Clunia – Província de Burgos

Há cerca de 2200 anos atrás os romanos se estabeleceram na Península Ibérica, dentro do contexto da Segunda Guerra Púnica (218/201 aC), travada contra outra potência mediterrânea da época, Cartago, que terminou com o triunfo do Império Romano e a derrota do General Aníbal. Finalizado o confronto, os romanos demoraram dois séculos em conquistar plenamente o novo território, devido as constantes guerras travadas contra os povos ibéricos, autóctonos do território espanhol, e também pelos conflitos entre os próprios governadores romanos, como no caso de Sertorio, que desafiou o poder de Roma. Com a conquista dos povos indígenas, a cultura local foi substituída pela civilização latina. O nome dado pelos romanos à península, Hispania, esteve relacionado à nomenclatura oficial das três províncias criadas para sua administração no final do século I aC: Hispania Ulterior Baetica (cuja capital foi a atual cidade de Córdoba), Hispania Citerior Tarraconensis (capital Tarraco, atual Tarragona) e Hispania Ulterior Lusitania (Capital Emérita Augusta, atual cidade de Mérida).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPosteriormente, com a reforma administrativa efetuada por Diocleciano (284/305 dC), as províncias foram aumentadas, como vemos no mapa abaixo:

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO nome do país, Espanha, se originou do termo Hispania, e uma das explicações de seu significado seria “Terra de Coelhos“. Muitas das cidades mais importantes do país foram fundadas pelos romanos, como por exemplo: Zaragoza (CaesarAugusta), Barcelona (Barcino), Sevilha (Hispalis), Toledo (Toletum), etc. Algumas delas conservam um impressionante patrimônio histórico relacionado à época romana, e foram declaradas Patrimônio da Humanidade, como os Conjuntos Arqueológicos de Tarragona e de Mérida, o Aqueduto Romano de Segovia e a Muralha Romana de Lugo. Além do mais, se conservam por todo o país vestígios arqueológicos de cidades de grande importância naquele período, como a antiga cidade romana de Clunia, situada atualmente na Província de Burgos, próxima à cidade de Coruña del Conde, que vimos no último post.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente, esta zona esteve ocupada pelos Arévacos, um povo pré-romano pertencente aos Celtiberos, que se assentaram neste local. Apesar do desconhecimento em relação a sua localização exata, todas as informações relacionados a este anterior povoado se devem às fontes romanas, sendo que finalmente a cidade foi submetida ao poder imperial de Roma. A denominada Colônia Clunia Sulpicia foi uma das principais cidades romanas da metade norte de Hispania. Pertenceu à província de Hispania Citerior Tarraconensis e constituiu um Convento Jurídico (assembléia de reunião entre os povos romanos e as comunidades indígenas, que aconselhavam o governador na administração e na justiça). Situava-se no alto de um cerro que supera os 1000m de altitude, na estrada que ligava Tarraco (atual Tarragona) com Asturica Augusta (atual cidade de Astorga).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm Clunia, o político e militar romano Quinto Sertorio resistiu durante 20 anos a Pompeyo, que destruiu a cidade no ano 72 aC. Foi reconstruída pelo Imperador Tibério (14/37 dC), que lhe concedeu inicialmente o título de Municipium, o segundo em importância de uma cidade romana, com um status inferior ao de Colônia. Clunia emitiu moedas de bronze e de ouro com a efígie do imperador, como vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cidade adquiriu o título de colônia e o nome de Sulpicia depois que Sulpicio Galba se proclamasse imperador na própria cidade, durante a revolução travada contra o Imperador Nero. Seu esplendor ocorreu entre os séculos I e II dC, chegando a ter cerca de 30 mil habitantes, uma quantidade apreciável para a época. Clunia constitui atualmente um excepcional enclave arqueológico, cujas ruínas estão entre as mais importantes da Espanha Romana. Como ocorre com qualquer outra cidade, a maior parte do espaço urbano estava constituído por residências, como a denominada Casa de Taracena, que preserva um impressionante conjunto de mosaicos que podemos contemplar na visita guiada que se realiza no local, decorado com elementos geométricos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA casa ocupa quase toda a extensão de um quarteirão…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO mosaico central possui um grande interesse devido à variedade de sua composição policromada. Seus motivos decorativos relacionam-se com a moda imperial vigente entre os séculos II e III dC, com a presença de elementos geométricos e da flora.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a visita, vemos outros mosaicos conservados, como os que vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm Clunia foi criada a primeira Legião Romana de Hispania, a Legio VII Gemina. No Centro de Interpretaçao construído como complemento informativo à visita, podemos observar vários restos arqueológicos encontrados no local, como uma estela funerária, com o nome do defunto em sua parte inferior e curiosos elementos geométricos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizo esta primeira parte da matéria sobre a cidade romana de Clunia com uma foto minha, tirada por uma das pessoas que integrava a excursão, dentro do Teatro Romano da cidade.

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