uma estátua de bronze que homenageia a Ramón Berenguer III, apelidado de “El Grande”, um nobre que chegou a ser Conde de Barcelona. Os primeiros escritos redigidos em catalão datam de seu reinado (séc. XII).  Uma curiosidade sobre sua vida é que sua primeira esposa chamava-se Maria Rodríguez, filha do famoso El Cid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA estátua foi realizada em 1880 pelo escultor Josep Llimona e, à noite, fica iluminada, refletindo sua sombra no edifício situado em frente e enaltecendo a figura do monumento equestre e do conde.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro local agradável para passear ou descansar um pouco depois de tanto caminhar é a Praça Reial (não confundir com a Praça do Rei que vimos acima). Seus belos pórticos e até palmeiras convidam à contemplação. Grandes e elegantes edifícios se ocultam por detrás das fachadas neoclássicas do séc. XIX.  As luminárias situadas próximas à fonte central foi um dos primeiros encargos do Jovem Gaudi à cidade.

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No aspecto religioso, o grande destaque do bairro fica por conta da catedral, que por sua importância histórica e artística, será comentada em posts exclusivos. No entanto, o bairro guarda outros tesouros, como a Igreja de Santa Maria del Pino. Consagrada à Virgem, é uma construção gótica fundada em 1322, que também substituiu a anterior do período românico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu nome se originou pelo fato de que encontraram uma imagem da virgem no tronco desta espécie de árvore, razão pela qual foram plantados pinos em frente à igreja. A fachada exterior está composta por uma impressionante parede de pedra, em que se destaca seu imponente rosetón e o pórtico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO conjunto destaca por ser sóbrio, e carece de decoração. O interior, formado por uma vasta e única nave, acolhe uma série de capelas situadas entre os contrafortes que a sustentam.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja possuía muitos objetos de valor, mas foi saqueada durante a Guerra Civil. Abaixo, vemos uma imagem do rosetón do interior da igreja e seu belíssimo órgao.

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O pintor Joan Miró nasceu bem próximo à Praça do Pino.

A Barcelona Medieval estava composta por uma ativa comunidade judaica, porém os vestígios da judería (bairro onde se concentravam), denominada de gueto de El Call, praticamente desapareceram depois que o bairro foi abolido por Joan I em 1401, resultado da perseguição anti-semita que resultou na expulsão dos judeus em 1492.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstá documentada a existência da comunidade desde, pelo menos, o séc. XI, e a maioria eram artesãos e profissionais liberais. A finais do séc. XV, o rei Fernando Católico instaurou a Inquisição em Barcelona, e os judeus foram obrigados à conversão.

Descobrir os encantos do Bairro Gótico é uma experiência inesquecível, e onde quer que você esteja, é possível deparar-se com edifícios e monumentos de uma época gloriosa, e que se mantém viva, para nosso deleite e contemplaçao.

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