Museu Arqueológico Nacional: Hispania (Parte 2)

Os elementos usados para a consolidação do Império Romano na Península Ibérica foram a lei, o exército, as novas infraestruturas e tecnologias, o idioma e a religião. A exploração dos produtos minerais do território tornou-se um dos objetivos de sua conquista e acabou propiciando uma enorme fonte de riqueza para o império. Hispania, ao longo dos séculos, foi o maior produtor de ouro e chumbo entre todas as províncias que constituíam a grandeza da civilização romana. O chumbo, por exemplo, era abundante em Cartago Nova. Uma vez extraído, era fundido em lingotes e se exportavam por via marítima à Roma.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa organização política de Hispania, cada cidade possuía um estatuto distinto. Para que a população pudesse beneficiar-se das instituições romanas, as cidades deveriam ostentar o título de Municipium. Para tanto, tinham que cumprir alguns requisitos, como seu traçado urbano, dispor de serviços públicos e estar completamente romanizada, isto é, com uma população integrada às costumes do império. Abaixo, vemos uma tábua de bronze que se encontrava exposta num dos edifícios públicos do Municipium Flavium Malcitano, atual Málaga. Consta da lei outorgada a esta cidade depois da concessão  do estatuto de município pelo Imperador Vespasiano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADependendo da importância que adquiriam, alguns municípios se tornavam colônias, passando a formar parte do território da cidade de Roma e seus habitantes recebiam a cidadania romana. Ao menos 30 cidades de Hispania lograram receber este privilégio, como Tarraco, CaesarAugusta, Corduba, Emerita Augusta, etc. A seguir, vemos um busto do magistrado do conselho (um dos principais cargos políticos que existiam) da cidade de Tiermes, situada na atual Província de Sória (séc I dC).

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo âmbito cultural, a conquista romana introduziu o latim, base das línguas  que existem atualmente na Península Ibérica, com exceção do Euskera, idioma falado no País Basco (português, gallego, espanhol e catalão). O latim foi utilizado como um meio de comunicação unificado por todo o império, tornando-se um vínculo entre todas suas províncias. Pela primeira vez na história da humanidade, o mundo conhecido podia comunicar-se através de um mesmo idioma, facilitando as relações comerciais e as viagens de sua população aos mais distantes pontos do império. Somente os gregos mantiveram seu idioma próprio, feito que os historiadores atuais relacionam à sua superioridade cultural em relação à dos romanos, que assimilaram a cultura helena que tanto admiravam. Um exemplo podemos observar no panteão de deuses que compunham a Religião Romana, quando as divindades gregas foram incorporadas ao seu sistema de crenças, mas com seus nomes em latim. No Museu Arqueológico Nacional podemos admirar várias representações dos Deuses Romanos, como Baco (Dionísio para os Gregos, Deus do vinho e dos cultos orgiásticos associados a ritos agrários). Peça do séc. II, encontrada na Província de Valência.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs principais deuses romanos eram Júpiter, Juno e Minerva, que formavam a denominada Tríade Capitolina. Juno, associada a Hera dos gregos, era esposa de Júpiter (Zeus grego) e considerada rainha do céu e protetora das mulheres. Abaixo, vemos uma ara de mármore a ela consagrada (séc. I, encontrada em Emerita Augusta, atual Mérida).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO  grande legado artístico dos romanos se relaciona com a arquitetura e a escultura. Extremamente populares eram os bustos de personagens famosos, como os imperadores, por exemplo. A origem desta tradição se vincula à elaboração de máscaras mortuárias de cera realizadas para recordar as figuras ilustres falecidas. Com o tempo, se transformaram em obras valorizadas em função da semelhança com a pessoa representada. Os imperadores também recebiam cultos, pois foram divinizados, como vemos na placa que vemos a seguir, dedicada a Nero. Foi colocada no fórum da cidade de Emerita Augusta para a aclamação do imperador (séc. I DC).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutros personagens políticos também recebiam homenagens por algum trabalho realizado. Este foi o caso de Lucio Emilio Recto, que ocupava um importante cargo em Cartago Nova. Por financiar as reformas de ampliação do teatro da cidade no final do séc. I, seu nome foi escrito na construção, um modo de homenageá-lo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas magníficas peças escultóricas realçam os sarcófagos da elite romana. Se a  maioria da população eram enterradas em fossas comuns ou nos denominados Columbarios, os personagens importantes recebiam sepultura em mausoléus e sarcófagos, como o que vemos abaixo, onde foram esculpidos temas relacionados à tragédia grega (Vingança de Orestes), como símbolo de prestígio e de ostentação da cultura do defunto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs diferenças sociais existentes também podiam ser observadas nos materiais dos utensílios domésticos que se utilizava…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA colonização romana possibilitou a ampla utilização da moeda nas atividades comerciais. Algumas colônias hispânicas chegaram a fabricar moeda. O dinário, a moeda mais popular, era de prata. Representavam um dos pilares de propaganda do estado, com o retrato dos imperadores. Os denominados Sestercios eram de ouro. Abaixo, vemos um exemplo, com a representação de Nero.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs atividades agrícolas, igual que a mineração, teve um grande desenvolvimento em Hispania, especialmente em relação ao cultivo do azeite e do vinho, ambos de enorme qualidade. Eram transportados e armazenados em ânforas, vasos compostos por duas asas. Posteriormente, foram utilizados como urnas funerárias. A importância destes produtos se comprova através das milhares de peças encontradas em zonas arqueológicas e inclusive em barcos naufragados, alguns dos quais conservaram vinhos milenares. Abaixo vemos ânforas para o transporte de vinhos (direita) e de azeites (esquerda).

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Uma resposta em “Museu Arqueológico Nacional: Hispania (Parte 2)

  1. Estou adorando esses posts sobre o Museu Arqueológico. Adoro museus e arqueologia. Um museu que que tem uma coleção de obras muito boa dos celtiberos é o de Sevilla. Passei horas lá!

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