Românico Espanhol – Arquitetura

No post de hoje veremos o Estilo Românico na Espanha em relação a arquitetura e seus principais elementos construtivos. Como já comentei, a arquitetura românica é fundamentalmente religiosa, com as igrejas e monastérios (mosteiros, em português) como construções predominantes. Quando entramos num templo românico, observamos que encontram-se cobertos por uma cúpula abovedada, feita de pedra, que substituiu as anteriores de madeira, facilmente inflamáveis. A necessidade de sua construção em pedra fez com que os muros adquirissem uma maior espessura, com a finalidade de intensificar a resistência à pressão da cúpula. As janelas, formadas pelos arcos de meio ponto (semicirculares), características do estilo, eram escassas e pequenas, de forma que a a aparência da igreja seja de robustez e pouco iluminada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACúpula da Igreja de San Martín de Fromista (Castilla y León)

A igreja românica procede da antiga Basílica Romana, construção vinculada a temas jurídicos, de forma que apresentam uma planta basilical. Normalmente, possuem um formato de Cruz Latina, característica não somente exclusiva do estilo românico, mas que abrange a maior parte das igrejas católicas romanas construídas ao longo dos séculos. Representa a cruz de Cristo Crucificado, sendo que a entrada da igreja representa os pés de Cristo, a nave principal seu corpo, e o Altar Maior, sua cabeça. A nave transversal, também denominada Transepto, corresponde aos braços de Cristo. O Crucero constitui a intersecção da nave principal com a transversal, local onde se ergue a cúpula. No geral as igrejas românicas possuem três ábsides, como se denominam as estruturas arquitetônicas de sua cabeçeira, sendo o central maior que os laterais, como podemos ver abaixo no exterior da Igreja Românica de San Pedro, em Ávila (Castilla y León).

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Existem, no entanto, igrejas com 5 ábsides, caso da Igreja de Santa María del Azogue, em Benavente (Comunidade de Castilla y León)

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs templos maiores apresentam um espaço que rodeia o Presbitério, onde se situa o Altar Maior, chamado Girola ou Deambulatório, que corresponde a uma prolongação das naves laterais. Esta estrutura começou a ser utilizada nos templos para que as relíquias pudessem ser veneradas nas capelas, sem prejudicar ou interromper a liturgia da missa. Para que vocês tenham uma ideia destes lugares interiores, fiz um desenho (péssimo, por sinal) com a localização de cada uma das partes mencionadas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm relação aos elementos de sustentação, o arco semicircular é característico, aparecendo nas portas, janelas, etc. A cobertura da igreja ou Bôveda é semicilíndrica (Bôveda de Cañón, em espanhol), estando reforçadas por arcos que dividem a bôveda em partes (Arcos Fajones, em espanhol), descarregando sua pressão em pilares, como podemos ver no interior do Monastério de San Pere de Rodes (Catalunha).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAExistem numerosos casos em que a cobertura da nave principal está formada por Bôvedas de Cañón, enquanto as naves laterais estão compostas por Bôvedas de Arista, resultado da intersecção de duas Bôvedas de Cañón.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Tribuna constitui em uma galeria situada sobre as naves laterais do templo. Quando este espaço se reduz a uma estreita passagem para a circulação, denomina-se Trifório, como vemos abaixo, numa foto do interior da Catedral de Santiago de Compostela (Galícia).

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo exterior, os Contrafortes, partes salientes do muro a modo de pilastras, também auxiliam a descarregar a pressão exercidas pelas bôvedas, arcos e cúpula. Várias portas possibilitam o acesso ao interior da igreja, situadas tanto na nave transversal, quanto em sua fachada principal, normalmente a entrada mais importante. A porta principal geralmente está formada por Arquivoltas (conjunto de arcos de tamanho decrescente), suspensas por arcos adossados ao muro da igreja. A parte principal da porta, no plano escultórico, se conhece como Tímpano, e tanto ele, quanto as arquivoltas, podem estar ricamente decorados com cenas figurativas e narrativas, extraídas de episódios bíblicos, representações de Cristo e da Virgem Maria, santos e profetas, etc. Abaixo vemos o conjunto de esculturas presente na porta principal da Igreja de Santo Domingo em Sória (Comunidade de Castilla y León).

DSC00606Também se ornamentam as arquivoltas com motivos vegetais, animais e geométricos, alguns curiosos como o zig-zag, como vemos na Igreja de San Pedro de Ávila.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar de estarem mais associados ao estilo gótico por sua exuberância, os vitrais já faziam parte da estrutura de iluminação interior durante o românico. Na sequência, vemos as Rosetas (Rosetón, no idioma espanhol), como se denominam os vitrais de formato circular, situados em época românica na parte superior da fachada principal.

DSC03500Roseta – Catedral de Siguenza (Comunidade de Castilla La Mancha)

OLYMPUS DIGITAL CAMERARoseta da Igreja de San Nicolás de Portomarín (Galícia)

O Estilo Românico é riquíssimo por sua linguagem simbólica. No próximo post, veremos o simbolismo das formas arquitetônicas…

 

 

1 comentário Adicione o seu

  1. Os textos estão precisos e concisos e não são aborrecidos. Tem alguns erros de escrita como letras trocadas. Mas de resto gostei muito e estou fazer colecção dos teus escritos pois são muito educativos

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