Coruña del Conde – Província de Burgos

Recentemente realizei uma excursão organizada pelos meus professores de história a uma região de grande potencial turístico, a Província de Burgos, uma das províncias que formam a Comunidade de Castilla y León. Visitamos a antiga cidade romana de Clunia e o belo povoado de Caleruega, que em breve vocês verão no blog. Nossa primeira parada, no entanto, foi o município de Coruña del Conde, cujas principais atividades econômicas são a agricultura (cereais e vinho) e a indústria madeireira. Este pueblo conta com apenas 120 habitantes, mas em seus limites acolhe uma das construções mais antigas da zona conhecida como Ribera del Rio Duero, a Ermita de Santo Cristo de San Sebastián (a palavra ermita, em português, pode ser traduzida como uma pequena capela).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO reduzido tamanho da construção é inversamente proporcional à sua importância histórica, representando uma combinação das diversas culturas presentes nesta zona entre os séculos IX e X. Parece que o edifício original foi destruído pelos árabes no século X, sendo reconstruído no estilo pré-românico com influências bizantinas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADa etapa pré-românica, o grande destaque fica por conta do ábside da ermita, cujo formato retangular constitui uma das principais características desta corrente arquitetônica. Foi construído provavelmente no ano 912, quando este território foi incorporado ao antigo Condado de Castilla. Seu muro foi decorado com os denominados Arcos Cegos

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa parede superior do ábside vemos um relevo com uma curiosa figura humana, que por sua vestimenta poderia remontar à época visigoda

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns dos capitéis que rematam as colunas da ermita também pertencem ao período pré-românico, como vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA ermita foi novamente reformada no final do século XI, quando se adotou o estilo românico, como podemos observar em sua porta principal, formada por 3 arcos semicirculares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO mais curioso desta reforma foi a incorporação de diversos blocos de pedra que foram trazidos da cidade romana de Clunia, situada próxima ao município de Coruña del Conde. Algumas destas pedras apresentam relevos esculpidos, como observamos nas colunas que sustentam a porta principal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutras apresentam símbolos pagãos, como o chamado corno da abundância

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior deste insólito templo religioso está composto por apenas uma nave retangular, que não visitamos pois a ermita estava fechada à visitação pública.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesde a ermita, tínhamos uma bela vista das ruínas do Castelo de Coruña del Conde, cuja origem se remonta ao século X, quando o Rei García de León decidiu repovoar estas terras. No início do século XXI, o castelo foi reforçado para que não desabasse. Como curiosidade, a prefeitura do município, proprietária da fortaleza, colocou a construção a venda ao preço de 1 euro (acreditem, se quiser…) a qualquer pessoa que se comprometa em sua restauração e posterior conservação, diante da impossibilidade de obter fundos públicos para a tarefa….alguém se habilita ?

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Castells – Parte 2

Neste segundo post sobre os Castells, ou torres humanas, veremos algumas curiosidades sobre este verdadeiro símbolo cultural da Catalunha. Em Tarragona é tão popular que existe um belíssimo monumento em sua homenagem, esculpido em bronze por Francesc Anglès e inaugurado em 29/5/1999. Sua localização, a Rambla Nova, uma das avenidas mais conhecidas da cidade, foi escolhida pelos próprios habitantes locais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monumento possui 11 metros de altura e pesa 12 toneladas, e está formado por um total de 219 figuras. O curioso é que o escultor representou a vários personagens do mundo cultural e artístico espanhol, como Picasso, Miró, Paul Casals, e a si mesmo. Observando a escultura, vemos que se representam todos os elementos indispensáveis para sua construção. Antes de se começar a torre humana, uma banda de música começa a tocar peças musicais denominadas Toc de Castells, que somente finalizará ao término da torre, quando todos seus membros encontram-se novamente no solo. Um dos membros mais importantes durante a realização de um Castell é o chamado Cap de Colla, que dá orientaçoes precisas sobre a construção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm Castell está composto por várias partes, começando pela Pinya, a base da torre, que concentra  a grande maioria dos participantes. Pode chegar a ter centenas de pessoas, incluindo não somente os membros da Colla Castellera, como também amigos, familiares e pessoas apaixonadas, que se unem espontaneamente e auxiliam em sua formação de suporte para o Castell. Está considerado o elemento mais complexo de toda a estrutura, principalmente no núcleo.

DSC02082A parte central de um Castell denomina-se Tronc, formado por vários pisos com a mesma quantidade de membros em cada um. Sua complexidade depende da altura e estrutura (quantidade de pessoas por piso).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA parte superior de um Castell, chamada Pom de Dalt, completa o tronco e possui a mesma composição em quanto a número de participantes. Normalmente inclui os 3 últimos andares da estrutura, nas quais as crianças sobem até chegar ao último nível.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Castells possuem um vocabulário próprio no idioma catalão, que designam cada Castell em função de sua estrutura quanto ao número de membros em cada andar ou piso e o número de andares. Sua estrutura geral é cada vez mais complexa na medida em que ganha altura. Recebem uma denominação através de dois números. O primeiro descreve a quantidade de pessoas em cada piso, e o segundo número o total de pisos. Por exemplo, um “tres de vuit” ou três de oito. significa que o Castell está composto por 3 membros num total de oito andares. Alguns Castells recebem uma denominação própria, como o 5×8, chamado de “Catedral“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe acordo com o número de membros em cada andar os Castells recebem nomes específicos, como por exemplo: 1) Pilar: somente 1 pessoa por andar, que pode chegar ter até 8 pisos. 2) Dos de: formado por duas pessoas, pode alcançar 9 pisos, façanha realizada em 1993. 3) Trés de: três pessoas em cada andar, e pode chegar a 10 pisos, a altura máxima alcançada por um Castell nos registros históricos. Para muitos,  a torre humana de estética mais perfeita. 4) Quatre de: 4 pessoas por andar, de grande exigência física e técnica. Em 2015 se realizou um Castell de 4×10, algo que jamais havia sido possível até então. Para uma mesma altura, se valoriza mais um Castell com maior quantidade de pessoas por andar (um 5×8 vale mais que um 3×8). Existem Castells formado por 4 membros por andar com um pilar de vários andares no meio da estrutura principal, considerado um dos mais espetaculares por sua grande complexidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuando uma construção torna-se muito alta e com poucos participantes em cada piso, se necessita um apoio adicional  para suportar a estrutura e fornecer a devida estabilidade. Por exemplo, o denominado Foire consiste numa base construída no segundo andar sobre a Pinya, a base principal situada no solo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm Castell pode ser realizado total ou parcialmente, recebendo as seguintes expressões: Se diz que um Castell foi Descarregado quando atingiu o topo e foi desmontado com êxito. Carregado quando atingiu o topo mas desabou na desmontagem. Um Intent quando desabou antes de atingir o topo e um Intent Desmuntat quando a Colla (associaçao que está construindo a torre) decide desmontá-la antes de atingir o topo. Normalmente isso ocorre quando a construção está instável e corre o perigo de cair.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a história, foram documentados 3 acidentes mortais durante a realização de um Castell. O último deles ocorreu em 2006, quando se tornou obrigatório o uso de capacetes entre as crianças que sobem na parte mais alta da torre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASegundo dados obtidos na Internet, em 2005 a porcentagem de Castells que não cairam foi de 96.3 %. A capacidade de absorção da energia produzida por uma queda na base da torre (Pinya) é de aproximadamente 40 a 60%.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Atualmente, as Collas de Castellers (agremiações que realizam os Castells) estão organizadas como qualquer associação ou clube, com sede própria ou local de reunião e treinamento. Uma das mais conhecidas da cidade chama-se Xiquets de Tarragona, e algumas de suas participantes, de forma amistosa e simpática, me permitiram tirar uma foto…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta Colla Castellera existe desde 1970, e originou-se com a fusão de duas outras entidades…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra parte integrante de um Castell é a banda de música, que começa a tocar quando inicia-se a construção da torre. Em caso de queda, a música para no ato…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesde 1980 se realizam a cada 2 anos um Concurso de Castells na antiga Praça de Touros de Tarragona, chamada Tarraco Arena. É o único momento que os Castells adquirem um caráter competitivo. A antiga Praça de Touros foi reformada para abrigar estes eventos, com a instalaçao de um teto móvel para proteger os Castells em caso de chuva, pois nestas condições não são construídos, devido ao maior perigo de queda. Apesar de ser considerado o evento máximo dos Castellers, muitas associações se recusam a participam do concurso, por considerar que descaracterizam seu espírito comunitário. Em youtube existem muitos vídeos sobre estes impressionantes concursos. Selecionei um deles para que vocês tenham uma idéia…

Finalizo a matéria sobre os Castells, manifestação declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, e também sobre a cidade de Tarragona, depois de várias publicações. Gostaria de comentar que a maioria das fotos do post são de minha autoria, com exceção das fotos 7 e 11 (de cima para baixo), tiradas do livro “Castells – Torres Humanas”, escrito por Josep Almirall.

 

Castells – Torres Humanas da Catalunha

Dentro das festividades religiosas ocorridas durante minha estadia em Tarragona, tive a oportunidade e o privilégio de presenciar uma das manifestações culturais mais impressionantes da Catalunha, os denominados Castells, ou torres humanas de vários andares de altura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo idioma catalão, Castells significa “Castelos“, e pessoas de idades variadas de ambos sexos e constituição física participam em sua realização, gerando paixões e interesse equiparáveis aos esportes tradicionais. Constituem uma parte integrante da identidade da Catalunha, que se transmite de geração em geração, proporcionando aos seus membros um sentido de continuidade, coesão social e sentido de solidariedade. Além do mais, em 2010 foi declarado pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Normalmente, os Castells se formam nas praças principais, como na praça da sede da prefeitura (Ayuntamiento) ou diante da Catedral, como sucedeu em Tarragona ( que nao aparece nas fotos por minha posição lateral em relação à praça onde se situa). Antes de começar o espetáculo, uma multidão se aglutinou para ver e aplaudir os Castells.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANormalmente, centenas de pessoas participam em sua formação, e denomina-se Castellers as pessoas que integram as Colles Castellers, uma associação que organiza os Castells. Seus membros treinam durante todo o ano para que as apresentações nas várias cidades da comunidade sejam coroadas com êxito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente os membros de um Castell se comprimem no solo formando um círculo, que serve de base para que a estrutura possa ganhar altura, chamada Pinya. Quando alcança uma altura determinada, crianças de entre 7 e 8 anos sobem pelas costas dos demais até chegarem na parte mais alta, levantando a mão e realizando uma Aleta, sinal que o Castell foi concluído. O público aplaude forma entusiasta…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm seguida, as crianças devem baixar, realizando o caminho inverso. Quando todos seus membros encontram-se novamente no solo, o público aplaude uma vez mais, sinal que o Castell foi definitivamente completado e não caiu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAExiste uma máxima popular que diz que “Os Castells são feitos pelas crianças“, os verdadeiros heróis em sua realização, exigindo agilidade e valentia. Atualmente, participam homens e mulheres, mas até a década de 80 do século passado, os Castells constituíam uma atividade exclusivamente masculina. Para algumas posições, as mulheres oferecem vantagens físicas em relação aos homens (com uma mesma envergadura, geralmente o peso da mulher é inferior, sendo ideais para ocuparem as partes mais elevadas da estrutura).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERARealizados há cerca de 200 anos, existem referências de Castells já no século XVIII na cidade de Valls, considerada o berço dos Castells. Estreitamente relacionados com as festas populares, progressivamente estendeu-se por toda a Catalunha. A explicação mais aceita sobre sua origem diz que na segunda metade do século XVIII realizavam-se pequenas construções humanas que faziam parte de uma dança chamada “Baile dos Valencianos“, que eram realizadas em torno às procissões religiosas, criando uma certa rivalidade entre os grupos que as praticavam. Com o tempo, estas construções em forma de torre ganharam uma grande importância, tornando-se independentes do baile propriamente dito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO primeiro Castell documentado data de 1770 e em 1790 já se utilizava a palavra para diferenciar do baile. O principal lema dos Castellers, “Força, Equilíbrio, Valor e Cordura (Sensatez)”, está relacionado às virtudes que seus membros devem possuir. Além delas, são fundamentais outras qualidades sociais como o trabalho e treinamento constantes, o esforço geral, a confiança no grupo, etc. Ainda que se recomende um bom preparo físico para participar num Castell, atualmente se valoriza mais a técnica que a força bruta.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO vestuário de um Casteller está composto por uma calça branca e uma camisa com a cor de sua agremiação. Um lenço tradicionalmente vermelho e uma faixa de algodão que se enrola ao redor da cintura (pode chegar a ter 5 metros), com a finalidade de dar consistência à escalada e proteger a zona lombar, completam a roupa tradicional. Muitos utilizam um lenço ao redor da cabeça para evitar que o suor atrapalhe a vista. Todos os membros sobem descalços.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA temporada de Castells inicia-se durante as festividades em honra a São Jorge (Sant Jordi, em catalão), Santo Padroeiro da Catalunha, no dia 23 de abril, e finaliza em novembro. Existe uma associação representativa, a CCCC (Coordinadora de Colles Castellers de Catalunha) que divulga as atuações em toda a comunidade (http://www.cccc.cat). Outra página interessante é a http://www.webcasteller.com

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, publicarei a segunda matéria sobre estas incríveis torre humanas, comentando sobre os diferentes tipos de Castells, curiosidades históricas, o impressionante concurso que se realiza a cada dois anos, etc.

Tarragona em Festa

Logo quando cheguei a Tarragona fiquei surpreso com a grande quantidade de turistas e pessoas presentes nas ruas da cidade. Tarragona é uma cidade turística, graças ao seu excepcional patrimônio histórico de época romana, como vocês puderam ver nas matérias do blog, de modo que sempre atrai a uma grande quantidade de pessoas de todo o mundo dispostas a conhecê-lo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém do mais, minha estadia em Tarragona coincidiu com uma das festas religiosas de maior importância de seu calendário anual, dedicada a Santa Magi, celebradas entre 16 e 19 de agosto, período em que me encontrava na cidade. As ruas foram decoradas com bandeiras de Tarragona e também das diversas associações culturais existentes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAVárias atividades foram realizadas, como desfiles com bandas de música que tocavam instrumentos convencionais e também típicos da comunidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERATambém foram organizadas procissões com as imagens religiosas mais veneradas pelos habitantes…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA praça onde situa-se o Edifício do Ayuntamiento (sede da prefeitura) foi um dos lugares mais festivos, com a presença de gente disfarçada que me permitiram tirar umas fotos…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante as festividades não faltaram personagens onipresentes nas festas espanholas, os gigantes

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAE os cabeçudos

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPara saber mais sobres os Gigantes e os Cabeçudos, ver a matéria publicada em 21/9/2012. Tive a sorte de presenciar uma das manifestações culturais mais genuínas da Catalunha, os denominados Castells, como se conhecem as fantásticas pirâmides humanas realizadas em ocasiões festivas em toda a comunidade. Por este motivo, publicarei dois posts para que tenham uma idéia da paixão que despertam nos catalães, e do impressionante que são…

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Street Art em Tarragona

Desde que comecei a interessar-me pela Street Art, também chamada Arte Urbana, realizei diversas matérias no blog, com a intenção de divulgar esta genuína manifestação artística, cada vez mais valorizada e presente nas cidades de todo o mundo. Em minhas andanças por Tarragona, descobri vários exemplos deste tipo de expressão, que gostaria de compartilhar com vocês.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Street Art em Tarragona, nos últimos tempos, alcançou um grande dinamismo, e podemos apreciar diversos exemplos pelas ruas da cidade…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo Centro Histórico da cidade várias iniciativas interessantes foram realizadas para transformar zonas abandonadas em espaços onde artistas urbanos pudessem transmitir suas idéias, opiniões, e divulgar seus trabalhos. A rua que vemos abaixo foi convertida num verdadeiro museu da Street Art, com pinturas que embelezam esta parte do núcleo histórico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Street Art ganha cada vez mais adeptos, e diferencia-se de forma clara da mera pixaçao, graças ao seu conteúdo e qualidade artística, chamando a atenção de pessoas de todas as idades e classes sociais, dos turistas e dos habitantes que vivem nas cidades.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs muros dos edifícios converteram-se num dos espaços mais utilizados para os artistas urbanos, como vemos nos exemplos abaixos…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, vemos um clássico da Street Art em Tarragona, situado junto às ruínas arqueológicas da cidade…

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Modernismo em Tarragona

Tarragona é uma cidade que conta com belos edifícios pertencentes aos séculos XIX e XX. alguns dos quais veremos no post de hoje. Vários deles localizam-se na Rambla Nova, como este que vemos abaixo, de grande complexidade decorativa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERABem próximo encontramos o Teatro Metropol, um dos espaços culturais mais importantes de Tarragona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo em muitas outras cidades importantes da Catalunha, o Estilo Modernista difundiu-se em Tarragona, com vários exemplos de construções, residenciais e pùblicas. A Casa Ximenis foi construída em 1914, e destaca-se por seus elementos decorativos como o esgrafiado e o trabalho de ferro forjado nos balcões da fachada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado da Casa Ximenis vemos outra residência decorada seguindo a estética modernista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe 1915, o Mercado Central de Tarragona foi projetado pelo arquiteto Josep Maria Pujol, com interessantes incorporações modernistas na fachada e nos detalhes de sua estrutura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Praça de Touros de Tarragona também segue o estilo modernista, projetada pelo arquiteto da cidade Ramón Salas Ricomá, estando considerada uma das primeiras amostras do Modernismo na província.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a aprovação de uma lei que proíbe a realização de touradas na Catalunha ( uma das poucas comunidades da Espanha onde este tipo de espetáculos não é mais permitido), a Praça de Touros de Tarragona foi reformada em 2010 e atualmente serve de espaço para outros tipos de atividades culturais, como concertos e eventos esportivos. A partir de então, passou a ser chamada de Tarraco Arena Plaza.

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Tarragona Moderna e Contemporânea

A partir do século XVI, se constroem em Tarragona novas fortificações para defender a cidade das constantes guerras e ataques de piratas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs epidemias continuavam assolando a cidade, provocando uma alta taxa de mortalidade, além do êxodo populacional. O porto sofreu graves prejuízos e acabou ficando abandonado, de forma que a atividade comercial foi desviada ao Porto de Salou. A economia entrou num período crítico, do qual se recuperou somente no século XVIII, quando se autorizou a reconstrução do porto, concedendo-lhe a permissão para comercializar livremente com o continente americano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo plano cultural, a partir do século XVI os arcebispos da cidade desempenharam um importante papel em sua renovação. Muitos deles ocuparam cargos políticos, e dotaram a cidade de uma Universidade Literária. Por outro lado, as ordens religiosas realizaram abundantes atividades benéficas e educacionais. A chegada da água à cidade, impulsionada pelos religiosos, contribuiu de forma evidente para a melhoria da qualidade de vida de seus habitantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XIX, a Guerra da Independência, travada contra o exército de Napoleão, foi devastadora para Tarragona. Ocupada em 1811, o rastro de fome e miséria deixado após o conflito foi enorme.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa metade do século XIX, o crescimento econômico possibilitou reformas urbanas que acabaram transformando sua fisionomia. Em 1868, Tarragona deixou de ser uma praça forte, fato que permitiu a construção de novos edifícios situados fora do recinto de Muralha de San Juan, erguida no século XVI, que havia se convertido numa barreira entre a tradicional parte alta da cidade e o florescente bairro da marina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm pouco antes, em 1854, se começou a derrubar uma parte da muralha medieval para que a cidade pudesse expandir-se. Neste ano, iniciou-se o projeto da Rambla Nova, que acabou convertendo-se no eixo comercial da cidade. Atualmente, a Rambla Nova é uma das mais importantes avenidas de Tarragona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs obras no porto e no ensanche (processo de expansão urbana) provocaram a descoberta de vários restos arqueológicos de época romana, base da coleção do importante Museu Arqueológico de Tarragona. Durante a Guerra Civil Espanhola do século XX, a cidade mais uma vez sofreu danos, desta vez devido aos bombardeios, e sua infraestrutura teve que ser novamente reconstruída. Na segunda metade do século XX, Tarragona transformou-se numa cidade industrial especializada no campo petroquímico, considerado o mais importante de toda a Espanha. Seu renovado porto torna-se o segundo do país em quantidade de toneladas anuais. A população aumenta graças à imigração.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADeste período, a partir do século XVI, podemos conhecer vários outros pontos de interesse na cidade, como a Casa Museu Castellarnau, um excepcional exemplo de residência nobre em Tarragona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente construída no começo do século XV, nesta casa esteve hospedado o Rei Carlos I, durante uma visita à cidade em 1542. Conserva um interessante pátio gótico, e no século XVIII foi adquirida por um nobre chamado Carles de Castellarnau, que reformou o edifício. A casa hoje em dia é um museu e na visita contemplamos um estilo decorativo pertencente aos séculos XVIII e XIX.

DSC02057DSC02064Ao final da Rambla Nova, situa-se um maravilhoso mirante da cidade, com vistas ao porto, praias e monumentos relacionados com Tarraco, como o Anfiteatro Romano. Ficou conhecido como o Balcão do Mediterrâneo, nome escolhido por Emilio Castelar (1832/1899), político, escritor e jornalista espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASituado num acantilado ao borde do mar, uma zona ajardinada de forma elíptica evoca a fisionomia do Anfiteatro Romano, localizado junto ao mar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO jardim foi plantado com várias espécies vegetais, entre as quais mencionamos a denominada “Trilogia do Mediterrâneo“, que constituía a base agrícola do mundo romano, o trigo, a uva e a oliva.

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