2 de Maio de 1808 – Segunda Parte

Depois  da revolta em frente ao Palácio Real, os madrilenhos iniciaram um levantamento popular por toda a cidade, improvisando qualquer tipo de armas que tivessem a disposiçao. Na Porta do Sol, a morte de um soldado francês provocou uma cruel reaçao do exército de Napoleao, sob as ordens do General Murat. O fato sucedeu quando os espanhóis atacaram os mamelucos, mercenários egípcios que formavam parte do exército francês. O pintor Francisco de Goya imortalizou no quadro “La Carga de los Mamelucos”, realizado em 1814, os acontecimentos acima mencionados. A obra encontra-se exposta no Museu do Prado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEnquanto a luta se desenvolvia, os militares espanhóis permaneceram passivos nos quartéis. Os oficiais Daoíz e Velarde, no entanto, desobedeceram as ordens de seus superiores e tomaram um depósito de armas do denominado Quartel de Monteleón, unindo-se à insurreiçao.  Apesar do abastecimento de novas armas, os rebeldes sao facilmente vencidos pela artilharia pesada francesa. Ambos pereceram na batalha para manter a posse do quartel, e transformaram-se em heróis nacionais. O local situava-se na atualmente conhecida Praça 2 de Maio, onde um monumento incorpora os restos restaurados do arco original de entrada ao depósito de armas do quartel. Em 1822, foi realizada uma estátua representando aos dois oficiais mortos na batalha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra figura fundamental do episódio foi o tenente Jacinto Ruiz que, embora doente, saiu ao mando de seu regimento para reforçar as tropas sitiadas no Quartel de Monteleón. Sofreu dois disparos, conseguiu recuperar-se, mas sua saúde cada vez mais debilitada pelos mesmos lhe cobrou a vida em 1809, com apenas 29 anos de idade. Uma estátua na denominada Praça do Rei recorda sua coragem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA batalha nas ruas de Madrid no dia 2 de Maio deixou um balanço de cerca de 200 espanhóis mortos, e um mesmo número de feridos. Muitas destas pessoas falecidas eram mulheres, que merecidamente sao lembradas em placas comemorativas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra personagem que tornou-se célebre foi Clara del Rey, que recebeu nome de rua, e está sepultada na Igreja de Buena Dicha, que vemos abaixo, também com uma placa comemorativa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra consequência das revoltas sucedidas neste fatídico dia foi a captura de aproximadamente 400 espanhóis pelo exército invasor, que foram brutalmente fuzilados na montanha de Príncipe Pio. O massacre, ocorrido no dia seguinte, também foi reproduzido por Goya em 1814, na célebre obra “Los Fuzilamientos del 3 de Mayo”, igualmente exposta no Museu do Prado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA sangue derramada inflamou os ânimos de todo o país, dando início à Guerra de Independência. Foi solicitada uma força expedicionária inglesa para fazer frente aos franceses, mas o conflito durou 5 anos mais (1808/1813). Ao longo dos anos, a cidade de Madrid rende homenagem aos heróis da contenda. Muitos deles recordam as figuras de Daoíz e Velarde. A mais impressionante está situada no Paseo del Prado, na chamada Praça da Lealdade. Trata-se de um obelisco e um sarcófago que contém as cinzas dos dois oficiais, assim como de outros falecidos na batalha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO 2 de Maio nao foi uma rebeliao do Estado Espanhol contra os franceses, e sim travada entre as classes populares e o exército ocupante. A desigualdade de forças entre o que na época era considerado o melhor exército do mundo, contra uma populaçao pobremente armada, resultou em atos vergonhosos e de extrema crueldade, que foram captados por Goya numa série de 80 gravados, conhecidos como “Los Caprichos”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO dia 2 de Maio é feriado na capital espanhola, pois nele é celebrado o dia da Comunidade de Madrid.