Pablo Gargallo

A matéria de hoje e a próxima estão dedicadas a meu escultor preferido, o aragonês Pablo Gargallo (Maella, Província de Zaragoza-1881/Reus, Província de Taragona-1934). A primeira vez que conheci este artista de renome internacional e sua magistral obra vivia em Zaragoza, quando tive a oportunidade de visitar o museu a ele dedicado. De fato, Pablo Gargallo é considerado um dos mais destacados artistas do séc. XX, e um criador fundamental para a evolução da Escultura Contemporânea.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPossuidor de uma sólida formação tradicional, sua vida se desenvolveu entre as cidades da modernista Barcelona e a vanguardista Paris, locais que lhe possibilitaram um inovador processo criativo, baseado na utilização de novos materiais como o cobre, o ferro, o latão, entre outros, que se tornaram a matéria prima em busca de um estilo pessoal e realmente único.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1906, Gargallo realizou sua primeira exposição individual em Barcelona, e manteve uma estreita colaboração com os arquitetos modernistas da cidade, como Lluís Domènech i Montaner, que lhe encarregou obras para locais representativos do denominado Modernismo Catalão, como o Hospital de Sant Paul i Santa Creus e o Palau de la Música Catalã. Durante toda sua carreira, o interesse preferencial pela representação do corpo humano foi uma constante.

20150816_123909Durante sua estadia em Barcelona, viveu durante algum tempo com Picasso, cuja cabeça modelou numa escultura.

20150816_124115Outro grande artista espanhol do séc. XX, Juan Gris, apresentou a Gargallo a mulher que se tornaria sua esposa, Magali Tartanson, com quem se casou em 1915.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPablo Gargallo combinou ao longo de sua vida a escultura clássica e a experimentação. Em relação a este último aspecto, é considerado como o precursor da escultura em ferro. Um exemplo do seu emprego podemos observar em uma de suas últimas obras, (para a grande maioria de seus admiradores, sua obra prima) denominada “El Profeta“.

20150816_123834Nesta obra maravilhosa, podemos contemplar uma de suas principais características, a exploração do vazio. Ao contrário da escultura tradicional, baseada no volume, o artista realiza experiências com a desintegração da forma e do espaço. Antes de Pablo Gargallo, as esculturas eram maciças. Nesta escultura, realizada em 1933, desenvolve o conceito cubista da escultura do vazio como forma, e da forma como vazio…Outra de suas célebres obras em que adota o mesmo conceito é “Urano“, também realizada em 1933, desta vez feita de bronze.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANos últimos anos de sua vida, para esculpir a maior parte dos nus femininos que realizou, contava com a colaboração de modelos de origem nórdicas, como na peça abaixo, intitulada “Mujer del Espejo“, criada em 1934 e feita de bronze.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém de bronze é a escultura “La Bestia del Hombre“, realizada no início de sua carreira, em 1904. Apresentada em sua primeira exposição individual, fazia parte de um conjunto sobre as virtudes e os pecados capitais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos a obra “David“, de 1934…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAIgualmente impressionante é uma escultura em que o artista retrata uma artista francesa, KiKi de Montparnasse (1928).

OLYMPUS DIGITAL CAMERATodas estas obras que aparecem na matéria fazem parte do acervo do Museu Pablo Gargallo de Zaragoza, um local fundamental para se descobrir a obra deste genial artista. No próximo post, conheceremos um pouco mais sobre ele…

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O Cipotegato de Tarazona

Imaginem-se vestidos (as) com um traje amarelo, verde e vermelho, similar a de um arlequim. Até aí, nenhum problema, desde que vocês estejam numa festa fantasia. O problema começa quando, na realidade, vocês se encontram dentro do edifício da prefeitura de sua cidade. Algo, por si só, no mínimo, hilariante. Do lado de fora do edifício, uma multidão espera ansiosa sua saída na praça mais importante da localidade, uma situação que deve beirar o pânico. Mas o pior vem em seguida. Amparado (a) apenas por seus mais fiéis amigos, vocês devem percorrer um trajeto em que são o alvo preferencial de uma chuva de tomates, vindos de todas as direções. Seu único consolo é que é uma verdadeira honra poder realizar esta indigesta tarefa, pois vocês representam um dos personagens mais tradicionais de sua cidade. Caso a cumpra com êxito, serão considerados (as) um herói ou heroína, sendo celebrados (a) por todos. Bem, esta curiosa e singular cena realmente acontece todos os anos na cidade de Tarazona, precisamente no dia 27 de agosto, no início das festividades de San Atilano, o santo padroeiro da cidade. O personagem em questão possui um nome deveras estranho, o Cipotegato.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta tradicional festa tornou-se uma das referências de Tarazona, e atrai a cada ano um número maior de visitantes. Em 2009 foi declarada de Interesse Turístico Nacional, e se realiza na Praça de Espanha da cidade, em frente ao belíssimo Edifício do Ayuntamiento. O Cipotegato possui uma história de mais de 300 anos, ainda que sua origem é incerta e cheia de controvérsias. Uma das explicações de sua origem o vincula a um personagem da corte (bufón),  que era o alvo preferido do escárnio do rei, que lhe atirava seguidamente tomates na cara. Para proteger-se, começou a utilizar uma máscara que lhe dava um aspecto de gato. O certo é que o personagem se vai transformando com o tempo. Até 1942, o Cipotegato perseguia as crianças para deixar livre o caminho para as procissões religiosas realizadas durante as festas do santo padroeiro, uma tarefa parecida à realizada por outros personagens folclóricos conhecidos da Espanha, os Gigantes e os Cabeçudos. A partir de então, passa a ser perseguido pelas crianças, que ao vê-lo saindo da prefeitura, lhe jogavam restos de tomates que haviam na Praça de Espanha, local onde antigamente se realizava o mercado livre da cidade. Abaixo, vemos o Monumento ao Cipotegato, localizado na citada praça.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Cipotegato pode ser considerado também um sobrevivente dos festejos organizados e regulamentados pelas autoridades eclesiásticas desde o século XVI até o XVIII, originados em antigas tradições medievais. Se antigamente encarnar o personagem era algo humilhante, atualmente é uma honra representá-lo. Para tanto, existe um sorteio anual entre os interessados. No último realizado, para escolher o Cipotegato de 2016, foram inscritos um total de 144 pessoas. A festa, tal e qual a conhecemos, como uma chuva de tomates, iniciou-se em 1984, e conta com a participação de toda a população da cidade. Infelizmente, não tive a oportunidade de presenciá-la, pois as datas de minhas visitas a Tarazona não coincidiram com a festa. Mas vocês poderão satisfazer a curiosidade, pois no YOU TUBE existem vários vídeos do Cipotegato de Tarazona. Com esta matéria, finalizamos a série sobre esta encantadora cidade da Comunidade de Aragón. Espero que tenham gostado…

Catedral de Tarazona – Segunda Parte

Depois de ter visitado Tarazona algumas vezes, finalmente pude conhecer o interior da Catedral, que permaneceu fechada um bom tempo devido a um amplo processo de restauração geral do templo, como dissemos anteriormente. A espera valeu a pena, e atualmente brilha, mostrando-nos toda sua beleza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior da Catedral de Tarazona está formado por 3 naves, sendo que a central é mais larga e alta que as naves laterais. Está coberta com a denominada bôveda de crucería estrelada, como podemos ver na foto acima. No séc. XVI, o templo foi mais uma vez reformado segundo os padrões do estilo renascentista, em voga naquele momento. Um exemplo é o belíssimo púlpito, construído em 1506.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO cimbório foi reconstruído em 1543 devido ao péssimo estado em que se encontrava o anterior, sob a direção do arquiteto Juan Lucas Botero “El Viejo”, e finalizado por seu filho, Juan Lucas “El Joven”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois da obras de restauração, as pinturas murais que decoram a Capela Maior podem ser apreciadas perfeitamente. Foram realizadas também no séc. XVI, segundo um repertório italiano, desenhado pelo artista Pietro Morone entre 1552 e 1558. Já o Retábulo Maior é barroco, executado entre 1605 e 1614. Nele vemos a representação de vários santos, como São Pedro e São Paulo, e os chamados 4 Padres da Igreja. Algumas cenas retratam episódios da Virgem Maria e, no centro, uma imagem medieval de N.Sra de la Huerta, a titular do templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Coro pertence ao séc. XV e o órgão data do séc. XIX, que substituiu um anterior do séc. XVIII. A Catedral de Tarazona contou sempre com grandes organistas e possui o maior arquivo musical da época dos Reis Católicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o Trascoro, do período barroco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cabeçeira semicircular da catedral forma o espaço da denominada Girola, que rodeia a Capela Maior. Várias são as capelas existentes nesta parte da catedral, com destaque para a Capela de San Andrés, ornamentada por 4 quadros barrocos de grandes dimensões, que narram episódios da vida do santo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém foram descobertas pinturas murais na Girola, que datam do período gótico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria com uma imagem de um dos vitrais da Catedral de Tarazona

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A Catedral de Tarazona

O visitante que chega a Tarazona para conhecer seus atrativos turísticos não pode deixar de visitar a Catedral de Nuestra Señora de la Huerta, considerada o principal monumento da cidade. Depois de um longo e custoso processo de restauração, quando esteve fechada ao público durante vários anos, em 2011 foi reaberta e atualmente pode ser vista em todo seu esplendor.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois da reconquistada em 1119, foi restabelecido o culto e sua sede episcopal, razão pela qual iniciou-se a construção de uma catedral. O templo foi edificado fora das muralhas de Tarazona, junto às hortas da cidade, motivo da explicação de seu nome. Iniciada a mediados do séc. XII, foi consagrada em 1235. Esta primitiva igreja românica situou-se num lugar sagrado, pois achados arqueológicos confirmaram a existência de templos anteriores, tanto de época romana, quanto do período visigodo. No entanto, esta igreja foi logo substituída por uma construção gótica, realizada por mestres franceses.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA construção da Catedral de Tarazona se alargou durante vários séculos, em virtude das guerras civis que assolaram o território, momento em que sofreu prejuízos à sua estrutura. Os variados estilos que conformam o conjunto são o resultado do longo processo construtivo e de suas inúmeras reformas. Tarazona possuiu, durante a Idade Média, um grande contingente de população mudéjar (os muçulmanos que permaneceram no país, após a reconquista), que deixaram um legado arquitetônico que podemos admirar em muitos monumentos da cidade, bem como em sua bela catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das reformas realizadas ocorreu no séc. XIV, quando o estilo mudéjar foi incorporado ao templo, como no cimbório. No exterior, está formado por quatro corpos descendentes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro elemento de destaque é a torre, formada por três partes distintas. O primeiro corpo pertence ao gótico, feito de pedra. O segundo, de tijolo, é mudéjar e o terceiro foi construído em 1588, durante a época renascentista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos imagens de sua entrada principal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro local de grande relevância artística é o claustro. De notáveis dimensões, nele destaca o maravilhoso trabalho escultural de gesso, que podemos admirar em todo seu perímetro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO claustro foi reconstruído no começo do séc. XVI dentro do estilo gótico-mudéjar. Abaixo, uma imagem do interior do claustro…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa próxima matéria, veremos o interior da Catedral de Tarazona. Até lá !!!!

A Judería de Tarazona

Um dos grandes fatores que explicam a riqueza e variedade do patrimônio histórico, cultural e artístico da Espanha, é que em seu território passaram uma imensa quantidade de povos distintos. Desde os gregos e fenícios, passando pelos romanos, visigodos, árabes, etc, cada qual deixando uma parte de seu legado nas terras do país. Em determinados momentos históricos, muitas destas culturas conviveram simultaneamente num mesmo local, caso dos cristãos, muçulmanos e judeus, sendo muitas as localidades que ostentam o título de “Cidade das 3 culturas“, como Toledo, Córdoba, Zaragoza, etc. A cidade de Tarazona também se inclui na lista. O bairro judeu, também denominado de Judería ou Aljama, constitui uma das principais atrações do centro histórico da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConsiderado um dos principais centros judaicos da Comunidde de Aragón, a Judería de Tarazona está formada por ruas estreitas e sinuosas, próprias do urbanismo medieval. Passear pelo bairro é uma experiência das mais interessantes, nos levando direto à Idade Média.

DSC01328A presença judaica na cidade se remonta a época romana, consolidando-se de forma importante durante o domínio muçulmano. O bairro judeu era independente dos demais, possuindo suas próprias entradas e saídas da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO bairro judeu de Tarazona inclui na realidade dois espaços urbanos distintos, a Judería Velha e a Judería Nova. Com relação à primeira, se assentou no chamado Bairro del Cinto, próximo ao Palácio Episcopal, que vimos recentemente. Depois da reconquista crista em 1119, os hebreus não foram obrigados a mudar de local, de forma que permaneceram no bairro onde sempre viveram. A Judería Velha situava-se também próximo ao castelo da cidade, isto é, junto ao símbolo do poder político local.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá a Judería Nova se estabeleceu a partir de 1450. As casas mais antigas conservadas da Judería de Tarazona pertencem ao final do séc. XIV. Muitas delas chamam a atenção pelo belo colorido que possuem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO  séc. XIII, a época dourada do judaísmo espanhol, representou um momento de esplendor para a comunidade de judeus de Tarazona. A cidade chegou a possuir duas Sinagogas e um importante centro de tradução, onde eram traduzidas obras do árabe ao latim, contribuindo para a preservação e difusão do conhecimento. Alguns códices hebraicos ainda se conservam no Arquivo Capitular da cidade. Foi neste momento histórico que viveu um dos personagens fundamentais da Juderia de Tarazona, Moshé de Portella, que ocupou um importante papel na administração e nas finanças do antigo Reino de Aragón. Sua memória foi preservado num museu a ele dedicado, situado no bairro em que foi seu máximo representante.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das principais atrações conservadas do bairro são as conhecidas Casas Colgadas (literalmente, casas penduradas), que foram edificadas junto às muralhas. Nelas viviam as famílias nobres de Tarazona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO clima de relativa tolerância histórica entre as três culturas que conviveram em Tarazona se rompeu com a chegada do Tribunal da Inquisição, também chamado de Tribunal do Santo Ofício, em 1484. Uma vez decretada a expulsão dos judeus em 1492 durante o reinado dos Reis Católicos, quase a metade da população hebraica da cidade preferiu converter-se ao catolicismo antes que abandonar o lugar onde sempre viveram, enquanto o resto migrou para o Reino de Navarra, que ainda permanecia independente do resto do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, conheceremos o principal monumento da cidade de Tarazona, sua magistral e recém restaurada catedral….

Um Passeio por Tarazona – Parte 2

Na Idade Moderna, houve uma proliferação de novas comunidades religiosas em Tarazona, quando se transforma numa cidade conventual com a chegada das Ordens dos Jesuítas, Capuchinos, Carmelitas, etc. Um exemplo dos conventos que podemos ver em Tarazona é o da Concepción, edificado no séc. XVI e que albergava os filhos das famílias nobres da cidade. O templo foi construído ao redor de uma muralha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntes da chegada destas comunidades, Tarazona contava apenas com duas ordens religiosas na Idade Média, a dos Franciscanos e a dos Mercedários. Tive a ocasião de realizar uma visita guiada pelo interessante e histórico Convento de São Francisco de Assis, a primeira fundação conventual da cidade, situado ao lado da Catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASegundo a tradição, o convento foi fundado pelo próprio São Francisco de Assis, durante o tempo que esteve em Espanha, realizando a peregrinação a Santiago de Compostela no ano 1214. No entanto, a documentação conservada não permite afirmar sua criação como anterior a 1270.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA primitiva igreja conventual, edificada no séc. XIV, foi reformada entre 1523 e 1542. Abaixo, vemos imagens de sua nave.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANas laterais da nave, podemos observar várias capelas. A Capela Maior, situada no centro da nave, foi construída durante as reformas realizadas no séc. XVI. Já o Retábulo Maior é barroco do séc. XVII. A imagem da Imaculada Conceição preside o conjunto, realizado para exaltar a Ordem Franciscana, com alguns de seus santos mais conhecidos, como São Francisco de Assis, São Bernardino de Siena e Santo Antônio de Pádua.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO final da vida conventual ocorreu com a Desamortização de Mendizábal em 1836. Logo depois, o local foi transformado num hospital e muitas dependências do anterior convento se perderam, com exceção da igreja, transformada em paróquia no séc. XX, e do claustro, caracterizado por sua simplicidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANuma visita a Tarazona, é obrigatório conhecer a Antiga Praça de Touros, uma das mais originais do país e também uma de suas praças históricas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi inaugurada em 1792 e na época se denominava Praça Nova, pois as corridas de touros eram realizadas na Praça do Mercado, em frente da Prefeitura de Tarazona, como vimos na última matéria. Possui uma planta octogonal e está cercada por um conjunto residencial, fato que a torna realmente uma Praça de Touros diferente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstas residências foram habitadas desde a origem da praça, situadas ao redor do espaço central onde eram realizadas as corridas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO acesso ao interior da praça se realiza através dos 4 túneis existentes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Velha Praça de Touros de Tarazona integra a uma associação denominada União das Praças de Touros Históricas de Espanha, erguidas antes de 1800, como as de Aranjuez, Ronda e Sevilha.

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Edifício da Prefeitura de Tarazona

A prosperidade econômica no séc. XVI possibilitou a Tarazona a construção de vários edifícios notáveis, caso da sede do Ayuntamiento (prefeitura), também denominada Casa Consistorial. O edifício foi erguido junto as muralhas da cidade, que não se conservaram. O local escolhido foi a Praça do Mercado, atualmente chamada Praça de Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída entre 1557 e 1563, inicialmente cumpriu a função de lonja, isto é, um local de reunião dos comerciantes da cidade. A mediados do séc. XVII, passou a ser utilizada como Casa Consistorial. A parte superior do edifício era usada como um mirante perfeito para assistir aos principais acontecimentos festivos de Tarazona, como a procissão realizada durante as festividades de Corpus Christi e as touradas (na Espanha são chamadas de Corridas de Touros). No séc. XVIII, com a construção da Praça de Touros, o local deixou de ser usado com esta finalidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste impressionante edifício renascentista é considerado uma das obras primas do estilo na Espanha, principalmente por sua espetacular decoração em sua fachada principal. Todos os elementos decorativos representam um programa iconográfico de exaltação imperial relacionado com Carlos I, fato justificado pela morte do monarca que coincidiu com o início da construção deste belíssimo edifício.  Um exemplo desta riqueza ornamental é o friso de gesso de 32m de comprimento que percorre toda a extensão da fachada. Representa a cavalgada de Carlos I, depois que foi coroado Imperador do Sacro Império Germânico em 1530.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém da época inicial de construção do edifício são os 3 escudos que vemos na fachada.  Abaixo, vemos o escudo de Carlos I (lado direito) e o do Reino de Aragón (lado esquerdo).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE o escudo da cidade de Tarazona

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm cima da porta principal foram representadas de forma alegórica as virtudes da justiça e da sabedoria, como valores relacionados ao bom governo do imperador. Representadas como mulheres, podemos ver suas imagens situadas embaixo dos escudos de Carlos I e do Reino de Aragón. Realmente curiosas são as representações de heróis da mitologia grega na fachada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANas imagens acima, vemos a Caco roubando o gado de Hércules. O mítico herói grego é considerado o fundador lendário da cidade de Tarazona. Também se relaciona com o próprio imperador Carlos I, já que a Dinastia dos Habsburgos considerava o personagem grego um antepassado direto da família. Por este motivo, o monarca era partidário da representação dos 12 trabalhos  de Hércules, transformados em alegorias da ideologia de poder que o rei encarnava. Em uma das cenas, podemos ver a Hércules lutando contra o Leão de Nemeia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro personagem da mitologia grega, Tubalcaín, foi representado sentado sob uma árvore…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADevido ao péssimo estado em que se encontrava, no séc. XVIII se perdeu a parte superior da construção, utilizada como mirante. Entre 1968 e 1973, foi restaurada pelo arquiteto Fernando Chueca Goitia, que se inspirou nas galerias existentes no Monastério de Veruela, situado a poucos quilómetros de Tarazona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO escritor e poeta Gustavo Adolfo Becquer (Sevilha-1836/Madrid-1870), considerado um dos grandes nomes do movimento romântico na Espanha, registrou a cidade em algumas de suas obras. Por este motivo, foi homenageado com uma placa, que podemos ver em frente da Prefeitura de Tarazona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu irmão, o pintor Valeriano Becquer, também retratou a cidade em algumas de suas aquarelas num caderno intitulado Expedição a Veruela, quando ambos irmãos passaram uma temporada no conhecido monastério. Mas parece que não foi homenageado com uma placa…