Museu Arqueológico Nacional: Os Iberos

Tradicionalmente se diz que o território da Península Ibérica foi habitado por dois povos antes da presença do Império Romano nestas terras: Os Iberos e os Celtas. Em relação aos primeiros, de grande importância para sua formação tiveram os fenícios e os gregos. Num primeiro momento, os gregos conheciam somente a zona costeira onde se assentaram, e denominaram iberos a todos os seus povoadores e Ibéria às terras do extremo ocidental do Mar Mediterrâneo. Aos poucos, porém, foram conhecendo os distintos povos existentes e seus respectivos nomes. Realmente, os povos ibéricos representavam uma grande variedade de tribos, com denominações diferentes de acordo com a região onde vivam. No mapa abaixo, podemos constatar sua diversidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAcredita-se que os Iberos eram procedentes do Mediterrâneo e habitaram o atual território de Portugal e Espanha entre os séc. VI aC e I aC, quando foram conquistados e submetidos à Roma. Suas características físicas (estatura média, pele morena) fizeram com que fossem associados diretamente como os antepassados dos atuais espanhóis. No Museu Arqueológico Nacional, podemos conhecer esta interessante cultura através de uma grande quantidade de achados arqueológicos, alguns dos quais se tornaram verdadeiros símbolos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Iberos não formavam um grupo coeso, como vimos acima, mas em ocasiões se reuniam para combater inimigos comuns. Se organizavam em pequenas comunidades fortemente hierarquizadas. Peças como a Roda de Troya, que vemos abaixo (séc. IV aC), ajudaram a compreender sua composição social, pois sua fabricação foi encarregada por príncipes ou membros da classe aristocrática.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAHerdeiros da cultura da Idade do bronze, os iberos praticavam a monogamia e o patriarcado. Veneravam a natureza e rendiam culto aos mortos. Sua religião era complexa e se desconhece o nome de suas divindades, mas seguramente adoravam a Deusa Mãe. Seus principais santuários se localizavam próximos às grandes vias de comunicação, como o o chamado Monumento de Pozo Moro, que pode ser visto no museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta torre feita de pedra foi erguida sobre o sepulcro de um personagem importante, talvez o fundador de alguma linhagem, cujos membros construíram ao seu redor outras tumbas, que com o tempo se transformou numa verdadeira necrópole ibérica. O defunto foi queimado numa pira funerária, junto com alguns objetos. Possui um paralelo com construções existentes no Oriente Próximo, e seu estilo chegou à península graças aos contatos com os fenícios.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo vemos, esta tumba alcançou um grande grau de complexidade construtiva. Os santuários recebiam numerosos fiéis que neles depositavam oferendas e exvotos. A conservação destas imagens constituem uma evidência de sua religiosidade popular.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo plano econômico, praticavam a agricultura e a pecuária. Um dos elementos mais conhecidos associados aos ibéricos são os Verrascos, representações escultóricas de porcos ou touros, normalmente feitos de granito, e datados a partir do séc. IV aC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua principal finalidade era sinalizar zonas de pasto, além dos caminhos para as áreas de criação de animais. Por este motivo, eram colocados em lugares visíveis da paisagem. Posteriormente, começaram a ter uma função funerária e foram reutilizados gravando neles nomes em latim. Curioso é este objeto feito de bronze (séc. IV aC) que adornava a extremidade de um carro puxado por vacas. O belo trabalho de metal representa a cabeça de um lobo, animal relacionado a simbologia funerária.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAComo podemos observar, os iberos eram grandes mineradores, escultores e artesãos. Existem muitas cerâmicas cuja estética foram copiada dos gregos, e outras originais de sua própria cultura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA primeira peça acima, mais elaborada, foi encontrada numa necrópole ibérica em Granada. Normalmente utilizada para o transporte de vinho e azeite, na cultura ibérica foi usada como uma urna funerária (procedência grega).

Os Celtas, mais altos e loiros, procediam da Europa central e ocuparam o território através de sucessivas migrações. Paulatinamente, ambas populações acabaram misturando-se, de modo que a partir do séc. II aC se pode falar de uma nova cultura, a Celtíbera. No próximo post, veremos algumas das obras mais destacadas da cultura ibérica, entre as quais destacam suas figuras femininas, verdadeiros ícones deste povo pré-romano.