Igreja de San Ginés – Madrid

Na Calle del Arenal encontra-se um dos templos mais antigos de Madrid, a Igreja de San Ginés. Nao se sabe exatamente qual sua origem, mas já existia no séc. XII, sendo frequentemente visitada pelo santo padroeiro de Madrid, San Isidro. As primeiras referências datam de 1358, através de uma bula papal de Inocêncio VI, na qual concedia indulgências aos fiéis que realizassem doaçoes para a igreja. Na fachada lateral neoclássica do templo, vemos um relevo com o escudo do Papa Inocêncio VI.

DSC09326O titular da paróquia, San Ginés de Arlés, foi um santo francês nascido em data desconhecida e decapitado no início do séc. IV, sendo considerado o padroeiro dos notários, escrivaos e secretários. A igreja que vemos atualmente pouco se parece com o templo original, devido às muitas reformas realizadas e a sua dilatada história. Em 1641, por ex., foi parcialmente derrubada e reconstruída 4 anos depois. Sofreu três incêndios, em 1724, 1756 e 1824. Entre 1870 e 1872, a prefeitura ordenou a remodelaçao da fachada que dá para a Calle del Arenal, mudando por completo o estilo anterior, quando se constrói o átrio que vemos atualmente.

DSC09328Abaixo, vemos a Calle del Arenal, desde o átrio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Guerra Civil Espanhola, a Igreja de San Ginés permaneceu fechada ao público, quando converteu-se num quartel militar republicano, sofrendo o impacto de vários disparos. Entre 1956 e 1964 foi realizada a última intervençao no templo, e a fachada exterior foi totalmente transformada, adquirindo o aspecto que tinha no séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante as reformas, foi mantida a torre, feita de tijolo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO antigo cemitério de San Ginés situava-se no patio de entrada do átrio. Debaixo dele, existe um poço com 9m de profundidade, que funcionava como crematório na época da Inquisiçao, e também onde eram enterrados os enforcados na Praça Maior. O interior está repleto de obras de arte, inclusive com um quadro de El Greco, situado na Capela do Santíssimo Sacramento, de grande veneraçao e que serviu de paróquia durante as reformas realizadas depois do incêndio de 1824. A atual decoraçao interior foi realizada pelo arquiteto Juan de Villanueva, encarregado pela Real Academia de San Fernando depois do referido incêndio. Abaixo, vemos algumas imagens das capelas do interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADSC09330Acima, vemos a chamada Virgen de la Cabeza, uma talha do séc. XX, pois a original do séc. XII foi destruída no incêndio de 1824. Abaixo, vemos uma belíssima escultura de Cristo caído com a cruz, obra de Nicolo Fumo, que a realizou em 1698.

DSC09333Também queimado no incêndio de 1824 foi o Retábulo Maior, que representava o Martírio de San Ginés, realizado por Francisco Ricci. Foi refeito pelo artista José de San Martin. No entanto, existem estudiosos que afirmam que o retábulo é o original de Ricci, que pôde ser salvo das chamas. Duvidas à parte, o Retábulo é muito bonito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa Igreja de San Ginés casou-se o famoso escritor Lope de Vega e foi batizado  Francisco de Quevedo, dois “gigantes” da Literatura Espanhola, como informa uma placa situada no átrio.

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