Casa Batló – Barcelona

Localizada no Paseo de Grácia, uma das ruas mais charmosas de Barcelona, e local preferente das residências burguesas catalanas, a Casa Batló é uma excepcional obra de Antoni Gaudi. A construção realizou-se entre 1904/1906 e pertence à fase naturalista do arquiteto, sua época de plenitude artística, quando tinha 52 anos. Na verdade, trata-se de uma remodelação integral feita por Gaudi de um edifício pré-existente, construído em 1875 por Emili Sala Cortés (1841/1920), arquiteto autor de vários edifícios na cidade e na província, além de professor na Escola de Arquitetura de Barcelona e um dos mestres de Gaudi.

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Em 1903 o imóvel foi adquirido pelo industrial Josep Batló i Casanovas. Sua primeira intenção foi derrubar o edifício e construir outro, porém logo se conformou em reformá-lo, tarefa que encarregou a Gaudi, já famoso na época.

O arquiteto concentrou seu trabalho na fachada, no andar principal pertencente à residência de Batló, no pátio e na terraça. Para tanto, Gaudi contou com inúmeros colaboradores.

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Gaudi reformou o edifício e nele reflete sua visão pessoal da arquitetura, de grande originalidade e aspectos inovadores. Além do mais, sua inegável plasticidade não prejudicava a funcionalidade do edifício, um dos elementos que mais se destacam em sua genial obra, como por ex., na importância dada tanto no aspecto da iluminação, quanto no da ventilação do conjunto, essenciais para uma vida saudável e confortável dentro de um edifício residencial.

Para tanto, construiu um grande espaço denominado Pátio das Luzes, situado no centro do edifício, e rodeado pelas dependências de serviço, enquanto que os salões e os dormitórios situam-se em sua fachada.

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A Casa Batló ocupa uma superfície total de 4.300m quadrados, com 450m em cada um dos 8 andares que a compõem. A planta nobre estava reservada à família Batló, que utilizava 4 de seus andares como aluguel, algo habitual naquela época.

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A fachada é maravilhosa e foi construída com pedra arenítica das montanhas de Montjuic. As colunas possuem formas ósseas, com representações vegetais. As superfícies são curvas, e as janelas circulares estão formadas por vitrais coloridos.

Gaudi revestiu toda a fachada com cerâmicas feitas de pedaços de cristal de várias tonalidades, os famosos Trencadís. Do conjunto da fachada, destaca a tribuna do piso principal pertencente à família Batló. Outra de suas singularidades são os balcões executados com ferro fundido e pintados com carbonato de chumbo, para evitar sua oxidação, e colocados em estruturas com forma de conchas marinhas.

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A fachada culmina com uma bôveda formada por arcos catenários cobertas com capas de tijolos e recobertos com cerâmica vidriada em formas de escamas, nos tons vermelho, verde e azul. Na parte esquerda vemos uma torre cilíndrica, com os anagramas de Jesus (IHS), Maria (M) e José (JHP), e rematada com a típica cruz gaudiana de 4 braços, orientados aos pontos cardeais. Uma das interpretações simbólicas desta fachada relaciona-se com a luta de São Jorge vencendo o dragão. Suas vítimas estariam representadas pelas colunas em forma de ossos e os balcões com formato de caveiras. A cruz de 4 braços representaria a espada cravada na espinha do animal, cujo sangue brota das cerâmicas vermelhas que a decoram…

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Em 1940, a Casa Batló passou por direito de herança às filhas do casal, que a venderam em 1954 a uma companhia de seguros. Em 1984, foi instalada a iluminação elétrica da fachada e em 1993 foi adquirida pela família Bernat, que restaurou o edifício e o abriram comercialmente ao público. Em 1969, foi declarada Monumento Histórico-Artístico e desde 2005 integra o conjunto de obras de Gaudi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

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