Ocaña – Segunda Parte

A cidade de Ocaña possui dois monumentos que a tornaram conhecida além de sua fronteira. Um deles é a magnífica Praça Maior (caso eu tivesse conhecido a cidade antes, certamente teria incluído a praça nas matérias recentes sobre as Belas Praças de Espanha…).

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe estilo neoclássico, foi edificada no séc. XVIII, durante o reinado de Carlos III. Apresenta uma estrutura fechada e retangular, a modo de claustro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Praça chama a atençao pela organizaçao simétrica da fachada, característica do estilo neoclássico. Por sua importância, foi declarada Bem de Interesse Cultural (B.I.C.).

OLYMPUS DIGITAL CAMERA OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro da praça, se levanta a Casa Consistorial ou Prefeitura, com o relevo do escudo de armas da vila (imagem acima). Abaixo, vemos um cartaz advertindo sobre práticas desporivas, passíveis de puniçao no interior da praça….

 OLYMPUS DIGITAL CAMERAO outro monumento representativo da cidade é uma obra prima da engenharia hidráulica, a Fonte Nova. Trata-se de um colossal projeto arquitetônico de conduçao e captaçao de água.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta enorme fonte foi construída no séc. XVI, devido ao grande aumento populacional verificado nesta época, na cidade. Formada por mais de 500m de galerias, a água é conduzida por uma rede de canais. O projeto foi relizado segundo as características do denominado estilo Herreriano, nome pelo qual se conhecem as obras realizadas por Juan de Herrera, arquiteto real de Felipe II e principal construtor do Monastério do Escorial.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Fonte Grande adquiriu importância histórica nao só pelo arrojo arquitetônico, mas também porque no seu raio de açao desenvolveu-se um verdadeiro polígono industrial, base da economia local. No final do séc. XVI, Ocaña contava com mais de uma centena de moinhos para a fabricaçao de aceite, muitos dos quais se alimentavam com as águas da fonte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fonte situa-se na periferia da cidade, e para levar  água ao povoado, até o séc. XIX existiam os aguadores, pessoas autorizada que realizavam esta funçao. Declarada Monumento Nacional em 1976, a fonte está composta por 20 pilastras realizadas em Ordem Toscano. Atualmente, o complexo é conhecido, merecidamente, como o “Monumento à Agua”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntes que a Fonte Nova fosse construída, a populaçao de Ocaña utilizava outra situada em suas imediaçoes. De fábrica muito mais simples, é conhecida como a Fonte Velha. Construída no séc. XV, é uma das construçoes mais antigas da cidade (imagem abaixo).

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Ocaña – Província de Toledo

A cidade de Ocaña é a porta de entrada a Província de Toledo (Comunidade de Castilla La Mancha) desde a Comunidade de Madrid. Desconhecida para muitos, devido a proximidade com o Real Sítio de Aranjuez, que monopoliza o turismo na regiao, Ocaña possui uma longa história e seu vasto patrimônio lhe possibilitou a declaraçao de Conjunto Histórico-Artístico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANomeada de Nobre, Leal e Coroada, a cidade teve seu período auge na Idade Média, entre os séculos XVI e XVII. Antes, porém, foi propriedade da Ordem de Santiago, a finais do séc. XII. O conjunto urbano da cidade é considerado um dos mais importantes de toda Castilla La Mancha, com belos edifícios, alguns deles decorados com escudos nobiliários.

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OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste outro edifício apresenta uma bela inspiraçao modernista, colaborando para a diversidade estilística no local onde se localiza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos fatos marcantes na história da vila foi que nela residiu a Infanta Isabel, futura rainha, no palácio de um dos cavalheiros de Ocaña, Gutierre de Cárdenas. Este foi uma figura proeminente durante o reinado dos Reis Católicos, quando foi nomeado contador maior do reino e prefeito de Toledo. Com sua ajuda, Isabel decide, em Ocaña, casar-se com Fernando de Aragón. Gutierre de Cárdenas realiza os trâmites do casamento real, redatando suas clausulas. Uma estátua da rainha Isabel La Católica comemora o acontecimento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Palácio de Cárdenas é o principal monumento civil da cidade. Sua construçao foi ordenada pelo próprio Gutierre no séc. XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior é simplesmente maravilhoso. Composto por um pátio retangular formado por 18 pilares de pedra octogonal no estilo mudéjar, o conjunto resultante é deslumbrante.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANos capitéis, vemos o escudo da família Cárdenas e a característica Concha de Santiago, pois o proprietário foi membro desta ordem militar. Este palácio de exterior tipicamente renascentista, está ornamentado com elementos góticos que, combinados com o estilo mudéjar já mencionado, conformam um espaço de rara beleza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo palácio, também foi educado D.Juan de Áustria, filho do monarca Felipe IV. Atualmente, é a sede do Palácio de Justiça de Ocaña. Abaixo, vemos o nível superior do pátio, que comunica com as diversas dependências do recinto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOcaña nos reserva ainda muitas surpresas, que veremos nas próximas matérias….

A Igreja de San Nicolás – Madrid

A Igreja de San Nicolás de Bari situa-se na praça homônima, em pleno centro histórico de Madrid. O templo já era mencionado no Foro de Madrid de 1202 como uma das dez paróquias existentes na época. Com o derrubamento da antiga Igreja de Santa Maria de Almudena, esta igreja passou a ser considerada como a mais antiga da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns historiadores sustentam que a igreja pôde ter sido uma primitiva mesquita na época muçulmana. O grandioso arco de clara inspiração árabe que vemos no interior  poderia ser uma prova que respaldasse esta teoria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO mais provável, porém, é que sua construção date do séc. XII, pois sua torre, declarada Monumento Nacional em 1931, apresenta todas as características de um campanário mudéjar daquele período.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe planta quadrada, a torre foi levantada em tijolo e decorada com os denominados Arcos Cegos. No séc. XVII, foi rematada por uma estrutura barroca. Do mesmo estilo é a portada, esculpida pelo famoso escultor Luis Salvador Carmona, com uma imagem de San Nicolás em sua parte superior (séc. XVIII).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA torre é a única parte que  se conserva da igreja original, já que o templo foi transformado nos séculos posteriores. O interior da igreja foi reformado no séc. XV e no XVII. Nele, vemos um retábulo com a imagem do santo titular, de constituição moderna.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro elemento destacável é uma escultura do Ecce Homo. De acordo com o Evangelho, estas foram as palavras pronunciadas em latim por Pôncio Pilatos, ao apresentar Jesus Cristo à multidão hostil. Traduzidas por “Eis o Homem”, esta imagem foi muito difundida pela iconografia católica ao longo da história.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa cripta da Igreja de San Nicolás está enterrado o arquiteto real de Felipe II, e  responsável pela construção do Monastério do Escorial, Juan de Herrera. As características monumentalidade e sobriedade decorativa de suas obras tornaram-se uma referência do Renascimento Espanhol, e formam a base de um estilo próprio, o Herreriano. Abaixo, vemos uma placa comemorativa no exterior da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, a Igreja de San Nicolás é a Paróquia da Comunidade de Italianos de Madrid, e templo da denominada Confraria dos Servos de Cristo, razão pela qual é chamada também dos Servitas. No portal da igreja, vemos o símbolo da instituição talhado em madeira.

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As Igrejas Mais Antigas de Madrid – Parte 2

Como visto no post anterior, muitas das igrejas existentes durante o período da reconquista de Madrid desapareceram com o crescimento e as reformas urbanas. No entanto, algumas delas permaneceram, e podem ser admiradas atualmente, apesar de  terem sofridos reformas que alteraram seu aspecto original. A Ermita de Santa Maria La Antigua, porém, permaneceu praticamente inalterada, com todos seus elementos arquitetônicos primitivos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua localização periférica, afastada das grandes rotas turísticas, foi um obstáculo para seu conhecimento e valorização. Situa-se no bairro de Carabanchel, que na época da construção do templo era um distrito à parte de Madrid. A igreja foi construída como paróquia do então povoado no séc. XIII, constituindo-se no templo existente mais antigo que se conserva em Madrid. Com o despovoamento verificado na região nos séculos posteriores, a igreja perdeu esta condição no séc. XV e foi convertida numa ermita. Santa Maria La Antigua é considerada um dos templos de arquitetura mudéjar mais relevantes de toda a Comunidade de Madrid. Abaixo, vemos sua esbelta e estreita torre, de 20m de altura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo ábside semicircular, admiramos um vão formado por um arco de ferradura ogival.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA portada, feita inteiramente de tijolo, possui uma disposição levemente adiantada, em relação ao muro da igreja. Infelizmente, foi pichada por indivíduos que parecem não ter algo melhor para fazer….

OLYMPUS DIGITAL CAMERASe consideramos as igrejas sobreviventes construídas na época medieval em pleno centro histórico de Madrid, duas delas podem receber o título das mais antigas da cidade. A primeira delas é a Igreja de San Pedro El Viejo, cuja torre mudéjar é seu elemento arquitetônico mais destacado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo atual foi construído no séc. XIV, mas reformas realizadas ao longo do tempo transformaram o aspecto inicial, como a verificada no séc. XVII, quando alterou-se totalmente sua estrutura externa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de San Pedro é conhecida também por albergar uma imagem muito venerada pelos habitantes de Madrid, a de Jesus El Pobre, esculpida por Juan de Astorga no séc. XVII. Uma das lendas relativas à construção da igreja nos conta que durante a edificação da torre, não conseguiam colocar os sinos no alto da estrutura, pequena para o tamanho dos mesmos. Cansados pelas constantes e inúteis tentativas, os trabalhadores desistiram de sua obrigação, e foram dormir, deixando para o dia seguinte a complicada resolução do problema. Quando despertaram, porém, ficaram atônitos, ao observar que os sinos estavam perfeitamente dispostos e colocados , em seu local natural…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post conheceremos a Igreja de San Nicolás, que ostenta o título de  a mais antiga de Madrid.

As Igrejas Mais Antigas de Madrid

Com o fim das guerras entre muçulmanos e árabes pelo controle de Madrid, a cidade começou a regularizar seu funcionamento urbano. Um fator primordial para que isso pudesse ocorrer foi o Foro da Vila, concedido pelo rei Alfonso VIII em 1202 (o foro é a carta de uma vila, pueblo ou cidade, na qual são regidos o conjunto de leis, normas e privilégios que ostentam). Nesta época, a cidade pouco tinha crescido, desde sua reconquista. Por isso, um dos meios utilizados para seu repovoamento foi a fundação de conventos e monastérios, situados fora do conjunto de muralhas. O primeiro deles foi o Monastério de San Martin, criado como um priorato dependente do influente Monastério de Santo Domingo de Silos. Inicialmente, sua vida transcorreu de forma independente da vila de Madrid, e seu abade detinha a jurisdição civil, criminal e eclesiástica sobre os habitantes e as terras que pertenciam ao monastério. O primeiro documento que o menciona data de 1126, quando o então rei Alfonso VII concede ao priorato o direito de repovoar o arrabal (bairro) de San Martin. Somente no séc. XV o monastério foi integrado ao Conselho de Madrid, convertendo-se numa das paróquias da cidade. Tanto a igreja, quanto o convento, desapareceram completamente com a eclosão da Guerra da Independência, entre o exército espanhol e as tropas de Napoleão no início do séc. XIX. Abaixo, vemos um gravado com o monastério situado no lado esquerdo da imagem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO segundo monastério construído em Madrid foi o de São Francisco que, segundo a tradição, foi fundado pelo próprio São Francisco de Assis em 1217. No séc. XVIII, foi derrubado para a edificação da Basílica de São Francisco El Grande (matéria publicada em 12 e 13/2/2013), cuja imagem vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém desaparecido, o Monastério de Santo Domingo foi o terceiro em ser construído. Além destas instituições religiosas, no Foro de Madrid se menciona a existência de 10 paróquias, algumas das quais sobreviveram até hoje, embora com um aspecto diferente do original. Uma delas é a Paróquia de San Andrés (post de 23/4/2013).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, acredita-se que o templo pôde ter sido edificado sobre uma primitiva igreja católica da Madrid árabe. Este templo adquiriu importância, porque nele encontrou sepulcro o padroeiro da cidade, San Isidro. A igreja foi muito danificada pelos destroços produzidos durante a Guerra Civil Espanhola, e teve que ser praticamente reconstruída.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma dos templos mais antigos de Madrid foi a Igreja de San Juan Bautista, situada na atual Praça de Ramales.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída no séc. XIII, foi derrubada por José I (irmão de Napoleão) entre 1810 e 1811 para a ampliação da praça onde se situava, deixando uma via livre de comunicação entre o Palácio Real e a Porta do Sol. Na foto acima, observamos uns bancos feitos de granito que à primeira vista não parecem outra coisa. Na realidade, os bancos simulam o formato que possuía a antiga igreja e sua exata localização. No subsolo da praça, foram encontrados os restos arqueológicos da antiga igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja aparecia no foro de 1202, e um dos aspectos mais interessantes de sua história é que nela foi sepultado o pintor Diego Velázquez, cujos restos se perderam quando a igreja foi derrubada.

A Virgem de Almudena

Depois da reconquista, uma das primeiras medidas adotadas foi a purificação e consagração da antiga mesquita árabe ao culto cristão. O normal era consagrar o templo principal a Nossa Senhora, protetora da reconquista. No caso de Madrid, o achado milagroso de uma imagem da Virgem Maria contribuiu para  a sua veneração  na então convertida Igreja de Santa Maria de Almudena. Este templo, o mais antigo da cidade, existiu até finais do séc. XIX, quando foi derrubada para a realização de reformas urbanas na Calle Mayor e de Bailén. Em 1998, 130 anos depois de seu desaparecimento, foram descobertas suas ruínas, que hoje podem ser parcialmente vistas no começo da Calle Mayor, ao lado da estátua conhecida como “O Vecino Curioso” (a infeliz ideia de colocar-se uma placa de vidro dificulta sua visualização…).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAGraças às fontes documentais, se conhece o aspecto que possuía a igreja, e uma maquete situada no interior do Museu das Origens de Madrid nos permite contemplá-la.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA história da Virgem de Almudena está envolta em lendas. Segundo nos conta a tradição, em 712 dC, ante a iminente invasão árabe, uma imagem da Virgem com o menino Jesus foi escondida dentro da muralha, para que não caísse em mãos do inimigo. Quando Alfonso VI reconquista a cidade em 1083, promete à população reencontrá-la, caso conseguisse tomar Toledo dos muçulmanos. Abaixo, vemos uma foto da cidade castelhana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntes, porém, ordenou que fosse pintada uma imagem da Virgem para que pudesse ser venerada, e colocada na Igreja de Santa Maria de Almudena. A imagem permaneceu no templo até que foi derrubada em 1868. Atualmente, podemos ver uma imagem, conhecida como a “Virgem da Flor de Lis” na cripta da atual Catedral de Almudena. Dita imagem foi descoberta em 1623, e apesar da falta de provas, pode ser a imagem que Alfonso VI mandou pintar em honra à Virgem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois do regresso vitorioso de Toledo, Alfonso VI cumpriu sua promessa e organizou uma procissão, encabeçada por ele, pelo Arçobispo de Toledo e também por El Cid, para encontrar a Virgem. Era 9 de novembro de 1085, e a procissão transcorria pela Almudena ou Almudaina, o recinto fortificado da vila. Quando caminhavam pela antiga muralha árabe, um dos cubos que a formavam caiu, aparecendo, então, a  imagem da Virgem com dois candelabros acesos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA imagem foi levada à cristianizada Igreja de Santa Maria e colocada no Altar Maior. Foi batizada com o nome de Santa Maria de Almudena, por ter sido encontrada na antiga cidadela. Alfonso VI outorgou-lhe o título de realeza, e desde então é denominada como a Virgem de Santa Maria La Real de La Almudena, padroeira de Madrid. A data das festividades em honra à Virgem se celebra no dia 9 de novembro, dia de seu achado milagroso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Catedral de Almudena acolhe a imagem atual da Virgem, muito venerada pelos madrilenhos. De estilo gótico, foi talhada em madeira dourada e policromada a finais do séc. XV e princípio do séc. XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Virgem aparece com a túnica vermelha e o manto azul, segurando nos braços o menino Jesus. Repousa num trono de prata barroco, presente concedido à cidade pelo Rei Felipe IV, em 1640. Abaixo, vemos uma foto da catedral, consagrada à Virgem de Almudena.

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A Reconquista de Madrid

Com a desaparição do Califato de Córdoba em 1031, devido a uma série de guerras civis motivadas pelo controle do poder, a Espanha Árabe se debilita com a formação dos fragmentados Reinos de Taifas, favorecendo o avance cristão. Deste modo, Madrid cai em poder do rei de Castilla y León Alfonso VI, provavelmente em 1083, um pouco antes da conquista de Toledo, efetuada dois anos depois.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASob domínio cristão, a cidade conserva seu caráter militar ao menos durante um século mais. Evidentemente, sofreu novos ataques árabes, que tentavam recuperá-la, como o acontecido em 1091, quando o mouro Ben Alí ergueu um acampamento aos pés da mítica fortaleza árabe, então transformado no Alcázar dos Reis Cristãos. Este local passaria à história como o Campo do Mouro, atualmente um jardim situado atrás do Palácio Real (matéria do post publicado em 26/2/2013).

OLYMPUS DIGITAL CAMERADevido a estas séries de ataques,  foi erguido um novo sistema de muralhas, cuja fábrica não era da mesma qualidade do anterior sistema defensivo árabe. No entanto, era robusta e estava composta por torres circulares, ao contrário da anterior, de torres quadradas. No mapa abaixo, vemos a ampliação desta nova muralha (em amarelo), e a antiga muralha árabe (na cor branca), que seguia existindo na época da reconquista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste novo recinto de muralhas estava formado por várias portas, entre as quais mencionamos a de Guadalajara, situada onde atualmente se encontra a Calle Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOu então a denominada Porta dos Mouros, situada onde hoje se ergue a praça da Igreja de San Andrés.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o ataque de Ben Alí, as muralhas sofreram danos, a cidade foi assediada, mas uma peste espalhou-se pelas tropas árabes, que se viram obrigadas a retirar-se e desistir do projeto de conquistar novamente Madrid. Com a vitória dos exércitos cristãos (formados por tropas castelhanas, navarras e aragonesas), na famosa Batalha de Las Navas de Tolosa em 1212 contra o invasor árabe, Madrid nunca mais  voltou a ser muçulmana. Graças ao eficiente sistema de irrigação e abastecimento de água criado pelos árabes, durante o período cristão se multiplicaram os espaços destinados ao cultivo de oliva e uva, principalmente. O mercado principal, onde se vendia gado, cereais, etc, situava-se na atual Plaza de la Paja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMadrid, depois de reconquistada, foi repovoada por habitantes originários do norte do país, que trouxeram seus costumes e crenças. Normalmente, os novos bairros (arrabales) surgiam ao redor de uma paróquia, que além do culto, eram utilizadas também como local de registro civil e também para representações teatrais. Uma parte da antiga população árabe permaneceu na cidade (os conhecidos mudéjares), e habitavam a denominada Moreria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos destes habitantes de origem árabe se dedicavam à construção, propiciando que durante muito tempo houvessem elementos árabes nos edifícios civis e religiosos, originando o estilo, adotado principalmente na arquitetura, denominado Mudéjar.  Esta simbiose entre as comunidades cristas e muçulmanas fez com que surgissem as primeiras paróquias de Madrid, realizadas no estilo mudéjar, que em breve veremos no blog…