Tabernas de Madrid – Segunda Parte

As Tabernas Tradicionais de Madrid possuíam sólidas portas de madeira pintadas na cor vermelho púrpura, a cor do vinho tinto. Um letreiro,  também de madeira ou então gravado, anunciava o nome do taberneiro e a rua onde se localizava.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior das Tabernas, as mesas eram construídas com madeira de nogal e geralmente eram redondas. O restante do mobiliário era de madeira talhada. As colunas, sempre à vista, eram de ferro fundido.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas Tabernas ainda conservam as antigas caixas registradoras, que não marcavam mais de 6 pesetas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs calendários também não podiam faltar, sempre com alguma modelo da época em trajes sensuais. Nas paredes, um valioso relógio, que normalmente estavam parados, pra que a clientela não fosse contaminada pelo inimigo mortal de qualquer ambiente taberneiro: a pressa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo princípio do século XX, a sobriedade decorativa dá lugar à exuberância e a profusão de adornos, ao gosto do proprietário da Taberna. Os motivos taurinos eram os mais habituais. Em época moderna, apareceram os ídolos futebolísticos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANos anos 20, entrou em moda a decoração, tanto externa quanto interna, de azulejos artísticos. Surgiram verdadeiros mestres neste ofício, entre os quais mencionamos Enrique Guigo e Alfonso Romero, que assina a obra abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs frases espirituosas abundavam nas Tabernas, colocadas nas paredes, nos azulejos, e outros lugares. A seguir, vemos algumas delas:

” O mosquito disse à rã: Mais vale morrer no vinho que viver na água.”

” Hoje não se vende fiado. Amanha sim…”

” Aqueles que não fumam nem bebem vinho, o diabo os leva por outro caminho.”

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntigamente, a higiene e a limpeza não eram as mais adequadas. O bicho de estimação preferido pelos taberneiros eram os gatos, o melhor remédio contra roedores e insetos molestos. Até bem pouco tempo atrás, jogar bitucas de cigarro no solo e outras coisas era sinal de que o local eram bem frequentado e, portanto, recomendável. Felizmente, este costume tem progressivamente desaparecido, ainda mais hoje, com as constantes inspeções realizadas nas tabernas pela prefeitura da cidade.

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Tabernas de Madrid

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Inegavelmente, as Tabernas constituem um dos estabelecimentos mais característicos de Madrid. Imaginar a cidade sem Tabernas representa o mesmo que Roma sem tratorias ou Londres sem pubs. As primeiras Tabernas conhecidas estavam situadas no Mediterrâneo Oriental e na Mesopotâmia. Abundantes na Grécia Antiga, com o advento do Império Romano, estendeu se por todo o continente europeu. A etmologia de seu nome se relaciona com a madeira, material básico em suas construções. Se entende por Tabernas um local onde se vende vinhos e outras bebidas, e foi também durante a época romana quando apareceram as primeiras Tabernas de vinho que se estabeleceram na então Espanha.

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As Tabernas perduraram no período visigodo e inclusive durante a ocupação muçulmana foram toleradas. A origem das Tabernas de Madrid estariam nas chamadas Alojerias Árabes, como eram conhecidos os estabelecimentos comerciais onde eram servidos refrescos e doces, sendo sua especialidade a aloja, um tipo de erva cozida e depois adocicada. Depois da conquista dos Reis cristãos, tornou se costume colocar álcool na aloja, e que fossem servidos vinhos e aguardentes com frequência. Uma das primeiras ordenanças da vila, em 1476, obrigavam as Tabernas a vender vinhos sem mistura, e que procedessem dos pueblos próximos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA A maioria das Tabernas estavam localizadas em torno às ruas próximas de entradas da cidade. No século XVII, época de ouro da cultura espanhola, as Tabernas foram frequentadas por personagens ilustres, como Miguel de Cervantes, Quevedo, Lope de Vega, etc. Em 1795, uma lei impôs varias regras às casas e bodegas:  proibição de jogos de baralhos e dados, bem como a entrada de mulheres, homens embriagados, militares e guardas, salvo quando estivessem em serviço. Além disso, não podiam haver cortinas que tapassem o interior das Tabernas. Os proprietários não podiam ter funcionários com menos de 40 anos e os vinhos deveriam ser puros, legitimos e de qualidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInstituição popular desde suas origens, no século XIX foi descoberto pela burguesia, quando muitos se dirigiam às Tabernas para escutarem musica flamenca. A mediados deste século, haviam 816 Tabernas em Madrid e no principio do século XX, 1437. Em 1910, eram quase 2 mil. A família dos taberneiros normalmente viviam nas próprias dependências das Tabernas.  Nesta época, uma inspeção da prefeitura contabilizou a existência de 1300 funcionários, dos quais quase 600 eram menores de idade. A jornada de trabalho durava de 15 a 18 horas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA   Em 1923, a Lei de Tabernas estabelece o direito às jornadas de 8 horas. Era frequente que cada Taberna estivesse associada a uma clientela especifica, e aqueles relacionados ao mundo taurino tinham uma especial predileção pelo ambiente das Tabernas. Inclusive, muitos toureiros famosos forma proprietários de conhecidas Tabernas. E muitas delas proliferaram nas proximidades das principais Praças de Touros das cidades.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo começo do século XX, as Tabernas Tradicionais entram em decadência, substituídas por modernas e homogêneas cafeterias de consumo rápido. Temendo sua completa desaparição, nos anos 80 a Camara de Comercio outorgou o titulo de EstabelecimentosTradicionais Madrilenhos às Tabernas Clássicas. No presente momento, a cidade conserva aproximadamente 20 delas e outras 50 que inicialmente foram bodegas e depois foram transformadas em Tabernas. Atualmente, se observa um ressurgimento das Tabernas, e entrar em algumas delas nos permite conhecer o típico ambiente relaxado e cordial que a caracteriza.

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Decoraçao de Natal – Madrid

Desde o começo de 2012, quando foi criado o blog, foram publicados quase 400 publicações sobre o inesgotável Patrimônio Cultural Espanhol. Graças a todos (as) vocês, já recebeu mais de 45 mil visualizações, fato que me estimula ainda mais nesta por si só prazerosa tarefa de divulgação. Pueblos de encanto, cidades monumentais, sua deliciosa e variada gastronomia, os imponentes castelos, sua arte refletida em igrejas, catedrais e monastérios, seus personagens ilustres, a longeva história, os mais interessantes museus, todos os aspectos relacionados à cultura e ao panorama turístico de Espanha conformam a essência deste blog. Evidentemente, a tarefa a que me propus está distante de terminar, e me alegro que assim seja. Os principais lugares de interesse podem ser encontrados no espaço de Busca, e as sugestões são sempre bem vindas e desejáveis. Agradeço a todos (as) que me acompanham, espero que o conteúdo e a natureza do blog preencham suas necessidades de conhecimento e informação. Em breve, estarei de férias no saudoso Brasil para uma estadia de um mês, e apesar das publicações serem menos frequentes que a habitual, estão programadas algumas delas. Hoje, o blog estará iluminado pelas luzes natalinas de Madrid, esta maravilhosa cidade em que resido há 3 anos e meio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs principais ruas da cidade receberam uma cuidadosa decoração, tornando a cidade ainda mais bela, como podemos apreciar no Paseo do Prado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa Gran Via, emblemática artéria viária da cidade, as luzes também não poderiam faltar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo hemisfério norte, a época de Natal coincide com as baixas temperaturas, e a instalação de pistas de gelo é comum em quase todas as grandes cidades européias. Em Madrid, a pista é colocada na Praça do Callao.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro da praça, vemos uma das inúmeras árvores natalinas espalhadas por toda a capital.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Praça Maior é o ponto de encontro do tradicional mercado de natal, existente desde 1860.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs principais ruas comerciais acolhem a milhares de pessoas para as compras, como observamos na Calle de los Preciados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das mais conhecidas e prestigiadas redes comerciais do país, o Corte Inglês também realizou sua própria decoração.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs monumentos da cidade também estão mais iluminados à noite, destacando sua importância e beleza arquitetônica, como o Palácio Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro da Porta do Sol, vemos a mais imponente das árvores de Natal que decoram a cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPassar por debaixo da árvore é uma experiência que cativa a todos (as) que circulam pelo local.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesejo a todos (as) vocês um maravilhoso Natal, e que suas luzes iluminem este final de ano, repleto de esperanças e sonhos realizados.

Vale dos Caídos – Segunda Parte

No post anterior, conhecemos um pouco sobre a  Abadia de Santa Cruz, um dos enclaves que constituem o Vale dos Caídos. Hoje, veremos a Basílica, onde estão enterrados Francisco Franco e José Antonio Primo de Rivera, além dos milhares de combatentes que faleceram durante os combates da Guerra Civil. A Igreja de Santa Cruz foi declarada Basílica Menor pelo Papa João XXIII em 1960, e sua construção representou um logro realmente impressionante, pois foi escavada na rocha. (nada menos que 200 mil metros cúbitos de pedra foram removidas da montanha onde se assenta para dar-lhe forma). O projeto do monumento foi realizado pelos arquitetos Pedro Muguruza e Diego Méndez.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAté pouco tempo atrás, no dia 20 de novembro (data em que coincidentemente faleceram tanto Franco quanto Primo de Rivera), o Vale dos Caídos se transformava num ponto de encontro de ultradireitistas seguidores do Franquismo. Existem referências que denunciam a participação de milhares de presos políticos republicanos em sua construção. Desta forma, eles tiveram sua pena diminuída, de acordo com a fórmula: 1 dia de trabalho equivalia a 5 dias de remissão da condenação. No entanto, existem muitas controvérsias a este respeito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASegundo a página Web do próprio local (www.valledeloscaidos.es), a história que contam diz que muitos trabalhadores eram livres e os presos políticos sim que existiram, mas voluntariamente participaram de sua construção, graças ao Sistema Penitenciário Espanhol, que incluía em seus artigos uma  computação da pena por trabalhos realizados. Um patronato cultural recolhia as petições dos voluntários que desejassem uma redução da pena por este meio, além de receber um salário, igual ao dos trabalhadores livres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar dos debates políticos em torno ao monumento, em 2007 a Comissão Constitucional do Congresso aprovou um projeto de lei de “Memória Histórica”, em que consta um parágrafo sobre o Vale dos Caídos. Tal artigo, aprovado por todos os Partidos Políticos, tanto de esquerda, quanto de direita, representa uma norma para despolitizar o local, convertendo-o num local de culto religioso. Assim, em nenhuma parte do recinto está permitido realizar atos de cunho político. Abaixo, vemos o escudo dos Reis Católicos com o lema do General Franco na fachada de um dos muros que formam a Basílica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInfelizmente, o interior da Basílica não pode ser fotografado (norma que inclui todos os monumentos administrados pelo Patrimônio Nacional, como o Escorial, O Palácio de Aranjuez, etc). Para aqueles (as) que desejam conhecer mais a fundo o interior, recomendo a página acima mencionada. Nele, destacam uma imensa porta com a representação de 40 santos, tapetes flamencos do séc. XVI (cuja temática se refere ao Apocalipse de São João) e uma enorme cúpula decorada com mosaico. Além disso, os sepulcros de Franco e José Antonio Primo de Rivera, por sinal ambos bastante simples, e as 8 capelas onde estão enterrados os combatentes. A entrada ao interior está presidida por uma porta de bronze, obra do escultor Fernando Cruz Solés, que nela retratou os 15 mistérios do Rosário.

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Vale dos Caídos – Comunidade de Madrid

A Abadia Beneditina de Santa Cruz do Vale dos Caídos encontra-se situada no município de San Lorenzo del Escorial (Comunidade de Madrid), a tão somente dez quilômetros do famoso monastério renascentista do Escorial. O monumento, um dos mais visitados na comunidade, foi construído entre 1940 e 1958,e seu conjunto está formado pela abadia mencionada e uma Basílica, que guarda os restos do General Francisco Franco e do fundador do Partido Falange Espanhola (partido de índole fascista reconhecido durante a ditadura franquista), José Antonio Primo de Rivera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monumento pertence ao Patrimônio Nacional desde 1957, ano de sua abertura ao público. Além dos personagens acima mencionados, estão sepultados aproximadamente 33 mil combatentes que pereceram na Guerra Civil Espanhola, tanto de nacionalistas, quanto de republicanos. No monastério encontra-se 19 arquivos com a identidade de metade destes combatentes. A outra metade é  desconhecida, pois até 1983 foram recolhidos de fossas comuns existentes em várias frentes de batalha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Abadia está administrada pela Ordem de São Bento, decisão tomada pelo próprio General Franco, que ordenou a construção do conjunto, e foi em parte reformada para acolher uma hospedaria. Abaixo, vemos uma imagem do interior do espaço monástico, que possui também um restaurante aberto ao público.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Vale dos Caídos como é geralmente conhecido, situa-se, na realidade, no denominado Vale de Cuelgamuros, com impressionantes vistas da Serra de Guadarrama e de seu entorno.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outras fotos da Abadia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASobre a Basílica se alça a mais alta cruz católica de todo o mundo. Com cerca de 150m, é visível a 40km de distância.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAHá 5 anos atrás era possível, através de um funicular, subir à base da cruz. No entanto, o perigo ocasionado pelo despreendimento de rochas fez com que este serviço fosse abolido.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, vemos detalhes escultóricos da cruz.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstas figuras representam as 4 Virtudes Cardinais: Justiça, Prudência, Fortaleza e Temperança (ou Moderação). No próximo post, conheceremos a Basílica onde está enterrado Franco e as controvérsias em torno de sua construção.

Arévalo – Cidade Mudéjar (Segunda Parte)

Apesar da existência de elementos comuns, o estilo Mudéjar não é unitário, apresentando peculiaridades em cada região onde se desenvolveu. Por isso, existem diferenças entre o Mudéjar Toledano, o Aragonês, o Castelhano, etc. No antigo Reino de Castilla, o êxito e a difusão desta corrente artística, num território dominado pelo estilo Românico (séc. XI ao XIII) e pelo Gótico (séc. XIII ao XVI), só foi possível devido à existência de uma população mudéjar na região, que conheciam as técnicas construtivas do ladrillo (tijolo). Exatamente isso foi o que ocorreu em Arévalo. O fator decisivo para seu desenvolvimento foi a rapidez e a economia do processo de construção, em relação à utilização da pedra, que tinha que ser talhada, transportada, etc. Além do mais, na Castilla y León da época as boas canteiras de pedra, necessárias para sua extração, eram escassas nos territórios onde o Mudéjar se desenvolveu. Depois desta breve introdução, veremos outros exemplos de templos mudéjares nesta cidade castelhana. Algumas delas foram reformadas em épocas posteriores, e ocultam em sua estrutura os elementos mudéjares originais. Tal é o caso da Igreja de San Miguel.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída entre os séc. XII e o XVI, este templo conserva uma portada mudéjar intacta, erguida segundo as normas da arquitetura românica, como a incorporação do arco semicircular ou de meio ponto. Por isso, integra o denominado Românico de Ladrillo ou Româncico-Mudéjar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA combinação de estilos da Igreja de San Miguel é visível na outra porta, situada no lado oposto da vista acima, e levantada em época neoclássica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior possui uma nave única, presidida por um magnífico retábulo do arcanjo Miguel e realizado no séc. XVI pelo artista Marcos Pinilla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior, podemos ver também os denominados Passos da Semana Santa, formado em sua maioria por obras barrocas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja Paroquial de Santo Domingo de Silos foi originalmente uma construção mudéjar, mas foi transformada completamente no período renascentista e barroco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi no séc. XVI quando se construiu a porta principal e se realizou a ampliação do interior, formado por 3 naves.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANesta igreja são venerados os restos de San Vitorino, padroeiro de Arévalo, e a imagem da Virgem das Angústias, sua padroeira. No entanto, a obra mais importante sob o ponto de vista artístico, é a imagem de São Francisco de Assis, executada em madeira policromada pelo mais importante escultor barroco espanhol, Gregório Fernández, entre 1625/1630.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe finais do séc. XII e princípios do XIII é a Igreja de San Juan Bautista. Sua particularidade é que se encontra integrada à antiga muralha medieval da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAReformada no período barroco, é a única igreja, além da paroquial, que segue aberta para cultos. No seu interior, apreciamos duas peças excepcionais. Uma das mais importantes obras de toda a cidade é a escultura românica de San Zacarias, do séc. XII.  Além da maestria em sua execução, este santo foi pouco representado na  Arte Românica,daí sua importância.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA outra imagem destacável é a de um Cristo crucificado, realizada no período Gótico (XIV).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma imagem frontal do templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria sobre Arévalo com a Igreja de El Salvador, documentada por primeira vez em 1230. A fachada principal foi reformada no estilo neoclássico (final do séc. XVI), mas conserva sua torre mudéjar, robusta e imponente.

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Arévalo – Cidade Mudéjar

A Arquitetura Mudéjar é, indiscutivelmente, uma das características mais marcantes da cidade de Arévalo. Designamos Arte Mudéjar, especialmente no campo arquitetônico, a um estilo próprio da Península Ibérica desenvolvida nos Reinos Cristãos entre os séculos XII e XVI. O estilo distingue-se pela combinação das correntes artísticas européias da época (Românico e Gótico, principalmente) com os elementos da denominada tradição Hispano-Muçulmana. Seu surgimento foi possibilitado graças à convivência cultural entre povos de origens diversas na Espanha Medieval. O termo Mudéjar se refere à população muçulmana que permaneceu na península durante o Processo de Reconquista. Hábeis construtores, utilizavam para a construção de edifícios, normalmente de função religiosa, um material abundante e barato, o tijolo. Dois deles podem ser vistos na Praça Da Vila de Arévalo, por si só, uma verdadeira preciosidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Praça, historicamente falando, sempre representou o centro da localidade. Trata-se de uma típica praça castelhana porticada, cuja excelente conservação lhe valeu o título de Conjunto Histórico-Artístico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANela, podemos apreciar exemplos da arquitetura popular medieval. As galerias que cumprem a função de suporte das construções estão formadas por 31 colunas de pedra e 25 de madeira.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm cada um de seus extremos, o espaço está delimitado pelas torres mudéjares das Igrejas de Santa Maria e San Martín.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de Santa Maria La Mayor é uma clara amostra do estilo mudéjar. Construída entre os séc. XII/XIII, nela destacam-se o ábside semicircular e a torre, a mais alta da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA parte inferior da torre está composta pelo Arco de Santa Maria, um dos principais acessos a esta belíssima praça.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o processo de restauração do templo, foram encontrados em seu interior restos policromados de Pintura Mural da época em que a igreja foi erguida. A cena retrata uma imagem muito representada durante o período Românico, o denominado Pantocrátor ou Cristo em majestade. Com a mão direita e os dois dedos levantados (significando sua dupla natureza, divina e humana), Cristo bendiz a humanidade, enquanto a esquerda segura uma esfera, símbolo do universo. Ao seu lado, nos quatro ângulos da composição, vemos a representação simbólica dos quatro Apóstolos Evangelistas, denominados Tetramorfos. São eles: São João/Águia, São Marcos/Leão, São Mateus/Homem com Asas e São Lucas/Boi

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de San Martín foi construída em 1250, e se caracteriza por uma mistura estilística que engloba o românico, o mudéjar e o renascimento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja foi reformada nas etapas renascentista e barroca, quando perdeu seu ábside original. Ela é conhecida também pelo nome  “Torres Gêmeas”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa imagem acima, vemos o átrio românico que ainda se conserva, com os característicos Arcos de Meio Ponto. No séc. XX, foi usada como depósito de grãos e logo abandonada. Em 1931, a Igreja de San Martín foi declarada Monumento Nacional e realizou-se um intenso processo de restauração. Atualmente, não realiza cultos, como a Igreja de Santa Maria, e seu espaço interno está dedicado a eventos culturais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntes de finalizar o post, convém salientar que Arévalo sediou recentemente a décima oitava edição da Exposição “As Idades do Homem”. Estas exposições possuem um caráter itinerante e são organizada por uma fundação de caráter religioso, cujo objetivo é a divulgação da riquíssima Arte Sacra da Comunidade de Castilla y León. Na presente edição, a temática abordada foi o Credo.  Iniciada em 1988, a Exposição “Idades do Homem” repercute positivamente em todas as cidades sedes escolhidas, e com Arévalo não foi diferente, tal a quantidade de visitantes que a cidade recebeu durante o evento.