Bílbilis Romana

A pouca distância de Calatayud se encontram os restos do antigo povoado de Bílbilis, o mais antigo assentamento humano da região. Infelizmente não tive a oportunidade de conhecer pessoalmente este sítio arqueológico de fundamental importância relativa ao passado ibérico e sua subsequente dominação romana. No entanto, no Museu de Calatayud, que também funciona como Oficina de Turismo, situado no local onde antes se erguia um antigo Convento Carmelita do séc. XVI, uma exposição permanente me permitiu conhecer os restos arqueológicos encontrados nas ruínas e compreender seu passado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente, Bílbilis era um povoado celtíbero. Os celtas, provenientes da Europa Central, em sucessivas migrações entraram em contato com os povoadores autóctonos da península, os iberos (destes povos indígenas surgiu o termo Península Ibérica, que compreende os países que a compõem, Portugal e Espanha). A partir de 195 aC, os romanos conquistaram progressivamente o Vale do Rio Ebro, e seu domínio se estendeu pelas localidades desta zona, inclusive a antiga cidade de Bílbilis. A cidade impressiona por sua localização, elevada sobre três cerros a 700m de altitude. Apesar do complicado relevo, soube adaptar-se às ladeiras dos montes que a cercavam, conhecidos com os nomes de Santa Bárbara, San Paterno e Bámbola.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASuas ruas e espaços públicos foram construídos em terraços, comunicados entre si por meio de rampas e escadas. A partir de finais do séc. I aC e primeira metade do séc. I dC, a cidade passou por profundas transformações, que lhe proporcionaram o aspecto de uma típica cidade romana, cujo modelo urbano foi importada da capital do império, Roma. Este processo ocorreu entre os reinados dos imperadores Augusto e Tibério, responsáveis pela edificação dos grandes monumentos identificadores da arquitetura romana, como o Forum, o Teatro, as Termas, etc. Abaixo, vemos as instalações do Museu de Calatayud, com alguns dos restos escultóricos encontrados nas ruínas de Bílbilis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o reinado de Augusto, a cidade recebeu o nome de Municipium Augusta Bílbilis e seus habitantes passaram a ser considerados cidadãos romanos. Seu mais ilustre habitante, o poeta Marco Valério Marcial, deixou constância em seus escritos sobre as virtudes da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos uma escultura que representa o retrato oficial do Imperador Augusto, encontrada no Teatro de Bílbilis e esculpida em mármore grego.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua população está estimada entre 3.500 e 4 mil habitantes, e a cidade estava cercada por uma grande muralha defensiva. Possuía uma ampla rede de cisternas e fontes públicas para o abastecimento de água, um verdadeiro êxito arquitetônico devido a acidentada localização da cidade. As casas estavam compostas por até 3 andares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a desintegração do Império Romano, a cidade entra em decadência. A partir do séc. II dC este processo se acentua e no século V se encontra completamente desabitada. Bílbilis sofre inúmeros ataques destrutivos ao seu patrimônio, e as pedras de suas construções são utilizadas para os edifícios da cidade de Calatayud. A Praça de Touros, por exemplo, possui em sua base materiais procedentes da antiga cidade romana. As ruínas de Bílbilis receberam o título de Monumento Histórico-Artístico em 1931, devido a importância de seus restos para a  compreensão da antiga Hispania, nome pelo qual se denomina o período em que o atual território espanhol foi uma província do Império Romano. As escavações arqueológicas oficialmente iniciaram-se em 1917, e prosseguem atualmente. Abaixo, vemos uma imagem dos estudos iniciais realizados no Teatro Romano de Bílbilis, entre os anos de 1975 e 1976.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post veremos com mais detalhes alguns dos aspectos da vida da cidade,  seus principais monumentos e os restos conservados das diversas manifestações artísticas procedentes das ruínas arqueológicas.

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