Centenário do Metrô de Madrid- Parte Final

Neste último post sobre o Centenário do Metrô de Madrid veremos uma das mais interessantes iniciativas organizadas pela companhia metroviária para sua comemoração. Trata-se de uma exposição de trens históricos que podemos ver na Estação de Chamartín.

20190416_110440O visitante poderá contemplar na exposição 4 trens históricos considerados clássicos na história do Metrô de Madrid, que circularam desde a inauguração da primeira linha em 1919 até o momento em que foram substituídos por veículos mais modernos.

20190416_111044A maior parte destes  trens circularam até 1965, mais uma pequena série adicional que foi colocada em serviço em 1976. Muitos deles depois prestaram seus serviços como veículos auxiliares.

20190416_11060320190416_111747Algumas das características básicas destes trens são sua estrutura metálica com motores fabricados pelas empresas General Eletric e Westinghouse, que foram construídos na Espanha sob licença. O sistema de freios também foi fabricado pela Westinghouse. Abaixo, vemos o interior de um destes trens históricos…

20190416_110832Muitos destes trens originais foram designados pelo nome das estações de metrô a que estavam destinados. O denominado de “Cuatro Caminos“, a estação final da linha inaugural de 1919, por exemplo, foi construído entre 1919 e 1921 por uma empresa de Zaragoza, com a parte elétrica e o sistema de freios sendo fabricados nos EUA e França. Estes trens foram os primeiros em serem construídos com estrutura metálica em toda a Espanha. Na época, foram admirados pelo conforto em comparação com os veículos de transporte existentes e alcançavam uma velocidade de 55 km/h. Foram retirados de serviços no final da década de 80. Abaixo, vemos um destes trens em serviço numa foto antiga…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos o interior restaurado deste tipo de trens…

20190416_112257Já na época estava proibido fumar no interior como podemos observar na placa existente…

20190416_112358O Metrô de Madrid investiu um grande esforço na restauração destes trens históricos. Abaixo vemos o aspecto que tinham antes do processo de recuperação…

20190416_111954A seguir vemos um trem histórico numa foto de 1966…

20190416_111613Na sequência, o interior de outro veículo, com acentos reservados para pessoas mutiladas, abundantes no período da Guerra Civil Espanhola (1936/1939).

20190416_11302820190416_113112Abaixo vemos trens atuais que circulam pelas linhas do Metrô de Madrid, evidentemente muito mais modernos que os chamados “trens históricos”, em quanto a design, tecnologia e infraestrutura que oferecem.

20190220_085559OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns dos modernos trens que circulam pela linha 1 foram pintados à maneira dos trens antigos, para comemorar o Centenário do Metrô de Madrid, como vemos na foto a seguir…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEspero que vocês tenham gostado desta série de matérias publicadas em homenagem ao Metrô de Madrid, que está cumprindo seus 100 anos de vida. Aproveitem para utilizá-lo quando venham visitar a cidade…

 

Centenário do Metrô de Madrid – Parte 3

Outra das interessantes iniciativas realizadas para se comemorar o Centenário do Metrô de Madrid foram os ensaios fotográficos nos quais vemos várias personalidades do mundo cultural e esportivo da Espanha e também do exterior. Um exemplo foi o cantor e compositor Joaquin Sabina, que mencionou o Metrô de Madrid em uma de suas canções, intitulada “De caballo de cartón“, na qual diz: “Tirso de Molina, Sol, Gran Vía, Tribunal, dónde queda tu oficina para irte a buscar ?”

20190416_110217O jogador de futebol Koke, do Atlético de Madrid, também participou das sessões fotográficas, salientando a importância do metrô para os torcedores que utilizam o transporte público para chegar ao Wanda Metropolitano, o novo estádio do clube.

20190416_110255A atleta paraolímpica de esgrima e primeira deportista a alcançar uma montanha com mais de 3 mil metros com uma cadeira de rodas, Gema Hassen-Bay, foi outra personalidade participante…

20190416_110334Como comentei no post anterior, o Metrô de Madrid é considerado um dos mais acessíveis do mundo. As primeiras escadas rolantes foram instaladas no começo da década de 60, e atualmente 63 % de toda a rede metroviária possuem elevadores e escadas rolantes (com quase 1700 escadas rolantes em suas linhas), cifra superada somente pelo Metrô de Shangai, na China. Abaixo vemos uma delas na Estação de Chamartín, que foi devidamente decorada para a comemoração do centenário.

20190416_11374920190416_113831 Até 1931, os trens do metrô possuíam um escudo com símbolos monárquicos, devido à participação do Rei Alfonso XIII como acionista da Companhia Metropolitana Alfonso XIII. O escudo foi inspirado no Escudo da cidade de Madrid da época, com o “Urso e o Madroño” no lado direito e um “dragão” no lado esquerdo. Atualmente o escudo da cidade está composto apenas pelo urso e a árvore, denominada Madroño

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1932, com a implantação da Segunda República, os símbolos monárquicos foram proibidos e, durante algum tempo, os trens deixaram de ter o escudo. A partir de 1942 se adotou outro escudo, formado por uma letra C com 2 letras M, iniciais da Cia Metropolitana de Madrid, a nova denominação da empresa…

20190416_112957Já o logotipo da empresa foi criado pelo arquiteto Antonio Palacios, responsável pelas primeiras estações e sua decoração, inspirando-se no “Underground” de Londres, com as mesmas cores, vermelho e azul, mas com um formato diferente. Abaixo, vemos a evolução dos logotipos do Metrô de Madrid

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma séries de logotipos representando várias estações do Metrô de Madrid

20190416_110139Na década de 60, devido ao incremento do número de passageiros, o Metrô de Madrid decidiu ampliar o comprimento das plataformas de 60 a 90 m, com a finalidade de colocar trens com maior capacidade, de até 6 vagões. A Estação de Chamberí, que integrava a linha original de 1919 e também projetada por Antonio Palacios, foi fechada em 1966 pela impossibilidade de se realizar a reforma, pois encontrava-se numa curva. Durante anos esteve abandonada, mas foi restaurada e hoje em dia é um museu que se pode visitar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA Hoje em dia, o Metrô de Madrid alcança 294 km, formado por 12 linhas principais e chegando a 12 municípios situados próximo à cidade. Abaixo, vemos uma plataforma atual da linha 1, com fotos antigas que pertencem ao arquivo histórico do Metrô de Madrid, colocadas para a comemoração do centenário, muitas das quais estou publicando nesta série…

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Centenário do Metrô de Madrid – Parte 2

Nesta segunda matéria sobre o Centenário do Metrô de Madrid veremos outros aspectos históricos de interesse deste popular sistema de transporte público da capital espanhola, através de fotos antigas pertencentes ao arquivo do Metrô e de fotos realizadas por mim. Como comentei no primeiro post, a linha inaugural ligava a Puerta del Sol, no centro da cidade, com o bairro de Cuatro Caminos, uma zona industrial importante na época, cuja imagem vemos abaixo, uma foto tirada no início do século XX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANeste bairro se construíram as oficinas mecânicas da companhia metroviária, que foram utilizadas durante um bom tempo no século XX, como podemos ver a seguir…

20190416_11214620190416_111453Abaixo, vemos o local em construção…

20190416_112223O Metrô de Madrid foi pioneiro na inserção da mulher no mercado de trabalho. Aquelas que conseguiram um posto de trabalho nas bilheterias foram as primeiras, junto com as telefonistas empregadas na empresa Telefônica, cuja sede se encontra também em Madrid. Somente podiam ocupar o emprego se estivessem solteiras. No momento em que se casavam, eram obrigadas a abandonar o trabalho, segundo o costume da época. Esta norma esteve vigente até 1984 ! A primeira mulher maquinista apareceu somente em 1983.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, o corpo de funcionários do Metrô de Madrid está formado por mais de 7 mil funcionários. Abaixo, vemos outra foto antiga de empregados da empresa…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Guerra Civil Espanhola, o metrô serviu como local de refúgio para a população, como aconteceu com muitas outras cidades européias durante a Segunda Guerra Mundial.

20190220_085904Muitos trens do metrô passaram a ser utilizados como ambulância durante o conflito…

20190416_111333Em 1924 se inaugurou a central elétrica que abasteceu de energia o sistema metroviário da cidade. Composta por 3 motores Diesel, foi a estação elétrica de maior potência da Espanha na época, sendo desativada nos anos 50. Durante a Guerra Civil foi a responsável do abastecimento de energia elétrica da cidade, Atualmente forma parte do patrimônio industrial de Madrid e pode ser visitada, pois foi transformada num museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas das primeiras estações construídas na linha inaugural contavam com elevadores manejados por ascensoristas, sendo que o primeiro elevador foi instalado em 1920. Abaixo, vemos a entrada da Estação de Gran Vía, projetada pelo arquiteto Antonio Palácios. Feita de granito, ferro e vidro, funcionou até 1970, quando foi desmontada e levada até o povoado de Porriño, situado na Galícia, local de nascimento do famoso arquiteto espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAté 1960, a profundidade médias das estações do Metrô de Madrid era de 9m. Em 1962, chegou aos 18m, quando as escadas rolantes começaram a funcionar. No final do século passado, a profundidade média chegou aos 25m. Atualmente, o Metrô de Madrid é considerado um dos sistemas de transporte de maior acessibilidade do mundo. Abaixo, vemos a Estaçao de Chamartín

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos cartazes comemorativos foram colocados nas estações da linha 1 com a celebração do centenário do Metrô. Neles podemos observar as diferenças na evolução  tecnológica dos trens ao longo dos anos, além da inclusão de novos “passageiros”…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizo a segunda parte desta série com uma foto atual da Estação Sol, a primeira em ser construída em 1919…

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Centenário do Metrô de Madrid

O Sistema Metroviário de Madrid foi tema de duas matérias publicadas em 4/12 e 5/12/2012, momento em que abordei vários aspectos curiosos do transporte público da cidade. Este ano de 2019 constitui um ano especial, pois o Metrô de Madrid está completando seu centenário, e muitas iniciativas interessantes estão sendo realizadas pela companhia para celebrá-lo, como exposições de fotos antigas pertencentes ao arquivo histórico do Metrô, que podemos ver nas estações da primeira linha inaugurada em 17/10/1919.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO sistema metroviário de Madrid foi pioneiro na Espanha, revolucionando a mobilidade urbana e tornando-se com o tempo no transporte por excelência de seus habitantes. O primeiro metrô construído no mundo foi o de Londres, inaugurado em 1863. Depois vieram o de Chicago (1892), Budapest e Glasgow (1896), Boston (1897), Paris (1900), Berlín (1902), Atenas e Nova York (1904), Filadélfia (1907), Hamburgo (1912), Buenos Aires (1913) e Madrid (1919). A chegada do Metrô à capital da Espanha representou uma grande transformação para Madrid, convertendo-se numa cidade moderna como muitas outras metrópoles européias.

DSC03506Para a construção da primeira linha do metrô, o custo foi de 8 milhões de pesetas, dos quais a metade foi patrocinado pelo Banco Vizcaya, 3 milhões provenientes dos engenheiros fundadores da companhia e de particulares e 1 milhão de pesetas pagos pelo próprio Rei Alfonso XIII, na época monarca reinante da Espanha. Por este motivo, inicialmente o Metrô de Madrid recebeu a denominação de Companhia Metropolitana Alfonso XIII, sendo o rei um de seus principais acionistas e a primeira pessoa em realizar o trajeto inaugural da linha norte-sul, que ligava a Puerta del Sol (centro da cidade) com o Bairro industrial de Cuatro Caminos, uma zona industrial com uma grande quantidade de população obreira residente. Abaixo, vemos o Rei Alfonso XIII  no centro da foto no dia inaugural da linha.

20190416_113721OLYMPUS DIGITAL CAMERAO primeiro trecho compreendia 8 estações, com um trajeto de quase 4km, sendo que o trem realizava o percurso numa velocidade de 25 km/h. O trajeto era realizado em cerca de 10 minutos e o bilhete custava 15 centavos de peseta. Na época, Madrid tinha uma população de 750 mil habitantes, e no primeiro dia da inauguração do metrô utilizaram o novo sistema de transporte público 56 mil pessoas. Atualmente, Madrid é a maior cidade espanhola com aproximadamente 3.2 milhões de habitantes e diariamente utilizam o metrô 2.3 milhões de viajantes. Abaixo, vemos duas fotos em que vemos as primeiras obras de construção da linha 1 na Puerta del Sol, em 1917, e na então estação final de Cuatro Caminos, em 1918.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, a linha inaugural norte-sul está integrada na Linha 1 do Metrô de Madrid e conta com 33 estações num total de 24 km, unindo 8 distritos de Madrid e considerada a segunda em número de passageiros, superada apenas pela linha circular que rodeia a cidade. A seguir vemos uma foto atual da Puerta del Sol, um local emblemático da capital, e uma de suas portas de acesso ao metrô…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO arquiteto Antonio Palacios, personagem imprescindível da arquitetura madrilenha da primeira metade do século XX, foi durante os primeiros 25 anos da Cia Metropolitana Alfonso XIII o responsável pelo projeto das estações e também do logotipo da empresa. Inspirado na Arte Decô, Palácios proporcionou o estilo decorativo dos vestíbulos e das portas de acesso ao interior do Metrô de Madrid. Abaixo, vemos a entrada da Estação Sol, numa imagem dos anos 20 do século passado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo elemento decorativo principal, Antonio Palacios utilizou azulejos brancos com a finalidade de criar um ambiente interno acolhedor, como podemos observar na Estaçao Tirso de Molina, que conserva seu aspecto original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos uma aquarela pintada pelo próprio arquiteto representando o interior da Estação Sol

20190416_111106Finalizo esta primeira matéria sobre o Centenário do Metrô de Madrid com duas fotos em que vemos a Estação Sol nos anos 60…

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Museu do Azeite – Illescas (Parte 2)

Neste segundo post sobre o Museu do Azeite de Illescas veremos outros aspectos deste produto de grande tradição na Espanha, destacando principalmente seu método tradicional de fabricação. Para a comercialização do produto, e dependendo de sua qualidade, existem três tipos de azeite: O Azeite de Oliva Virgem Extra é aquele de máxima qualidade, sendo obtido diretamente das azeitonas unicamente através de procedimentos mecânicos. O seu grau de acidez não pode superar 0.8 %. O Azeite de Oliva Virgem segue os mesmos parâmetros de qualidade do anterior. A diferença é que não pode superar os 2 % de acidez. Por último, o Azeite de Oliva é obtido a partir do refinamento dos azeites que não alcançaram os critérios de qualidade dos demais (não pode superar o 1% de acidez).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs componentes principais das azeitonas constituem o azeite (23%), açúcares (19%), água (de 50 a 60%), celulose (6%) e proteína (menos de 2%). Sua cor pode variar do amarelo/dourado ao verde mais acentuado, dependendo dos pigmentos predominantes da azeitona no momento da colheita. No início, será mais verde devido à presença de clorofila. Na medida em que fica mais madura, perde clorofila, tornando-se mais amarelada. A variedade de Azeitona predominante na região de Illescas é a Cornicabra, ligeiramente amarga e um pouco picante. A Comunidade de Castilla La Mancha é a maior produtora da Espanha deste tipo de azeitonas. Abaixo, vemos uma foto da Almazara (fábrica onde se elabora o azeite) de Illescas

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos motivos para a criação do Museu do Azeite na cidade foi o excelente estado de conservação das máquinas da Almazara, que seguia o padrão tradicional de fabricação do azeite de oliva. Evidentemente, o primeiro passo para a obtenção do azeite é a colheita das azeitonas de sua árvore, a Oliva ou Oliveira. Realizava-se manualmente com um golpe que se dava na árvore com uma vara flexível. Depois, separavam-se as azeitonas procedentes da mesma daquelas caídas no solo. Na Espanha, a colheita é realizada entre outubro e dezembro. Em seguida, efetua-se o transporte das azeitonas à Almazara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa chegada das azeitonas na Almazara, inicialmente se separavam as azeitonas defeituosas das normais, que passavam por distintos processos de fabricação. A segunda etapa envolve processos de limpeza da azeitona, com o objetivo de eliminar folhas, pequenos talhos e pó, através de ventiladores de ar. Em seguida, se procede à lavagem das azeitonas com água para eliminar barro ou possíveis pedras.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois, a azeitona é triturada por um moinho com o objetivo de facilitar a extração do azeite. O moinho da Almazara de Illescas está praticamente em desuso por sua baixa rentabilidade em relação aos atuais métodos utilizados. Por outro lado, é considerado um moinho de grande importância histórica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO rompimento da azeitona efetuada pelo moinho produz uma pasta que é pressionada para a saída do azeite. As gotas de azeite se aglutinam formando uma etapa oleosa com a finalidade de separar a água, a pele, a pulpa e o osso da fruta. Em seguida, se realiza um processo intermediário de separação dos componentes sólidos e líquidos, momento no qual é obtido o azeite de máxima qualidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA separação do azeite dos demais componentes realiza-se tradicionalmente pelo método de prensado. O método clássico é o que se realizava na Almazara de Illescas. A pasta oleosa é colocada sobre discos porosos feitos de fibra, colocados uma encima do outro. Os discos se colocam numa prensa, liberando a parte líquida da pasta. Atualmente esta parte do processo de fabricação do azeite é realizada pelo método de centrifugação, com a pasta sendo colocada num cilindro horizontal que gira a grande velocidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA próxima etapa do processo é a decantação, que se baseia na diferença de densidade, realizado em depósitos comunicados entre si nos quais o líquido permanece em repouso. Uma vez terminado e antes de ser engarrafado, o  azeite é filtrado para eliminar possíveis materiais indesejados em suspensão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO azeite é armazenado e posteriormente envasado. Abaixo, vemos outras imagens do interior da Almazara de Illescas

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria um um poema de Federico García Lorca denominado “Paisaje“, no qual o grande poeta rende uma homenagem aos campos de cultivo da Oliva, que podemos admirar em boa parte do território espanhol.

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Museu do Azeite – Illescas

Quando viajamos, muitas vezes no surpreendemos positivamente quando conhecemos algo que não esperávamos encontrar. Isso foi exatamente o que sucedeu comigo quando visitei o Museu do Azeite, situado em Illescas. A cidade situa-se numa zona plana com pequenas ondulações, um terreno propício para o cultivo da oliva. Foi a primeira vez que tive a oportunidade de conhecer um museu dedicado a um produto de grande tradição na Espanha, o Azeite de Oliva, e pude observar o processo tradicional de fabricação, as origens do cultivo da oliva, curiosidades a respeito da árvore e seu fruto, a azeitona, a história do museu, tudo isso com a ajuda das atentas e simpáticas funcionárias do museu. Na Espanha, as instalações onde se obtém o azeite de oliva denomina-se Almazara e foi em um destes locais onde se inaugurou o Museu do Azeite de Illescas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Almazara de Illescas está incluída dentro do patrimônio industrial e etnográfico da cidade, estando sediada numa típica construção castelhana do século XX. O lugar chama-se “El Molino del Marqués“, apesar de nunca ter sido propriedade de um marquês. O moinho, construído sobre um anterior que foi derrubado, é de mediados do século XX,  estando situado num local que compreendia três propriedades diferentes. Uma delas incluía o pátio, a fábrica de azeite, armazéns e um palomar (uma pequena construção que serve como “residências de palomas”, isto é, de pombas). Em outra situava-se a horta, jardins, a casa do proprietário e outras dependências.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA Em 1947, a Almazara foi adquirida por uma família de Madrid e os últimos proprietários realizaram as gestões administrativas para que o local fosse vendido à Prefeitura de Illescas, em 2003. A partir deste momento, o local foi adaptado para sediar um Centro Turístico e Cultural, que inclui o Museu do Azeite, além de outros espaços, como Oficina de Turismo e salas onde podemos realizar atividades culturais relacionadas a gastronomia, artesanato e artes cênicas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Oliva ou Oliveira, uma árvore pertencente a família das Oleáceas, foi cultivado por primeira vez durante o período inicial do desenvolvimento da agricultura, há 7 mil anos atrás na região da Ásia Menor. Adaptou-se bastante bem às condições climáticas e de relevo na zona mediterrânea, que desde então tornou-se o principal centro de produção de azeitonas e do azeite de oliva. Foram os fenícios que levaram seu cultivo às costas do sul a Península Ibérica ao longo do século XI aC. Com a chegada dos romanos, sua expansão levou o cultivo a todas as partes do império. Os primeiros documentos escritos conhecidos sobre a Oliva constituem tábuas de barro de época micênica, realizadas durante o reinado do Rei Minos (2500 aC). Na Bíblia encontramos inúmeras referências a ela, bem como na Mitologia Clássica. A oliva cultivada é uma espécie de tamanho médio, de 4 a 8m de altura, dependendo da variedade. Possui um tronco grosso, como podemos ver no exemplar abaixo, cuja foto tirei no Parque Municipal de Illescas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma oliveira pode permanecer viva e produtiva durante séculos. Suportam altas temperaturas no verão, se possuem suficiente humidade no solo, e temperaturas de até 12 graus negativos no inverno. Sua fruta, a azeitona, e o azeite produzido possuem uma grande quantidade de efeitos benéficos para o organismo, pois facilitam o processo digestivo, são antioxidantes e previnem doenças cardiovasculares. Possui um valor calórico de 167 calorías para cada 100g.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Azeite de Oliva é considerado um azeite vegetal de uso predominantemente culinário, mas também tradicionalmente e ainda hoje empregado para usos cosméticos, medicinais, nas cerimônias religiosas e na iluminação. Quase um terço da polpa da azeitona está composta pelo azeite. Por isso, desde a antiguidade foi extraído através de uma pressão realizada por um moinho. Atualmente, cerca de 90 % da produção mundial de azeitona está destinada para a fabricação do azeite. A Espanha é o maior produtor mundial de Azeite de Oliva, produzindo quase a metade do total, seguido pela Itália e a Grécia. Abaixo, vemos algumas das variedades de azeitonas produzidas no país, dentro das mais de 260 cultivadas nos solos espanhóis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATradicionalmente, se armazenava o Azeite de Oliva em cântaros de cerâmica. Hoje em dia, os recipientes mais utilizados são feitos de garrafas PET, vidro, lata e papel revestido. Recomenda-se sempre a utilização de embalagens opacas que não permitam a entrada de luz, para que o sabor do azeite não seja alterado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cor do Azeite de Oliva não constitui um parâmetro nem é indicativo de sua qualidade. Por este motivo, durante as provas de degustação do produto, utilizam-se copos de cristais de cor azul translúcido, para que nao se possa distinguir sua cor e se deixe influenciar por ela, realizando a valorização de sua qualidade de forma adequada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo todo produto tradicional comercializado no país, como o Jamón e o Vinho, entre outros, existe um órgão regulador da qualidade do azeite de oliva, denominado “Denominación de Origen“. Na região de Illescas, chama-se D.O.Montes de Toledo, com uma grande quantidade de municípios produtores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, publicarei a segunda parte desta matéria sobre o Museu do Azeite de Illescas, enfatizando o processo de elaboração tradicional do produto…

Illescas – Segunda Parte

O motivo principal de minha visita à cidade de Illescas foi conhecer o Hospital Santuario de Nuestra Señora de la Caridad, o monumento mais famoso deste município castelhano. Minha curiosidade era poder admirar o legado que o grande pintor El Greco deixou para a posteridade neste lugar, sob a forma de vários quadros de temática religiosa, que ainda adornam suas dependências. No início do século XVI, o Cardeal Cisneros, um dos personagens religiosos mais importantes da Espanha, solicitou uma permissão à vila de Illescas para a construção de um convento  para a Ordem Franciscana no local que antigamente ocupava um monastério beneditino erguido por San Ildefonso (santo padroeiro de Toledo) no século VII. Em troca, o cardeal ordenou que fosse construído um hospital beneficente no local mais central do povoado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAIniciado no início do século XVI, o hospital foi levantado junto com uma capela, onde se colocou uma imagem da Virgem da Caridade. Constituído por dois andares, sendo o inferior destinado às dependências hospitalarias e hospedagem e o superior para as tarefas administrativas, o edifício se conserva integralmente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa segunda metade do século XVI, o Hospital chegou a ser o mais frequentado de toda a Espanha. No ano de 1600 foi inaugurado o Santuário em homenagem a N.Sra da Caridade, que se comunica com o hospital através de um acolhedor pátio. De estilo renascentista, a igreja foi projetada por Nicolás Vergara El Joven, o mais importante representante da arquitetura toledana do século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATanto o hospital, quanto o santuário, albergam inúmeros tesouros artísticos, com destaque para os quadros pintados por El Greco, como o retábulo maior em honra à Virgem da Caridade, realizado em 1603, e outros com temas relacionados à Virgem Maria. Sua importância radica em que permanece no mesmo local onde os quadros foram realizados, e não num museu, como normalmente ocorre com as obras de El Greco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente o hospital e o santuário são administrados pela Funcave, uma fundação que permanece realizando as finalidades benéficas da instituiçao, de caráter social, sanitário, educativo e religioso. Sua origem se remonta ao final do século XIX, quando Don Manuel de Vega y López realizou um donativo para que a instituição pudesse manter seus objetivos originais. No pátio podemos ver um busto em sua homenagem, além de uma placa comemorativa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO local possui também um interessante museu inaugurado em 2005, com pinturas, esculturas e objetos litúrgicos. Lamentavelmente as fotos, tanto das obras de El Greco, como do interior do santuário, estão proibidas, de forma que abaixo adiciono o site da fundação, onde vocês poderão apreciar os quadros do famoso pintor:

Depois de realizar uma visita guiada a este interessantíssimo lugar de Illescas, ainda tive tempo de conhecer outros monumentos da cidade, como o Ayuntamiento da cidade, e um belo parque…
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Na hora de almoçar, escolhi um restaurante que pertence a um hotel da cidade, com um atraente Menú que incluía uma Parrillada de Verduras de primeiro prato, Lombo de Lubina com um delicioso molho de segundo e morango com chantilly de sobremesa, além de pão, azeitonas e vinho, com um custo total de 20 euros…
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Depois do almoço, fui conhecer o Museu do Azeite, um lugar que vale a pena visitar, e que será o tema do próximo e último post sobre Illescas