Segóbriga – Parte 2

Neste segundo e últimos post sobre Segóbriga, veremos alguns dos principais monumentos conservados desta cidade romana de Hispania. A maior parte deles foram construídos durante o século I dC, e alguns comprovam a popularidade alcançada pelo entretenimento na vida diária de seus habitantes, como o Teatro, cuja construção iniciou-se durante o governo de Tibério e inaugurado um pouco depois, no período de Tito e Vespasiano (79 dC).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs diversas partes construtivas do Teatro Romano denominavam-se caveas, e os espectadores se distribuiam de acordo a sua classe social, estando a elite mais próxima dos atores e atrizes que desempenhavam seus papéis. Estava dividido em 3 partes horizontais separadas por pequenos muros (Ima cavea, Media cavea e Summa cavea).

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua parte decorativa incluía colunas e belas estátuas das musas e também da família imperial, atuando como local de propaganda dos governantes e o culto aos imperadores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Circo Romano, onde se realizavam as tradicionais corridas de bigas e quadrigas, encontrava-se mais afastado da cidade, e não se conservou. Sua localização foi delimitada por uma linha que se observa na paisagem…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá o Anfiteatro, onde eram realizadas alguns dos espetáculos mais populares, como lutas entre gladiadores e feras, está considerado como um dos mais bem conservados do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPossuía uma forma elíptica, com capacidade para receber a 5.500 espectadores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a porta de entrada ao Anfiteatro de Segóbriga

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cidade estava protegida por uma muralha, que  conserva apenas uma pequena parte de seu perímetro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Forum constituía o centro da vida romana, com funções administrativas, jurídicas e comerciais. Na sequência, vemos os restos desta parte da cidade…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo século IV dC, a cidade entra numa etapa decadente, e seus principais monumentos foram abandonados. No entanto, durante o período visigodo, Segóbriga permaneceu sendo uma cidade de importância, pois foram encontrados os restos de uma basílica. O despovoamento definitivo da cidade ocorre com a invasão muçulmana. Abaixo vemos uma reconstituição da antiga Segóbriga Romana

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Segóbriga – Província de Cuenca

Durante séculos, o atual território espanhol fazia parte do poderoso Império Romano, formando uma de suas inúmeras províncias, denominada Hispania. Muitas das mais conhecidas cidades espanholas foram fundadas neste período, como Barcelona (Antiga Barcino), Zaragoza (Caesar Augusta), Toledo (Toletum), Sevilha (Hispalis), etc, etc. Abaixo, vemos um mapa que nos mostra a grande extensão alcançada pelo império cuja capital seria conhecida posteriormente como a “Cidade Eterna”, Roma

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, podemos conhecer em muitas regiões da Espanha parques arqueológicos que nos permitem compreender como se desenvolvia a vida cotidiana numa cidade romana da Hispania. Um destes lugares, de grande interesse turístico, é Segóbriga, situado na Província de Cuenca (Comunidade de Castilla-La Mancha). Declarado por sua importância arqueológica Monumento Nacional em 1931, Segóbriga constitui um dos principais parques arqueológicos do país relacionado a esta etapa histórica. Abaixo, vemos uma foto aérea do conjunto…

OLYMPUS DIGITAL CAMERA No entanto, séculos antes de sua fundação romana, o local já era habitado por tribos celtíberas, como demonstram os achados de cerâmica encontrados na zona, que pertencem ao século V aC. Inclusive seu nome deriva de dois termos de origem celtíbero, Sego e Briga, cujo significado é “Cidade Vitoriosa“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASegóbriga integrava uma das principais províncias da Hispânia Romana, denominada  Citerior Tarraconensis, cuja capital e principal cidade era Tarraco, atual Tarragona (situada na Comunidade da Catalunha).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs primeiras notícias desta cidade foram dadas pelos geógrafo grego Estrabón, embora  pouco precisas. No século I, se menciona o ataque realizado por Viriato (de origem lusitano, foi um dos principais líderes contra a dominação romana) sobre a cidade , por sua aliança com Roma. Segóbriga está situada no alto de um cerro denominado “Cabeza de Griego“, e seus restos arqueológicos encontram-se bem conservados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntes de realizar a visita aos principais pontos da cidade, convêm conhecer o Centro de Interpretação do lugar, onde podemos apreciar melhor sua importância e seu contexto histórico. Muitas peças arqueológicas encontradas estão nele expostas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos um  exemplo destas peças de grande valor histórico, como o retrato de um senador romano, achado no Fórum da cidade (pertencente ao século I dC).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO desenvolvimento desta cidade romana ocorreu graças à exploração de uma variedade translúcida de gesso denominada “Lapis Specularis“, muito apreciada na época para a fabricação de vidros, especialmente para janelas, e extraída nas minas existentes próximas à Segóbriga.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois da vitória romana contra as tribos celtíberas no século II aC, progressivamente a cidade se transforma ao modo de uma urbe romana, tributária a Roma, e adquirindo o status jurídico de Municipium durante a época de Augusto, em torno ao ano 12 aC, sendo governada por indivíduos de cidadania romana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos principais nomes associados a Segóbriga foi Caio Júlio Silvano, um funcionário imperial que chegou à cidade para organizar e controlar a exploração do “Lapis Specularis“. Um dos pontos visitados durante o passeio são os restos de sua casa, e o mosaico branco en negro decorado com elementos geométricos que se exibe no Centro de Interpretação, que embelezava uma de suas dependências.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAntes de chegar ao cerro onde se situa os principais restos arqueológicos, conhecemos uma necrópolis ou cemitério romano, datado do período mais tardio da ocupação romana. Situado fora das muralhas que rodeavam a cidade, os romanos já sabiam da importância de enterrar os mortos fora do núcleo urbano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Também situado fora do recinto de muralhas, o aqueduto abastecia de água a cidade, formando um traçado de 5 km. A água corria por um tubo feito de chumbo e estava protegida por muros de concreto, além de coberta por telhas para que se mantivesse sempre fresca. Os restos da estrutura apenas nos permite imaginar sua real envergadura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAproximadamente no ano 80 dC, foram finalizados os principais monumentos da cidade, que veremos no próximo e último post sobre a cidade romana de Segóbriga.

Monastério de Uclés – Parte 2

Como comentei no último post, o Monastério de Uclés teve uma grande importância histórica na Espanha por ter sido a sede da Ordem de Santiago, uma das principais ordens militares e religiosas do país. A Ordem de Santiago foi fundada no século XII (ano de 1170) no antigo Reino de León, precisamente na cidade de Cáceres, atual Comunidade de Extremadura. Inicialmente, seu objetivo primordial era proteger os peregrinos que realizavam o caminho a Santiago de Compostela, onde se encontra o sepulcro do Apóstolo Santiago, santo padroeiro da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom o tempo, a Ordem de Santiago acabou participando do processo de expulsão dos muçulmanos da Península Ibérica, tendo um papel relevante nas guerras de reconquista. No Monastério de Uclés vivía o grande mestre da ordem, bem como muitos dos cavalheiros que pertenciam à instituição. O emblema da ordem era a Cruz de Santiago, que podemos observar em distintos locais do monastério, como no pátio…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOu na sacristía….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERATrata-se de uma cruz vermelha que simula uma espada com forma de flor de lis na empunhadura. Os cavalheiros da ordem  levavam a cruz estampada num estandarte e em sua capa branca. A espada representa o espírito guerreiro do Apóstolo Santiago e sua forma de martírio, pois foi decapitado com uma espada. Simboliza também “tomar a espada” em nome de Cristo. Abaixo, vemos a cruz numa das capelas da igreja do Monastério de Uclés, na qual podemos ver exposições sobre a história da ordem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Ordem de Santiago enriqueceu graças ao grande território que se estendia sobre seus domínios, principalmente pela região que atualmente conhecemos como Castilla La Mancha. Chegou a possuir mais propriedades que as ordens de Alcántara e Calatrava juntas, outras ordens importantes do país. Sua rápida propagação se deve a que suas regras eram menos rígidas que as demais, sendo a única em que os cavalheiros membros tinham o direito de casar. Além de suas amplas propriedades na Espanha, a Ordem de Santiago possuía terras em Portugal, França, Itália, Hungria e também na Palestina. Abaixo, vemos a sacristía do Monastério de Uclés, transformada numa capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1493, os Reis Católicos incorporaram as ordens militares-religiosas à Coroa da Espanha. Atualmente, constituem uma organização nobiliária religiosa e honorífica. Na sequência, vemos um quadro do Apóstolo Santiago retratado como peregrino…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, a bela escada de acesso ao nível superior do pátio construído como se fosse um claustro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE um quadro da Imaculada Conceição que decora uma das paredes do interior do monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro aspecto a ser salientado neste monastério é a grande quantidade de estilos artísticos que apresenta em sua construção, como vimos na matéria anterior. Sua fachada principal pertence ao século XVIII, e foi realizada por Pedro de Ribera, um dos maiores arquitetos barrocos da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi concebida como se fosse um autêntico retábulo feito de pedra, caracterizado por uma rica decoração.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1836, com o processo desamortizador dos bens eclesiásticos, a Ordem de Santiago teve que abandonar o monastério. No começo do século XX, o Monastério de Uclés transformou-se num colégio de educação secundária e depois num colégio de noviciados pertencente aos padres agostinhos. Em 1936, durante a Guerra Civil Espanhola, foi saqueado, convertendo-se num hospital. Com o término do conflito, acolheu uma penitenciária para presos políticos até 1943, em cujo período faleceram centenas de presos republicanos pelas más condiçoes a que eram submetidos, além da prática da tortura. Finalmente, com o fechamento da prisão, foi transformado num seminário.

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Monastério de Uclés – Prov. Cuenca

Antes de iniciar o primeiro post de 2020, gostaria de desejar um maravilhoso ano a todos vocês, repleto de harmonia, saúde e amor !!!! No final de 2019 realizei outras excursões organizadas por meus professores de história de Madrid e acompanhado por um grupo de 50 pessoas, sempre em busca de lugares de grande interesse histórico e artístico pela Espanha. O local escolhido numa delas incluiu uma cidade romana e um monastério que fazia tempo que tinha vontade de conhecer, situado na cidade de Uclés, que faz parte da Província de Cuenca, uma das províncias integrantes da Comunidade de Castilla La Mancha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs monastérios (mosteiros, em português) constituem instituições religiosas habitadas por monges em clausura. Também podem ser denominados Abadias (quando regidos por um abade) ou prioratos (dirigidos por um prior). O Monastério de Uclés, de grande importância histórica e religiosa no país, está situado no alto de um cerro, a cujos pés encontramos o povoado que dá nome ao monastério. Nesta pequena colina havia antigamente um castro celtíbero (pequeno povoado onde viviam tribos celtas que entraram em contato com os povos iberos, autóctonos do território espanhol). Séculos depois, os muçulmanos construíram no local uma fortificação, da qual se conservam apenas três torres e parte de sua muralha defensiva dupla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Monastério de Uclés faz parte de um grande complexo de construções realizadas em distintos períodos históricos, iniciando-se na época muçulmana e alcançando uma enorme importância como fortaleza propriedade da Ordem de Santiago, que o utilizou como sua sede principal, depois que a cidade de Uclés foi reconquistada pelo Rei Alfonso VIII, que acabou doando a antiga fortaleza a esta ordem religiosa da Espanha no ano de 1174.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Com o tempo, foram edificadas várias dependências nas quais viviam os membros da Ordem de Santiago, que se uniram à fortaleza inicial. Estas ampliações afetaram principalmente o sistema defensivo da fortificação, que em sua maior parte foi destruído. O Monastério de Uclés, tal como o conhecemos hoje, foi construído a partir de 1529, durante o reinado do Imperador Carlos I. Sua importância arquitetônica e artística se comprova pelos vários estilos da construção, relacionados ao prolongado tempo necessário até a finalização do conjunto monacal. Inicialmente, utilizou-se o estilo plateresco, que formou parte da primeira etapa do Renascimento na Espanha, caracterizado pela riqueza dos elementos decorativos. O projeto foi realizado por um arquiteto chamado Enrique Egas, de grande fama neste período.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o imenso pátio em forma de claustro do monastério, composto por 36 balcões distribuídos ao longo de seu perímetro. Foi construído no século XVII e apresenta dois níveis construtivos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo final do século XVI se construiu a igreja no estilo herreriano, caracterizado pela austeridade decorativa. Este estilo deve seu nome ao arquiteto Juan de Herrera, famoso por ter sido o responsável principal do projeto do Monastério de El Escorial, situado próximo a Madrid. Por esta razão, o Monastério de Uclés é considerado como “El Escorial de La Mancha“. A igreja finalizou-se em 1602.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior da igreja foram sepultados vários membros relevantes da Ordem de Santiago, como Rodrigo Manrique e seu famoso filho, o poeta Jorge Manrique.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja possui apenas uma nave e um coro elevado. Em sua nave única se abrem capelas comunicadas entre si, onde podemos apreciar exposições sobre a Ordem de Santiago, além de várias obras artísticas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Retábulo Maior que presidia o Altar Maior era de estilo clássicos com tendências barrocas, mas foi danificado durante a Guerra Civil Espanhola do século XX, e posteriormente reconstruído. O quadro central do retábulo foi realizado pelo pintor real Francisco Rizzi no século XVII, sendo recentemente restaurado. Nele aparece o Apóstolo Santiago, santo padroeiro da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, publicarei a segunda parte da matéria sobre o Monastério de Uclés