Toledo Islâmica

A conquista do Reino Visigodo pelos muçulmanos do Califato Omeya (cuja capital era Damasco, o segundo dos 4 principais califatos islâmicos estabelecidos depois da morte de Maomé) foi um processo extremamente rápido. Em aproximadamente 15 anos (existem dúvidas a este respeito) os muçulmanos do norte da África e do Oriente Médio conquistaram quase todo o território atualmente conhecido como Espanha e Portugal. Tal expansao iniciou-se em 711 dC, quando Rodrigo, o último rei visigodo, foi derrotado pelos árabes na Batalha de Guadalete, provocando o desmoronamento do antigo reino e instalando um período de dominaçao muçulmana de quase 8 séculos (o ultimo reduto árabe, Granada, foi reconquistado pelos Reis Católicos, somente em 1492). A conquista foi facilitada por vários aspectos, entre os quais a diminuiçao populacional, ocasionada pela fome, seca prolongada e as pestes. Também devido à segregaçao do próprio Reino Visigodo, vítima de intrigas internas sucessórias e disputas pelo poder. Os muçulmanos contaram com o apoio dos judeus, constantemente castigados pela legislaçao visigoda. Toledo foi submetida sem oferecer resistência, iniciando um período de 374 anos em que esteve sob o domínio islâmico (até 1085, quando a cidade é reconquistada pelo rei de Castilla y León, Alfonso VI). O legado muçulmano de Toledo foi profundo e amplamente visível hoje em dia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar de perder a capitalidade que detinha durante o Reino Visigodo, Toledo converteu-se na principal cidade árabe do centro da península, graças a sua posiçao estratégica, mantendo seu prestígio e vitalidade econômica. Quando chegaram à cidade, os árabes a nomearam “Cidade dos Reis”. Com a denominaçao de Tulaytulah, a cidade tranasformou-se num grande centro de artesanato e fabricaçao de armas, cuja tradiçao perdura até hoje.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALogo depois da conquista, os árabes reformam as antigas muralhas romanas e visigodas que cercavam Toledo, e muitas das portas que atualmente contemplamos sao originárias do período muçulmano, como a Antiga Porta de Bisagra, construída durante o segundo período da dominaçao islâmica, o Califato de Córdoba, quando a Al Àndaluz se torna independente política e religiosamente (séc. X).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstas obras se adequavam à nova funçao militar que Toledo deveria assumir como importante cidade de fronteira do recém criado estado islâmico. Abaixo, vemos a Porta de Alcântara, situada em frente à ponte homônima, cujo propósito era de defender o acesso a esta parte da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo visto durante o período romano, os Banhos durante a época muçulmana também desempenhavam uma funçao social fundamental. Se conservam atualmente vários deles (em distintos graus de conservaçao) como os denominados Banhos de Tenerías, descobertos durante escavaçoes realizadas entre 1988 e 1989.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASituados na margem direita do Rio Tajo, estavam compostos pelas salas de repouso, de água fria, temperada e quente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAToledo chegou a possuir cerca de 10 mesquitas e uma populaçao de 40 mil habitantes, uma enormidade para a época. Abaixo, vemos a Igreja de El Salvador, levantada sobre uma mesquita. Sua torre, antigo minarete, é provavelmente a mais antiga da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Alcázar, uma das imagens mais representativas do perfil de Toledo, desde qualquer ângulo de observaçao, na época árabe constituia um edifício de caráter militar que integrava o sistema defensivo. Abaixo, vemos uma foto sua, junto com a Catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA influência árabe pode ser observada em vários aspectos da vida diária, como no próprio idioma espanhol (muitas palavras de origem árabe, como o próprio alcázar), na gastronomia, no urbanismo e na arquitetura. Abaixo, alguns edifícios de Toledo.

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Uma resposta em “Toledo Islâmica

  1. O alcázar de Toledo foi, durante a guerra civil espanhola, reduto das tropas fiéis ao generalíssimo Franco que durante meses defenderam essa fortaleza do ataque dos republicanos. Os defensores chegaram a comer a carne dos próprios cavalos e não se renderam sendo salvos pelas tropas monarquistas que vieram em seu auxílio.

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