Catedral de Murcia – Parte 2

O interior da Catedral de Murcia possui a mesma riqueza estilística que em seu aspecto exterior. Belas obras de arte enriquecem e adornam o templo, das quais veremos as principais. Está composto por 3 naves, a central e duas laterais, e a girola, como se conhece a prolongação das naves laterais que rodeiam o Altar Maior. O Retábulo Maior é do séc. XIX, que substituiu o original renascentista do séc. XVI, destruído num incêndio em 1854. O Altar maior é considerado uma Capela Real por acolher o sepulcro com o coração do rei Alfonso X “El Sábio”, que passou longas temporadas na cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um detalhe da Virgem que preside o Retábulo Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm frente ao Altar Maior situa-se o Coro, exemplo da Arte Plateresca, que foi trazido à catedral pela rainha Isabel II procedente do Monastério de San Martín de Valdeiglesias (Comunidade de Madrid), depois que o anterior coro e os órgãos nele situados ardessem no mesmo incêndio relatado acima. O órgão atual é de 1855.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte traseira do coro, por este motivo denominado Trascoro, vemos a Capela da Imaculada Conceição, realmente muito bonita. Construída no séc. XVII, é considerada uma das primeiras capelas de toda  Europa dedicada a ela. De estilo barroco, está ornamentada com abundantes mármores coloridos e uma imagem da Virgem do séc. XVIII, pertencente à escola madrilenha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, a Capela do Nazareno, construída em 1479 e fundada pelo canônico D.Diego Rodríguez de Almeida, que nela está enterrado. Uma escultura de Jesus Nazareno do séc. XVIII preside a capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá a Capela de San Fernando foi fundada em 1477 e está adornada com um retábulo rococó do séc. XVIII, presidido por uma imagem do santo de autor desconhecido.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra bela capela é a do Socorro, construída no estilo renascentista em 1541 por Giovanni de Lugano. Tanto a capela quanto a imagem de N.Sra do Socorro foram realizados em mármore de Carrara.Famosa também é sua Pia Batismal, executada por Jacobo Florentino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA gótica Capela de San Bartolomé acolhe um quadro do santo de começo do séc. XIX, atribuído a Manuel Lázaro Meroño, uma cópia do grande pintor espanhol José de Ribera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo entanto, apesar da beleza e importância de cada uma destas capelas, a mais famosa é a Capela dos Vélez, situada na parte de trás do Altar Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta maravilhosa capela foi construída durante o reinado dos Reis Católicos. Sua construção foi encomendada por Juan de Chacón, Adelantado de Murcia, em 1490 e finalizada em 1507 por seu filho D. Pedro Fajardo, Marquês de Vélez.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO autor do projeto é desconhecido, e sua exuberante decoração lhe valeu o título de Monumento Nacional em 1928. Fiquei um bom tempo contemplando esta joia da catedral, uma das obras mais destacadas do Gótico Espanhol. A seguir, vemos sua bôveda de crucería em forma de estrela de oito pontas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, uma das pinturas murais que se conservam no interior da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConcluímos a matéria com a imagem de um dos vitrais da catedral, com a representação de São Francisco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo e último post sobre a Catedral de Murcia, veremos o interessantíssimo Museu Catedralício, que complementa a visita ao templo.

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Catedral de Murcia

A Catedral de Murcia é considerada o monumento mais emblemático da cidade. Realmente, é uma verdadeira joia situada no coração da Murcia Medieval. Sua impressionante fachada principal preside a Praça do Cardeal Belluga, um dos principais pontos de encontro de seus habitantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi construída no mesmo local onde anteriormente se erguia a Mesquita Maior de Murcia. Dedicada à Virgem Maria, o primeiro que chama a atenção ao contemplá-la é sua impressionante combinação de estilos, fruto de sua prolongada construção e das distintas fases em que foi edificada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs obras da Catedral de Murcia se iniciaram em 1394 no estilo gótico e se prolongaram até 1751, quando foi terminada no estilo barroco. No entanto, sua consagração se deu muito antes, em 1467. A denominada Porta dos Apóstolos é um magnífico exemplo da Arte Gótica, construída em 1463. Seu nome se deve à representação dos apóstolos em sua parte lateral. Abaixo, vemos uma imagem geral da porta e as esculturas de São Pedro e São Paulo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado da Porta dos Apóstolos vemos o exterior da maravilhosa Capela dos Vélez, de finais do séc. XV, que veremos no próximo post.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra das portas monumentais da catedral, denominada Porta das Cadenas, está localizada na Praça da Cruz, que vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Porta das Cadenas pertence ao estilo renascentista, e foi construída no séc. XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Fachada Principal do templo possui merecidamente o título de uma das melhores amostras do Barroco Espanhol. Foi realizada pelo arquiteto Jaime Bert, no séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi idealizada como se fosse um retábulo, com numerosas esculturas que a decoram.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstá dividida em dois corpos horizontais e três verticais, e a magnífica execução de suas esculturas a torna ainda mais bela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre as muitas que podem ser admiradas, sobressai o grupo escultórico da Coroação da Virgem Maria, situado na parte superior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro elemento de destaque no exterior da catedral é sua esbelta e imponente torre. Com 95m de altura, representa um dos símbolos da cidade e domina a paisagem urbana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA primeira parte da torre foi levantada no estilo renascentista entre 1521 e 1555, por Jacobo Florentino, amigo de Miquelângelo, e Jerónimo Quijano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPorém, as obras tiveram que ser interrompidas até o séc. XVIII, momento em que o barroco era a corrente artística predominante. Por este motivo, o segundo corpo da torre, que compreende o relógio e as campanas, foi erguido neste estilo pelo arquiteto José López. Finalmente, Ventura Rodríguez rematou a torre com uma linterna neoclássica. A torre finalizou-se completamente em 1792, e possui 20 campanas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa próxima matéria, descobriremos o interior da Catedral de Murcia

Murcia

A Comunidade Murciana, uma das 17 comunidades autônomas que constituem a Espanha, situa-se na região sudeste da Península Ibérica. Seu clima mediterrâneo com algumas características semidesérticas lhe proporciona muitos dias ensolarados ao ano, com escassas precipitações. Por este motivo, os 180 km de litoral que possui se transformaram num importante destino turístico, tanto a nível nacional, quanto estrangeiro. Sua capital, Murcia, é uma agradável cidade com aproximadamente 400 mil habitantes, cuja população é aberta e hospitaleira. Estive por primeira vez na cidade há alguns meses atrás, e fiquei encantado com sua história, gente e gastronomia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Comunidade Murciana é conhecida como a “Horta da Espanha”, graças a importância de sua agricultura, na qual se destacam suas verduras e legumes. O elemento essencial de sua fertilidade é o Rio Segura, que corta a comunidade e atravessa a cidade de Murcia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu desenvolvimento esteve intimamente relacionado ao rio e sua agricultura prosperou graças ao eficiente sistema de irrigação criado pelos árabes, os fundadores da cidade. Na foto acima, vemos a Ponte Velha, a mais antiga da cidade. Abaixo, vemos uma antiga foto, tirada mais ou menos do mesmo local, com a torre da catedral no lado esquerdo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Ponte Velha, feita totalmente de pedra, finalizou-se em 1742 e substituiu uma anterior de madeira, que se destruiu depois de uma enchente provocada pelo Rio Segura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte central da ponte podemos observar um marcador que foi colocado para determinar a altura do rio durante as épocas de maior quantidade de água.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Ponte Velha também é conhecida como a Ponte dos Perigos, em virtude da capela que se situa num dos lados do rio e que alberga a imagem da Virgem dos Perigos, de grande veneração na cidade. Segundo a tradição, a santa protegia os murcianos toda a vez que cruzavam o rio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem próximo a ponte foi colocada uma curiosa escultura de um enorme peixe…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA segunda ponte construída na cidade ficou conhecida como a Ponte Nova, também chamada Ponte de Ferro, devido a sua estrutura metálica composta por vigas parabólicas. Projetada em 1894 pelo arquiteto José María Ortíz, foi concluída em 1903 e seu uso é exclusivo para pedestres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs habitantes de Murcia possuem outra alternativa para atravessar o rio, através de uma bela passarela, construída há alguns anos atrás.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cidade de Murcia foi fundada pelos árabes em torno ao ano 825. Com o objetivo de acabar com as constantes lutas internas entre os distintos grupos árabes da região, o emir de Córdoba Abderramán III decidiu fundar um novo núcleo urbano, em que pudesse exercer a autoridade no lugar. Bem protegida por sólidas muralhas, a Mursiya muçulmana desenvolveu-se rapidamente, transformando-se num importante centro regional. Deste período se conservam uma parte das muralhas, pertencentes ao séc. XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1266, Murcia foi reconquistada pelo rei Jaime I, “El Conquistador”, no momento de maior esplendor de sua época árabe. Depois deste grande acontecimento histórico, o sistema defensivo da cidade continuou sendo utilizado, mas sofreu várias reformas durante a Idade Média. Uma parte deste complexo defensivo pode ser visitado num museu que conserva os restos de sua muralha medieval.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO museu, que chama a atenção por sua combinação de cedro americano, aço e vidro, está localizado na Praça de Santa Eulália, cujo nome é uma referência a uma das portas de acesso da muralha medieval edificada no séc. XV, que podemos ver no museu. Um moderno sistema de áudio e vídeo ajuda a entender a importância histórica da muralha e sua evolução ao longo dos séculos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm painel com os distintos nomes que a porta recebeu no decorrer de sua história também foi colocado no museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANos próximos posts, veremos as muitas atrações que nos reserva a cidade de Murcia, suas praças, monumentos, a bela catedral, o impactante cassino, etc.

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Museu Lázaro Galdiano – Artes Decorativas

O Museu Lázaro Galdiano conta com uma incrível coleção de objetos decorativos, feitos dos mais variados materiais e de diversas procedências. Reflete o gosto pessoal artístico de Lázaro Galdiano, que foi capaz de organizar uma das melhores coleções de peças decorativas do país. Neste post, que encerra a matéria sobre este imprescindível museu, veremos alguns destes objetos. Abaixo, uma linda taça do séc. XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAExiste uma sala do museu dedicada a exposição de diversas armas adquiridas por Lázaro Galdiano

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm poço de água da época muçulmana na Espanha

OLYMPUS DIGITAL CAMERAObjetos feitos de marfim, de grande refinamento e raridade nos museus espanhóis…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA coleção inclui excelentes mostras de cerâmica e vasos gregos…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAArquetas feitas de esmalte fabricadas em Limonge (França), considerada o grande centro produtor destes objetos desde a Idade Média…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADos objetos feitos de madeira, vemos este maravilhoso escritório de gabinete feito na Alemanha no séc. XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPeças de tecido também podem ser admiradas, incluindo exemplares chineses dos séculos XVI e XVII…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitas outras peças poderão ser contempladas neste museu, cuja visita recomendo sem vacilar. Como vimos, está situado na Calle Serrano em pleno Bairro de Salamanca, uma das zonas mais nobres de Madrid. A partir do próximo post, conheceremos a Comunidade Murciana, local onde estive recentemente visitando sua capital, Murcia, e a histórica cidade de Cartagena. Até lá…

Museu Lázaro Galdiano – Arte Europeia

Além da pintura espanhola, motivo de orgulho para Lázaro Galdiano, o museu que reúne sua coleção artística possui uma grande quantidade de obras pictóricas de outras escolas europeias, como a francesa, italiana, flamenca, alemã e, inclusive, inglesa, uma raridade nos museus do país. Segundo o próprio Lázaro Galdiano, a apreciação da arte desenvolvida no continente ao longo dos séculos proporcionaria uma elevação do nível cultural do povo espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas das escolas representadas no museu, como a italiana e a flamenca, estão intimamente relacionadas com a arte espanhola, pois foram habituais na corte do país importantes pintores de ambas, como Ticiano e Rubens, por exemplo. Veremos, pois, as obras que mais me impressionaram daquelas que compõem o acervo do museu, referentes às escolas citadas. Da Arte Flamenca, podemos admirar um belo quadro pertencente ao grupo de El Bosco, nome pelo qual é conhecido aqui na Espanha o pintor Hieronymus Bosch. O quadro foi realizado em 1500.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADa primeira metade do séc. XVI, vemos o Tríptico da Adoração dos Reis Magos, de Jan Van  Dornicke.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe 1552, o retrato do rei D.Juan III de Portugal, executado por um dos grandes retratistas deste século, Antonio Moro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe mediados do séc. XVII, podemos admirar a obra “A Entrada na Arca de Noé“, de Jan Brueghel

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA coleção de obras italianas também se destaca por seu valor artístico. De Jacobo Chimanti de Empoli, vemos a “Estigmatização de São Francisco“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA arte italiana compreende um período histórico que vai do séc. XIV ao XVIII. Abaixo, uma maravilhosa escultura do florentino Michelangelo Naccherino, em que retrata a Cristo preso à coluna, de 1614.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA pintura gótica europeia pode ser admirada nas salas do museu, como neste quadro em que se representa a Crucificação de Cristo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo e último post sobre o Museu Lázaro Galdiano, veremos a incrível coleção de Artes Decorativas que alberga. Imperdível….

Museu Lázaro Galdiano – Pintura Espanhola (Parte 2)

Lázaro Galdiano formou uma pinacoteca que, além de seu enorme valor, servisse de referência para avaliar a importância artística da Espanha e de sua própria história. Como outros grandes colecionadores da época, mostrou especial predileção pelos retratos de homens e mulheres ilustres, cuja coleção presente no museu é representativa de vários períodos, como veremos a seguir. O pintor Alonso Sánchez Coelho (1531/1588), por exemplo, tornou-se famoso por sua capacidade como retratista. Pintor de câmara do rei Felipe II, suas obras enaltecem os detalhes e a penetração psicológica do personagem, como neste quadro de Ana de Áustria (1549/1580), quarta esposa do rei Felipe II.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta obra é considerada uma das mais refinadas da pintura cortesana do reinado de Felipe II. Do período barroco, destacam os retratos de Sebastián Herrera Barnuevo (Madrid-1619/1671). Além de pintor de câmara do rei Carlos II, foi também escultor e arquiteto. Realizou o retrato do monarca quando menino, que vemos abaixo. Carlos II (Madrid-1661/1700) passaria a posteridade com o apelido de “El Hechizado” (O Enfeitiçado) por seus problemas de saúde, baixa estatura e esterilidade. Filho e herdeiro de Felipe IV e Mariana de Äustria, morreu sem descendência, fato que provocou a Guerra da Sucessão Espanhola e a chegada da Dinastia dos Bourbones ao trono espanhol, com o rei Felipe V.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs monarcas e rainhas de Espanha foram representados não só por pintores espanhóis, mas também por artistas estrangeiros, como Ticiano, por exemplo. Considerado um dos precursores do neoclassicismo, Anton Raphael Mengs (1728/1779) foi um grande  pintor alemão, além de teórico da arte, tornando-se célebre pelos retratos que realizou da corte europeia. Foi convidado pelo rei Carlos III para residir em Madrid, e nomeado pintor real. Retratou o monarca nesta importante obra que vemos na sequência. Carlos III (Madrid-1716/1788) era filho de Felipe V e Isabel de Farnesio. Entre 1734 e 1759 tornou-se o Rei de Nápoles e Sicília. Em 1759 foi proclamado Rei de Espanha, cujo reinado caracterizou-se pelas amplas reformas urbanas realizadas na capital. Por este motivo, passou a ser conhecido como o Rei Alcalde, sendo considerado até hoje como um dos melhores administradores que a cidade já teve em sua história.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA estética neoclássica na Espanha foi enriquecida com a obra de Zacarías González Velázquez (Madrid-1763/1834). Formado pela Real Academia de Belas Artes de San Fernando em Madrid, tornou-se posteriormente diretor desta instituição fundamental na vida artística do país. Sua capacidade criativa pode ser apreciada no refinamento de suas obras, que pode ser vista no quadro em que representa a Manuela González Velázquez tocando o piano, um quadro de forte influência francesa pintado entre 1820 e 1821.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos artistas espanhóis mais admirados por Lázaro Galdiano foi Francisco de Goya. Adquiriu várias obras do pintor aragonês, cujo conjunto representa uma das maiores atrações do museu. Abaixo, o Enterro de Cristo, realizado entre 1771 e 1772.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO quadro La Era ou El Verano, de 1786…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo período compreendido entre 1797 e 1799, o Museu Lázaro Galdiano conta com várias obras do pintor, como esta Madalena Penitente, de grande influência impressionista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa imagem abaixo, vemos a Santa Isabel curando as chagas de um enferma (esquerda) e San Hermenegildo na prisão (direita).

OLYMPUS DIGITAL CAMERADuas das obras mais apreciadas do acervo pictórico do museu representam o mundo tenebroso de Goya, como o quadro El Conjuro o las Brujas

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE o Aquelarre, nome pelo qual se conhece as reuniões de bruxas para a realização de rituais e feitiços.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA presença de artistas estrangeiros na coleção de Lázaro Galdiano ampliaria o conhecimento do povo espanhol em relação à arte que se desenvolvia no continente, contribuindo para sua educação cultural. No próximo post, veremos algumas das principais obras das escolas italiana, flamenca, alemã, etc, presentes no museu.

Museu Lázaro Galdiano – Pintura Espanhola

Um dos melhores motivos para se visitar o Museu Lázaro Galdiano é sua excelente pinacoteca. Formada tanto por artistas estrangeiros quanto espanhóis, nele estão representados alguns dos melhores pintores que a Espanha produziu. O acervo abarca desde a pintura gótica até o séc. XIX. Em sua atividade colecionista, Lázaro Galdiano tinha especial apreço pelas obras góticas e renascentistas. Com grande oportunismo, conseguiu adquirir quadros de grande qualidade por um bom preço. Os pintores góticos, denominados os Primitivos Espanhóis, na época eram pouco valorizados em seu próprio país. Lázaro Galdiano, ao comprar estes quadros, procurou que o público espanhol pudesse conhecer seu passado artístico e os artistas relacionados aos séc. XV e XVI, possibilitando uma nova visão de sua história cultural. Abaixo, vemos um quadro de Blasco de Grañén, pintado em 1439 com a representação da Virgem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1500, o chamado Mestre de Manzanillo realizou esta obra, em que aparecem os Reis Católicos junto com Santa Elena e Santa Bárbara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO século XVI representou uma fase de transição para a Pintura Espanhola, quando os novos modelos e influências renascentistas, tanto de Itália, quanto de Flandes, propiciaram uma mudança estética em sua arte. O Renascimento Italiano ofereceu uma reflexão científica da imagem representada, enquanto a Arte Flamenca enfatizava uma visão mais naturalista, com predomínio dos valores expressivos e emocionais. Um dos primeiros representantes do Renascimento em Castilla é conhecido como o Mestre de Astorga. No museu podemos admirar duas de suas obras, em que representa o desembarque do corpo do Apóstolo Santiago e seu transporte a Santiago de Compostela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA riqueza e expansão marítima nos séculos XVI e XVII possibilitaram o florescimento das artes, dando início ao apogeu da cultura espanhola, momento em que surgiram os grande nomes de sua literatura e de sua produção pictórica, com nomes mundialmente famosos. O denominado Siglo de Oro (Século de Ouro) está muito bem representado no museu, com obras fundamentais para sua apreciação. El Greco, por exemplo, realizou este quadro de São Francisco de Assis (1577/1580), um dos muitos que pintou, com um perfeito desenho do rosto, belos efeitos de luz, refinado colorido e uma bela expressão do olhar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Seu filho Jorge Manuel realizou o quadro que vemos abaixo, em sua parte superior, entre 1609 e 1612.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom o advento do barroco no séc. XVII, a Pintura Espanhola rompe com o idealismo do período anterior, mostrando um acentuado realismo. Um dos pintores que melhor definem o Barroco Espanhol foi Bartolomé Esteban Murillo (Sevilha:1617/1652). Em suas obras, predomina a temática religiosa, mas também cultivou a pintura de gênero. Seu nome está associado aos quadros de Virgens que realizou, puras e delicadas. Sempre foi um artista mais conhecido e apreciado fora da Espanha. Dele é a representação de Santa Rosa de Lima, pintado em 1670.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFrancisco de Zurbarán (Fuente de Cantos-1598/Madrid-1664) é outro dos maiores expoentes da Pintura Barroca Espanhola. É considerado o máximo representante do denominado naturalismo tenebrista na Espanha, com grande influência do pintor italiano Caravaggio. Contemporâneo e grande amigo de Velázquez, destacou-se na pintura religiosa, com obras de um intenso misticismo, característico do período da Contrarreforma. A seguir, vemos dois quadros de Zurbarán expostos no museu, um que representa a Imaculada Conceição e outro com a imagem da Virgem da Merced.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro dos grandes pintores do Século de Ouro foi José de Ribera (Xátiva-1591/Nápoles-1652). Desenvolveu sua carreira na Itália, precisamente em Nápoles, onde era conhecido como “Lo Spagnoletto“, devido a sua baixa estatura. Realizou este quadro de São Bartolomeu, exposto no Museu Lázaro Galdiano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPertencente ao Barroco Pleno, Cláudio Coelho (1642/1693) nasceu e morreu em Madrid, lugar onde realizou inúmeros altares para as igrejas e conventos da cidade e região. No governo do monarca Carlos II, foi nomeado pintor real. Abaixo, vemos um quadro da Imaculada Conceição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos alguns belos retratos da Pintura Espanhola e um dos pintores mais apreciados por Lázaro Galdiano, Francisco de Goya.