Os Pueblos Mais Belos de Espanha: Segunda Parte

No post de hoje, veremos alguns dos pueblos mais belos do norte da Espanha, começando pelo Principado de Asturias. Muitos dos povoados mais interessantes da comunidade situam-se na costa, com uma grande tradição pesqueira. Um dos mais conhecidos é Cudillero (post publicado em 13/9/2015), um pueblo que conta com cerca de 5 mil habitantes. As casas construídas com uma arquitetura típica da zona se assentam no relevo escarpado, como podemos ver a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos pueblos mais belos do país, que sempre está incluído nas listas dos mais bonitos da Espanha, encontra-se na Cantábria. Santillana del Mar (publicado em 16 e 17/4/2012) é realmente um encanto de lugar, com um conjunto de construções muito bem preservado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACom aproximadamente 4 mil habitantes, no povoado está situada um dos monumentos de estilo românico mais importantes do país, a Colegiata de Santa Juliana

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo País Vasco, Hondarribia se destaca como uma das localidades de maior interesse turístico, apesar de contar com somente 17 mil habitantes.

DSC00750DSC00757No sul do País Vasco, na Província de Álava, o pueblo de Laguardia (publicado em 30, 31/5/2013 e 10/6/2013) fascina por sua beleza e o entorno geográfico onde se localiza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa Comunidade de Navarra, Artajona (15/10/2012) conserva sua muralha medieval, e a vista ao chegar próximo ao pueblo é maravilhosa…

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Os Pueblos Mais Belos de Espanha

Sempre que nos referimos ao imenso potencial turístico da Espanha, o primeiro que recordamos sao suas magníficas cidades, como Madrid, Barcelona, Valencia, Santiago de Compostela, Sevilha, Córdoba, Burgos, León, Zaragoza, somente para citar algumas delas. No entanto, existem povoados pequenos, aqui denominados Pueblos, que merecem ser conhecidos por sua beleza, riqueza histórica e artística, entorno natural, etc. Muitos deles foram declarados Conjuntos Históricos, graças à importância de seus monumentos. Existem mais de 8 mil por todo o país, e muitas listas foram e continuam sendo realizadas para a divulgação dos mais Belos Pueblos de Espanha. Muitos destas localidades já apareceram no blog, e tive a oportunidade de visitar muitos povoados encantadores. Decidi, pois, compartilhar com vocês minha lista pessoal dos pueblos mais bonitos que tive a oportunidade de conhecer em minhas viagens pelo país. Dividi as matérias segundo a localização geográfica dos pueblos e entre parênteses coloquei as datas de publicação dos posts em que estas pequenas cidades foram o tema principal. Desta forma, vocês poderão conhecer mais a fundo cada um dos pueblos da lista. Inicio minha lista pela Comunidade de Aragón, precisamente pela Província de Zaragoza, onde encontramos a cidade de Daroca (14/1 a 18/1/2013), que foi matéria de várias publicações…

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OLYMPUS DIGITAL CAMERACom cerca de 2 mil habitantes, Daroca é um povoado com uma longa história, e conserva inúmeros monumentos de interesse de várias épocas, inclusive as ruínas de seu castelo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERATambém na Província de Zaragoza situa-se Tarazona, que também foi o tema de vários posts publicados (de 18/1 a 28/1/2016).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASe consideram pueblos os municípios com menos de 2 mil habitantes. Tarazona possui cerca de 11 mil habitantes, mas a riqueza de seu patrimônio é tão extraordinária que foi colocada na lista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAcima vemos imagens de sua belíssima catedral, restaurada há pouco tempo e o edifício da Prefeitura, um dos mais belos do país. Abaixo, um pequeno detalhe de Tarazona

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo sul da Comunidade Aragonesa está situada a Província de Teruel, com lindos pueblos. Miravete de la Sierra é um povoado que me encantou, com sua pequena, mas preciosa ponte, que preside o pueblo. Possui somente 28 habitantes….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMirambel, com pouco mais de 100 habitantes, constitui um pueblo bem conservado que nos faz viajar ao passado…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Província de Huesca, ao norte da comunidade, se destaca por sua proximidade com os Pirineus, sendo um lugar perfeito para o senderismo e os esportes de montanha. Tramacastilla de Tena é um típico pueblo de montanha, e percorrer suas ruas nos possibilita conhecer a arquitetura representativa do norte de Aragón

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A Judería de Toledo: Parte Final

A sociedade plural e tolerante de Toledo inicia sua decadência a partir do século XIV. Em 1391 ocorreram os primeiros ataques dos católicos contra a Judería Toledana. A convivência entre ambas comunidades se agravou quando o Rei Pedro I de Castilla, último monarca que protegeu a judeus e muçulmanos, foi assassinado por seu irmao Enrique de Trastámara durante a guerra civil travada em Castilla pelos direitos de sucessão ao trono. Nesta época, os monarcas castelhanos empreenderam um proceso para a construção de um estado moderno com a oposição da nobreza, que desejava manter seu poder. Estes viam na comunidade judaica colaboradores do poder real, que fez com que aumentasse o ódio dos inimigos que não desejavam o fortalecimento dos monarcas. Samuel Leví, tesoureiro maior de Pedro I, prestou inúmeros serviços para o rei. No entanto, devido aos problemas entre cristãos e judeus, o rei proibiu a construção de novas sinagogas, mas não pôde negar a seu amigo que edificasse a Sinagoga do Trânsito, pelo apoio recebido contra seu irmão Enrique, que almejava o trono. Apesar disso, o rei mandou prendê-lo e logo depois foi executado em 1361. Abaixo, vemos uma foto desta Sinagoga, atualmente sede do Museu Sefardí.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANão se sabe exatamente quantos judeus viviam na Espanha na Idade Média, mas seguramente era o país com a maior população judaica da Europa. Em Toledo viviam cerca de 350 famílias, que representava a maior comunidade de Castilla. Em todo o país, existiam outras juderías importantes, como as de Sevilha, Barcelona, Zaragoza, Tudela, etc. Nos primeiros tempos da reconquista, os judeus gozaram de uma situação jurídica especial, pois os monarcas os consideravam uma propriedade real, pertencentes ao tesouro real, e por este motivo eram protegidos. Este fato possibilitou que os judeus tivessem acesso direto aos reis, e privilégios foram concedidos. Um deles constituía numa multa coletiva, aplicada a uma cidade quando aparecia um judeu morto e o assassino não era encontrado.

DSC09355Os cristãos não viam com bons olhos as doações realizadas pelos monarcas às comunidades judaicas, nem os privilégios que ostentavam. No século XIII entra em vigor a lei eclesiástica que proibia o empréstimo com juros (usura), justamente num momento em que vários membros da comunidade judaica se especializaram em negócios financeiros. O ambiente social se agravou com a chegada na Península Ibérica das idéias anti judaicas reinantes pelo resto do continente europeu, e a propaganda contra a comunidade cresceu por todas as partes. As acusações contra os judeus de terem envenenado a água e de profanar hóstias consagradas aumentaram com a peste negra que assolou o continente entre 1348 e 1350. Também no ano de 1391 chegou à Toledo San Vicente Ferrer, monge dominicano e anti judeu declarado, que exaltou os ânimos contra a população judaica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANesta época já existiam na Espanha judeus que se converteram ao catolicismo. A partir do momento em que começaram a ocupar cargos de importância se criou uma atmosfera de inimizade e ódio. Quando se descobriu que muitos deles mantinham seus antigos rituais hebraicos, iniciou-se uma guerra aberta contra as comunidades judaicas no país. Uma das mais importantes ocorreu em Toledo em 1449. Os ataques se sucederam e grande parte das 12 sinagogas da cidade foram destruídas, além de muitas das casas habitadas por judeus. Apenas se conservaram as duas sinagogas que vemos atualmente, a de Santa María la Blanca e a Sinangoga do Trânsito, pois foram transformadas em igrejas católicas. Abaixo, vemos uma imagem interior da Sinagoga de Santa María

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara solucionar o problema converso, os Reis Católicos obtiveram em 1478 uma bula papal autorizando a criação do Tribunal de Santo Ofício da Inquisição. Dois anos depois, foram nomeados os primeiros inquisidores, que começaram a atuar em Sevilha, e instigaram os monarcas para que a comunidade judaica fosse expulsa do país. Em 1480, foi promulgada uma lei real em Toledo que estabelecia novos bairros para a população judaica, situado fora do centro histórico da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, em 1492 os Reis Católicos decretaram o édito de expulsão dos judeus da Espanha. Num prazo de 4 meses, todos aqueles que não optassem pela conversão tiveram que deixar o país. Os bens comunitários, sinagogas e cemitérios, por exemplo, foram confiscados pelo tesouro real. A expulsão gerou uma série de problemas, originados pela falta de pessoas com boa preparação intelectual e mão de obra qualificada. Muitas foram as explicações dadas pelos estudiosos sobre a decisão dos Reis Católicos, como a própria ambição real, que desejavam confiscar os bens da comunidade judaica. Outra razão foi a luta entre a nobreza e as grandes somas de dinheiro que os reis e a própria nobreza deviam a financeiros judaicos. Os judeus que permaneceram no país, obrigados à conversão, tomaram esta atitude para não perder seus bens, mas continuaram a serem perseguidos, principalmente quando mantinham suas tradições na intimidade do lar. Os judeus conversos foram apartados do poder, já que lhes exigiam responder ao denominado estatuto de “Pureza de Sangue“, sendo obrigados a demonstrar que seus antepassados eram cristãos velhos. Abaixo, vemos tumbas hebraicas de época medieval na Sinagoga do Trânsito.

DSC09454Se desconhece o número de judeus que partiram para outras terras, principalmente Portugal, Países Baixos, sendo que muitos foram acolhidos pelo antigo Império Otomano. O édito de 1492 representou um grande acontecimento em toda a Europa. Espanha, a terra européia judaica por excelência, lhes expulsava de seu território. Somente em 1968 se reconheceu oficialmente a abolição do édito promulgado pelos Reis Católicos. A comunidade judaica voltou a viver no país, e atualmente existem 12 delas espalhadas pelo território espanhol, principalmente em Madrid, Barcelona, Valencia, Palma de Mallorca, etc. Abaixo, vemos uma homenagem de Toledo aos judeus que viviam na cidade e que foram confinados e assassinados nos campos de extermínio nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de 1492, o Bairro da Judería foi abandonado e ficou esquecido, mas muitas instituições religiosas católicas construíram conventos e monastérios em seu perímetro, como o Monastério de Santo Antônio, instalado em 1525 por uma comunidade de freiras franciscanas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOu o Convento de Carmelitas Descalças, a quinta instituição fundada por Santa Teresa de Ávila em seu processo de renovação da Ordem Carmelita (1569), que encontrou abrigo na Judería de Toledo….

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