Igreja de San Pedro – Ciudad Real

A Igreja de San Pedro é uma das três construções góticas que podemos contemplar em Ciudad Real. Foi construída na segunda metade do século XIV, uma época de florescimento na cidade, provocada pelo aumento demográfico ocorrido neste momento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta bela igreja possui 3 portas de acesso. Abaixo, vemos duas delas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs igrejas góticas iniciavam sua construção pela cabeçeira do templo, para que fosse consagrada o mais rápido possível, sendo possibilitada ao culto. Sua parte exterior é conhecida como ábside, e o da Igreja de San Pedro é muito interessante, com seu formato poligonal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO  interior do templo possui 3 naves, sendo a central mais larga e alta que as duas naves laterais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAcima, vemos a nave central e, abaixo, uma das naves laterais

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das partes mais destacadas do interior é a Capela dos Coca, belamente decorada, como observamos em sua porta de acesso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA capela acolhe o sepulcro de D. Fernando Alonso de Coca, confessor de Isabel La Católica e impulsor da construção da igreja, uma obra flamenca do século XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm maravilhoso retábulo dedicado a Nossa Senhora do Loreto preside o conjunto da capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja possui duas emotivas imagens de Jesus Nazareno e do Sagrado Coração de Maria

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Guerra Civil Espanhola (1936/1939), a igreja foi utilizada como armazém de grãos. Quando lá estive, a igreja estava sendo preparada para um casamento….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1974, a Igreja de San Pedro recebeu o título de Monumento Nacional, merecido por sua beleza construtiva e importância histórica.

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Ciudad Real – Comunidade de Castilla La Mancha

Ciudad Real é a capital da província homônima, uma das 5 que compõem a Comunidade de Castilla La Mancha (as demais são Toledo, Guadalajara, Cuenca e Albacete). Com uma população de 75 mil habitantes, conta com um interessante patrimônio histórico, infelizmente muitas vezes não devidamente valorizado pelos próprios espanhóis. Num final de semana decidi conhecer a cidade, e encontrei um lugar agradável para passear e com muita coisa interessante para ver.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASomente em relação ao seu patrimônio religioso, a cidade possui três igrejas góticas, incluída a catedral, o que reflete sua importância histórica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi fundada pelo rei Alfonso X “El Sábio” em 1255, com a finalidade de deter o crescente poder das Ordens Militares, especialmente a de Calatrava, que dominava o território onde se localiza. Inicialmente chamada Villa Real, o objetivo do monarca era diminuir seu poder e influência, criando uma cidade de realengo, que estivesse submetida à sua autoridade. Abaixo, vemos a escultura em homenagem ao rei fundador, situada em plena Praça Maior de Ciudad Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPara proteger a cidade, Alfonso X ordenou a construção de um recinto de muralhas formado por 130 torres, com 7 portas de acesso ao interior. A única que se conserva é a magnífica Porta de Toledo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInspirada na arquitetura muçulmana, está sustentada por duas torres. Possui uma grande complexidade em relação aos seus vários arcos. Os exteriores são ojivais, os intermediários são de ferradura e os internos, góticos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Porta de Toledo foi finalizada em 1328, como indica uma inscrição, e foi declarada Monumento Nacional em 1915.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERALogo depois de sua fundação, na cidade passaram a conviver cristãos, judeus e muçulmanos, estando dividida em três paróquias, a de Santa María, de San Pedro e de Santiago. Ciudad Real chegou a ter uma das mais importantes juderias, ou bairro judeu, do antigo Reino de Castilla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1420, o rei Juan II lhe concedeu o título de cidade, por seu apoio contra as ordens militares, momento em que passou a ser denominada Ciudad Real. Sua época de maior esplendor se verificou na época dos Reis Católicos (final do século XV e princípio do XVI). O aumento populacional e das atividades comerciais relacionadas à produção de lã, couro e vinho fizeram com que os Reis Católicos ordenassem a construção de importantes órgãos administrativos. Em 1488 se estabelece o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição e, seis anos mais tarde, a Real Chancelaría, o principal órgão de justiça do reino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a expulsão das comunidades judia e muçulmana, a população diminuiu e a cidade entrou num período de decadência, do qual se recuperou apenas no século XIX, com a chegada da ferrovia. Em 1691, tornou-se a capital da Comarca de La Mancha e em 1833 criou-se a Província de Ciudad Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Guerra da Independência, ocorrida no princípio do século XIX, a cidade foi ocupada pelas tropas francesas até 1813, destruindo uma importante parte de seu patrimônio, especialmente religioso. A cidade se orgulha de ser conhecida como a “Capital del Quijote“, e as referências ao grande escritor Miguel de Cervantes e sua obra mais conhecida são abundantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANos próximos posts, vocês poderão conhecer um pouco mais sobre a cidade, e comprovar que ela merece uma visita, sem sombra de dúvida !

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Igreja das Calatravas – Madrid

Num segundo momento, o Barroco em Madrid entra numa fase mais ornamental. As linhas curvas se destacam e o interior dos templos é invadido por retábulos de grande complexidade. Inicia-se por volta de 1660 e entra em decadência na década de 40 do século XVIII. Um exemplo deste tipo de barroco é a Igreja das Calatravas, situada na Calle de Alcalá.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste templo foi mandado construir pelo rei Felipe IV para a Ordem Militar de Calatrava, onde se ordenavam os cavalheiros de dita organização. A igreja integrava o convento, que foi destruído durante o século XIX devido à Desamortizaçao de Mendizábal. Graças à intervenção de personalidades influentes, a igreja escapou de ser derrubada. No mesmo local onde se levantou o convento, existia um palácio de uma família nobre cuja filha foi amante de Felipe IV, como muitas outras damas de Madrid

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO nome completo do templo era Convento de la Concepción Real de la Orden de las Comendadoras de Calatrava, e durante séculos sua cúpula dominou o horizonte da Calle de Alcalá, antes que modernos edifícios nas proximidades fossem construídos, ocultando seu perfil na modernidade. Abaixo, vemos uma foto antiga da Calle de Alcalá, onde podemos observar a cúpula no lado esquerdo da imagem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO conjunto convento-igreja foi projetado pelo arquiteto Fray Lorenzo de San Nicolás entre 1670 e 1678. A fachada que estamos vendo foi, no entanto, reformada em 1858 no estilo neo-renascentista por Juan de Madrazo y Kuntz, onde destaca sua cor avermelhada e a cruz da Ordem de Calatrava em seu rosetón (roseta, em português).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta ordem foi fundada em 1158 durante o período da reconquista para defender a cidade e o castelo de Calatrava, situados na atual Província de Ciudad Real, Comunidade de Castilla La Mancha, constantemente atacados pelas tropas árabes. Logo se fundaram conventos femininos para acolher as mulheres e filhas daqueles que partiram à guerra, cuja missão era orar por seu triunfo. Com o tempo, estes conventos se transformaram em centros educacionais de prestígio para a nobreza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA história da Ordem de Calatrava, a diferença de outras ordens militares, é bem conhecida graças aos relatos do Bispo de Toledo Rodrigo Jiménez de Rada (1170/1247), promotor da construção da Catedral de Toledo. A ordem foi fundada pelo abade Don Raimundo, pertencente ao Monastério de Fitero de Navarra, sendo regida pelos ditames da Regra de San Benito e da Ordem Religiosa dos Cistercenses.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Cruz da Ordem de Calatrava pode ser vista como elemento decorativo em vários lugares da igreja, como em uma de suas portas de acesso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos as distintas Ordens Militares existentes ao longo da história espanhola e os escudos a elas relacionadas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa fachada exterior da igreja, vemos uma escultura da Imaculada Conceição que preside o templo, realizada por Sabino Medina.

dsc01993A riqueza decorativa de seu interior originou a frase que diz ” Na Igreja de Calatrava se encontram todos os santos…”. Abaixo, vemos a Virgem Negra de Montserrat, Padroeira da Catalunha e a Virgem do Pilar, Padroeira da Espanha e do Mundo Hispano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta segunda fase do barroco é conhecida como Estilo Churrigueresco, uma referência a José Benito de Churriguera (Madrid: 1665/1725), que realizou retábulos maravilhosos, caracterizados por sua suntuosa decoração. O artista realizou sua única obra na cidade justamente para a Igreja das Calatravas em 1720, dedicada a San Raimundo de Fitero, fundador da ordem. Uma pena que, quando estava tirando as fotos do interior, fui avisado que elas não estavam permitidas, e pude tirar apenas uma do retábulo, que não ficou grande coisa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste barroco intenso e expressivo foi posteriormente desprezado pelo estilo neoclássico por seu exagero decorativo, sendo contrário aos princípios elaborados pela instituição reguladora do novo estilo que se impôs, a Real Academia de Belas Artes de San Fernando, também situada na Calle de Alcalá (ver matéria publicada entre 31/5/2014 e 6/6/2014). Apesar disso, o Estilo Churrigueresco tornou.se muito popular e expandiu-se pelo país e, inclusive, pela América latina. No início do século XXI, a Igreja das Calatravas foi novamente restaurada, depois de décadas abandonada…

 

Igreja do Corpus Christi – Madrid

Madrid é uma cidade eminentemente barroca, em quanto a maioria de suas igrejas históricas. No princípio do século XVII, era  a capital de um grande império, e as ordens religiosas desejavam ter uma “casa mãe” na cidade. A Contrarreforma, que foi criada para deter o avance protestante na Europa, teve na Espanha e em sua monarquia o aliado principal  e sua grande defensora. Como consequência, Madrid torna-se uma cidade conventual. Tamanha concentração de templos atraiu a um grande contingente de artistas portugueses, italianos, flamencos, além dos próprios espanhóis, evidentemente, para decorar as inúmeras igrejas que se edificavam. A fase inicial do desenvolvimento do estilo barroco em Madrid possui algumas características que podemos identificar, como a simplicidade e austeridade exterior, mas uma rica coleção de imagens sacras no interior, destinadas à veneração dos santos como exemplo de conduta e a propagação da fé católica. Quadros e estátuas recriam a vida dos santos cristãos e os mistérios da fé católica para uma população em grande parte analfabeta, possibilitando a compreensão da doutrina. Um exemplo perfeito deste momento inicial na evolução do barroco na cidade é a Igreja de Corpus Christi, situada perto da Praça Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Apesar de sua localização em pleno Centro Histórico de Madrid, muitos habitantes da cidade nem sequer sabem de sua existência, ao estar numa praça algo escondida dos principais pontos turísticos e das ruas mais importantes. A Igreja do Corpus Christi é uma das mais acolhedoras da fase inicial do barroco madrilenho e, milagrosamente, chegou intacta aos dias atuais, sem qualquer tipo de reforma ou ampliação desde que foi construída em 1607. Na singela porta vemos as esculturas de Santa Paula e São Jerônimo adorando o Corpus Christi.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro elemento que caracteriza esta fase primeira do barroco é o predomínio da linha reta sobre a curva, um aspecto sobrevivente do estilo anterior, o renascimento, principalmente relacionado com o monumento mais representativo deste estilo na Espanha, o Monastério de El Escorial, e seu principal artífice, o arquiteto Juan de Herrera. Na realidade, a igreja integra um conjunto maior, o Monastério de Jerónimas del Corpus Christi, um convento de clausura que continua funcionando como tal, sendo que suas freiras seguem fabricando seus deliciosos doces, cuja produção não atende a demanda, pois são poucas e de idade…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO convento foi fundado por Beatriz Ramírez de Mendoza,  descendente de outra Beatriz que tornou-se famosa por ser a educadora dos filhos de Isabel La Católica, Beatriz Galindo, que realizou diversas obras assistenciais na cidade. Entre outras qualidades, possuía um domínio perfeito do latim. Um dos principais bairros de Madrid para comer tapas homenageia esta mulher avançada para a época em que viveu, com o apelido que ficou conhecida, “La Latina“. O projeto construtivo da igreja e do convento se deve ao arquiteto Miguel de Soria, que realizou um templo de uma nave, como vemos acima.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm fato curioso repercutiu de forma permanente para a igreja e o nome como ela popularmente passou a ser conhecida foi o achado de um quadro da Imaculada Conceição numa carbonería, local onde se produz o carbón, carvão em português. Este quadro foi adquirido por uma frade franciscano, que o levou ao convento mais próximo onde se encontrava, o Convento do Corpus Christi. Uma vez colocado no interior da igreja, adquiriu a fama de milagroso por seus devotos. A partir deste momento, a igreja ficou conhecida como “Las Carboneras“, as freiras que custodiaram a obra. Abaixo, vemos dito quadro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior da igreja guarda inúmeras obras de importância artística, como o Retábulo Maior do século XVII, uma magnífica obra de Antón de Morales, síntese magistral de arquitetura, pintura e escultura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO destaque do retábulo é um excelente quadro da Última Ceia realizado por Vicente Carducho, raro por seu posicionamento vertical. A ambos lados, ente colunas de Ordem Corintio, vemos as esculturas de São Jerônimo (esquerda) e São João Batista (direita).

OLYMPUS DIGITAL CAMERACulmina o retábulo um calvário atribuído a Pompeo Leoni, escultor que realizou diversos e impressionantes bustos dos monarcas espanhóis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém do século XVII é o retábulo dedicado à Virgem das Tribulações e da Paz Interior, atribuído a Pedro de la Torre. A escultura da virgem foi realizada em 1812 por José de Tomás.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa próxima matéria, veremos a Igreja das Calatravas, pertencente à segunda fase do Barroco Madrilenho….

El Huerto del Cura – Elche

Na cidade de Elche designam-se Huertos a uma parcela de terra cultivada com palmeiras. Cada um deles possui um nome, relacionado ao seu proprietário. O Huerto del Cura é considerado a “Jóia do Palmeiral” e deve sua denominação ao pároco José Castaño Sánchez, que foi o cura (padre, em português) dono deste terreno até 1918.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara poder admirar a exuberância e beleza do Palmeiral de Elche, a visita ao Huerto del Cura é essencial. Possui 13 mil metros quadrados, e nele vivem cerca de mil palmeiras. Além desta espécie vegetal que deu fama à cidade, crescem no huerto outras espécies típicas do mediterrâneo espanhol, como os limoeiros, laranjeiras, etc.

20160809_123051OLYMPUS DIGITAL CAMERAA história do Palmeiral de Elche está repleta de fatos interessantes, como o protagonizado pelo rei Jaime I de Aragón, que ordenou a proteção do palmeiral ao sentir-se impressionado quando entrou por primeira vez na cidade em 1265. Na realidade, a cidade estava habitada por 90 % de agricultores árabes, e o corte das palmeiras produziria uma revolta civil. De qualquer maneira, a ordenança real representou uma das primeiras leis ecológicas outorgadas na Península Ibérica e por este motivo vemos um monumento em homenagem ao rei aragonês.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA existência do palmeiral, no entanto, sofreu momentos críticos, principalmente a partir do século XX com o desenvolvimento da indústria de calçados, que provocou a diminuição dos trabalhadores especializados no cultivo da palmeira. Como consequência, diminuiu também a área cultivada, e muitos palmeiras foram abandonados. Sua recuperação iniciou-se em 1983, quando passaram a depender do governo da Comunidade Autônoma.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Huerto del Cura possui um itinerário onde podemos conhecer as principais curiosidades deste terreno que foi declarado Jardim Histórico-Artístico Nacional em 1943. Um pequeno lago, por exemplo, está presidido por uma reprodução da Dama de Elche, escultura ibérica encontrada na cidade em 1897.

20160809_124812OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns locais do jardim são realmente uma maravilha…

20160809_125256Determinadas palmeiras ostentam um rótulo fixado no tronco indicando que foram dedicadas a personagens ilustres que visitaram o local, como a Rainha Victoria Eugenia em 1912. Abaixo, vemos a palmeira com seu nome.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara merecerem esta distinção, estas personalidades tiveram que ter um especial vínculo com a cidade de Elche, com o Huerto del Cura ou então que contribuíram de alguma forma para a evolução da humanidade. Desde 1894, cerca de 50 personalidades foram homenageados com esta honra.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInquestionavelmente, a mais famosa palmeira de toda a cidade é a denominada Palmeira Imperial, cujo nome se deve à imperatriz austríaca Sissi, esposa do imperador Francisco José I, que visitou o Huerto del Cura em 1894 e ficou maravilhada com sua singularidade. Exemplar único por sua grandiosidade e raridade, está formada por vários braços que cresceram de forma assimétrica a partir do mesmo tronco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPossui mais de 8 toneladas de peso e uma idade de 165 anos. Sua particularidade é que depois de completar 50 anos, tornou-se hermafrodita e de seu tronco nasceram os braços que se alimentam da seiva que sai do tronco principal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO jardim conta com uma excelente coleção de cactus, espécie própria de zonas secas,  que se adaptaram ao terreno.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA casa do cura, bem como sua capela privada, foram preservadas tal como foram construídas em 1900, com exceção do retábulo do altar, de estilo barroco castelhano (século XVIII) colocado pelos atuais proprietários.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACom este post sobre o Huerto del Cura nos despedimos do Palmeiral de Elche, Patrimônio da Humanidade, e da cidade, em busca de novos e interessantes lugares da Espanha para mostrar a vocês…

 

Palmeiral de Elche – Patrimônio da Humanidade

Quando imaginamos uma paisagem repleta de palmeiras, logo nos vem à mente as convidativas praias do nordeste brasileiro. Porém, esta bela espécie vegetal não é exclusiva dos países tropicais e a cidade de Elche é o maior exemplo disso. De fato,Elche é considerada como o “Palmeiral de Europa“, concentrando a maior quantidade de palmeiras de todo o continente, entre 200 e 300 mil, números que representam 85% das palmeiras existentes na Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA grande família das Palmeiras inclui ao redor de 2800 espécies distintas. Dentre elas, a conhecida como Palmeira Datilera conforma a maioria das existentes na cidade, sendo que foi a primeira de porte arbóreo a ser cultivada pelo homem civilizado, como demonstram gravados egípcios de mais de 5 mil anos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA vida da Palmeira Datilera oscila entre 200 e 300 anos, alcançando uma altura de até 30m. Seu fruto, o dátil, é saboroso e de alto valor energético. Suas folhas adquirem uma cor amarelada, sendo utilizada como matéria prima para a confecção de cestas, chapéus e outros produtos artesanais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbundante em toda a região mediterrânea, as palmeiras foram e continuam sendo a base econômica e agrícola de muitos países do  norte da África. Na realidade, não são árvores, nem possuem madeira propriamente dita. Integram o conjunto das denominadas plantas herbáceas de porte gigante, compostas por fibra vegetal, que a tornam resistentes e flexíveis ao vento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm Elche, as palmeiras formam verdadeiros bosques urbanos, dividindo o espaço com edifícios e construções numa interessante simbiose. Os locais onde se concentram se denominam hortas, que exploram sua produção, enquanto que em outros lugares possuem um efeito ornamental. Atualmente, existem 95 hortas na cidade, das quais a metade pertencem à prefeitura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAExiste unanimidade em afirmar a origem do Palmeiral de Elche aos fenícios, ou seja, sua existência na cidade remonta a aproximadamente entre 2 mil e 2500 anos. Provavelmente, as palmeiras faziam parte da dieta fenícia  em suas travessias marítimas e encontraram na Espanha o habitat perfeito para seu desenvolvimento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPor outro lado, as técnicas de cultivo e irrigação se devem aos árabes. Hábeis agricultores nas regiões mais secas do planeta, os árabes foram capazes de tirar proveito de uma terra que, aparentemente, não era adequada para seu cultivo em Elche. Além de construir um eficiente sistema de irrigação, desenvolveram um sistema de cultivo que passou a ser conhecido como Agricultura Intensiva, e as colheitas atuais continuam utilizando os mesmos métodos idealizados pelos árabes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas das palmeiras existentes em Elche adquiriram uma curiosa forma derivada de problemas relacionados com seu crescimento, criando uma posição mais horizontal, mas sem chegar a cair.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstas curiosas formações de palmeiras são conhecidas como Pipa, e a mais comprida da cidade se denomina Pipa de Sempere, que recebe o nome da horta onde se encontra. Uma técnica habitual que se utiliza para que não caia é colocar um pequeno pedaço de tronco na sua extremidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAÀs vezes, o crescimento da planta ocorre de forma espiral….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Palmeiral de Elche foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, graças à sua importância ecológica e a extensão de seus bosques na cidade. Um dos locais mais belos onde podemos apreciá-lo é a Horta del Cura, que veremos na próxima matéria…

Basílica de Santa Maria e o “Mistério de Elche”

Prosseguindo nosso passeio pelo Centro Histórico de Elche, na matéria de hoje veremos a Basílica de Santa Maria e a festa denominada de “O Mistério de Elche“, declarada Patrimônio Imaterial Da Humanidade, título outorgado pela Unesco em 2001. Antes, porém, vale a pena mencionar o Ayuntamiento da cidade, ou se preferirem, a Casa da Vila, como se conhece o edifício da Prefeitura de Elche.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta é uma das Casas Consistoriais mais antigas da Comunidade Valenciana, já que o conselho nela se reúne desde 1445. A torre que vemos na foto foi erguida em 1458. No século XVIII, reformas foram realizadas, conferindo-lhe um aspecto barroco ao edifício. Antigamente, se encontrava adossada à muralha. Abaixo, vemos outro edifício pertencente à Prefeitura de Elche, completamente diferente em quanto a época de construção e sua arquitetura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar dos escassos restos de sua origem árabe, em meu passeio pela cidade pude observar alguns edifícios inspirados em sua arquitetura, como o que vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Oficina de Turismo da cidade foi igualmente construída e inspirada nos elementos arquitetônicos árabes…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPrincipal templo religioso da cidade, a Basílica de Santa Maria foi edificada no mesmo local onde antigamente se erguia a Mesquita Árabe, derrubada depois da reconquista de Elche em 1265.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja atual começou a ser construída em 1672 e as obras finalizaram em 1784. Sua portada, que vemos no destaque acima, é considerada uma das mais belas do Barroco Valenciano, e foi realizada por Nicolás de Bussi entre 1680 e 1682.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar de ostentar o título de Basílica Menor, os habitantes da cidade a chamam de “A Catedral de Elche“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir vemos uma foto da cúpula, tirada da Torre de Calahora, que vimos num post recente…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAElche é uma cidade muito devota à Virgem Maria, e no interior da basílica se realiza entre os dias 14 e 15 de agosto uma representação teatral conhecida como “O Mistério de Elche“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta festividade em honra à Virgem Maria é considerada a única representação conhecida no ocidente realizada no interior de uma igreja, depois que o Concílio de Trento (1545/1563) proibiu este tipo de manifestação nos templos religiosos. Também conhecido como um Autosacramental, este drama litúrgico representa a morte, assunção e coroação da Virgem Maria através de cenas teatrais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua história se remonta ao século XII, e um grande contingente de atores profissionais ensaiam durante todo o ano para a ocasião. O trabalho para sua realização é elevado, com especial cuidado para a indumentária que os atores utilizam, minuciosamente confeccionadas segundo uma tradição secular.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cerimônia dura 8 horas, dividida em dois atos, cada qual celebrado num dia. Cantos medievais complementam o drama, e seguem uma partitura que data de 1639, embora exista a crença de que se trata de uma cópia de uma mais antiga.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo exterior da Basílica de Santa Maria foi colocada uma escultura de bronze que representa uma das cenas da festa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO momento principal do drama ocorre quando uma imagem da Virgem é elevada à cúpula da igreja, representando  sua ascensão ao céu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO “Mistério de Elche” recria os últimos momentos da Virgem, que ao aproximar da hora de sua morte, pede a Deus para que possa ver por última vez os apóstolos e despedir-se. Pouco a pouco, os apóstolos chegam de terras distantes e a Virgem morre em paz. Todos juntos assistem sua elevação e sua coroação como Rainha do Céu. Apesar de não me encontrar nas datas em que a festa é celebrada, pude ver vídeos da mesma no chamado Museu da Festa, dedicado ao “Mistério de Elche”. Uma pena que as fotos não estão permitidas. Abaixo, vemos o exterior do museu…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO “Mistério de Elche” recebeu vários títulos importantes, como Monumento Artístico Nacional em 1931 e o de Patrimônio Imaterial da Humanidade em 2001. No youtube existem vários vídeos disponíveis, dando uma ideia desta festa de origem medieval, e da emoção que sentem todos (as) que nela participam.