A Juderia de Segóvia – Parte 2

Nao se conhece nenhum censo medieval que quantificasse a populaçao de judeus na cidade de Segóvia. A Juderia Segoviana pagava seus impostos de maneira coletiva, dificultando o conhecimento de quantas pessoas a habitava. No entanto, se sabe que a finais do séc. XV contava com aproximadamente centenas de famílias, um número importante para a época.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo longo da Idade Média, os judeus de Segóvia atuavam em três grandes âmbitos profissionais: aqueles dedicados às finanças (arrecadaçao de impostos, fiadores e emprestadores), os comerciantes e os que trabalhavam com o artesanato (mais numerosos). Além do mais, eram muito respeitados os judeus de profissao liberal, principalmente os médicos. A grande maioria deles tem uma historia desconhecida, e nem sequer sabemos seus nomes. Apenas os mais importantes tiveram seus nomes citados em documentos, como é o caso de Abrahan Seneor, o personagem mais destacado da Juderia de Segóvia. Seu ascenso social produziu-se na época dos Reis Católicos, agradecidos pelo apoio prestado por ele na consolidaçao da rainha Isabel I ao trono. A partir deste momento, sua carreira pública se dividiu entre os serviços prestados aos reis, a quem serviu com honestidade e eficiência, e a atividade política e jurídica desempenhada junto à comunidade judaica castelhana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1488, foi nomeado Tesoureiro Maior, o cargo fiscal mais importante do reino, e Juiz Maior das Juderias, cargo que ocupou até a expulsao dos judeus em 1492. Depois de sua  inesperada conversao, recebeu outros diversos cargos de importância. Abrahan Seneor possuía uma das casas mais luxuosas do bairro, e atualmente sedia o Centro Didático da Juderia de Segóvia, um centro cultural que mostra de forma permanente o legado da cultura judaica na cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo entrar no centro, podemos admirar o belo pátio interior, típico das classes nobres da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPodemos conhecer diversos objetos relacionados à comunidade judaica, como este exemplar de uma Bíblia Portuguesa do séc. XIII, na realidade um fragmento do Livro do Êxodo, que narra a fuga dos hebreus do Egito, e normalmente lidos nas cerimônias religiosas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOu entao este traje típico de um noivo sefardí, como sao conhecidos os judeus que viveram na Espanha naquela época.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Centro Didático da Judería é uma excelente opçao para todos aqueles que desejem aprofundar-se no conhecimento da história dos judeus , em particular da cidade de Segóvia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs Sinagogas, além de uma referência como local de oraçao e de formaçao doutrinal, eram consideradas também um centro da vida social e local de reunioes. Durante a presença judaica na cidade, existiram 5 sinagogas, que nao coincidiram como tal ao longo dos séculos de existência do bairro judeu. A denominada Sinagoga Maior era a mais importante, e sua data de construçao é desconhecida. Sua primeira mençao data de 1373, e no começo do séc. XV foi expropriada e consagrada como a Igreja do Corpus Christi.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma foto do interior da antiga sinagoga.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, uma imagem da fachada sul da sinagoga, situada junto à muralha da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA denominada Segunda Juderia de Segóvia, instituída pelos Reis Católicos, era quatro vezes maior que a primeira, e seu recinto era acessível por 8 portas situadas estratégicamente. A Porta de San Andrés era a principal. Além dela, existiam os chamados Postigos, portas menores que facilitavam o trânsito de pessoas, como o Postigo do Sol, também conhecido como da Juderia. Abaixo, vemos ambas portas de acesso ao bairro judeu, que se conservam atualmente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos principais pontos de encontro era a praça que se abria no interior da Porta de San Andrés, hoje em dia conhecida como Praça do Socorro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA juderia possuia todas as dependências de uso comunitário para satisfazer suas necessidades básicas, como hospitais, escolas, etc. Abaixo, vemos no lado esquerdo da foto a antiga carniceria (açougue), documentada já em 1287,  e situada próxima à muralha para facilitar a evacuaçao dos restos dos animais para fora das mesmas. No séc. XV, transformou-se no matadouro da cidade, funçao que exerceu até princípios do séc. XX. Atualmente abriga o Museu de Segóvia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPassear pela Juderia de Segóvia nos permite conhecer a própria história do povo judeu, e apreciar belos recantos, disfrutando de sua cultura e também de sua gastronomia nos diversos restaurantes que oferecem deliciosos pratos típicos.

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