Os Verracos de Ávila

Entre os séculos IV e I aC, as Províncias de Ávila, Salamanca, Toledo e Cáceres estiveram habitadas por um povo pré-romano, chamados Vettones. Essencialmente voltados à pecuária, viviam em povoados fortificados denominados Castros. Normalmente situavam-se em zonas de fácil defesa e de grande valor estratégico, que lhes permitiam controlar um extenso território. Seus símbolos mais conhecidos são os Verracos, representações zoomórficas de touros, porcos e javali, realizados em grandes blocos de pedra.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cidade de Ávila é rica neste tipo de manifestações, relacionadas com estes povos que a habitaram na Idade de Ferro. Podemos encontrá-los nas praças e no interior de palacios, que foram trazidos nos séculos XV e XVI para decorar a entrada dos mesmos com uma conotação de prestígio social. Os Verracos são considerados um dos restos arqueológicos mais curiosos e abundantes da Província de Ávila, que conta com aproximadamente a metade dos cerca de 400 exemplares encontrados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Esta ampla extensão territorial onde vivam estes povos chamava-se Vettonia. Os castros eram construídos em locais elevados e de difícil acesso e muitos deles contavam com uma muralha defensiva. Os mortos eram incinerados e seus restos guardados em urnas. Como a pecuária representava sua principal atividade econômica, muitas das muralhas puderam cumprir a função de cerca para o gado, respondendo a sua necessidade de defesa e proteção. Esta dado justifica a importância do touro e do porco, cuja relação com os Verracos é indiscutível.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Sua principal função seria, portanto, a de proteção e delimitação do território, um símbolo de poder. O conjunto mais famoso de Verracos são os “Touros de Guisando“, também situados na Província de Ávila, que ainda não tive a oportunidade de conhecer. Estas esculturas de mais de 2 mil anos foram talhadas em blocos monolíticos de granito, onde se representa o animal de corpo inteiro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA postura dos animais é sempre a mesma, com as extremidades paralelas, oferecendo um ponto de vista frontal ou lateral. Evidenciam uma simplicidade de formas e um certo grau de abstração. Habitualmente, o escultor representa as linhas básicas do animal, permitindo sua identificação.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs dimensões não são uniformes, existem Verracos de menos de um metro até exemplares que superam os 2.5m, como os mencionados “Touros de Guisando“. Somente na cidade de Ávila, existem cerca de 50 exemplares espalhados pelo centro histórico. As figuras do touro e do javali são associadas também como de natureza essencialmente religiosa, como símbolos de prosperidade e fecundidade. Ambos foram representados no mundo antigo em moedas, broches de cinto, figuras de bronze, exvotos, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns dos Verracos encontrados foram esculpidos na época romana, segundo a tradiçao transmitida pelos Vettones. Neste caso, foram utilizados como monumentos funerários, datados entre os séculos I e III dC. Em determinados exemplares, foram encontradas inscrições latinas que comprovam esta finalidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutros exemplares foram, na Idade Média, reutilizados como elementos construtivos na Muralha de Ávila.

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