Igreja do Vicariato Castrense – Madrid

Durante o reinado de Felipe III (1599/1621), dois personagens corruptos e ambiciosos dominaram a vida política do reino: o Duque de Lerma e seu filho, o Duque de Uceda. O governo de D.Francisco Gómez de Sandoval, o Duque de Lerma, foi o mais imoral registrado na história  espanhola, contando com uma extrema aptidão para o suborno e os atos ilegais. A pessoa de caráter mais nobre na corte foi a rainha Margarita de Áustria, que tentou de todas formas combater a enorme corrupção existente, conseguindo, pelo menos, a destituição do odiado secretário do duque, D.Rodrigo Calderón, que gozava de uma enorme fortuna, acumulada graças aos constantes desvios do tesouro real. Felipe III foi convencido de que sua situação se tornaria insustentável, caso não abolisse os inúmeros casos de corrupção de seus ministros. Para salvar-se, o Duque de Lerma conseguiu o apoio catedralício, fundando diversos conventos na corte, com o objetivo de ganhar a simpatia das principais ordens religiosas. Porém, o duque não contava com a traição por parte de seu próprio filho, o Duque de Uceda, D. Cristóbal Gómez de Sandoval, para assumir o poder, algo que logrou finalmente em 1618. De imediato, construiu o magnífico palácio situado na Calle Mayor como residência pessoal (que vimos no recente post sobre a Calle Mayor). Para dissimular tamanha opulência, fundou o vizinho Convento das Bernardas do Sacramento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu curto tempo no governo, entretanto, não lhe permitiu sequer iniciar a construção do templo. Com a morte de Felipe III em 1621, assume a regência seu filho, Felipe IV, cujo válido (uma espécie de primeiro ministro) seria o Conde Duque de Olivares. Este, para ganhar popularidade, começou uma intensa campanha de perseguição contra os ministros anteriores. Como consequência, ambos ministros, pai e filho, tiveram seus bens confiscados e condenados a pagar uma elevada soma em dinheiro. Menor sorte teve o secretário D.Rodrigo Calderón, que foi julgado e executado em plena Praça Maior. Por estes motivos, a construção da igreja iniciou-se somente em 1671, cujo projeto se deve ao arquiteto Bartolomé Hurtado, sendo finalizada em 1744. A fachada foi construída totalmente em pedra, com um relevo do séc. XVIII representando a Apoteose de São Bernardo e São Bento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja carece de torre, e seu único sino situa-se na parte superior da fachada. No interior, o templo possui uma iluminação maravilhosa, e sua decoração coube aos irmãos González Velázquez.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo coro alto, vemos os tubos do órgão e sobre ele, um quadro de São João Batista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de permanecer num deplorável estado de abandono, a igreja foi restaurada com muito critério, quando o arçobispado de Madrid cedeu o templo às forças armadas, para que se convertesse na atual Igreja Vicariato Castrense. Abaixo, vemos imagens de sua preciosa cúpula.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Retábulo Maior neoclássico, realizado por Gregório Ferro no séc. XVIII, representa a Adoração da Eucaristia por São Bernardo e São Bento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVários outros retábulos decoram o interior, como o também neoclássico que representa o Arçobispo de Lima (Peru), Santo Toribio de Mogrobejo. Este santo originário da Cantábria é raramente representado. Aqui o vemos evangelizando os indígenas peruanos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADa escola madrilenha do séc. XVIII, contemplamos um retábulo com a escultura de São Bernardo. Em sua parte superior, um soberbo quadro da Sagrada Família, realizado por Lucas Jordán.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria com um retábulo dedicado à Piedade, com uma linda escultura do séc. XVIII, de autoria de Luis Salvador Carmona, um dos mais ativos e importantes escultores da época. A Igreja Castrense das Forças Armadas foi catalogada como Monumento Nacional em 1982.

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