Museu da Real Academia de San Fernando – Pintores Estrangeiros

O Museu da Real Academia de Belas Artes de San Fernando conta com uma excepcional coleçao pictórica,  composta de aproximadamente 1400 obras. No post de hoje, conheceremos algumas das pinturas realizadas por autores estrangeiros, ou seja, nao espanhóis. Começaremos com o menos “estrangeiro” deles, Domenikos Theotokopoulos (Creta-1541/Toledo-1614),  mais conhecido pelo apelido de “El Greco”. Digo isso, porque apesar de ter nascido em Creta, El Greco esteve intimamente relacionado a Toledo, cidade em que realizou suas obras mais conhecidas e onde  atingiu sua madurez artística. Neste quadro pintado em 1600, retrata a San Jerônimo, um dos quatro doutores da Igreja Católica. O santo retirou-se à vida penitente no deserto durante dois anos. No quadro, aparece seminu numa gruta meditando diante da caveira e do crucufixo. Os livros sao uma referência à sua grande obra religiosa, a traduçao da Bíblia ao latim. Na Contrareforma, sua figura incitava os fiéis a uma vida penitente e lhes servia de modelo.

DSC08558A Pintura Flamenca está representada por Peter Paul Rubens (Siegen-1577/Amberes-1640). Artista inserido dentro do contexto do barroco, foi também colecionador e diplomata. Artista prolífico, suas obras foram encomendadas por várias cortes européias, inclusive a espanhola, e abarcam desde a pintura religiosa, os temas mitológicos, retratos, paisagens e cenas de caça. Seu estilo exuberante enfatiza o movimento, a cor e a sensualidade. Suas principais influências procediam da antiguidade clássica. Um de seus principais clientes foi o rei Felipe IV, que lhe encarregou numerosas obras para a decoraçao dos Palácios Reais. Aliás, o monarca espanhol constitui a principal razao para que o Museu do Prado seja a pinacoteca com a maior quantidade de quadros de Rubens de todo o mundo, com aproximadamente 90 obras. Abaixo, vemos o quadro intitulado “Santo Agostinho entre Cristo e a Virgem”, pintado em 1615. Este motivo temático surgiu na Contrareforma, e procede, talvez, da passagem de um evangelho apócrifo em que o santo expressa seu amor por Cristo e a Virgem Maria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro pintor universal, também flamenco, foi Anthon Van Dyck (Amberes-1599/Londres-1641). Conhecido por seus famosos retratos, pintou também temas bíblicos e mitológicos. Foi aluno e assistente de Rubens, do qual assimilou o estilo e a técnica. Faleceu com apenas 42 anos, e foi sepultado  na Catedral de San Paul, de Londres. Abaixo, vemos o quadro exposto no Museu da Academia de San Fernando intitulado “A Virgem e o Menino Jesus com os pecadores”. A obra pertence à fase italiana de Van Dyck (1621/1627) e mostra a influência de mestres como Ticiano. Desde o Concílio de Trento, a penitência, o perdao e o arrependimento sao uma constante na literatura e na arte da Contrareforma.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADa Pintura Italiana provém uma das jóias do museu, o único quadro de Giuseppe Arcimboldo (Milao-1527/1593) existente no país, denominado “La Primavera”. O quadro foi pintado em 1563 e se desconhece em qual circunstância chegou à Espanha, provavelmente no séc. XVIII como um presente para os reis da dinastia borbônica. Formava parte de um conjunto sobre as quatro estaçoes, na realidade uma alegoria do poder imperial de Maximiliano II.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntonio Joli (Módena-1700/Nápoles-1777) viveu em Madrid entre 1749 e 1754, e realizou várias obras para o rei Fernando VI. Interessantíssimos sao seus quadros retratando a Madrid de sua época, como o quadro abaixo, chamado “Vista de la Calle de Alcalá”. O quadro é um verdadeiro tesouro de informaçoes sobre a cidade na época barroca e, principalmente, de uma de suas ruas mais famosas e importantes. De fato, o barroco unifica e monopoliza o aspecto urbano, com inúmeras cúpulas e torres. A paisagem descrita representa a Calle de Alcalá por volta de 1750. Observa-se, no fundo à esquerda, a antiga Praça de Touros de Madrid, hoje desaparecida. Também no lado esquerdo, a Igreja de San José,  que recentemente foi a matéria de um post.

DSC08546Pintor e teórico neoclássico, Anton Raphael Mengs (Aussig, Bohemia-1728/Roma-1779) foi considerado um dos artistas mais completos de seu tempo. Suas obras caracterizavam-se pela exatidao do desenho e a maestria das texturas. Nos retratos, destacava-se pela observaçao atenta do caráter. A seguir, vemos o retrato feito em homenagem ao seu amigo Louis Silvestre, diretor da Academia de Dresde. Atualmente, seus retratos estao entre suas obras mais valorizadas.

DSC08547O francês Louis-Michel Van Loo (Tolón-1707/Paris-1771) chegou em 1737 à Madrid como pintor de Felipe V e em 1744 foi nomeado primeiro pintor de câmara do monarca. Durante a época da fundaçao da Academia de Belas Artes, realizou um quadro para que servisse de modelo aos alunos, denominado “Vênus, Mercurio e o Amor”. A obra enfatizava a missao pedagógica da recém fundada instituiçao, constituindo uma alegoria,  salientando que o exercício contínuo (simbolizado por Mercurio) e a busca da beleza e da perfeiçao (simbolizada por Vênus), deveriam ser as metas a alcançar pelos jovens artistas. A obra foi doada pelo próprio artista ao museu.

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