A Catedral de Córdoba

O conjunto da Mesquita-Catedral de Córdoba é resultado dos vários períodos históricos que passou a cidade, desde sua construção inicial como templo islâmico sobre a Basílica Visigoda de San Vicente a partir do século VIII, e suas reformas e ampliações nos séculos posteriores, até a incorporação do edifício catedralício em sua estrutura, depois que Córdoba foi reconquistada pelos cristãos no século XIII. Mas como ocorreu este processo?

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA chegada ao poder de Almanzor, primeiro ministro do governo do califa Hisham II, supôs a última reforma da Mesquita de Córdoba, como vimos no post anterior. Este personagem destacou-se por suas inúmeras incursões militares contra as cidades que faziam parte dos Reinos Cristianos, como Barcelona, Léon e Santiago de Compostela, somente para citar algumas. Como general que era, a influência e importância de Almanzor debilitou o poder do califa, originando uma guerra civil que provocou a desintegração do Califato de Códoba em 1013 e  seu desaparecimento em 1031. A partir deste momento, Al Andalus se transforma num conglomerado de estados independentes, denominados Reinos de Taifas. Esta descentralização facilitou o avanço cristão e o processo de reconquista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs contínuas guerras travadas entre os distintos Reinos de Taifas provocaram a interferência dos monarcas cristãos através da política de Parias, um tributo que os Reinos de Taifas começaram a pagar para não serem atacados ou em troca de proteção militar. A situação de debilidade frente aos cristãos ficou patente em 1085, com a reconquista de Toledo. Depois deste importante acontecimento, os Reinos de Taifas solicitaram o auxílio dos Almorávides e depois dos Almohades, que invadiram a península a partir do final do século XI. Estes povos estavam formados por uma classe guerreira que defendiam uma doutrina ortodoxa do Islã. No entanto, a vitória dos exércitos cristãos na famosa Batalha de Navas de Tolosa em 1212 deixou o caminho aberto para a reconquista. Abaixo, vemos um braseiro de época almohade, pertencente ao acervo do Museu Arqueológico de Córdoba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns anos antes da batalha, em 1146, o Rei Alfonso VII protagonizou a primeira conquista de Córdoba, embora nao fosse a definitiva, e a dedicação da Mesquita de Córdoba como Catedral. A cidade é reconquistada definitivamente em 1236 pelo Rei Fernando III, depois de 6 meses de assédio.  Abaixo, vemos um quadro situado numa das capelas da catedral que celebra a Reconquista de Córdoba por Fernando III.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASomente depois da conversão da mesquita em catedral o monarca realizou sua entrada solene na cidade. Considerado um rei piedoso e compassivo, ganhou a simpatia de seus súditos pela humildade que demonstrava em suas ações. Costumava convidar as pessoas de poucos recursos para comer junto a sua mesa e visitava pessoalmente os feridos nas batalhas. Antes de empreender uma ação militar, tentava esgotar todas as possibilidades diplomáticas. Grande devoto da Virgem Maria, seu corpo está enterrado na Catedral de Sevilha, cidade que também reconquistou. Estimulou as ciências e a cultura, contribuindo para o aparecimento das universidades. Sua fama de santidade fez com que fosse canonizado em 1671, passando a ser chamado de Fernando III, “El Santo“. Foi o responsável da recuperação de grandes áreas ocupadas pelos muçulmanos, como o Reino de Murcia e boa parte da atual Andaluzia. Abaixo, vemos uma estátua do rei, situada no Real Alcázar Cristiano de Córdoba (original em espanhol).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMaravilhado com a Mesquita de Córdoba, Fernando III decretou sua conservação, e não houve alterações substanciais em sua estrutura. A maior modificação na antiga mesquita ocorreu no século XVI, quando se decidiu construir uma catedral em seu interior a partir de 1523, durante a etapa do Bispo Alonso Manrique. O eclesiástico era tio do Imperador Carlos I, que recebeu sua autorização para a construção da catedral. O processo construtivo não esteve isento de polêmica, entre os que consideravam oportuno construir um templo cristão no interior da mesquita e aqueles que eram contrários ao projeto. Um pouco depois, o próprio Imperador Carlos I se arrependeu, ao pronunciar uma frase que ficou famosa: “Destruímos o que era único no mundo, e colocamos em seu lugar algo que podemos ver em todas as partes”. Não obstante, a transformação de parte da mesquita em catedral possibilitou sua conservação, e atualmente podemos contemplar ambos templos nesta construção maravilhosa. Nas próximas matérias, publicarei fotos e informações referentes à Catedral de Córdoba.

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1 comentário Adicione o seu

  1. sandra cerqueira de almeida disse:

    Roberto, adoro seus posts. Consulto sempre para me inspirar a visitar lugares na Espanha. Sempre que vou a Portugal, aproveito para visitar uma cidade espanhola. Em 2016 estive em Córdoba por uns dias e lendo esses posts relembro da minha viagem que foi maravilhosa. Gostaria de lhe pedir um post específico sobre os Visigodos na Espanha. Muito obrigada.

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