Os Comércios Históricos de Madrid – Parte 4

Hoje veremos mais alguns Comércios Históricos de Madrid, todos eles situados próximos à Porta do Sol. Uma das últimas fábricas remanescentes do comércio de luvas (guantes, em espanhol) é a denominada Casa Carlos Luque. O estabelecimento é um negócio familiar fundado em 1888.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA casa Carlos Luque fabrica todos os tipos de luvas imagináveis, destacando a variedade de estilos e materiais de confecção, seguindo a forma artesanal. No seu interior, algo desordenado, podemos confirmar o dito acima. Nos anos 30 do século XX, a organização do Miss Espanha completou os vestidos das candidatas com sofisticadas luvas, produzidas por Luque.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe 1867 é a casa Sobrinos de Pérez, especializadas em artigos religiosos. Inicialmente, foi aberta para o comércio têxtil, com uma seção de tecidos religiosos. Fundada pelos riojanos Basilio e Leoncio Pérez, o estabelecimento aparece citado na novela Fortunata e Jacinta, de Benito Pérez Galdós. Atualmente, o negócio pertence à quinta geração familiar, e a propriedade do imóvel passou sempre dos tios aos sobrinhos ou primos, daí sua denominação.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a placa comemorativa de Comércio Centenário, oferecido pela Prefeitura de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA chamada Capa Espanhola era o abrigo de uso comum para boa parte da população masculina do país até o princípio do séc. XX. Apesar de sua eminente  desaparição, um comerciante chamado Santos Seseña decidiu continuar fabricando as capas, como algo representativo e pleno de significado no tocante a moda do país. Dessa forma, fundou a Casa Seseña, especializada neste tipo de vestimenta, em 1901.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACriando modelos acordes com o novo tempo, mas sem abandonar o estilo clássico, a loja em seus mais de 100 anos vendeu capas para o mundo inteiro, e segue sendo propriedade da mesma família do fundador. Um episódio curioso envolvendo a utilização de capas ocorreu em 1766, durante o reinado de Carlos III, e ficou conhecido como o Motim de Esquilache.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsquilache era o nome do ministro de total confiança do rei Carlos III. Na época, a capital do reino e sede da corte ostentava a péssima condição de uma cidade suja, insalubre e violenta. O ministro propôs, então, um programa de modernização de Madrid, incluindo sua limpeza, pavimentação das ruas e a construção de fossas, além da criação de alamedas e jardins. Entre tais medidas incluiu, no entanto, uma que tornou-se muito impopular, a proibição de utilizar capas e um tipo de chapéu, denominado Chambergo. O argumento usado foi que a vestimenta tradicional permitia o anonimato, além da facilidade para esconder armas, enquanto o chapéu possibilitava seus usuários ocultar sua identidade, fomentando as desordens e a delinquência. A medida foi vista como uma imposição  de uma moda de procedência estrangeira, já que o ministro era de origem italiana. A gota da água para o descontento popular foi o aumento dos preços dos alimentos de primeira necessidade, produzindo uma situação geral de fome nas classes populares, naquele tempo maioria esmagadora da população. Carlos III, pressionado pelos cidadãos, destituiu o ministro, que voltou para a Itália. Ainda hoje, é possível ver, principalmente nos pueblos, o costume na utilização das capas. Na foto que segue, vemos um detalhe decorativo da Casa Seseña.

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2 comentários Adicione o seu

  1. joão Antonio disse:

    estou indo a madri,e gostaria de um guia,quem puder me incar um,fico grato.

    1. resposta enviada ao seu e-mail.

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