Museu dos Bombeiros – Segunda Parte

Dando continuidade à matéria sobre o Museu dos Bombeiros de Madrid, veremos outros veículos utilizados por variadas corporações ao longo da história. O fabricado pela empresa Dennis, por ex., foi fabricado em 1949 e possuía uma capacidade de armazenamento de 400 litros de água.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFabricado a partir de 1951, o veículo de nacionalidade alemã da marca Magirus Deutz foi o primeiro em possuir uma escada giratória de 360 graus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, vemos outros modelos pertencentes à mesma fábrica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos automóveis clássicos de fabricação espanhola, o Seat 600 foi produzido na Espanha entre 1957 e 1973, e atendeu uma numerosa clientela de classe média. Conhecido como seiscentos ou “pelotilla” (bolinha), foi produzido pela empresa Seat, sob licença da Fiat, e em 1974 foi incorporado ao Corpo de Bombeiros de Madrid, estando operativo durante 18 anos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá este outro veículo realizou sua primeira saída para combate de incêndios em 1967.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO museu conta com uma grande coleção de maquinário e carros auxiliares, como estes, do séc. XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACuriosos são os diferentes sistemas de extinção de fogo exibidos (inclusive um balde…).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs uniformes do Corpo de Bombeiros de Madrid também recebem atenção, e se dividem em uniformes de época, de gala, de aproximação ao fogo e de proteção química.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPara todos (as) aqueles (as) que desejem conhecer um lugar diferente em Madrid, o Museu dos Bombeiros é uma excelente dica, pela quantidade e variedade das peças expostas, e por sua curiosa temática, capaz de surpreender as pessoas de todas as faixas etárias.

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Museu dos Bombeiros – Madrid

Frequentemente, em minhas visitas pela cidade de Madrid, tenho a sorte de encontrar locais que jamais suspeitava que existissem. Locais que são pouco divulgados, mas cuja singularidade e propósito fascinam a pessoas de todas as idades. Um deles é o Museu dos Bombeiros. Localizado no bairro de Vallecas, sua visita proporciona uma história diferente da cidade, como podemos observar no cartaz promocional do museu logo na entrada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAberto ao público em 1982, o Museu dos Bombeiros conta com uma extraordinária coleção de objetos históricos relacionados a esta profissão que, na grande maioria dos países, situa-se entre às mais valorizadas pela população em geral, devido ao seu risco inerente e ao nobre objetivo de salvar vidas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de gratuito, este espaço cultural representa o único de sua categoria existente em todo o país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA coleção de objetos está situada num grande armazém, estando composta por sete espaços temáticos distintos. Inicialmente, podemos ver uma exposição fotográfica que nos permite conhecer um pouco da história dos bombeiros, os grandes incêndios ocorridos na capital, além de carros históricos utilizados pelo Corpo de Bombeiros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA parte fotográfica inclui também uma justa homenagem aos funcionários que faleceram em serviço.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs sistemas de comunicações utilizados  também são abordados. Antigamente, os bombeiros se comunicavam com toques de corneta.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. XVII, os bombeiros eram chamados, na Espanha, de Matafuegos. No séc. XIX, esta denominação mudou para Mangueros. Em 1894, foi criada a Corporação de Bombeiros de Madrid. Incrível é a amostra de capacetes utilizados por bombeiros de diversas partes do mundo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPodemos contemplar exemplares usados pelos bombeiros brasileiros nas décadas de 1950 e 1960.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO grande destaque do museu é sua impressionante coleção de veículos, utensílios e ferramentas históricos, usados a partir do séc. XIX. Abaixo, vemos uma escada manual sobre rodas, construída em 1880, e operativa até 1920.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta outra escada, de 1898, era puxada por cavalos, e esteve em funcionamento até 1935.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginários de vários países, vemos uma série de carros extintores, como o inglês Mery Weather, construídos em 1915.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe 1830, o modelo Manchester, também de fabricação inglesa, é uma peça de grande valor histórico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADespertam nossa curiosidade e admiração as antigas sirenas e os inconfundíveis sinos que integravam os veículos antigos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos outro carro extintor, de 1926.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, não percam a segunda parte dedicada ao Museu dos Bombeiros de Madrid…

Vila de Pedraza – Província de Segóvia

Uma das imagens mais evocadoras de Espanha são os pueblos, abundantes por todo seu território. Muitos deles possuem um encanto especial, graças ao caráter medieval de seu traçado urbano e os monumentos que acolhe. Tal é o caso da Vila de Pedraza, situada a noroeste da Província de Segóvia (Comunidade de Castilla y León).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPedraza surgiu durante o período de repovoamento ocorrido logo depois da reconquista (processo cujo objetivo era a retomada dos territórios, então sob o poder muçulmano), sendo que seu centro histórico permanece intacto desde o ano 1600, razão pela qual é considerada uma das vilas medievais mais bem conservadas de todo o país. Sua época de maior esplendor corresponde aos séc. XV/XVI, como se pode observar em suas inúmeras casas decoradas com escudos nobiliários, que nos contam a importância de seus moradores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstas casas começaram a surgir depois da chegada da influente família dos Velasco, já que Pedraza tornou-se uma vila senhorial desde o séc. XIV, e assim permaneceu até o séc. XIX, quando foram abolidas as terras senhoriais. No extremo do povoado encontra-se o Castelo, erguido no séc. XIII, reedificado no XIV e reformado no XVI. Em sua maior parte rodeado por um precipício, nele estiveram presos dois dos filhos do rei francês Francisco I. Para que fossem liberados, o monarca tinha que cumprir com os acordos incluídos no Tratado de Madrid (1526), assinado pelo exército francês depois da Batalha de Pávia, na qual foram derrotados pelo exército espanhol (parte integrante da guerra travada entre os dois países pela soberania de alguns territórios italianos). Com a denominada Paz de las Damas, finalmente ambos filhos foram libertados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1926, o pintor Ignacio Zuloaga (1870/1945), considerado um dos artistas espanhóis mais importantes do final do séc. XIX e princípio do XX, adquiriu o castelo e nele instalou sua oficina de trabalho. Seus herdeiros organizaram um museu dedicado à sua obra, que pode ser conhecida em uma das torres do castelo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPedraza se desenvolveu graças ao numeroso rebanho de ovelhas que possuía, abastecendo os mercados de lã  de Brudges e Florença. Com a crise da pecuária no séc. XIX, iniciou sua decadência, acelerada pelo despovoamento do campo que marcou o início do séc. XX. As casas foram abandonadas e foram vendidas a um preço insignificante. A situação mudou quando os próprios habitantes começaram a readquirir os imóveis e restaurá-los com a ajuda privada, cujo criterioso processo de conservação rendeu inúmeros prêmios à cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO único acesso ao pueblo se dá pela Porta da Vila, cuja origem remonta ao séc. XI. No séc. XVI foi reconstruída por Iñigo Fernández de Velasco, sendo que seu escudo preside a entrada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA porta integrava uma torre de vigilância. Depois, foi transformada em prisão no séc. XIII, e também reconstruída no séc. XVI. Em sua visita podemos observar as condições sub-humanas em que os presos da Idade Média eram mantidos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro de Pedraza vemos a Praça Maior, uma das mais belas do país. De formato irregular, foi criada pelos senhores da vila para que pudessem contemplar de seus balcões os festejos taurinos nela realizados desde 1550, e que ainda hoje se podem presenciar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa praça, eleva-se a torre românica da Igreja de San Juan, única parte sobrevivente de sua construção original, pois o templo foi reformado em época barroca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPedraza serviu também de cenário para vários filmes, e no mês de julho organiza-se uma de suas festas principais, o “Concerto das Velas”, que atrai a milhares de visitantes pela qualidade dos músicos e pelo grandioso espetáculo formado por 35 mil velas espalhadas pelo povoado. De noite, as luzes de públicas são apagadas, e o ambiente torna-se mágico. Na Gastronomia, destaca o delicioso Cordeiro Assado, mais um motivo para conhecer este lugar maravilhoso.

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Monastério de El Paular – Segunda Parte

Um dos principais tesouros do Real Monastério de Santa Maria de El Paular encontra- se no claustro, construído no estilo gótico (séc. XV) por Juan Guas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1626, o então abade do monastério, Juan de Baeza, encarregou ao pintor Vicente Carducho uma série de quadros de grande tamanho (3.45 x 3.15m) para decorar o claustro. O artista realizou, num prazo de 6 anos, um total de 56 obras, considerada a obra pictórica mais completa e ambiciosa jamais realizada sobre a Ordem dos Cartuxos, na época responsável pelo Monastério de El Paular. Vicente Carducho (nascido em Florença em 1576 ou 1578 e falecido em Madrid em 1638) foi um pintor barroco de origem italiana que trabalhou para a corte espanhola. Além de um respeitado teórico da arte, era considerado um dos melhores da época, reunindo as condições necessárias para a realização do projeto. Entre elas, um amplo conhecimento no desenho de composições de grande tamanho, habilidade para expressão de sentimentos e gestos, assim como a destreza no emprego de cores que amenizassem o dramatismo das cenas. Estes aspectos definiam um gênero artístico com uma alta cota de consideração no séc. XVII, a Pintura Histórica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe todos os quadros realizados, dois deles foram perdidos na Guerra Civil Espanhola. Os 54 restantes se dividem em dois grupos. Os 27 primeiros ilustram a vida do fundador da Ordem dos Cartuxos, São Bruno (1035/1101), desde o momento em que decide abandonar a vida pública e retirar-se aos Montes de Chartreuse (França), até sua morte. Estão representados o impulso fundacional da ordem e seus diversos aspectos, o retiro em paisagens remotas, sua vida de humildade, mortificação e penitência, a dedicação ao estudo e a oração, etc. Na foto abaixo, vemos um quadro em que a Virgem Maria e São Pedro aparecem aos primeiros monges cartuxos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de iniciar a construção do primeiro recinto monástico, Sao Bruno e seus companheiros perceberam que o local não contava com água suficiente. Deus escutou suas preces, e fez brotar um manancial. O milagre foi retratado no primeiro quadro da esquerda, que vemos abaixo. Nele, São Bruno agradece a Deus, enquanto os demais manifestam seu espanto com o acontecimento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANuma outra representação, Hugo, Bispo de Grenoble, veste o hábito dos Cartuxos, em  reconhecimento ao acético modo de vida destes religiosos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma forte carga dramática se observa no quadro dedicado à morte de São Bruno, acentuada pelo emprego da técnica do claro-escuro, recordando ao mestre Caravaggio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO segundo grupo de pinturas está relacionado aos feitos mais notáveis da história da ordem, desde o séc. XI até o XVI. Em algumas delas, foram representadas cenas heróicas, relativas às perseguições e martírios padecidos por algumas comunidades cartuxas nos séc. XV e XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO quadro acima,  por exemplo, retrata a prisão e morte de 10 membros da Comunidade Cartuxa de Londres, detidos e assassinados pela oposição em aceitar o poder religioso do rei Enrique VIII sobre a Igreja Católica. A seguir, vemos a Morte do Venerado Odón de Novara, no quadro de fundo da foto abaixo. Segundo a tradição, Odón faleceu com mais de 100 anos no Monastério Cartuxo de Tagliacozzo, Itália, onde passou seus últimos anos caracterizados por um exemplar ascetismo. No quadro, Jesus aparece ante o falecido para levar sua alma. A seu lado e ajoelhados, vemos da direita para a esquerda, ao escritor Lope de Vega, o próprio pintor Vicente Carducho, e o abade Juan de Baeza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA A série de pinturas reflete a predileção barroca pela religiosidade, a oração, milagres e o dramatismo dos martírios. Depois da Desamortização de Mendizábal (1835), o Monastério de El Paular foi abandonado e suas obras de arte foram levadas a outros locais. De forma surpreendente, os quadros de Carducho permaneceram na Espanha, sendo que o Museu do Prado guardava a maior parte da série, seguido do Museu Provincial de La Coruña. Depois que o magnífico coro que decorava a igreja foi devolvido (encontrava-se desde o séc. XIX na Basílica de São Francisco El Grande de Madrid), iniciou-se uma campanha para a devolução dos quadros de Vicente Carducho ao seu local original, o claustro do Monastério de El Paular. Em 2006, os quadros foram restaurados pelo Museu do Prado, depois de 4 anos de um intenso trabalho, e em 2011 foi concretizado o antigo sonho de vê-los novamente e em perfeito estado de conservação, no local para os quais foram destinados.

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Monastério de El Paular – Rascafría

O Real Monastério de Santa Maria de El Paular situa-se na Comunidade de Madrid, precisamente no município de Rascafría, na Serra de Guadarrama. Este histórico monastério conserva um importante legado artístico, e seu estado atual é impecável. O conjunto monástico foi declarado Monumento Nacional em 1876.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua construção iniciou-se em 1390, graças ao desejo do rei Enrique II, da dinastia dos Trastamara. O local para seus assentamento foi escolhido pelo próprio monarca, junto a uma ermita conhecida como Santa Maria de El Paular. No entanto, o processo construtivo realizou-se durante o reinado do rei Juan I. O monastério foi o primeiro fundado para a Ordem dos Cartuxos no então Reino de Castilla (Orden de los Cartujos, em espanhol).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO projeto constava de três edifícios principais: o monastério, a igreja e um Palácio Real para o desfrute dos monarcas. Um de seus principais realizadores foi o arquiteto Juan Guas, responsável pela remodelação do monastério durante o reinado dos Reis Católicos. Na foto a seguir, vemos o claustro que possibilita a entrada para a igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monastério começou a funcionar quando foram trazidos monges procedentes do Monastério de Scala Dei, de Tarragona (Catalunha). Durante séculos, os monges exploravam a pesca no Rio Lozoya e os bosques próximos. Além do mais, possuíam um numeroso rebanho de ovelhas e uma indústria para a fabricação de papel, cuja importância foi comentada no post anterior. Do séc. XV ao XIX, todo o vale dependia da atividade agrícola, comercial e industrial do monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a entrada do átrio, a dependência que possibilita a entrada à igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANele, existem vários elementos de interesse, como a belíssima portada de acesso à igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo outro lado da porta, um quadro representa a São Bruno e seus companheiros, fundadores da Ordem dos Cartuxos, surgida em 1084. Esta ordem de clausura monástica é considerada como a mais austera no modo de vida de seus membros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parede, vemos uma placa celebrando a fundação do Monastério de El Paular.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja foi finalizada somente no reinado de Isabel La Católica (1475/1504), constituindo a parte principal do conjunto. A reja (espécie de portão monumental que separa os fiéis dos monges) foi realizada por um frade da ordem, chamado Francisco de Salamanca. Uma verdadeira obra prima.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro elemento de incomensurável valor artístico é o Retábulo Maior, realizado durante a etapa final do período gótico (final do séc. XV). O material utilizado para sua execução foi o alabastro, e o conjunto está todo policromado. A obra de Juan Guas representa 17 cenas bíblicas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um detalhe de sua composição central, com a Virgem Maria e o menino Jesus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs fotos durante a visita estão permitidas, mas os monges solicitam que não sejam exageradas, para não atrapalhar o andamento da mesma. Por isso, fico devendo imagens do maravilhoso coro, que em 1883 foi levado à Basílica de São Francisco El Grande (Madrid), e talhado em madeira de nogal no séc. XVI. Em 2003, o coro foi devolvido ao monastério. Lamentavelmente, tampouco disponho de imagens da famosa Capela do Sagrário, uma das obras fundamentais do Barroco Espanhol (séc. XVIII). Abaixo, vemos a cobertura da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1835,  o processo de Desamotizaçao de Mendizábal repercutiu negativamente na vida monástica e os monges tiveram que abandonar o monastério. Boa parte das obras de arte, como retábulos e altares que o decoravam, se perderam, assim como milhares de livros que compunham sua magnífica biblioteca. Em 1876, como dito no princípio, foi declarado Monumento Nacional, fato que possibilitou seu salvamento da ruína total. Em 1954, foi cedido à Ordem Beneditina, que ainda permanece com 8 monges que mantém vivo o velho monastério. O Palácio Real foi transformado numa hospedaria, cujos horários seguem o ritmo da vida dos monges.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, conheceremos o claustro e a coleção única de quadros pintados por Vicente Carducho para sua decoração. Não percam…

Turismo Ecológico e Micologia – Comunidade de Madrid

O município de Rascafría é  privilegiado por seus encantos naturais. Situado a 1200m de altitude no Vale do Rio Lozoya, ao noroeste da Comunidade de Madrid, encontra-se em plena Serra de Guadarrama. Repleta de rios e de montanhas com mais de 2000m, a zona é perfeita para a prática do Ecoturismo, contando com uma infinidade de trilhas que podem ser percorridas, com distintos graus de dificuldade. A trilha da Cascata do Purgatório é uma delas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe um nível de dificuldade baixo para médio, possui cerca de 6.5 km, e seu entorno é um local protegido por constituir uma Zona Especial de Proteção de Aves (ZEPA). A trilha inicia-se em frente ao Monastério de El Paular, que em breve veremos no post, na denominada Ponte do Perdão. Salvando as águas do Rio Lozoya, foi construída pelos monges a mediados do séc. XVIII, substituindo um anterior feito de madeira. A ponte já existia no séc. XIV, mas as duras condições climáticas da região e as enchentes causadas pelo rio provocaram sua reforma no séc. XVIII, quando foi edificada com pedras de granito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA ponte era a via de acesso principal dos monges ao Moinho de Papel de Los Batanes, explorado pelo monastério. Dele, saiu o papel utilizado na impressão da primeira parte da obra máxima da Literatura Espanhola, D.Quixote de La Mancha, de Cervantes, e publicada em Madrid no ano 1605. Devido ao isolamento do vale, as autoridades locais realizavam os julgamentos junto a ponte. Os réus apelavam as sentenças ante o tribunal, e caso fossem perdoados, retornavam pela ponte são e salvos, dando origem ao seu nome. Pela trilha contemplamos belas paisagens, enriquecida pelo colorido das árvores do outono.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de cerca de uma hora caminhando, avistamos as primeiras quedas de água.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm seguida, chegamos ao objetivo final do caminho, a Cascata do Purgatório, um belo salto com cerca de 15 metros, situada num local de grande beleza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo outono, além dos grupos de pessoas que buscam o local para a prática do Turismo Ecológico, encontramos outros com um objetivo totalmente diferente, que se dedicam a buscar e colher setas. Uma espécie de fungo, as setas são muito apreciadas na Gastronomia Espanhola. No Brasil, são conhecidas como cogumelos. Seu estudo denomina-se Micologia, palavra originária do idioma grego, e a prática de procurar setas pelos bosques está amplamente difundida pelo país, principalmente no outono, sua melhor época.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo trajeto à cachoeira, vemos as mais variadas espécies e tamanhos. Das cerca de 1200 espécies existentes no país, aproximadamente de 40 a 50 são comestíveis. As setas desenvolvem-se em locais de grande umidade e com pouca luz.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém daquelas utilizadas nos mais variados pratos da cozinha ibérica, existem outras com um grande potencial nocivo, e constituídas por substâncias psicoativas ou alucinógenas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo total, 12 são particularmente temíveis por o alto grau de intoxicação que provocam sua indevida ingestão, sendo potencialmente mortais. Evidentemente, a prática de coletar setas somente é recomendável quando existe algum profundo conhecedor do tema no grupo.

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Museu ABC de Desenho e Ilustraçao – Madrid

Hoje, uma vez mais, veremos um local cujo edifício foi reabilitado como um centro cultural, transformando radicalmente a função para o qual foi originalmente criado. Ainda pouco conhecido pelos próprios madrilenhos, pois foi recentemente inaugurado, o Museu ABC de Desenho e Ilustração situa-se numa tranquila rua da capital espanhola.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo princípio do séc. XX, o arquiteto José López Sallaberry, um dos mais influentes de sua geração, construiu um edifício de tijolo para acolher a primeira fábrica da Cerveja Mahou de toda a Espanha, convertendo-se num claro exemplo da Arquitetura Industrial, típica desta época na cidade de Madrid. A fábrica deixou de funcionar nos anos 80, e a prefeitura cedeu o imóvel para que o Diário ABC pudesse utilizá-lo para a criação de um novo espaço cultural, um museu habilitado para a exposição de sua impressionante coleção de desenhos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA renovação do espaço foi realizada pela empresa de arquitetura Aranguren & Gallegos, que transformou a antiga fábrica num local inundado de luz. A coleção, procedente dos arquivos do Diário ABC e da desaparecida Revista Blanco y Negro, foi sendo formada a partir de 1891, e atualmente tornou-se uma referência internacional dentro de seu gênero, com aproximadamente 20 mil desenhos originais, incluindo obras de 1500 artistas dos mais variados estilos, entre os quais citamos Juan Gris e Salvador Dalí.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA nova sede conta com uma enorme superfície expositiva de 3 mil metros quadrados, distribuídas em 6 andares, dois deles subterrâneos. O edifício foi reestruturado com uma grande viga de vidro translúcido e metal, onde foi instalada  uma apetecível cafetería.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de conservar, estudar e difundir a coleção, o Museu ABC de Desenho e Ilustração integra o panorama artístico atual por suas relações com outras disciplinas, como o Desenho Gráfico, a Animação e Criação Digital, as Histórias em Quadrinhos, etc. Promove também exposições temporais,conferências e outras atividades culturais relacionadas ao desenho e ilustração em suas múltiplas variedades.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATanto a visita ao Museu, quanto as atividades organizadas, são gratuitas. Seu projeto vanguardista contrasta com o edifício residencial situado ao seu redor.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs privilegiados residentes do edifício, além de poderem desfrutar de um museu de qualidade internacional literalmente ao lado de sua casa, dispõem também de um remanso de paz e tranquilidade, como vemos na imagem abaixo.

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