Antonio Mingote – Madrid (Parte 2)

Neste segundo e último post sobre o desenhista Antonio Mingote, veremos o legado deixado pelo artista na cidade de Madrid. Por exemplo, na Calle Duquesa de Osuna, em 1993, Mingote realizou a decoração dos balcões de um edifício, com personagens que nos mostram várias situações cotidianas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASua obra pode ser admirada na Estação do Metrô do Retiro, que permite o acesso público ao famoso Parque do Retiro. Seus desenhos foram utilizados para decorar a plataforma da estação com azulejos, retratando cenas dentro do parque carregadas de grande humor e ironia, elementos essenciais de seu trabalho como humorista gráfico.

20190715_10335820190715_103305Mingote adorava passear pelo parque, e logo depois de decorar a estação em 1987, recebeu o título de Alcalde Honorífico do Parque do Retiro e a Medalha de Ouro da Comunidade de Madrid. Abaixo, vemos o diploma que lhe outorgava tal distinção, que pude fotografar durante a exposição em sua homenagem no Museu de História de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADentro do Parque do Retiro foi colocado um busto de Antonio Mingote, esculpido pela artista Alicia García Huertas

20160528_112028Outro mural realizado por ele podemos ver na Calle de la Sal, junto à Plaza Mayor de Madrid. Pintado em 2001, o mural retrata cenas da famosa novela “Fortunata y Jacinta“, do escritor Benito Pérez Galdós

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASua obra está relacionada também com os chamados Comércios Históricos de Madrid, aqueles estabelecimentos comerciais com mais de 100 anos prestando serviços à comunidade. Integram o patrimônio histórico da cidade, e a Prefeitura de Madrid decidiu no início do século XXI homenageá-los. Encarregou a Mingote o desenho de uma placa comemorativa, para que fosse colocada na calçada em frente ao estabelecimento histórico. Hoje em dia vemos centenas destas placas espalhadas, e a primeira foi outorgada em 2006 ao tradicional Restaurante Lhardy, fundado em 1839. Abaixo vemos o desenho de Mingote e uma foto do restaurante…

OLYMPUS DIGITAL CAMERA20190724_172828Outro comércio histórico, uma antiga fábrica de relógios situada em frente ao mural da Calle de la Sal, recorreu a uma estratégia interessante ao colocar um boneco que realiza movimentos simulando o concerto de relógios. Em determinadas horas do dia, podemos ver este singelo e bonito artifício publicitário. O desenho foi feito, é claro, por Antonio Mingote

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa Plaza de las Cortes, impressiona pela beleza de sua fachada o edifício de seguros da Companhia Plus Ultra, construído no início do século XX. Tornou-se famoso graças a um carrilhão (carrillón, em espanhol) que em determinados horários do dia (12hs/15hs/18hs e 20 hs) podemos apreciar. Pela janela da fachada central do edifício saem 5 bonecos que representam personagens emblemático da cultura espanhola. Da esquerda para direita aparecem: o famoso toureiro Pedro Romero, uma Maja madrilenha (no século XIX eram as mulheres bonitas que se vestiam com trajes vistosos e que utilizavam um vocabulário tradicional dos bairros populares), o Rei Carlos III com uma espingarda, a Duquesa de Alba e o pintor Francisco de Goya.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACada personagem realiza movimentos simples que o caracterizam, ao som de uma música tocada pelo total de 18 sinos situados a cada lado do relógio. Dependendo do horário, são diferentes as músicas que escutamos. Os bonecos foram construídos por uma empresa especializada da Holanda e o carrilhão foi inaugurado em 1993 pela Infanta Pilar de Borbón, Duquesa de Badajoz. Os desenhos originais dos bonecos foram realizados por Mingote. Abaixo, vemos os bonecos em miniatura, também fotografados na exposição a ele dedicada…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo vídeo abaixo, vocês poderão assistir a uma “apresentação” do carrilhão. Com ele, finalizo esta matéria sobre Antonio Mingote, convidando a todos (as) que venham a Madrid e ver ao vivo sua importante obra artística….

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Antonio Mingote – Madrid

Além do patrimônio histórico e cultural da Espanha, sempre que possível publico matérias sobre os personagens que colaboraram para seu desenvolvimento, muitos dos quais desconhecidos além da fronteira espanhola. Fazia tempo que almejava publicar um post em homenagem a Antonio Mingote (1919/2012), que com seus desenhos transformou a paisagem urbana de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMeu desejo concretizou-se com uma exposição a ele dedicado, no ano do centenário de seu nascimento, realizada no Museu de História de Madrid, denominada “Madrid se escreve com M de Mingote“. Abaixo, vemos este imprescindível museu da cidade e o cartaz publicitário da exposição…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAntonio Mingote, membro da Real Academia Espanhola, foi um cartunista, escritor e jornalista espanhol. Apesar de ter nascido em Sitges, na Província de Barcelona, deixou um legado artístico relacionado com a cidade de Madrid, onde faleceu em 2012, com 93 anos de idade. Aprendeu a desenhar de forma autodidata, iniciando sua carreira de humorista gráfico em 1946. Devido a sua intensa atividade neste campo e a qualidade artística dos desenhos, foi reconhecido não somente na Espanha, como também em diversas partes do mundo. Suas ilustrações foram reproduzidas em meios de comunicação de prestígio internacional, como o New York Times, entre outros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1948 publicou sua primeira novela, “Las Palmeras de Cartón“, e em 1953 iniciou uma colaboração com o Diário ABC, que continuou até seu falecimento em 2012. Também escreveu roteiros para o cinema e séries de televisão. De grande interesse foram os livros de divulgação histórica que publicou, como “História de Madrid“, escrito em 1961.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa exposição podemos admirar a maior parte dos desenhos originais que ilustram o livro. De um total de 185 ilustrações, foram expostas no museu 125, constituindo uma maneira divertida para compreender a história da cidade, criadas com o humor característico do artista. Seu estilo está impregnado de sutilezas e ironia, além da sensibilidade social. Aproveito para publicar alguns deles, como o desenho em que arqueólogos tentam decifrar a origem da cidade de Madrid

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro desenho curioso revela o apelido como são conhecidos os nascidos em Madrid, “Gatos“. A origem deste nome se remonta a época da Reconquista de Madrid pelo Rei Alfonso VI no final do século XI. Fundada pelos muçulmanos no século IX, durante pouco mais de dois séculos Madrid foi uma cidade islâmica. Se diz que quando a cidade foi conquistada pelo monarca castelhano, um de seus soldados começou a escalar a muralha árabe de 12 m de altura com tamanha agilidade e destreza, que o rei afirmou que mais parecia a um “gato“. A partir de então, todos começaram a chamá-lo de gato, assim como a todos os membros de sua família. Inclusive, parece que mudou seu sobrenome, incluindo seu novo apelido, que com o passar do tempo tornou-se ilustre em Madrid. Sua família ostentou um escudo de armas no qual aparecia um punhal (utilizado pelo soldado para escalar a muralha) e um muro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO soldado tornou-se tão famoso que, com o tempo, o termo “gato” identificava a qualquer pessoa valente de Madrid. Posteriormente, passou a ser relacionada a qualquer pessoa nascida na cidade. Abaixo, vemos a antiga muralha islâmica de Madrid, situada aos pés de sua bela catedral…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra teoria diz que o apelido “gato” se refere ao hábito dos nascidos na cidade de sair à noite, como os pequenos felinos…Na realidade, atualmente se consideram “gatos” autênticos aquelas pessoas cujos pais e avós, tanto maternos quanto paternos, tenham nascido em Madrid. Ou seja, cada vez se torna mais difícil encontrar um gato genuíno pela cidade…Abaixo, vemos outro desenho, em que Mingote retrata o “jogo de domingo” na Idade Média

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMadrid no ano 1500, com vistas da muralha árabe, e o antigo Alcázar, a fortaleza de origem islâmica que se incendiou em 1734, sendo substituído pelo atual Palácio Real de Madrid

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO êxodo rural que multiplicou a população da cidade, depois de tornar-se capital da Espanha a partir de 1561…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMingote retratou também monumentos que ainda se conservam no Centro Histórico de Madrid, como o Real Monasterio de La Encarnación, fundado no início do séculoXVII…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo e último post sobre Antonio Mingote, veremos o legado deixado pelo artista pelas ruas da cidade…

As Viagens do “Guernica”

Antes de abandonar Salamanca, tive a oportunidade de ver uma interessantíssima exposição sobre o quadro “Guernica“, a obra prima do mais influente artista do século XX, Pablo Ruiz Picasso (1881/1973). A exposição foi montada na Plaza de Anaya, situada ao lado das Catedrais de Salamanca, e foi organizada pelo Centro Cultural Caixa Forum, que está percorrendo várias cidades da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA O “Guernica” já foi o tema de um post publicado em 17/5/2012, junto com o museu onde se encontra exposto, o Museu Reina Sofía de Madrid, que vemos abaixo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns anos atrás, pude fotografar o “Guernica“, algo impensável atualmente, mesmo porque está proibido captar imagens do quadro.

DSC03525A exposição de Salamanca discorre sobre as viagens que o quadro realizou depois de ter sido pintado por Picasso, participando de diversas exposições internacionais antes de seu retorno a Espanha. Considerado uma das obras mais conhecidas, reproduzidas, admiradas e reinterpretadas da História da Arte, o “Guernica” transformou-se num verdadeiro ícone do século XX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO quadro foi realizado por Picasso entre maio e junho de 1937 e seu título é uma referência ao bombardeio da cidade basca de Guernica pela aviação alemã no dia 26 de abril deste ano, dentro do contexto da Guerra Civil Espanhola (1936/1939). Este ataque aéreo é considerado o primeiro realizado contra uma população civil da história das disputas bélicas. Na realidade, sua elaboração por parte de Picasso foi um encargo do governo republicano para ser exposto no Pavilhão Espanhol, montado durante a Exposição Internacional de Paris de 1937, com a finalidade de atrair a atenção pública à causa republicana. Abaixo, vemos uma foto do pavilhão, cujo projeto construtivo se deve aos arquitetos Josep Lluís Sert e Luis La Casa, e o quadro exposto no local.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACom o final da Guerra Civil Espanhola em 1939 e o início do governo ditatorial do General Franco, Picasso manifestou o desejo que o quadro retornasse ao país somente depois que voltasse a ser uma nação democrática. Depois de sua exibição na Exposição Internacional de Paris, muitas outras foram realizadas no continente europeu, como a de 1938/1939 no Reino Unido, com grande êxito de público e organizada para arrecadar fundos para o Comitê de Ajuda aos Refugiados Espanhóis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante décadas, o quadro viajou por boa parte do mundo, antes de ser custodiado pelo Museu de Arte Moderna de Nova York (MOMA) a partir de 1958, onde permaneceu exposto até 1981. Abaixo, vemos o itinerário do “Guernica“…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO processo de criação da obra foi plenamente documentado pelo pintor através de esboços preparatórios e também por fotografias realizadas por Dora Maar (1907/1997), uma artista plástica francesa que se tornou uma das mulheres da vida de Picasso. Este material constitui um dos melhores exemplos documentados do progresso de uma obra artística em toda a História da Arte Universal. Picasso realizou, num prazo de 6 meses, (antes, durante e depois da conclusão do quadro), uma série de 45 esboços que atualmente encontram-se expostos no Museu Reina Sofía de Madrid, junto com a famosa obra do artista de Málaga.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO “Guernica“, um exemplo memorável da Arte Cubista, além de sua importância histórica e indiscutível qualidade artística, impressiona por seu tamanho (7.76m de comprimento x 3.49m de altura). Foi pintado utilizando-se somente as cores branca, negra e várias tonalidades de cor cinza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar do título da obra e suas circunstâncias históricas, não existe no quadro nenhuma referência explícita ao bombardeio da cidade de Guernica, pois trata-se de uma composição simbólica, e não narrativa, retratando o horror à guerra e os sofrimentos que infringe a todos os seres humanos. Por este motivo, o quadro converteu-se num símbolo de protesto antibélico, utilizado contra os vários confrontos do século passado…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgo que desconhecia e que pude orgulhosamente constatar, é que durante as viagens do “Guernica” pelo mundo, o quadro esteve presente no Brasil em 1953, durante a realização da II Bienal de São Paulo, como vemos na foto abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO quadro serviu de motivo inspiratório a inúmeras obras em todo o mundo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, em 1981, o quadro retornou a Espanha, com uma ampla divulgação da imprensa, escrita e televisiva…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA chegada do “Guernica” no Aeroporto de Barajas

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente, o quadro permaneceu no Casón del Buen Retiro, uma das dependências que faziam parte do destruído Palácio del Buen Retiro, originalmente construído dentro do Parque do Retiro, de propriedade real na época de sua construção, que ainda podemos contemplar passeando pela cidade.

DSC08622OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1982, o “Guernica” passou a ser exposto permanentemente no Museu Reina Sofía, considerado um dos centros de Arte Contemporânea de maior prestígio de todo o mundo, cuja visita, evidentemente, recomendo !!!!!

Street Art – Salamanca (Parte 3)

Nesta última matéria sobre a Street Art em Salamanca veremos alguns dos trabalhos que foram selecionados nos concursos realizados nos anos de 2016 a 2018, que atualmente embelezam de colorido o Bairro do Oeste. O artista sevilhano Zesar Bahamonte utilizou o spray em junho de 2016 para a realização de sua obra “Banda Sonora del Oeste“…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFormado na Faculdade de Belas Artes de Salamanca, o artista de Segóvia Alba de Lucas Sastre foi o responsável da obra abaixo, “Sin Título“, realizada em 2016 com esmalte…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJorge Negro, também formado em Belas Artes na cidade de Salamanca, recebeu vários prêmios por seus trabalhos de Arte Urbana. O que vemos a seguir se denomina “Pintamonas“, e também foi selecionado no concurso público de 2016.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro artista congratulado neste ano foi Seikon, com o trabalho “Sin Título“…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe Alice Pasquini vemos a obra “Sorellanza“….

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo ano de 2017 destaco várias obras de interesse, como “Hostil“, de autoria de Ana Isabel Bautista Palomo

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVárias artistas estrangeiras colaboraram com o projeto, como a italiana Elena Jiménez Moyano, formada na Academia de Belas Artes de Roma. Abaixo, vemos seu trabalho “Tambaleante“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARealizado com spray, Acart foi premiado com “La Vie en Ortensia“…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm coletivo com artistas de mais de 55 anos realizou em abril de 2017 a pintura “La vieja escuela del oeste“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutras duas obras que foram denominadas “Sin Título“, desta vez realizada por Medianeras Murales e Mar Negro

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO site https://galeriaurbanasalamanca.es/ tornou-se uma ferramenta fundamental para que eu pudesse relacionar as fotos com seus autores (as) e o respectivo ano em que foram realizadas, além de ser uma referência da Street Art em Salamanca. Finalmente, do ano de 2018, selecionei três obras. Abaixo, vemos “Sensivity“, de César Carrión Arias.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe Michelangelo Marra, vemos a obra “Patrón Barrio“….

OLYMPUS DIGITAL CAMERALa Vieja Escuela del Oeste e seu trabalho “Sin Título“…

OLYMPUS DIGITAL CAMERASempre que possível, estarei divulgando no blog trabalhos relativos à Street Art na Espanha, cujo crescimento é notório em muitas das cidades do país, uma tendência que se verifica a nível mundial. Convém distinguir estas obras da mera pichação, pois muitas delas possuem um grande valor artístico e refletem genuínas e originais expressões dos artistas urbanos, que estão transformando o aspecto de muitos bairros, com colorido e talento…

Street Art – Salamanca (Parte 2)

Neste post e no seguinte publicarei alguns dos trabalhos de Street Art que mais gostei em meu passeio pelo Bairro do Oeste de Salamanca. Na realidade, foi difícil escolher entre as mais de 100 fotos que tirei. Apesar disso, creio que as fotos publicadas representam uma boa amostra do período compreendido entre 2013, quando se realizou o primeiro concurso, e o ano de 2018. Junto às imagens, transcrevo o nome da obra e seu autor. Começando por 2013, vemos dois trabalhos de Alejandro Sánchez Ruano, ambos intitulados “Sin Título”…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAArina Shorokhova, uma artista nascida na Rússia e formada na Faculdade de Belas Artes de Salamanca, realizou o trabalho “Prohibido fijar carteles“…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir vemos duas obras, a da esquerda intitulada “Asaltante“, de David Iglesias Martínez, e a situada no lado direito, denominada “Mayko“, de Antonio Feliz Parsec, ambas realizadas com esmalte…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo ano de 2014, selecionei algumas obras, como a que vemos abaixo, de Victor Rico, intitulada “Vacío“, também realizada com esmalte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANormalmente os artistas utilizam as portas de uma garagem para a exibição das obras, bem como os muros dos edifícios. Já o artista Pablo S. Herrero realizou uma pintura plástica que abrange toda a fachada de um prédio, denominada “Nido“…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUtilizando como material o spray, Alejandro Pérez foi o autor da obra abaixo, “Sin Título“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAGaspar Francés é o autor da obra “La Revolución de los Pinceles“, na qual utilizou o spray e o esmalte, entre outros materiais…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe Jorge Nego, vemos a obra “Todo depende del color del cristal con el que se mire“…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAManuel Gutiérrez foi o autor de uma das pinturas mais conhecidas do bairro, chamada “La Diosa Ciudadana“…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe Iván Gabela, um artista natural do País Vasco, onde se formou em Belas Artes, destaca a obra “VHS“…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra obra famosa do bairro é a pintura plástica “Geppetto“, realizada no muro de um edifício por Milu Correch

OLYMPUS DIGITAL CAMERARealizada com spray, E100 é o autor da obra  “Sin Título“, que vemos a seguir, situada nas paredes de uma casa abandonada e em ruínas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO trabalho denominado “Utopía“, de H101, foi um dos escolhidos no concurso de 2014…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo concurso realizado em 2015, vemos a obra de Pistacho Custom, “Sin Título“…

OLYMPUS DIGITAL CAMERALa Charra“, do artista Bosoletti

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo e último post sobre Street Art em Salamanca, veremos algumas das obras dos concursos realizados entre 2016 e 2018…

 

Street Art – Salamanca

Uns dias antes de realizar com meus amigos a viagem a Ávila e Salamanca, tive a sorte de poder ver uma reportagem na televisão espanhola sobre o processo de revitalização de um bairro de Salamanca através da Street Art, também conhecida por sua tradução Arte de Rua ou Arte Urbana. Quando cheguei a Salamanca, um de meus principais objetivos foi visitar o Bairro do Oeste, a parte da cidade que rejuvenesceu com esta proposta que mudou a cara desta zona, até pouco tempo atrás escassamente visitada pelos turistas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPassei várias horas percorrendo as ruas do bairro em busca das iniciativas artísticas mais interessantes, e o resultado foram mais de 100 fotos tiradas, de uma grande quantidade de artistas urbanos, que deixaram seus trabalhos expostos em garagens, muros dos edifícios e lojas, nos mais diversos estilos e técnicas compositivas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANos últimos anos, a Street Art adquiriu um grande protagonismo em todas as cidades do mundo, transformando o aspecto urbano e envolvendo a participação cidadã na renovação de sua paisagem, com muito colorido e qualidade artística.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAHabitado por cerca de 10 mil habitantes, o Bairro do Oeste situa-se ao lado do Centro Histórico de Salamanca, e passa inadvertido pela maioria dos turistas que visitam a cidade. É também conhecido como Bairro dos Carmelitas, devido ao Convento das Carmelitas Descalças fundado em 1571 e que passou a localizar-se no bairro a partir de 1614, junto ao limite exterior do último recinto de muralhas que protegia o espaço urbano de Salamanca. Com a expansão populacional verificada no princípio do século XX, a cidade começou a buscar novos locais para a construção de edifícios, mas o bairro começou a crescer de forma não planificada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente povoado por cidadãos com recursos econômicos, na década de 60 do século XX, o Bairro do Oeste sofreu uma grande transformação devido ao êxodo rural e passou a ser ocupado pelas classes populares, sendo que muitas residências pertencentes à classe alta foram derrubadas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm junho de 2013, uma iniciativa organizada pela instituição Galeria Urbana e o coletivo Lemarte promoveu um projeto em que jovens artistas pudessem expressar-se através de grafites, pinturas murais, etc e que permanece em vigor atualmente, mais do que nunca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente participaram 25 artistas, muitos dos quais formado pela Faculdade de Belas Artes de Salamanca. Para dar continuidade ao projeto, começaram a organizar-se anualmente um concurso público com jovens de talento artístico entre 18 e 30 anos, que enviaram seus desenhos. Os melhores foram aprovados e o resultado podemos admirar pelas ruas do bairro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANum primeiro momento, o projeto não foi bem acolhido, mas na medida em que foi sendo implantado com o passar dos anos, a opinião pública mudou, e o bairro começou a receber uma maior quantidade de turistas, curiosos por conhecer as obras que embelezam o bairro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns edifícios contemporâneos colaboraram com o colorido numa das principais praças do Bairro do Oeste

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMesmo as mais simples iniciativas realizadas produzem uma agradável sensação de participação coletiva e de cidadania em prol da renovação urbana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANos próximos posts publicarei muitas outras obras com seus respectivos artistas que se destacam na Street Art em Salamanca

Patrimônio Religioso de Salamanca: Parte 2

Neste segundo post sobre o patrimônio religioso de Salamanca veremos outras construções de importância histórica da cidade castelhana. A Ordem Franciscana, como sucedeu com os carmelitas, também teve um grande papel na história salmantina. Um dos principais edifícios associados a ordem é o Monasterio de la Anunciación, um convento feminino fundado na segunda metade do século XV para as freiras da Ordem Terceira de São Francisco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO convento, também conhecido como “Las Úrsulas“, foi ampliado pelo Arcebispo Alonso II de Fonseca, com a finalidade de estabelecer nele sua capela funerária. De fato, no monastério foi enterrado, depois de sua morte em 1512. Abaixo, vemos seu característico ábside gótico

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fachada principal pertence ao período barroco, realizada por Jerónimo García de Quiñones, outro arquiteto emblemático da cidade, em 1722.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de mais de 5 séculos vivendo no local, em 2018 as religiosas tiveram que abandonar o convento devido ao escasso número de freiras e a falta de vocação.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe mediados do século XVIII e de estilo barroco, a Capela de San Francisco fazia parte de um antigo convento franciscano, que não existe mais. Atualmente pertence à Ordem dos Capuchinos. Na fachada principal vemos uma imagem de São Francisco….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO próprio santo foi homenageado com uma estátua realizada por Venancio Blanco, e inaugurada em 1976.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem próximo à estátua em homenagem a São Francisco, situa-se a Capela da Santa Vera Cruz, construída por uma das confrarias mais ilustre da cidade no século XVI, que nela está sediada. O projeto foi realizado por Rodrigo Gil de Hontañón, um dos principais arquitetos renascentistas do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADeste período inicial, se conserva a fachada principal com uma imagem da Imaculada. No século XVIII, o interior dete singelo templo foi reformado no estilo barroco por Joaquín de Churriguera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Irmãos Churriguera destacaram-se no século XVII como arquitetos e escultores referentes na Espanha. Realizaram muitos trabalhos em Salamanca, sendo que um deles, José Benito de Churriguera (1665/1725) tornou-se o mais famoso. Seu irmão Alberto de Churriguera foi o responsável pela construção da Igreja de San Sebastián, situada ao lado do Palácio de Anaya, um dos edifícios históricos da Universidade de Salamanca, que vimos recentemente no blog.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja foi construída inicialmente em 1410, mas foi derrubada por problemas estruturais. Na primeira metade do século XVIII foi reconstruída por Alberto de Churriguera (1676/1750). A portada barroca foi decorada com uma imagem de San Sebastián realizada por outro membro da família, José de Lara Churriguera

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO período barroco foi determinante em muita das construções religiosas existentes em Salamanca, como podemos notar. A Igreja de San Pablo, situada na Plaza de Colón (com o conhecido monumento em homenagem a Cristóvão Colombo, que já vimos nesta série de matérias sobre a cidade) também se insere neste estilo artístico. Erguida no século XVII, em sua origem foi conhecida como Igreja da Santíssima Trindade, formando parte do Convento dos Trinitários Descalços. A fachada é a única parte que se conserva, decorada com um relevo da Santíssima Trindade

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo adquiriu o nome de San Pablo quando a antiga igreja dedicada ao santo foi abandonada por seu estado ruinoso (conhecida atualmente pelas ruínas de San Polo, que vimos no post anterior). Depois dos processos de desamortização do século XIX, a igreja perdeu sua função original, e o espaço litúrgico passou a ser usado como sede do quartel civil. Atualmente pertence ao sistema judiciário da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria com a Igreja de la Puríssima, considerada uma das mais belas de Salamanca. Declarada Monumento Nacional desde 1935, sua construção foi ordenada pelo Conde de Monterrey em 1636 para que nela fosse sepultado junto com  sua família. Formava parte do Convento de Agustinas Recoletos, e as obras finalizaram em 1687.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASituada em frente ao Palácio do Conde de Monterrey, em sua arquitetura barroca destaca a cúpula, reconstruída em 1675, depois que a original foi derrubada, e sua fachada, com um grande pórtico de mais de 30m de altura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma pena que infelizmente não tive a oportunidade visitar a igreja por dentro, que conserva magníficas obras de arte, entre as quais diversos quadros de José de Ribera, um dos principais pintores barrocos do país. Fica para a próxima vez…