Museu Arqueológico Nacional: Hispania

O período histórico em que a Península Ibérica se transformou numa província romana sob o nome de Hispania contribuiu de forma decisiva para a formação e paisagem do atual território espanhol. Basta observar a quantidade de cidades fundadas nesta época. Entre muitas outras, podemos citar Taragona (Tarraco), Barcelona (Barcino), Toledo (Toletum), Alcalá de Henares (Complutum), Mérida (Emerita Augusta), Zaragoza (CaesarAugusta), etc, etc. Muitos dos grandes monumentos realizados se conservaram e atualmente podemos admirá-los mesmo depois de dois milênios de história, como o Teatro de Mérida e o Aqueduto de Segóvia, ambos declarados Patrimônio da Humanidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo acervo permanente do Museu Arqueológico Nacional existem uma enorme quantidade de peças romanas, entre bustos, moedas, mosaicos, etc. Veremos algumas delas, inserindo-as dentro de seu contexto histórico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA invasão de um novo povo foi o responsável pelo futuro domínio da Península Ibérica pelos romanos. Isso ocorreu graças ao enfrentamento entre o Império Romano e a outra potencia marítima da época, Cartago, ambas em disputa pela supremacia do Mediterrâneo. No séc. VI aC, os cartagineses se apoderaram de Tartessos, uma colônia situada no sul da Andaluzia, rica em minérios, e que serviu de base de operações militares para a conquista do território, como o desembarque  efetuado em Cádiz em 238 aC. Aliás, a riqueza mineral e agrícola destas terras foram um dos principais motivos do interesse  destes povos em submeter a península. Almícar Barca, o general cartaginês encarregado destas manobras militares, quis reorganizar suas forças e compensar as perdas sofridas durante a I Guerra Púnica, travada entre os dois impérios. Depois de sua morte em 228 aC, foi substituído por Asdrúbal, que estendeu seus domínios, fundando a cidade de Cartago Nova, atual Cartagena (Comunidade Murciana). Assinou também um acordo com os romanos, no qual ambos impérios dividiam o território a ser conquistado, com o Rio Ebro como fronteira natural entre cada um deles.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo entanto, seu herdeiro, Aníbal, não admitia limites em relação aos seus propósitos de conquista. Empreendeu uma grande guerra contra Roma, utilizando a península como uma plataforma de ataque. Tomou algumas cidades que mantinham contatos comerciais com o Império Romano, como Sagunto, por exemplo. A resistência desta cidade, que recebeu auxílio dos romanos, foi o fator decisivo para a eclosão da II Guerra Púnica (218/102 aC). O general romano Publio Cornelio Escipión “El Africano” derrotou os cartagineses, tomando Cartago Nova em 207 aC e expulsando-os de Cádiz. A partir de então, a península começava a fazer parte do Império Romano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar da vitória contra Cartago, faltava ainda submeter os povos ibéricos (ou celtíberos), cuja resistência foi muito maior do que os romanos podiam imaginar. A conquista da famosa cidade de Numancia (Província de Sória) tornou-se um símbolo da resistência ibérica, junto com a liderança de Viriato, célebre guerreiro e chefe da resistência lusitana. Somente no ano 19 aC, o General Agripa, um dos melhores do Império Romano na época, conseguiu derrotar os cántabros e astures, povos ibéricos que viviam nas montanhas situadas ao norte da península. Por fim, Roma era dona de todo o território peninsular, que passou a ser chamada de Hispania, cujo significado é “terra onde os coelhos são abundantes”. Mesmo durante o processo de conquista, a romanizaçao impregnou pouco a pouco os costumes dos povos autóctonos em todos os âmbitos da vida. A dominação romana foi a primeira tentativa de tornar a Península Ibérica uma unidade territorial ao instalar-se uma concepção política única. No plano administrativo, Roma dividiu a península em duas províncias, no ano 197 aC: Hispania Citerior e Hispania Ulterior. No ano 27 aC, na época do Imperador Augusto, passou a ser dividida em três províncias: Lusitania, Baética e Tarraconensis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs obras públicas começaram a serem construídas de uma maneira vertiginosa. Para poder comunicar as cidades, foram planejadas uma enorme quantidade de vias, as chamadas calçadas romanas, que chegaram a totalizar 10 mil quilômetros. Muitos destes caminhos continuaram sendo utilizadas na Idade Média e serviram de base para a construção das modernas estradas. Entre as mais importantes encontravam-se a Vía de la Plata e a Vía Augusta, onde foi encontrado este milliario, uma espécie de marco situado nas calçadas que equivalia a mil passos (aproximadamente 1.5 Km).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das características principais das classes dirigentes no Império Romano, a divinização dos imperadores tornou-se um eficaz meio de propaganda política e um pilar básico do estado e da vida municipal. Abaixo, vemos a representação escultórica de Tibério (direita), imperador entre 14 e37 dC. Ao seu lado, vemos sua mãe e esposa de Augusto, Lívia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATrês imperadores romanos nasceram na Hispania, Trajano, Adriano e Teodosio. A ascensão política até suas nomeações como imperadores comprovam a importância que Hispania adquiriu dentro do grande império. Para Roma, a Península Ibérica se havia transformado num enclave comercial e estratégico de primeira magnitude. A seguir, vemos um busto de Trajano, o primeiro imperador de origem hispano. Governou de 98 a 117 dC, sendo considerado um excelente soldado e um bom administrador.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFilho adotivo e sucessor de Trajano, Adriano pertenceu a uma família de senadores de Itálica (atual província de Sevilha), onde nasceu. Imperador entre 117 a 138 dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, Teodósio, denominado O Grande, nasceu em Cauca, atual Coca, Província de Segóvia. Foi o último imperador que governou todo o império sozinho e sua importância foi fundamental ao transformar o catolicismo na religião oficial do império em 390 dC. No próximo post, continuaremos vendo alguns aspecto interessantes de Hispania através das peças do Museu Arqueológico Nacional de Madrid.

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