Vale dos Caídos – Segunda Parte

No post anterior, conhecemos um pouco sobre a  Abadia de Santa Cruz, um dos enclaves que constituem o Vale dos Caídos. Hoje, veremos a Basílica, onde estão enterrados Francisco Franco e José Antonio Primo de Rivera, além dos milhares de combatentes que faleceram durante os combates da Guerra Civil. A Igreja de Santa Cruz foi declarada Basílica Menor pelo Papa João XXIII em 1960, e sua construção representou um logro realmente impressionante, pois foi escavada na rocha. (nada menos que 200 mil metros cúbitos de pedra foram removidas da montanha onde se assenta para dar-lhe forma). O projeto do monumento foi realizado pelos arquitetos Pedro Muguruza e Diego Méndez.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAté pouco tempo atrás, no dia 20 de novembro (data em que coincidentemente faleceram tanto Franco quanto Primo de Rivera), o Vale dos Caídos se transformava num ponto de encontro de ultradireitistas seguidores do Franquismo. Existem referências que denunciam a participação de milhares de presos políticos republicanos em sua construção. Desta forma, eles tiveram sua pena diminuída, de acordo com a fórmula: 1 dia de trabalho equivalia a 5 dias de remissão da condenação. No entanto, existem muitas controvérsias a este respeito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASegundo a página Web do próprio local (www.valledeloscaidos.es), a história que contam diz que muitos trabalhadores eram livres e os presos políticos sim que existiram, mas voluntariamente participaram de sua construção, graças ao Sistema Penitenciário Espanhol, que incluía em seus artigos uma  computação da pena por trabalhos realizados. Um patronato cultural recolhia as petições dos voluntários que desejassem uma redução da pena por este meio, além de receber um salário, igual ao dos trabalhadores livres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar dos debates políticos em torno ao monumento, em 2007 a Comissão Constitucional do Congresso aprovou um projeto de lei de “Memória Histórica”, em que consta um parágrafo sobre o Vale dos Caídos. Tal artigo, aprovado por todos os Partidos Políticos, tanto de esquerda, quanto de direita, representa uma norma para despolitizar o local, convertendo-o num local de culto religioso. Assim, em nenhuma parte do recinto está permitido realizar atos de cunho político. Abaixo, vemos o escudo dos Reis Católicos com o lema do General Franco na fachada de um dos muros que formam a Basílica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInfelizmente, o interior da Basílica não pode ser fotografado (norma que inclui todos os monumentos administrados pelo Patrimônio Nacional, como o Escorial, O Palácio de Aranjuez, etc). Para aqueles (as) que desejam conhecer mais a fundo o interior, recomendo a página acima mencionada. Nele, destacam uma imensa porta com a representação de 40 santos, tapetes flamencos do séc. XVI (cuja temática se refere ao Apocalipse de São João) e uma enorme cúpula decorada com mosaico. Além disso, os sepulcros de Franco e José Antonio Primo de Rivera, por sinal ambos bastante simples, e as 8 capelas onde estão enterrados os combatentes. A entrada ao interior está presidida por uma porta de bronze, obra do escultor Fernando Cruz Solés, que nela retratou os 15 mistérios do Rosário.

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