Palácio de Goyeneche – Madrid

“Se eu tivesse dois vassalos como Juan de Goyeneche, Espanha rapidamente nao dependeria dos países estramgeiros. Ao contrário, estes passariam a depender de Espanha”. Esta frase, dita pelo rei Felipe V, revela a importância deste personagem no início do processo industrial do país, que culminou com a fundaçao de Nuevo Baztán, que vimos no post anterior. Desde jovem, Goyeneche iniciou sua formaçao humanística, primeiro no famoso Colégio Imperial dos Jesuítas de Madrid. Sua capacidade e as boas relaçoes que manteve com a aristocracia lhe proporcionaram um lugar privilegiado na corte, sendo nomeado tesoureiro das esposas de Carlos II e Felipe V,  chegando a ser Conselheiro de Finanças do reino em 1738. Seu caráter empreendedor o leva a fundar a Congregaçao de San Fermín de los Navarros, para render culto ao santo padroeiro e que realizasse também trabalhos assistenciais. Depois, se torna o primeiro empresário jornalista do país, ao imprimir o jornal A Gazeta de Madrid. Abaixo, vemos um monumento realizado em sua homenagem, situado em Nuevo Baztán.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm Madrid, Juan de Goyeneche ordena a construçao de dois palácios, que em momentos distintos lhe servem de residência para ele e sua família. O local escolhido para o primeiro deles foi a Calle de Alcalá, uma das artérias principais da cidade na época e a mais larga de Madrid, a única que permitia o adequado tráfico de carruagens e mercadorias. O palácio foi construído por seu arquiteto favorito, José Benito de Churriguera, que também foi o projetista de Nuevo Baztán.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a construçao do edifício, José Benito falece, e a construçao foi finalizada pelo seu irmao, Alberto. O palácio alcançou dimensoes tao consideráveis que logo foi arrendado pela Fazenda Pública como local de armazenamneto de tabacos e outras mercadorias de monopólio estatal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAcima, vemos uma imagem de um dos três pátios existentes na construçao original, dotando o interior de luz necessária. O interior é solene e grandioso, sendo que o vestíbulo está formado por duas escadas simétricas, proporcionado uma grande amplitude visual.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERARealmente, os arquitetos do barroco eram verdadeiros magos da perspectiva. É curioso observar que um local repleto de obras de arte foi um depósito de tabacos que procediam da Fábrica de Tabacos de Sevilha, onde se elaborava o produto a partir das plantas cultivadas em Cuba. E Goyeneche casou com María de la Cruz Acedo, uma cubana de nascimento…

DSC08488Quando Goyeneche falece, seu filho herda o palácio, destinado-o ao Real Gabinete de História Natural.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o reinado de Carlos III, o Palácio de Goyenehe passou a ser a sede da Real Academia de Bellas Artes de San Fernando, uma das instituiçoes culturais mais importantes da história do país (cuja história será o tema do próximo post).

DSC08542DSC08485No ano seguinte, o palácio foi remodelado para adaptar-se à nova funçao de instituiçao, e o arquiteto Diego de Villanueva suprime os adornos barrocos da fachada, realizados por Churriguera. O antigo Palácio de Goyeneche foi declarado Monumento Nacional em 1971.Quando o palácio deixou de ser sua residência, Goyeneche adquire um segundo palácio, situado na Calle del Príncipe. Com a morte de José Benito de Churriguera em 1725, encarregou a reforma do mesmo a Pedro de Ribera, continuador do estilo barroco que os irmaos Churriguera haviam inaugurado nao só no país, como também pelo continente americano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAcima, vemos a inconfundível portada que leva o “selo” de Pedro de Ribera. Goyeneche falece neste palácio em 1744 e sua esposa nele continua vivendo até sua morte. Atualmente, é a sede da Câmara de Comércio e Indústria de Madrid.