Monastério de El Paular – Segunda Parte

Um dos principais tesouros do Real Monastério de Santa Maria de El Paular encontra- se no claustro, construído no estilo gótico (séc. XV) por Juan Guas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1626, o então abade do monastério, Juan de Baeza, encarregou ao pintor Vicente Carducho uma série de quadros de grande tamanho (3.45 x 3.15m) para decorar o claustro. O artista realizou, num prazo de 6 anos, um total de 56 obras, considerada a obra pictórica mais completa e ambiciosa jamais realizada sobre a Ordem dos Cartuxos, na época responsável pelo Monastério de El Paular. Vicente Carducho (nascido em Florença em 1576 ou 1578 e falecido em Madrid em 1638) foi um pintor barroco de origem italiana que trabalhou para a corte espanhola. Além de um respeitado teórico da arte, era considerado um dos melhores da época, reunindo as condições necessárias para a realização do projeto. Entre elas, um amplo conhecimento no desenho de composições de grande tamanho, habilidade para expressão de sentimentos e gestos, assim como a destreza no emprego de cores que amenizassem o dramatismo das cenas. Estes aspectos definiam um gênero artístico com uma alta cota de consideração no séc. XVII, a Pintura Histórica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe todos os quadros realizados, dois deles foram perdidos na Guerra Civil Espanhola. Os 54 restantes se dividem em dois grupos. Os 27 primeiros ilustram a vida do fundador da Ordem dos Cartuxos, São Bruno (1035/1101), desde o momento em que decide abandonar a vida pública e retirar-se aos Montes de Chartreuse (França), até sua morte. Estão representados o impulso fundacional da ordem e seus diversos aspectos, o retiro em paisagens remotas, sua vida de humildade, mortificação e penitência, a dedicação ao estudo e a oração, etc. Na foto abaixo, vemos um quadro em que a Virgem Maria e São Pedro aparecem aos primeiros monges cartuxos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de iniciar a construção do primeiro recinto monástico, Sao Bruno e seus companheiros perceberam que o local não contava com água suficiente. Deus escutou suas preces, e fez brotar um manancial. O milagre foi retratado no primeiro quadro da esquerda, que vemos abaixo. Nele, São Bruno agradece a Deus, enquanto os demais manifestam seu espanto com o acontecimento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANuma outra representação, Hugo, Bispo de Grenoble, veste o hábito dos Cartuxos, em  reconhecimento ao acético modo de vida destes religiosos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma forte carga dramática se observa no quadro dedicado à morte de São Bruno, acentuada pelo emprego da técnica do claro-escuro, recordando ao mestre Caravaggio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO segundo grupo de pinturas está relacionado aos feitos mais notáveis da história da ordem, desde o séc. XI até o XVI. Em algumas delas, foram representadas cenas heróicas, relativas às perseguições e martírios padecidos por algumas comunidades cartuxas nos séc. XV e XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO quadro acima,  por exemplo, retrata a prisão e morte de 10 membros da Comunidade Cartuxa de Londres, detidos e assassinados pela oposição em aceitar o poder religioso do rei Enrique VIII sobre a Igreja Católica. A seguir, vemos a Morte do Venerado Odón de Novara, no quadro de fundo da foto abaixo. Segundo a tradição, Odón faleceu com mais de 100 anos no Monastério Cartuxo de Tagliacozzo, Itália, onde passou seus últimos anos caracterizados por um exemplar ascetismo. No quadro, Jesus aparece ante o falecido para levar sua alma. A seu lado e ajoelhados, vemos da direita para a esquerda, ao escritor Lope de Vega, o próprio pintor Vicente Carducho, e o abade Juan de Baeza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA A série de pinturas reflete a predileção barroca pela religiosidade, a oração, milagres e o dramatismo dos martírios. Depois da Desamortização de Mendizábal (1835), o Monastério de El Paular foi abandonado e suas obras de arte foram levadas a outros locais. De forma surpreendente, os quadros de Carducho permaneceram na Espanha, sendo que o Museu do Prado guardava a maior parte da série, seguido do Museu Provincial de La Coruña. Depois que o magnífico coro que decorava a igreja foi devolvido (encontrava-se desde o séc. XIX na Basílica de São Francisco El Grande de Madrid), iniciou-se uma campanha para a devolução dos quadros de Vicente Carducho ao seu local original, o claustro do Monastério de El Paular. Em 2006, os quadros foram restaurados pelo Museu do Prado, depois de 4 anos de um intenso trabalho, e em 2011 foi concretizado o antigo sonho de vê-los novamente e em perfeito estado de conservação, no local para os quais foram destinados.

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