Tarazona – Comunidade de Aragón

No final do ano passado, voltei à Comunidade de Aragón para rever amigos e aproveitar a estadia para visitar algumas cidades, cujo patrimônio histórico-cultural são dos mais relevantes. A primeira cidade que retornei foi Calatayud, que vimos numa série de posts publicada entre 22/11 e 1/12/2015. Logo depois, visitei Tarazona, uma cidade que já conhecia, mas que na época não pude conhecer bem, pois a maioria de seus monumentos ou estavam fechados para visitação, ou estavam sendo restaurados. Felizmente, desta vez pude admirar sua arquitetura, monumentos e obras de arte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATarazona se localiza a 90km de Zaragoza, a capital aragonesa, e possui cerca de 11 mil habitantes. Para uma população tão reduzida, possui uma história dilatada e um riquíssimo patrimônio monumental. Está situada às margens do Rio Queiles, e sua posição estratégica, na confluência entre os antigos Reinos de Aragón, Castilla e Navarra, lhe outorgou uma grande importância.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm de seus atrativos naturais mais conhecidos é o Monte Moncayo. Com 2315m, é a maior montanha do chamado Sistema Ibérico, situado entre as bacias hidrográficas dos Rios Duero e Ebro. Representa também a fronteira natural entre Aragón e Castilla y León, e integra desde 1998 uma belíssima reserva natural.

DSC01332Inúmeros povos se assentaram na cidade, como os romanos, que a denominaram Turiaso, visigodos, árabes, quando passou a chamar-se Tirasone, e finalmente os cristãos, que lhe deram o nome pela qual a conhecemos hoje em dia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns restos arqueológicos nos remontam à época romana, mas a partir do séc. III dC, a cidade foi abandonada progressivamente, devido à instabilidade do império. Sobre a presença visigoda, as informações são escassas e no ano 713, a cidade caiu ante o invasor árabe. Boa parte do urbanismo de Tarazona reflete as características arquitetônicas desta cultura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cidade foi reconquistada em 1119 pelo rei Alfonso I El Batallador, quando foi repovoada por uma nova comunidade de cristãos. No entanto, muitos muçulmanos permaneceram na cidade, contribuindo para o desenvolvimento da arte mudéjar. Além do mais, acolheu uma importante comunidade judaica, que viveram num bairro independente, a denominada Juderia, uma das mais conservadas de Aragón.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA convivência entre estas culturas (crista, árabe e judaica) possibilitaram seu variado e rico conjunto de monumentos, que atualmente podemos admirar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO século XVI representou um momento de grande crescimento construtivo, possível graças a prosperidade econômica. Um exemplo de monumento renascentista é o Edifício do Ayuntamiento (prefeitura), um dos mais belos de toda a Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o período barroco, Tarazona recebeu abundantes comunidades religiosas, como os jesuítas, carmelitas, capuchinos, etc. Sua maravilhosa catedral foi recentemente restaurada, exibindo uma grande quantidade de verdadeiras joias artísticas (em breve, publicarei uma matéria exclusiva…). Caminhar por seu centro histórico e suas ruas estreitas nos remete a um passado cheio de vida e de enorme importância cultural.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, a cidade possui uma extensa programação de festas e atividades. Um local de referência é o Teatro de Belas Artes, inaugurado em 1921 e construído pelo arquiteto Miguel Àngel Navarro, seguindo os preceitos da arquitetura eclética, com detalhes modernistas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATarazona possui uma singular Praça de Touros e belas igrejas, que veremos proximamente. Espero que gostem desta nova série que hoje iniciamos, homenageando e divulgando as belezas artísticas desta cidade aragonesa….

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