Santa Teresa de Ávila: Parte 2

Em 1542, Santa Teresa sofreu uma grave doença, fato que a obrigou deixar o Convento de N.Sra de Gracia. Os médicos aconselharam a D.Alonso, seu pai, que a levassem ao campo para que se recuperasse, e durante os meses seguintes descansou na casa de familiares que tiveram uma grande importância em sua vida, como seu tio Pedro, que lhe ajudou em sua vocação religiosa, mostrando-lhe diversas obras literárias que repercutiram na sobrinha, como “As Epístolas de San Jerónimo“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARecuperada da doença, regressa à casa de seu pai em Ávila. Depois de um período de reflexão, decide seguir a vida religiosa, tornando-se freira. Ingressa, contra a vontade paterna, no Monastério de la Encarnación, local decisivo para o desenvolvimento de sua vida (o próximo post estará dedicado a ele), que vemos abaixo numa foto geral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPor esta porta, Santa Teresa entrou por primeira vez no monastério, e nele permaneceu um total de 30 anos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuando cumpriu um ano depois de ingressar no monastério, finalmente seu pai aceitou seu destino como religiosa, entregando à instituição alguns bens familiares. A partir de então, sua filha passou a viver numa cela própria. Naquela época, a clausura se observava de forma distinta aos dias atuais. Havia permissividade em relação às visitas, sendo constante o contato com pessoas do mundo exterior, além do fato que as freiras saíam do convento. O motivo principal era a alimentação, pois o monastério encontrava-se em dificuldades financeiras, e as freiras tinham que ir à casa de seus familiares para comer.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro problema existente na clausura do Monastério de la Encarnación era de natureza social, a diferença de classes entre as próprias freiras. Enquanto algumas delas viviam em celas exclusivas, com uma certa comodidade, outras dividiam um dormitório com demais freiras. Pouco tempo depois de sua entrada, a doença golpeou novamente a santa, que mais uma vez teve que recuperar-se fora do convento. Em 15 de agosto de 1539 sofreu um colapso que a deixou 4 dias inconsciente.  Recuperou-se somente na primavera de 1542, e sempre considerou que sua cura se deveu a um milagre de São José. Abaixo, vemos outras imagens do monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASanta Teresa passa a experimentar experiências místicas de união com Cristo, a Virgem Maria e os Santos, graça que lhe acompanhará pelo resto de sua vida. Em seus escritos, narra com detalhes algumas delas, como a Paixão de Cristo, em que Ele permaneceu preso a uma coluna.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA experiência mais famosa é a conhecida “Transverberación“, que se produziu na intimidade de sua cela, onde sentiu como fogo divino lhe “golpeava” o coração e ampliava sua capacidade de união mística. Abaixo, vemos uma representação do fato num quadro anônimo do século XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADevido aos problemas vivenciados durante sua longa estadia no monastério, que distanciavam as religiosas de sua vocação e de uma vida dedicada a Deus, Santa Teresa pouco a pouco, inspirada pelas experiências místicas, decidiu reformar a Ordem das Carmelitas. Segundo ela, o Carmelo deveria retornar aos princípios básicos de pobreza e oração com os quais havia sido criado originalmente. Mesmo com a resistência da igreja e depois de muitas dificuldades, fundou em Ávila o primeiro Convento da nova Ordem das Carmelitas Descalças, o Convento de San José.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Padre Geral da Ordem Carmelita da Espanha, Fray Juan Bautista Rubeo, ficou encantado com o que viu no Convento de San José. Depois da autorização papal, Santa Teresa recebeu a ordem de fundar por todo o país tantos conventos quanto possível, tarefa a qual a santa se entregou até o final de sua vida. Fundou 17 monastérios segundo a nova ordem carmelita, mas a árdua missao de percorrer o país sem descanso lhe custou a vida, vindo a falecer na cidade de Alba de Tormes (Província de Salamanca) em 1582, local onde permanece enterrada.

 

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