A Reconquista de Madrid

Com a desaparição do Califato de Córdoba em 1031, devido a uma série de guerras civis motivadas pelo controle do poder, a Espanha Árabe se debilita com a formação dos fragmentados Reinos de Taifas, favorecendo o avance cristão. Deste modo, Madrid cai em poder do rei de Castilla y León Alfonso VI, provavelmente em 1083, um pouco antes da conquista de Toledo, efetuada dois anos depois.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASob domínio cristão, a cidade conserva seu caráter militar ao menos durante um século mais. Evidentemente, sofreu novos ataques árabes, que tentavam recuperá-la, como o acontecido em 1091, quando o mouro Ben Alí ergueu um acampamento aos pés da mítica fortaleza árabe, então transformado no Alcázar dos Reis Cristãos. Este local passaria à história como o Campo do Mouro, atualmente um jardim situado atrás do Palácio Real (matéria do post publicado em 26/2/2013).

OLYMPUS DIGITAL CAMERADevido a estas séries de ataques,  foi erguido um novo sistema de muralhas, cuja fábrica não era da mesma qualidade do anterior sistema defensivo árabe. No entanto, era robusta e estava composta por torres circulares, ao contrário da anterior, de torres quadradas. No mapa abaixo, vemos a ampliação desta nova muralha (em amarelo), e a antiga muralha árabe (na cor branca), que seguia existindo na época da reconquista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste novo recinto de muralhas estava formado por várias portas, entre as quais mencionamos a de Guadalajara, situada onde atualmente se encontra a Calle Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOu então a denominada Porta dos Mouros, situada onde hoje se ergue a praça da Igreja de San Andrés.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o ataque de Ben Alí, as muralhas sofreram danos, a cidade foi assediada, mas uma peste espalhou-se pelas tropas árabes, que se viram obrigadas a retirar-se e desistir do projeto de conquistar novamente Madrid. Com a vitória dos exércitos cristãos (formados por tropas castelhanas, navarras e aragonesas), na famosa Batalha de Las Navas de Tolosa em 1212 contra o invasor árabe, Madrid nunca mais  voltou a ser muçulmana. Graças ao eficiente sistema de irrigação e abastecimento de água criado pelos árabes, durante o período cristão se multiplicaram os espaços destinados ao cultivo de oliva e uva, principalmente. O mercado principal, onde se vendia gado, cereais, etc, situava-se na atual Plaza de la Paja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMadrid, depois de reconquistada, foi repovoada por habitantes originários do norte do país, que trouxeram seus costumes e crenças. Normalmente, os novos bairros (arrabales) surgiam ao redor de uma paróquia, que além do culto, eram utilizadas também como local de registro civil e também para representações teatrais. Uma parte da antiga população árabe permaneceu na cidade (os conhecidos mudéjares), e habitavam a denominada Moreria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos destes habitantes de origem árabe se dedicavam à construção, propiciando que durante muito tempo houvessem elementos árabes nos edifícios civis e religiosos, originando o estilo, adotado principalmente na arquitetura, denominado Mudéjar.  Esta simbiose entre as comunidades cristas e muçulmanas fez com que surgissem as primeiras paróquias de Madrid, realizadas no estilo mudéjar, que em breve veremos no blog…