Toureiros famosos da Espanha – Parte 2

Neste segundo post sobre os Toureiros de maior renome da Espanha veremos outras personañidades do mundo taurino que  se destacaram na história da tauromaquia. Um deles foi Juan Belmonte (1892/1962), um toureiro nascido em Sevilha, considerado um dos mais populares da história e um dos renovadores da arte de torear à pé. Muitos o consideram o fundador do Toreo Moderno e liderou, junto com Joselito, a idade de ouro das touradas no início do século XX. Sua carreira profissional desenvolveu-se entre 1913 e 1936, ano em que se retirou definitivamente. Em 1919, chegou a participar de 109 touradas, uma cifra recorde na época. Foi o primeiro em torear estando imóvel junto ao touro, cujo estilo foi culminado por Manolete. Foi um grande amigo do escritor americano Ernest Hemingway, e aparece em duas de suas novelas, “Morte na Tarde ” e “Festa“. Em 1962, a ponto de cumprir 70 anos, se suicidou com um disparo. No filme “Meia noite em Paris“, de Woody Allen, Juan Belmonte foi representado pelo ator Daniel Lundh. Abaixo, vemos a Juan Belmonte na Plaza de Toros de Madrid (foto de Baldomero).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das dinastias taurinas mais famosas da história foi a família dos Ordóñez, originária de Ronda, encabeçada por Cayetano Ordóñez (1904/1961). Ficou conhecido pelo apelido “El Niño de la Palma“. Seu pai possuía uma loja de sapatos chamada “La Palma“, fato que explica o apelido. Abaixo, vemos uma escultura que lhe rende homenagem, situada em frente à Plaza de Toros de Ronda

OLYMPUS DIGITAL CAMERATeve 6 filhos, dos quais nada menos que 5 foram toureiros. O mais famoso de todos foi Antonio Ordóñez (1932/1998), que cresceu num ambiente taurino, presenciando as glórias de seu pai. Antonio triunfou em numerosas praças de touros, especialmente na de Madrid. Retirou-se de forma definitiva em 1981, momento em que passa a dedicar-se à ganadería e administrar a Plaza de Toros de Ronda, que havia adquirido. Considerado um dos maiores toureiros do século XX, Antonio Ordóñez possuía uma técnica perfeita, e também foi homenageado com uma escultura na Plaza de Toros de Ronda

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVárias personalidades americanas do mundo artístico contribuíram para a divulgação das touradas, como o cineasta Orson Welles (1915/1985), autor do filme “Cidadão Kane“, uma obra fundamental da sétima arte. Sua amizade com Antonio Ordóñez foi de tal magnitude que suas cinzas foram depositadas numa fazenda situada em Ronda, pertencente ao toureiro. Abaixo, vemos uma imagem (carente de qualidade pela luz que incide no vidro que a protege) do grande cineasta americano assistindo uma tourada…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro grande admirador de Antonio Ordóñez foi o já mencionado escritor Ernest Hemingway (1899/1961), um grande apaixonado pelo país, seus costumes e tradições. Hemingway foi correspondente durante a Guerra Civil Espanhola (1936/1939) e um conhecido defensor da causa republicana. Abaixo vemos uma foto do escritor com Antonio Ordóñez (à direita) e seu pai Cayetano (à esquerda da foto)…

20190222_130947Na foto abaixo, vemos a Hemingway com Antonio Ordóñez

20190222_131325Outra das maiores rivalidades históricas das touradas foi protagonizada por Antonio Ordóñez e Luis Miguel “Dominguín”, motivo de inspiraçao para a obra “Verao Perigoso” de Hemingway, o último livro por ele escrito (1959/1960) e publicado póstumamente em 1985. Antonio Ordóñez era cunhado de Luis Miguel “Dominguín”, pois este casou-se com sua irma, Carmen Ordóñez. A seguir, uma foto de ambos toureiros…

20190222_131236Luis Miguel “Dominguín” (1926/1996) tornou-se famoso também por sua vida amorosa e sentimental, e suas relações com várias artistas de Hollywood agitaram a sociedade espanhola da época, como Rita Hayworth e Lauren Bacall. Seu romance com Ava Gardner tornou-se lendário. Se conta que na primeira noite com a atriz americana levantou-se da cama e preparava-se para sair do hotel, quando Ava Gardner lhe perguntou aonde se dirigia, e Dominguín respondeu que a contar aos demais a “façanha”. Dominguín foi um dos matadores mais  populares dos anos 40 e 50,  filho do também toureiro Domingo González “Dominguín” e pai do cantor Miguel Bosé. Seu êxito nas arenas taurinas foi tal que chegou a sair 5 vezes pela Porta Grande da Plaza de Toros de Las Ventas de Madrid. Retornando a Hemingway, o escritor foi assíduo frequentador das Tabernas de Madrid.  Uma de suas preferidas chamava-se “El Callejón“, como podemos ver na foto abaixo, junto com seu amigo Antonio Ordóñez, no lado direito da imagem.

20190222_131217Depois que a taberna foi fechada por seu proprietário espanhol nos anos 90, um cubano comprou o imóvel e o converteu num restaurante de gastronomía típica de seu país, chamado “Cuando salí de Cuba“. O busto em homenagem ao escritor, bem como uma grande quantidade de fotos da vida de Hemingway, algumas das quais aparecem nesta matéria (e que gentilmente me permitiram publicar) ainda podem ser admiradas no local.

20190222_131344Depois de conhecer o restaurante há alguns anos atrás, tornei-me um cliente habitual do mesmo…

20190222_135225O restaurante oferece um simpático atendimento e menus diários que custam 11 euros (dois pratos a escolher, bebida e sobremesa incluídas). Normalmente escolho batata com carne moída de primeiro prato e “Ropa Vieja” de segundo (carne desfiada com arroz branco, uma coisa rara na cidade). Realmente, uma delícia…

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