Românico Espanhol – Escultura

Nos últimos tempos do Império Romano, houve um empobrecimento da escultura como manifestação artística, e praticamente terminou desaparecendo com a invasão dos povos bárbaros. Ao redor do ano 1000, a situação muda radicalmente com a explosão da Arte Românica. Isso se deve  à especialização e integração dos escultores na equipe de trabalhadores nos locais de extração das pedras, as canteiras, que participavam na construção de um edifício e que propiciaram que a escultura fosse incluída nos templos religiosos, ocupando sua estrutura arquitetônica. Desta forma, o Românico favoreceu o renascimento da escultura de pedra, ao estar intimamente ligada à arquitetura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAColegiata de Santa Juliana – Santillana del Mar (Cantábria)

O Estilo Românico supôs, pela primeira vez na história posterior à antiguidade clássica, o desenvolvimento de um estilo unitário em todos os campos artísticos, e sua difusão internacional o converteu no primeiro estilo artístico europeu. As esculturas não somente ornamentavam o edifício, pois seu sentido narrativo, espiritual e simbólico a transformou num verdadeiro mostruário das imagens que explicam o mundo românico. Abaixo, vemos um detalhe decorativo na fachada principal da Colegita de Santa Juliana

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O propósito principal da escultura românica era pedagógico, a instrução, num mundo em que o analfabetismo representava a norma na maioria absoluta da população. Aquilo que os livros mostravam em imagens, a decoração escultórica dos templos permitia a visualização dos fatos bíblicos, a única forma de acesso do conhecimento à disposição dos fiéis e devotos, além da transmissão oral. A escultura converteu-se num instrumento a serviço de Deus, estimulando as pessoas a seguirem os ensinamentos religiosos. A atividade escultórica era realizada nos diversos elementos construtivos da igreja, como nos ábsides e aberturas que permitiam a iluminação interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANos capitéis que rematam as colunas exteriores e interiores do templo, além do claustro

OLYMPUS DIGITAL CAMERACapitel interior da Igreja de Santa María de la Peña – Sepúlveda (Castilla y León) 

OLYMPUS DIGITAL CAMERAClaustro do Monastério de Santo Domingo de Silos (Castilla y León)

É muito frequente a representação escultórica nos elementos que sustentam a cornisa exterior de uma igreja, em espanhol denominados canecillos. Um incrível mundo de formas geométricas, rostos humanos, animais fantásticos ornamentam a construção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACanecillos da Igreja de Santa María del Azougue – Benavente (Castilla y León).

OLYMPUS DIGITAL CAMERACanecillos da Igreja de San Martín de Fromista (Castilla y León)

Os conjuntos escultóricos monumentais centravam-se na fachada principal do templo, nos tímpanos e arquivoltas que integravam a porta principal de acesso ao interior da igreja. Infelizmente, muitas vezes, a própria erosão da pedra dificulta o entendimento das imagens representadas, como no caso da Basílica de San Vicente de Ávila.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA palavra “escultor” não figurava na nomenclatura oficial da Idade Média, pois a separação entre canteiros e escultores era inexistente, devido à ausência de uma concepção artística do trabalho de esculpir. Foi somente a partir do Renascimento quando se estabelece uma clara distinção entre o trabalho arquitetônico e o escultórico.  A particularidade da escultura românica estar intrínsicamente relacionada com a arquitetura tornou necessária a adaptação de suas imagens à superfície, proporção e formas aquitetônicas (denominda Lei do Marco Arquitetônico). As figuras representadas careciam de uma estrutura própria devido a esta adaptação, provocando curiosas deformações, como podemos observar neste capitel abaixo, presente na Igreja de San Lorenzo de Segóvia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs escultras eram talhadas  e cobertas com uma camada de pintura, algo que dificilmente podemos observar atualmente, devido ao desgaste da mesma ao longo dos séculos. Abaixo, vemos uma exceção, na Igreja de Santiago de Turégano, situada na Província de Segóvia (Castilla Y León).

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa primeira etapa do românico na Espanha, as igrejas careciam de elementos decorativos. Foi a partir do final do século XI e, principamente no XII, quando as esculturas aparecem como um elemento característico do estilo. O papel desempenhado pelo Caminho de Santiago foi fundamental na difusão da escultura românica.  Uma obra capital dentro das esculturas monumentais é a Porta das Platerías da Catedral de Santiago de Compostela, finalizada em 1103.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos locais onde a Escultura Românica Espanhola atingiu seu ápice é o fabuloso Claustro do Monastério de Santo Domingo de Silos (Província de Burgos – Comunidade de Castilla y León). Composto por dois níveis de galerias superpostas, a inferior e a superior, seu conjunto escultórico é excepcional. Em cada esquina do claustro inferior encontramos maravilhosos relevos representativos de episódios da vida de Cristo, como a Ascenção, Pentecostes, Morte e Ressureição, Descendimento da Cuz, Coroação de Maria, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a representação do episódio relacionado à Dúvida de Santo Tomás, na qual o santo, acompanhado pelos demais apóstolos, somente pôde acreditar na Ressureição de Cristo ao tocá-lo…

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